Analytical Framework
3.6. Concretising the framework
Em nossa sociedade do século XXI, percebe-se que as diferenças são cada vez maiores, obrigando os sujeitos a seguir uma linha de conduta marcada por algumas características dominantes como condição para uma participação plena e para conseguir usufruir dos direitos básicos de todo cidadão.
A grande maioria das pessoas não consegue exercer de maneira plena sua cidadania, experimentando grandes problemas de ordem social, política, econômica e cultural. Nessa luta os participantes de grupos menos favorecidos ficam em desvantagem gerando um quadro de desigualdade e discriminação, não simplesmente resultante de diferenças no âmbito econômico.
Segundo Bourdieu (1990), a redução do campo social e do espaço multidimensional ao campo econômico não permite ter uma visão mais ampla da realidade e desse modo poder entendê-la em sua complexidade.
[...] erro maior, o erro teoricista encontrado em Marx, consistiria em tratar as classes no papel como classes reais, em concluir, da homogeneidade objetiva das condições, dos condicionamentos e, portanto das disposições, que decorre da identidade de posição no espaço social, a existência enquanto grupo unificado, enquanto classe (BOURDIEU, 1990, p. 156). Partindo dessa reflexão podemos perceber que o entendimento de classe desenvolvido por Weber e trabalhado por Bourdieu deve extrapolar o simples viés econômico, resumir a caracterização de classes somente por algo concreto,
material, economicamente mensurado seria um erro extremamente grosseiro. As classes sociais devem ser pensadas como algo mais amplo em que diferentes enfrentamentos simbolicamente arquitetados vão ser formados em diferentes campos de ação causando uma organização social de classes dinâmica e mutável variando em função do habitus, campos e capitais presentes em cada individuo pertencente a uma comunidade socialmente construída. Ao trabalhar com a perspectiva apenas econômica se “ignora as lutas simbólicas desenvolvidas nos diferentes campos, nos quais está em jogo a própria representação do mundo social e, sobretudo, a hierarquia no seio de cada um dos campos e entre os diferentes campos” (BOURDIEU, 1990, p. 133).
Portanto, a questão da diferença social é claramente indissociável da crença na legitimidade de um bem, de um saber ou de uma prática, isto é, indissociável daquilo que poderíamos chamar de grau de desejabilidade coletiva que existe a seu respeito. “De fato, o que separa uma diferença social e uma desigualdade social é o acesso a toda uma série de bens, práticas, saberes, instituições etc”. (LAHIRE, 2003, p. 24).
Nessa perspectiva pode-se entender a limitação das análises que levam em consideração apenas a questão econômica, mascarando um processo contínuo de segregação e separação social que tem raízes mais profundas e diversificadas. Buscar as demais vertentes que se agregam à econômica é fundamental para entender os processos de legitimação de um poder construído historicamente pelos grupos sociais dominantes.
A partir da idéia apresentada anteriormente é que as comunidades menos favorecidas economicamente são formadas e engendradas com o peso do preconceito e da segregação social. Porém, esses grupos, apesar das adversidades, de diversas formas, vêm lutando contra o discurso dominante que os deprecia, buscando assim alternativas para combater esta situação incômoda, marcadamente histórica. A criação de uma diferença, qualquer que seja, é também política, pois cria a desigualdade, quando se constroem hierarquias e valores sociais.
[...] promovendo a formação de padrões de referencias baseados nos mais favorecidos economicamente, desenhando corpos, perfis ideais, estabelecendo exclusões, demarcando espaços, limites de ação e posição, mapeando e classificando o social. Com efeito, a marca da diversidade do humano se faz na diferença produto e produtora de desigualdades políticas (SWAIN, 2005, p. 340-341).
Nesse quadro de incertezas e lutas socialmente construídas pode-se analisar a prática de esportes, no caso desse estudo, o Handebol dentro de comunidades menos favorecidas pode se constituir em um grande aliado no processo de incluir e não discriminar.
O reconhecimento do esporte como canal de socialização positiva ou inclusão social, é revelado pelo crescente número de projetos esportivos destinados aos jovens das classes populares, financiados por instituições governamentais e privadas. Na literatura em educação física, esportes e lazer, sociologia e em outras áreas, são apresentadas indicações dos benefícios proporcionados pela prática regular de esportes, na formação moral ou da personalidade dos seus praticantes (VIANA; LOVISOLO, 2009, p. 44).
