Methodology and data
4.1. Research design
As origens do preconceito são de difícil entendimento. Para algumas pessoas o preconceito constitui um tema de extrema complexidade para ser discutido, levando a suas ações uma das grandes dificuldades que o ser humano
enfrenta. A questão principal é quando nós não nos preocupamos em conhecer o verdadeiro conceito da coisa, o problema não é ter preconceito, “mas sim quando ele vira o conceito da coisa” (MAX, 2011, p. 1).
Para entender como respeitar e amar o próximo de forma objetiva e sensata se pode conceituar o preconceito como sendo:
[...] forma de pensamento na qual a pessoa chega a conclusões que entram em conflito com os fatos por tê-los prejulgado. O preconceito existe em relação a quase tudo e varia em intensidade da distorção moderada a um erro total (MAX, 2011, p. 1).
Respeitar as diferenças sem criar uma pré idéia do que poderia ser, sem dúvida, para algumas pessoas é algo muito difícil, e essa dificuldade em aceitar o diferente é em última análise, o que pode gerar pensamentos e processos discriminatórios bem mais comuns do que se pensa, “ao contrário do que tais pessoas têm apregoado, tudo o que não devemos fazer, nesta área, é praticar a discriminação injusta e precipitada, contra o nosso próximo, seja ele quem for ou quem quer que aparente ser” (DUTRA, 2011, p. 2).
Essa condição preconceituosa de algumas pessoas pode levar a construção de um ambiente social bastante conturbado, pois é muito difícil respeitar as diferenças sem levantar questionamentos baseados em algumas verdades pré- concebidas.
Às portas do novo século a sociedade em geral torna-se cada vez mais consciente das diferenças e multiplicidades sociais emergentes que a compõem, bem como da necessidade de regular os vários aspectos envolvidos nos relacionamentos sociais decorrentes dessas diferenças (BANDEIRA; BATISTA, 2002 p. 5).
Essa condição social de novos valores e procedimentos dentro da mecânica social estão alterando algumas concepções ligadas aos aspectos que podem levar a procedimentos preconceituosos, podendo levar a construção de novos valores menos preconceituosos e mais bem aceitos dentro do ambiente social, não necessariamente devido à coerção da lei ou de outros mecanismos de punição ficando a sociedade mais aberta a esses novos aspectos.
Estas podem ser susceptíveis de regulação com base em novos valores que pretendem gerar uma “ética de igualdade”, baseada no respeito (moral) e no reconhecimento (direito) das diferenças e dos pluralismos, que dependa cada vez menos de leis e procedimentos formais (BANDEIRA; BATISTA, 2002, p. 1).
Essa preocupação é pertinente dentro de vários setores sociais atingidos por esse problema, que afeta de maneira concreta nossa sociedade em diferentes campos de ação e a “educação para os valores passaram a representar um dos grandes eixos de preocupação e discussão nos mais diversos campos: político, científico, religioso, midiático e, especialmente, no campo educacional” (SHIMIZU et al, 2006, p. 167).
Esses valores sociais são importantes para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e menos preconceituosa, mas as grandes diferenças sociais existentes na sociedade muitas vezes estimulam a polarização de idéias de maneira bastante contundente chegando ao ponto de gerar problemas sérios de aceitação e convívio.
Nos últimos anos em nossa sociedade, a estimulação dos conjuntos bélicos, a crescente amplificação da violência humana e do terrorismo, “além da crise que assola as instituições sociais e jurídicas, tanto no ‘campo’ nacional quanto internacional, demonstram o quanto necessário se faz o debate sobre a educação intercultural” (LOPES et al, 2009, p. 2).
Seguramente a maneira mais concreta de diminuir os problemas relacionados aos choques interculturais que podem levar a atitudes e ações preconceituosas é a educação (LOPES, et al, 2009). Os processos educacionais desenvolvidos dentro do ambiente escolar e, por conseguinte transportados para a comunidade em geral pode transformar atitudes e promover consciências mais abertas e com uma visão mais crítica sem eminentemente assumir atitudes preconceituosas Silva et al (2003),
[...] coloca a educação, vista como um processo de transformação social, preocupada com o desenvolvimento da consciência crítica dos componentes da comunidade escolar/geral, para que sejam capazes de realizar uma leitura crítica da estrutura social em que estão inseridos. E, por último, coloca-se a educação anti-racista, que pode ser assim resumida: uma ideologia radical apoiada em uma análise de classes de inspiração marxista, posta a serviço de uma transformação social baseada na liberdade, na libertação dos grupos oprimidos e na eliminação das discriminações para a promoção da ação política (SILVA et al, 2003, p. 39).
