4. LEVEKÅR OG LIVSKVALITET FOR PERSONER MED KJØNNSINKONGRUENS
4.2 Sosiale forhold
No início desta investigação - Os Contributos das Histórias de Vida de Colaboradoras na Prática Profissional Com Idosos – estipulou-se que o objetivo geral passaria por entender e analisar que contributo formativo as histórias de vida de colaboradoras forneciam à prática profissional com idosos dentro da organização onde executam as suas tarefas.
Para que, efetivamente, se conseguisse uma análise geral concisa e estruturada, optou- se por se estabelecerem objetivos particulares e específicos que, de certa forma, permitiram chegar às conclusões finais: conhecer as histórias de vida das colaboradoras através das suas narrativas biográficas; analisar o exercício do trabalho das colaboradoras; compreender o papel destinado às colaboradoras; analisar a relação construída entre colaboradora, organização e utente; compreender os contextos das valências onde se realiza o estágio; identificar necessidades que possam condicionar a prática profissional das colaboradoras na instituição e analisar o carácter humano das colaboradoras com os utentes e com o próprio meio organizacional, no que concerne aos seus comportamentos.
De forma a construirmos uma linha estruturada e com entendimento lógico, apontemos a argumentação face a esses objetivos específicos que, no fundo, são o arranque do processo de investigação.
Conhecer as histórias de vida de colaboradoras não é um processo fácil, no sentido em que nem todas as colaboradoras se predispõem a contar as suas experiências de vida. Portanto,
foi necessário estabelecer relações interpessoais com vista a ganhar alguma confiança, a fim de facilitar esse processo entre investigadora e atores sociais. Convém sublinhar que, apesar de ter sido efetuado um processo de seleção da minha parte, assistiu-se também a um processo de predisposição das colaboradoras. A modalidade da investigação pede que exista livre arbítrio por parte dos atores sociais e não coerção. O estudo foi então realizado com três das muitas colaboradoras da instituição de estágio, sendo duas delas pertencentes à E.R.P.I. e uma pertencente ao centro de dia. Como explicitado anteriormente em outros capítulos desta investigação, a escolha sobre duas respostas sociais advém do facto de ambas se situarem no mesmo edifício, o que facilitaria a minha deslocação e como forma de abranger diferentes perspetivas e diferentes perfis dentro de um vasto número de colaboradoras.
Efetivamente, não foi no momento exato da entrevista biográfica que entendi as funções destinadas às colaboradoras que se entrevistaram. Através da observação das suas funções, sempre que possível, fui-me apercebendo das tarefas que lhes estavam incumbidas, sendo que uma das colaboradoras selecionadas é auxiliar e responsável pelas limpezas, outra colaboradora é operária de lavandaria e a última colaboradora é auxiliar do centro de dia.
No que diz respeito à relação construída entre colaboradora, organização e utente, refere- se que todas as colaboradoras com quem tive oportunidade de contactar efetuavam as suas funções de acordo com as políticas e valores da instituição, colocando o idoso e os seus interesses numa posição confortável e mediante o que era solicitado. As relações que as colaboradoras mantinham com a organização (direção), neste caso, no contexto específico onde me inseri, era estável e saudável. Quanto às relações entre colegas, penso que sobressaiu o lado positivo.
No geral, as relações com os idosos constatou-se como benéfica, estável, saudável e, acima de tudo, muito positiva para todos os intervenientes.
Quanto às entrevistadas, todas afirmaram que as suas relações com a direção e com as colegas se estruturam de forma positiva a na base da entreajuda e cooperação (ainda que nem sempre esta seja a matriz seguida).
Apesar das funções exercidas pelas colaboradoras entrevistadas darem a ideia de que o contacto com os idosos é escasso, sublinha-se que, pelo que se evidenciou em contexto de estágio, passa-se o contrário – o contacto é assíduo, construindo-se relações inter e intrapessoais.