As propostas teóricas e políticas, as possibilidades de profissionalização, a formação estética dos corpos, o impacto positivo sobre a saúde e o campo multifacético do lazer, da sociabilidade, do entretenimento são atrativos conhecidos dentro de nossa sociedade, porém contraditórios, pois, apesar das possibilidades da prática esportiva e do lazer apresentarem benefícios propagados e conhecidos pela grande maioria da sociedade, ainda existe alguns problemas de aceitação e manutenção dessas práticas por “algumas pessoas, parece existir uma contradição entre a amplidão e aparente profundidade das crenças que as pessoas possuem sobre seus benefícios e a baixa adesão à atividade física sistemática” (VIANA; LOVISOLO, 2009, p. 147).
Partindo desse pressuposto pode-se entender que existe algo além da simples execução motora. A relação entre os benefícios anunciados através da prática da atividade física e a sua real aceitação pela sociedade em geral, nos mostra que deve haver algo bem mais determinante envolvido no processo de escolha para pratica da atividade física, que simplesmente o gosto pessoal.
Poucos fenômenos sociais têm a mesma aceitação popular que tem o esporte. Dificilmente ficamos indiferentes às alterações que os diversos eventos esportivos e seus desdobramentos provocam em nosso cotidiano. Apesar dessa possível inserção social, notamos que o “esporte ainda não goza da legitimação social que outros direitos têm no âmbito das administrações públicas”, ou então, em um quadro de escassez generalizada de acesso a direitos, o mesmo fica relegado a um segundo plano (MARTINS; MELO, 2008, p. 18).
Seria essa falta de apoio por parte do poder público o ponto crucial para não haver a preferencia em larga escala da sociedade pelas práticas de atividades físicas e esportes? Pode-se considerar que existe algo bem mais complexo por traz dessas escolhas sobre à prática da atividade física e esporte que somente o grau de oferta das mesmas? Essas questões são determinantes para entendermos as contribuições da sociologia desenvolvida por Bourdieu, principalmente para responder problemas complexos sobre as escolhas da prática da atividade física e esporte e sua posterior manutenção dentro dos mais variados nichos sociais.
Observa-se que a atividade física e o esporte são ferramentas fundamentais para proporcionar a qualquer grupo social um ingresso em alguma atividade coletiva, podendo usufruir dos benefícios sociais, psicológicos e físicos decorrentes dessa atividade.
Esse sentimento de pertencer a um grupo promove, mesmo que de maneira discreta, a constatação de se considerar incluído no meio social, o que já é um começo. Mas para que esse fenômeno possa acontecer com maior intensidade agregando um número cada vez maior de pessoas, devemos ter em mente uma questão muito importante, que é a formação do habitus.
Segundo Brandão (2010), o habitus, o conceito fundamental na concepção de Bourdieu, tem sido alvo da maior parte das críticas, pois a ele se atribui frequentemente um caráter mecânico e inescapável de produtor da "reprodução" social. Entretanto, Bourdieu ressaltou inúmeras vezes que a noção de habitus visava marcar uma ruptura com a filosofia intelectualista da ação, que se fundava no pressuposto do caráter racional de toda a ação verdadeiramente humana.
O habitus é um operador de racionalidade, mas de uma racionalidade prática, imanente a um sistema histórico de relações sociais e, portanto transcendente ao indivíduo (Bourdieu, 1990, p. 26).
Deve-se entender que a sociologia de Bourdieu chama a atenção para a indissociável relação entre os campos e o habitus. O habitus é um saber agir aprendido pelo agente na sua inserção em determinado campo. O campo na proposta de Bourdieu, se concretiza pelo local onde os sujeitos sociais se apresentam, travando suas lutas e conquistas, sempre baseados no habitus construído socialmente por meio de um equilíbrio instável entre esses elementos. O campo funciona como um mercado e tem seu surgimento no momento em que há
produção e consumo de bens, com regras próprias de funcionamento e relações entre agentes pertencentes aos campos que buscam possuir o capital necessário para dominá-lo.