Dentro da organização social que participamos, o poder público deve assumir a responsabilidade de gerenciar as diferenças sem provocar privilégios ou
desenvolver processos discriminatórios e preconceituosos independente de qualquer crença ou atitude.
No momento em que o poder público, através da elite política, parece favorecer ou desfavorecer determinados grupos identificados por sua etnia, raça, religião, sexo, região, etc. nega a legitimidade de existir e de se exprimir de muitos outros segmentos, deixando as portas abertas às práticas preconceituosas e discriminatórias. “Em outras palavras, nega a possibilidade do outro (da diferença) de ter acesso seja ao arsenal jurídico de igualdade e de eqüidade como traço ideológico dominante, seja ao reconhecimento e participação política” (BANDEIRA; BATISTA, 2002, p. 120).
Uma sociedade que não prioriza o desenvolvimento da igualdade como algo normal, pode estar gerando dentro de seu interior os processos formadores de comportamentos preconceituosos que podem levar a atitudes violentas, contribuindo para um desenvolvimento pouco tranqüilo dos aspectos sociais
[...] uma sociedade que prega a construção diferenciada e não-plural de seus membros, como signo do preconceito, que admite o acesso particulalizado de alguns, seja aos bens materiais, seja aos bens culturais, que dá valoração positiva à desigualdade substantiva de seus membros está fadada à instauração da violência nas suas variantes materiais e simbólicas” (BANDEIRA; BATISTA, 2002, p. 160).
Essa forte tendência ideológica, pode possuir suas origens nos processo de colonização desenvolvidos dentro do nosso pais, contrariando o mito da miscigenação de raças e da formação de uma população sem preconceitos ou discriminações, e por conta disso, cria-se uma postura velada e preconceituosa sobre alguns segmentos e tipos sociais existentes dentro de nossa sociedade. “O Brasil não poderia simplesmente negar sua história, efetivamente realizada por portugueses brancos e aristocráticos, que trouxeram ao país um quadro rígido de valores discriminatórios” (SHIMIZU et al, 2006, p. 168).
Dentro de nossa sociedade cheia de nuances e diferenças, “multiética constituída historicamente a partir de uma imensa diversidade de culturas” (LOPES et al, 2009, p. 3). Reconhecer nossa diversidade étnica implica saber que os fatores constitutivos de nossas identidades sociais não se caracterizam por uma estabilidade, muito pelo contrário, constitui um mundo de diferenças com um imenso processo de pluralidades de ordem religiosa, étnica, de gênero etc.
Essa mistura étnica geradora de nossa sociedade faz com que os cientistas sociais observem com grande cuidado as relações existentes entre os processos discriminatórios e violentos existentes em nossa sociedade e a grande mistura de etnias que pode gerar percepções sociais distintas.
A sensibilidade cada vez maior de cientistas sociais para com a compreensão da multiplicidade na unidade, isto é, das múltiplas faces do povo que é um, e especificamente com a visibilidade da violência nas diversas relações sociais (BANDEIRA; BATISTA, 2002, p. 124).
Segundo Batista, 2002 violência está que acaba se manifestando dentro de todos os espaços da sociedade e principalmente dentro do espaço escolar, que em última analise se constitui no início do processo de socialização, visto que, a educação formal das pessoas têm sua construção dentro do ambiente escolar. “O processo educacional, por seu papel na formação humana que inclui mecanismos de socialização –, tem sido considerado um campo estratégico” (SHIMIZU et al, 2006, p. 168), principalmente por ter na escola um ponto importante para o gerenciamento das diferenças e mais importante ainda o respeito dado a essas diferenças.
Contudo, nem sempre o ambiente escolar reflete esse lugar de socialização e respeito às diferenças inerente à nossa sociedade. Dentro da escola muitas vezes percebe-se processos de grande discriminação e preconceitos que podem ser de gênero, raça, condição econômica, religião entre outros,(SHIMIZU,2006) constituindo uma grande distância entre o que deveria “ser” para o que realmente “é” a realidade escolar brasileira.