Relativamente aos contextos das valências onde se realizou o estágio, a E.R.P.I. e o centro de dia, estas constituem-se como duas respostas sociais similares mas com diferenças acentuadas. A principal passa por, na primeira valência, os utentes usufruírem dos serviços de
forma permanente (dormem, fazem refeições, têm atividades, serviços de higiene pessoal, serviços médicos), enquanto o centro de dia tem um horário estipulado que termina às 17:30 horas e não funciona aos fins-de-semana, pelo que os utentes desta valência utilizam este serviço de forma parcial.
Face à identificação de necessidades que possam, eventualmente, condicionar a prática profissional das colaboradoras na instituição, afirma-se que, felizmente, a nível estrutural, as valências correspondem aos serviços necessários e obrigatórios para responder às necessidades dos idosos e, no que a isso diz respeito, as colaboradoras têm essa segurança. Quanto à prática formativa, cada colaboradora tem de perfazer 35 horas anuais de formação, pelo que se constata que a oferta formativa existe e é mais ou menos constante, não se constituindo como défice ou necessidade. O que pode ser uma necessidade é o facto de ajustar os horários ou os locais de formação, para abranger um maior número de inscritos e um maior sucesso - temática que, aliás, já foi abordada no capítulo do enquadramento contextual do estágio.
Quanto ao último aspeto particular, o carácter humano das colaboradoras com os utentes e com o próprio meio organizacional, no que concerne aos seus comportamentos, verificou-se um comportamento adequado, na perspetiva da investigadora e no geral, respeitando- se o caráter humano dos envolventes, o cariz dependente ou independente dos idosos, as normas, a ética e, pelo menos, o mínimo da boa educação para com os internos e externos à instituição.
Estes foram os aspetos/objetivos específicos impulsionadores pré concebidos e, durante a investigação, retirados essencialmente por meio da observação ou por meio de conversas informais (assentes no diário de bordo) como forma de, posteriormente, se ter uma base para encaixar, analisar e interpretar as informações que provinham de outras fontes, nomeadamente das entrevistas biográficas.
4.1.1. Perfil dos atores sociais – as colaboradoras que narraram as suas histórias de vida
Dentro do edifício onde foi realizado o estágio, encontram-se três respostas sociais – a E.R.P.I., o centro de dia e o Serviço de Ação ao Domiciliário (S.A.D.).
Para além destes serviços, o espaço conta com a cozinha que é comum a todas as respostas sociais referidas. Posto isto, em todo o edifício trabalham 25 colaboradoras, distribuídas pelas vastas funções nas respostas sociais.
A consumação das entrevistas foi precedida da assinatura de um documento de consentimento informado para tratamento de dados pessoais, para as entrevistadas, e um documento que informa a direção acerca deste mesmo processo (documentos no apêndice 3 e 4, respetivamente).
O total de sujeitos colaboradores do edifício, ou seja, das três valências e da cozinha, exceto diretora, enfermeira, estagiários, médica e utentes, apresenta-se no quadro abaixo, bem como a referência ao género.
Tabela 3- Dimensão total e da amostra.
Quanto às entrevistas propriamente ditas, estas respeitaram o guião previamente esboçado, servindo esse de alicerce à conversa desenvolvida pelo investigador e pelo narrador, orientando para a produção de informação (Sarmento, T. 2002), respeitando-se assim, o outrora exposto no capítulo do enquadramento metodológico.
No que respeita à nomeação das entrevistadas, consideremos a primeira entrevistada como Alzira, a segunda como Fátima e a terceira entrevistada como Ester – os nomes verdadeiros das colaboradoras que se prontificaram a assinar um consentimento para que se pudesse revelar as suas verdadeiras identidades (apêndice 2).
Seguidamente, pode consultar-se o esquema com a apresentação sucinta das informações pessoais de cada pessoa que se predispôs a participar no estudo, informações que, aliás, constaram da parte inicial de todos os guiões de entrevista – tal como, efetivamente, deve ser (Gomes, 2006).
Valência/Espaço Número de colaboradoras Género
E.R.P.I. 15 Feminino
Centro de dia 2 Feminino
S.A.D. 3 Feminino
Cozinha 5 Feminino
TOTAL: 25 100% Feminino
Identificação dos sujeitos entrevistados:
Informação: Alzira Fátima Ester
Idade: 61 Anos. 53 Anos. 54 Anos.