O habitus garante a coerência entre a sociedade e o indivíduo; “fornece a articulação e a mediação entre o individual e o coletivo” (BOURDIEU, 1990, p. 27). Por meio desta noção, surge um pensamento específico da produção social dos agentes e de suas lógicas de ação. Na sociedade as forças sociais vivem num equilíbrio constante e instável possibilitado pela formação de habitus que se materializam em enfrentamentos desenvolvidos no campo socialmente construído.
[...] resultado de uma correlação dialética entre a situação dada socialmente, o campo (visto como um espaço social de dominação e conflito), e o habitus (visto por ele como um sistema de disposições e predisposições mais ou menos duráveis que integram muitas experiências passadas) (MURAD, 2009, p. 125).
Através da definição de habitus se vê que estes são caracterizados por serem, atitudes interiorizadas e que funcionam como princípios inconscientes de ação, percepção e reflexão, que muitas vezes são reproduzidos quase sem nossa consciência acontecendo de maneira espontânea, ou seja, não se manifesta de forma obrigatória, controlada.
Nesse sentido Murad (2009, p. 127), divide o habitus em dois componentes básicos: o Ethos e a Hexis. “Ethos: princípios ou valores em estado prático, a forma interiorizada e não-consciente da moral que regula a conduta cotidiana: são os esquemas de ação, mas de maneira inconsciente.” Hexis: corresponde às posturas, disposições do corpo, relações ao corpo, interiorizadas inconscientemente pelo indivíduo ao longo de sua história. Essa conceituação de ethos e hexis também é corroborada por Junior (2009), quando traça conceitos sobre os dois elementos constituintes do habitus. Observe o que diz Bonewitz (2003) sobre essa questão:
O habitus é simultaneamente a grade de leitura pela qual percebemos e julgamos a realidade e o produtor de nossas práticas. Gostar mais de cerveja do que de vinho, de filmes de ação do que de filmes políticos, votar na direita mais do que na esquerda são produto do habitus. Do mesmo modo, andar com o tronco erguido ou curvado, ser desajeitado ou ter facilidade nas relações interpessoais são manifestações da hexis corporal. Enfim, considerar determinado indivíduo como pequeno, mesquinho, ou, pelo contrário, generoso, brilhante, depende do ethos (BONEWITZ, 2003, p. 78).
Para Bourdieu (1983) a socialização é caracterizada pela formação do habitus, conceito que ele define da seguinte maneira:
[...] os condicionamentos associados a uma classe particular de condições de existência produzem habitus, sistemas de disposição duradouros e transponíveis, estruturas estruturadas dispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, princípios geradores e organizadores de práticas e representações que podem ser objetivamente adaptadas ao seu objetivo sem supor a visada consciente de fins e o controle expresso das operações necessárias para atingi-los, objetivamente “reguladas” e “regulares”, sem ser em nada o produto da obediência a regras e sendo tudo isso, coletivamente orquestradas sem ser o produto da ação organizadora de um maestro (BOURDIEU, 1983, p. 88-89).
A socialização corresponde à união de mecanismos usados pelos indivíduos para realizarem a aprendizagem das relações existentes dentro de uma sociedade ou união coletiva, facilitando assim sua aceitação dentro desse grupo socialmente construído.
A vida em sociedade supõe que o indivíduo seja socializado. O ser humano deve aprender a viver em ambientes sociais, pois é uma de suas características mais marcantes e isso é demonstrado através de uma interação constante com seus semelhantes e também com o meio em que vive e atua.
Segundo Turner (1999), todos nós nos tornamos humanos através da interação com outros e nela adquirimos uma personalidade, aprendemos como nos adaptarmos em sociedade e como viver nossas vidas e ainda [...] “As interações que influenciam o desenvolvimento dessas capacidades que nos permitem participar em sociedade são chamados de socialização” (TURNER, 1999, p. 76-77).