[...] a análise do contexto sócio-histórico da educação no país pode ser um importante passo para que se esboce uma compreensão dos processos inerentes ao distanciamento entre a realidade idealizada pelas políticas educacionais e a vivida na prática e no espaço educacional do país (SHIMIZU et al, 2006, p. 168).
Essa prática escolar da falta de respeito entre os alunos e principalmente da intolerância com as diferenças, gera um quadro de violência dentro da escola que pode ser física ou emocional, podendo causar danos irremediáveis aos sujeitos envolvidos nesse processo, por isso a educação intercultural seria a melhor opção para o desenvolvimento de pessoas mais conscientes e menos preconceituosas.
Dessa forma, o espaço educativo move-se por múltiplas conexões entre padrões culturais diversificados que coordenam uma sucessão complexa de tramas de significados. Essas tramas são estabelecidas nas relações entre sujeitos com seus padrões culturais específicos e diferentes, são a substância principal da educação intercultural (LOPES, 2009, p. 3).
Dentro da escola existem regras bem definidas de respeito e procedimentos morais que variam de acordo com o habitus estabelecidos em diferentes períodos da história da educação de nosso país, como forma de gerenciar e direcionar alguns valores de conduta dos educandos, tentando com isso unificar pensamentos e evitar diferenças.
[...] diferentes modelos de educação moral são marcados, basicamente, por três tipos de concepções: o “dogmatismo moral”, pelo qual a educação está baseada em valores absolutos inquestionáveis e imutáveis, impostos por um poder autoritário de forma coercitiva; o “relativismo moral”, pelo qual as normas de conduta e os valores morais são considerados subjetivos e pessoais, não havendo um consenso sobre a melhor forma de agir; e os modelos baseados na ‘construção racional e autônoma de valores’, que buscam o desenvolvimento de situações que facilitem a construção da autonomia do educando e a participação democrática dos vários membros da escola (SHIMIZU et al, 2006, p. 168).
Porém, dentro do ambiente escolar existe uma luta entre os padrões desenvolvidos pela escola que podemos chamar de “cultura escolar, baseados na homogeneização, normatização, rotinização e didatização” (LOPES, 2009, p. 3) e os padrões sociais que são inseridos dentro desse ambiente com toda sua diversidade e conflitos que podemos classificar em cultura da escola.
Essa cultura da escola com suas múltiplas vertentes de cultura vivida, “intercambiada, na qual atuam as culturas sociais de referências dos ‘atores’ do espaço escolar, que vivenciam diferentes universos culturais. Conclui que a cultura escolar ignora essa realidade plural e apresenta um caráter monocultural” (LOPES, 2009, p. 3).
Sendo assim essas múltiplas culturas que são desconsideradas quando entramos na escola, podem gerar comportamentos arbitrários produtores de condutas discriminatórias e violentas em vários sentidos, principalmente o emocional. As diferenças existentes dentro desse universo escolar, algumas vezes “gera preconceitos contra pessoas e/ou grupos diferentes da maioria, culminando com um quadro de exclusão e em algumas vezes crueldade” (LOPES, 2009, p. 6).
A discriminação tem sido promovida e reforçada na educação escolar de diversas formas. As condições que muitos governos vêm dando à escola pública são
alguns fatores que fazem com que o próprio educador acabe, sem perceber, reproduzindo e reforçando a discriminação e o preconceito, os quais acabam por gerar a violência.
[...] o preconceito caracteriza-se como sendo uma forma arbitrária de pensar e de agir, no sentido de que é exercido como uma forma racionalizada de controle social que serve para manter as distâncias e as diferenças sociais entre um sujeito e outro ou um grupo. Tal forma de pensar acarreta práticas e atribuições arbitrárias, destacando os traços de inferioridade, baseados em argumentos que pouco têm a ver com o comportamento real das pessoas que são objetos da discriminação (BANDEIRA; BATISTA, 2002, p. 130).
De todos os tipos de discriminação encontrados no ambiente escolar talvez a de gênero seja uma das mais crueis, pois as questões de religião, raça, entre outras não são tão difundidas nessa fase da vida dos estudantes, e a questão do gênero pode ser um fator bastante presente dentro desse ambiente por diversos motivos, dentre eles podemos imaginar que a falta de maturidade decorrente da idade seja mais forte podendo assumir peso determinante.