Estado civil: Divorciada (“casada” com o ex. marido); dois filhos.
Casada; dois filhos. Casada; dois filhos.
Contexto de trabalho
E.R.P.I. E.R.P.I. Centro de dia.
Função atual: Auxiliar e responsável pelas limpezas. Operária de lavandaria. Auxiliar do centro de dia. Permanência na instituição atual:
14 Anos. 37 Anos. 25 Anos.
Habilitações académicas:
6º Ano. 9º Ano. 10º Ano.
Tabela 4- Identificação e informação sumária dos sujeitos entrevistados.
Através do quadro acima apresentado verifica-se que, para além de estarmos na presença de três colaboradoras mulheres, todas estão ativas na instituição atual há mais de uma década, o que reflete o interesse na instituição em manter estas colaboradoras nas suas atividades e o interesse delas em manter-se no local.
No que diz respeito às habilitações académicas, realça-se o abandono escolar precoce, sendo que a Eduarda foi quem mais progrediu na escola. No entanto, como vamos constatar no percurso de cada uma, outros desenvolvimentos e enriquecimentos formativos foram acrescentados.
Todas exercem funções diferentes em contextos similares.
Algumas destas informações foram-me transmitidas em muitas das conversas informais que mantínhamos, tais como outras informações que, mais tarde, se repetiram na entrevista biográfica.
4.1.2. As trajetórias nos percursos de vida dos sujeitos entrevistados: as experiências de vida de Alzira, Fátima e Ester
O perfil mais construído das colaboradoras selecionadas e predispostas a narrarem as suas histórias de vida foi delineado, em grande parte, por meio das respostas dadas às questões na entrevista biográfica, tendo-se construído, para cada uma das três narradoras, um quadro que ilustra o seu trajeto pessoal, um que mostra o seu trajeto formativo e o último que evidencia os traços importantes face ao seu trajeto profissional. Todos estes quadros de vida fazem referências a datas específicas e momentos importantes, dentro dos três percursos de vida, resumindo visualmente as histórias de vida de cada uma, para que mais tarde se possa efetuar um quadro interpretativo organizado em categorias e subcategorias.
É neste momento que fazemos uso mais pormenorizado e extremo da análise e da interpretação, onde esta última é agora protagonista “na procura da compreensão do sentido da acção social dos indivíduos” (Casa-Nova, 2008:56), uma vez que o método que serviu de suporte a esta investigação se manifesta como “um instrumento de conhecimento das realidades humanas baseado na experiência narrada dos sujeitos” (Lechner, 2009:6).
Entramos numa fase onde a subjetividade começa a ser trabalhada e interpretada, até porque “Não é pois apenas a riqueza objetiva do material biográfico que aqui interessa mas também a sua subjectividade no âmbito de uma relação face a face entre narrador e quem o escuta” (Lechner, 2009:5).
Estamos, portanto, perante o processo de análise do conteúdo retirado por meio dos instrumentos que socorreram esta investigação, inferindo-se através de uma intuição lógica sustentada pelo raciocínio. Como referiu outrora Moraes (1999:2), é o momento de “reinterpretar as mensagens e a atingir uma compreensão de seus significados.”
4.1.2.1. As experiências de vida de Alzira
Iniciemos com os três trajetos de Alzira, uma colaboradora da instituição que auxilia nas tarefas necessárias e é responsável por toda a limpeza. Estes três trajetos – pessoal, formativo e profissional – constituem o percurso de vida de Alzira.
Quando a abordei para solicitar, então, a entrevista biográfica, aceitou de imediato e prontificou-se a ajudar na investigação com o que se achasse necessário. O contacto que foi estabelecido com esta senhora foi, na verdade, iniciado por ela e bastante fácil, nos primórdios do estágio curricular.