Os processos de socialização são determinantes para o desenrolar de mecanismos que conseguiram manter uma sociedade organizada e funcional, as práticas socializadoras devem desenvolver os controles que socialmente são aceitos, possibilitando o melhor convívio possível dentro do mesmo ambiente social. Bonewitz afirma que:
[...] a socialização corresponde ao conjunto dos mecanismos pelos quais os indivíduos realizam a aprendizagem das relações sociais entre os homens e assimilam as normas, os valores e as crenças de uma sociedade ou de uma coletividade (BONEWITZ, 2003, p. 10).
O quadro de violência e criminalidade pode ser visto pela perspectiva de socialização, que segundo Foracchi (1977, p. 35), “refere-se ao processo por meio
do qual o indivíduo aprende a ser um membro da sociedade assimilando padrões sociais que regem sua conduta individual”. Muitas vezes tendo seus integrantes, passado por um processo de socialização baseado nessas características, acarretando assim a formação de condutas que posteriormente vão se concretizar em habitus, que se não são a unanimidade podem englobar uma parcela grande dessas comunidades, levando a formação de estereótipos construídos socialmente pela falta de oportunidades e opções dentro de uma sociedade discriminatória e segregadora.
Em relação às escolhas pela prática de determinados esportes, algo semelhante pode ser observado, no que concerne à socialização, visto que dentro dessas comunidades empobrecidas muitas vezes não houve a construção de habitus esportivo. Quando projetos de apoio e incentivo ao esporte são colocados ao alcance dessas pessoas sua aceitação se torna mais fácil, devido primeiro ao sentimento de pertencer a algum grupo, e segundo que pode ser o mais determinante, o ato/ação da construção de um habito, já que construir pode ser mais fácil que mudar um já existente.
Nessa perspectiva, o processo de socialização pode ser dividido em duas fases distintas: socialização primária, a qual a criança se torna membro participante da sociedade, e socialização secundária, em que os indivíduos são introduzidos num mundo social específico.
A intensidade das aquisições varia de acordo com a idade; assim, distinguem-se tradicionalmente a socialização primária, ou socialização da criança, e as socializações secundárias, processos de aprendizagem e adaptação dos indivíduos ao longo de suas vidas. (BONEWITZ, 2003, p. 15).
No princípio da vida as interações, acontecem de maneira natural relacionando com o próprio corpo, com o ambiente e também com outras pessoas, portanto quando do nascimento a criança já possui experiências concretas.
Desde o início a criança desenvolve uma interação não apenas com o próprio corpo e o ambiente físico, mas também com outros seres humanos. A biografia do individuo, desde o nascimento, é a história de suas relações com outras pessoas (FORACCHI, 1977, p. 37).
No processo de desenvolvimento da criança, acontece a socialização, onde as pessoas são inseridas em mundos sociais específicos. Em alguns casos essa
socialização é mais superficial, porém em outros exige modificação profunda e se assemelha muito a socialização na primeira infância.
Esse processo de socialização, aparece durante toda nossa existência humana, e são essas experiências que vão construir, de maneira concreta, algumas atitudes e posicionamentos perante o mundo socialmente construido, onde os campos vão ser formados e principalmente onde os símbolos sociais vão ser cristalizados levando a uma formação de pessoas com habitus incorporados.
Para as atitudes se transformarem em habitus, deve ocorrer uma interiorização das mesmas o que é algo extremamente dificil pois passa por vários estágios possuindo um ritmo próprio para acontecer dependendo de cada pessoa e estas devem possuir significado para o agente social individual, não adiantando tentar impor sua ação dentro da sociedade.
Da mesma forma que a socialização o habitus também não tem um fim determinado sendo construído a partir de novas experiências que surgem com a vivência, caracterizando o aparecimento de habitus secundários no decorrer da vida das pessoas.
O habitus é uma estrutura interna sempre em via de reestruturação. É o produto de nossa experiência passada e presente o que mostra que o habitus não é totalmente congelado. Isto implica que nossas práticas e representações não são nem totalmente determinadas (os agentes fazem escolhas), nem totalmente livres (estas escolhas são orientadas pelo habitus) (BONEWITZ, 2003, p. 79).
Partindo desse pensamento, o habitus pode intervir de maneira significativa nos processos de socialização das pessoas, podendo constituir um construtor de estilos diferenciados promovendo aquisições sociais distintas a partir de um mesmo ambiente social podendo levar as pessoas a inúmeras trajetórias no decorrer de seus processos civilizatórios.