A escola pode se transformar em um local de grandes lutas por aceitação, por pertencer a algum grupo maior, de ser aceito e aceitar, as diferenças. Em última análise uma questão de identidade, que muitas vezes não é respeitado devido sua condição de minoria. Nessa perspectiva a sexualidade não poderia ficar de fora dessa observação.
Dentro da rotina escolar, muitas vezes os alunos assumem atitudes e condutas preconceituosas por medo, desconhecimento, ou mesmo por maldade, podendo criar para as pessoas pertencentes a algum tipo de minoria existente dentro do espaço escolar, um estado desconfortável de aceitação e, por conseguinte promover vítimas de condutas explícitas ou não de algum tipo de preconceito.
Uma grande opção de evitar ou diminuir esses problemas de discriminação seria a utilização da educação intercultural dentro da escola de maneira concreta, “implicará que o docente possua uma clara compreensão dos mecanismos políticos, sociais, culturais e educacionais que promovem, em maior ou menor escala em todo o planeta, toda a sorte de preconceitos e discriminações” (LOPES et al, 2009, p. 4). Utilizando uma visão mais ampliada sobre a diversidade cultural, social, econômica, e por que não sexual, esse professor deveria ser capaz de ajudar a promover reflexões que conduzissem a ações viradas para um diálogo mais bem aceito com o outro, o diferente.
Por conta dessa grande contribuição do professor nos processos de aceitação e diminuição das ações preconceituosas, e em alguns casos uma certa falha nos resultados esperados, poderíamos pensar que algo a mais está envolvido nesse processo, assim não poderíamos desconsiderar a enigmática fase do desenvolvimento humano denominada adolescência. “A adolescência é uma fase marcante do desenvolvimento humano, talvez definitiva para a formação da personalidade, com limites imprecisos” (FARIAS et al, 2009, p. 1).
Segundo o Ministério da Saúde:
[...] o desenvolvimento sexual do adolescente sofre influências de si próprio, da família, de sua cultura e subcultura e de seus companheiros, sendo a pressão do grupo, talvez, o fator mais poderoso para determinar seu comportamento (BRASIL, 1999, p. 17-18).
Essa condição de mudança e transformação sofrida por esses adolescentes recebe um reforço pela condição da fase da vida que essas pessoas estão passando. “A adolescência é entendida como uma fase de indefinição, de transição, e ainda, um período passível de conflitos e crises, porém um período de busca de liberdade” (SILVA; SILVA; ALVES, 2004, p. 1).
Dentro da escola essa vontade de libertação interage com os mais diferentes pensamentos decorrentes dessa fase da vida, sendo assim, os adolescentes e jovens interagem com outros, adolescentes e jovens, que “são diferentes deles ou de seu grupo de referência em função, entre outros aspectos, da cor, da sexualidade, da nacionalidade, do corpo, da classe socioeconômica” (SALES; SILVA, 2008, p. 150).
É dentro do espaço escolar que essa interação com o diferente, quando não é problematizada, se dá por meio de relações interpessoais pautadas por conflitos, confrontos e violência. Essas relações podem em algumas vezes ser desencadeadas por determinados comportamentos que vão gerar estereótipos de caráter preconceituosos.
A escola é considerada um espaço de relações sociais, onde amizades são feitas e o mundo vai se constituindo juntamente com a construção de sua auto-imagem, porém, pode ela constituir-se em um ambiente tolerante para homossexuais? (OLIVEIRA; MORGADO, 2008, p. 3).
Nas escolas, é a partir da idéia de heterossexualidade que os conteúdos sobre sexualidade são elaborados, tais como funções dos corpos masculinos e
femininos, esportes praticados, comportamentos sociais, vestimentas entre outros aspectos. Sobre essa matriz, apenas o que se encaixa no sentido cultural e predominante como “normal” e “natural” são selecionados para fazer parte do currículo e das relações interpessoais, ficando “o diferente”, legado a um status de inferioridade e exclusão marcando as pessoas que não estão dentro do padrão reconhecido uma auto-percepção de estarem equivocados. Esse pensamento se refere principalmente à formação de imagens que motivam os julgamentos e questionamentos existentes no ambiente escolar.
O heterossexismo descreve uma atitude de preconceito que acaba por suprimir os direitos de cidadania, classificando como inferiores pessoas cuja opção sexual é vista pelos heterossexuais como problemas sociais. A institucionalização do heterossexismo é reforçada em nossa legislação, nas religiões, na língua e nas escolas, conferindo uma violação aos direitos humanos semelhante ao racismo e ao sexismo. Esse procedimento é por vezes reforçado, pelo fato de ser a homossexualidade entendida como promiscuidade, deixando de se reconhecer no outro, o seu direito de escolha” (TANNO, 2007, p. 3).
Em algumas escolas existem políticas de combate a problemas de discriminação através de programas ou projetos escolares. Infelizmente na grande maioria das vezes, os “programas de educação sexual e reprodutiva, além de serem raros, ainda pressupõem a heterossexualidade como norma, a ponto de tudo aquilo que está ‘fora’ dela ser tratado como desviante” (GARCIA, 2009, p. 3) e, por conseguinte acaba por existir um quadro de marginalização do diferente que pode levar algumas vezes a processos violentos e discriminatórios dentro da escola.
Dentro do ambiente escolar as questões sexuais são muitas vezes encaradas como algo muito simples, ficando o diferente tendo que assumir um lugar de marginalidade e segregação, ou conduzir uma postura de acordo com os padrões dominantes que na maioria das vezes são segregadores, obrigando a essas pessoas diferentes a abrir mão de sua identidade, podendo causar com isso um problema sério de caráter emocional.
A identidade é construída nas circunstâncias históricas, culturais e sociais nas quais o individuo está inserido e também pelas experiências particulares que ele vivencia no interior dessa cultura que são irrepetíveis e determinam as idiossincrasias e a individualidade de cada um (SALES; SILVA, 2008, p. 151).
Parece que existe dentro do ambiente escolar uma necessidade de resumir as partes a um todo contínuo, gerando questões complexas dentro da vida social das pessoas na escola, essa necessidade de criar modelos, pode levar muitas vezes a processos segregadores, onde as práticas diferentes são encaradas como ruins, erradas ou inaceitáveis, podendo criar estereótipos dentro dos esportes gerando pensamentos como “fazer gol deve ser com os pés”, “quem joga bola com a mão é mulher,” “dança é coisa de mulher”.
Esses pensamentos relacionados aos esportes praticados dentro da escola são muitas vezes aceitos como verdades absolutas quase um dogma e, por conseguinte condenando o diferente a um processo de discriminação e preconceito. “A persistência na unificação está associada a uma estrutura de poder cultural, a uma tentativa de impor uma hegemonia cultural, que define quem está incluído e quem não está, ou quem está excluído” (SALES; SILVA, 2008, p. 154).
A promoção de uma educação afetivo-sexual na formação de professores requer a inserção de uma cultura de valores voltada para a tolerância, a cidadania, a integridade, a solidariedade, a ética e a pessoalidade, cuja finalidade seria a de esclarecer no âmbito da sala de aula o significado desses valores. “Percebe-se, nas conversas com os jovens que a sexualidade é tema de prioridade para eles, provoca debates, polêmicas, interesse e atenção”. Para os jovens, sexualidade se entrelaça tanto com afetividade, quanto com sociabilidade e relações sociais de distintas ordens (GARCIA, 2009, p. 10). A juventude é uma fase em que a experimentação da sexualidade vai possibilitar uma estruturação de sua identidade.
O estudo e o combate à homofobia nas escolas pressupõem, portanto, “uma visão crítica que foca não somente o ambiente escolar e seu cotidiano, mas as relações de poder que atravessam os campos do gênero e sexualidade” (OLIVEIRA; MORGADO, 2008, p. 05) e sua articulação com outras formas de dominação, como aquelas relacionadas à classe, raça/etnia e idade. No caso do ambiente escolar, podemos entender como um lugar-chave para a produção de masculinidades, feminilidades e sexualidades socialmente sancionadas.
E por conta desses aspectos tão complexos e diferentes que o ambiente escolar ainda é algo muito difícil de ser entendido do ponto de vista das relações sociais e principalmente da aceitação dessas diferenças sociais, culturais, econômicas e as demais variâncias relativas a esses aspectos. Podemos imaginar
que simplificar as diferenças é mais fácil que aceitar e principalmente respeitar, encarando o diferente como proposta de escolha e não como algo ruim e pejorativo.
Deve-se imaginar que as diferenças são importantes para construção dos espaços sociais e principalmente para melhoria das relações interpessoais e, por conseguinte a diminuição dos processos discriminatórios e preconceituosos tão devastadores na vida das pessoas pertencentes a essas minorias oprimidas.