O estilo “pessoal”, isto é, aquela marca particular que trazem todos os produtos de um mesmo habitus, práticas ou obras, nunca é mais do que um desvio em relação ao estilo próprio a uma época ou a uma classe. [...] O princípio da diferença entre os habitus individuais reside na singularidade das trajetórias sociais, às quais correspondem séries de determinações cronologicamente ordenadas e irredutíveis umas as outras (BOURDIEU, 1983 p. 101-102).
A partir da afirmação de Junior (2009), sobre como a trajetória de vida dos indivíduos pode afetar diretamente o habitus, e, por conseguinte, promover
distorções do mesmo até dentro de uma mesma classe social representada dentro de uma sociedade historicamente construída. Podemos perceber que a trajetória de vida, pode se apresentar como algo extremamente importante para construção desse habitus.
Isso vem ajudar a derrubar a associação preconceituosa que alguns fazem por meio de um julgamento generalizado entre comunidades pobres, ao associar violência e criminalidade, criando uma falsa idéia que indivíduos pertencentes a essas comunidades não podem assumir outro habitus que não seja o prejudicial à ordem social.
Segundo Bourdieu (1983) com a reflexão sobre a construção de habitus, pode-se entender porque algumas comunidades menos favorecidas economicamente apresentam determinadas características que alguns julgam erradas ou indevidas, porque infelizmente os indivíduos mais abastados financeiramente cometem o erro de julgar os hábitos a partir de seus próprios, cometendo um erro clássico de interpretação, chegando até mesmo a classificar os mais pobres de pouco educados por conta apenas, desses indivíduos apresentarem habitus socialmente diferentes dos já incorporados pelos mais favorecidos economicamente.
Sendo assim pode-se perceber que há uma elaboração de justificativa por parte dos grupos sociais dominantes para condenar, julgar, discriminar e excluir os grupos menos favorecidos, utilizando a desculpa da diferença de ação dentro da sociedade, sem levar em conta o processo de construção do habitus realizado por eles.
Na compreensão da construção do habitus deve-se levar em conta o estilo de vida, pois o estilo de vida pode refletir o habitus socialmente construído podendo este se alterar dentro de um mesmo segmento social, sem com isso descaracterizar os indivíduos socialmente compreendidos nessa estrutura social. Por conta disso, segundo Bonewitz (2003, p.82) “um estilo de vida é um conjunto de gostos, crenças e práticas sistemáticas característicos de uma classe ou fração de classe dada”.
Para entender essa questão dos estilos de vida deve-se analisar o conceito de capital, amplamente utilizado por Pierre Bourdieu em sua sociologia, pois permite entender algumas diferenças existentes dentro de nossa sociedade de maneira mais coerente. É fundamental se desprender da noção de capital como sendo eminentemente econômica, pois esta é representativa da concepção fundamental
desenvolvida por Bourdieu. Para ele o capital se apresenta em diversas outras perspectivas em que o cultural, o social, o simbólico e o físico são possibilidades que se interpenetram.
À primeira análise a noção de capital está ligada à abordagem econômica. A analogia se explica pelas propriedades reconhecidas do capital: ele se acumula por meio de operações de investimento, transmite-se pela herança, permite extrair lucros segundo a oportunidade que seu detentor tiver de operar as aplicações mais rentáveis (BONEWITZ, 2003, p. 53).
Baseado na sociologia de Bourdieu, Murad (2009, p. 131) “identifica até quatro tipos de capital, onde todos vão expressar características e limitações existentes dentro da formação social moderna”, influenciando de maneira significativa os processos de construção e relação socialmente ativas dentro de um grupo socialmente constituído, que foram resumidos por nós em:
O capital econômico: constituído pelos fatores de produção e pelo conjunto de bens econômicos.
- O capital cultural: qualificações intelectuais produzidas pelo sistema escolar ou transmitidas pela família. Existe em três formas: em estado incorporado como disposição duradoura do corpo; em estado objetivo, como bem cultural; em estado institucionalizado.
- O capital social: conjunto das relações sociais de que dispõe um indivíduo ou grupo.
- O capital simbólico: conjunto dos rituais ligados à honra e ao