Mostrou interesse em manter conversas do seu quotidiano, dos seus gostos e da sua família, informalmente, e em conhecer o meu propósito na instituição, pelo que, quando estipulei quem, à partida, seriam as colaboradoras selecionadas, Alzira foi a primeira abordagem.
Durante a entrevista, Alzira mostrou-se faladora, recetiva, calma e natural, como se de uma conversa normal se tratasse, já que, na verdade, manter conversas diárias comigo era algo regular.
Na verdade, com todas as participantes e enquanto investigadora, foi-se adotando uma postura de afastamento face àquilo que Godoy (1995) chamaria de “observador externo”, o que proporcionou mais conversas informais e mais facilidade nas respostas – mais notório, diria, em Alzira.
Ao mesmo tempo que brincava com algumas situações do percurso que a sua vida tomou, Alzira transmitia a seriedade de acontecimentos marcantes e momentos difíceis pelos quais passou.
O facto de não sentir qualquer tipo de invasão da intimidade levou a que se abrisse mais, contando efetivamente a história da sua vida, com pormenores ínfimos, o que originou uma longa transcrição da sua entrevista e o maior tempo de duração da mesma.
Sublinhe-se que, em todos os quadros de trajetos de Alzira, quando há omissão de períodos temporais e datas, a mesma é fruto da não referência da entrevistada a esses momentos.
Trajeto pessoal – marcos importantes na vida pessoal de Alzira
1958 - Nascimento.
1980 - Nascimento do 1º filho. (22 anos)
?-1989 - Período em que foi vítima de violência doméstica por parte do marido; - 1989:Doença do marido.
1993 - Nascimento do 2º filho. (35 anos)
2001-2003 - Operação do filho mais novo; - Morte da mãe; -Nódulo no peito; - Desempregada.
2005-2019 - Entrada para a instituição atual de trabalho, aonde se mantém. 2011 - Nascimento da neta.
O quadro acima resume o percurso pessoal de Alzira de acordo com aquilo que foi contado e ao qual se teve acesso, mostrando os marcos e acontecimentos importantes que construíram a vida da narradora.
Como se pode averiguar, o período que vai até 1989, cuja data de início não foi transmitida, considera-se um tanto ou quanto agridoce. Apesar de Alzira ter tido o primeiro filho em 1980, um momento de felicidade, aprendizagem pessoal e construção para o casal, a entrevistada é vítima de violência doméstica por parte do marido e pai dos filhos, findando essa violência em 1989. Este é um período marcado pelo sofrimento, pela dor e pela impotência de Alzira em alterar o rumo da sua vida. Como a mesma afirma na entrevista biográfica:
“E o percurso da minha vida … eu também levei maus tratos … violência. Não muito forte, mas foi. Mas pus termo a isso. (…) Prometo que nunca mais ninguém me vai bater. Não, até hoje!” A conjunção coordenativa copulativa também dá a ideia de acrescento, de que já houve uma situação similar assistida por Alzira - o que, na verdade, se constata. Na infância, Alzira afirma que assistiu a vários episódios de violência em casa, onde a vítima era a sua mãe e o agressor era o seu pai, mas diz que, apesar de tudo, teve uma infância muito feliz. Infelizmente, depois de casada, a violência abusiva continuou a ser uma constante. Porém, há algo que Alzira revela que se torna explicativo, em relação ao facto de não sentir ódio ou até desprezo pelo seu pai, perante a sua ausência, na maioria das vezes, e pela violência que exercia:
“Eu passei … ah claro, sabe que na minha infância eu passei… o meu pai dava umas fortes à minha mãe (batia-lhe). Eram mulheres. Mas era nosso amigo. Ele é que ganhava para a casa. É preciso ver. (…) O meu pai nunca estava em casa. Era muito raro. Embora fosse ele que nos alimentasse. Apesar de tudo tinha o carinho da minha mãe. A minha mãe tinha um beijo, um abraço para nos dar.”
A análise desta fala é um pouco subversiva, diga-se, na medida em que Alzira fala da violência que o pai exercia sobre a mãe como algo aceite, visto que ele é que era o provedor da casa – como se tal fosse, de facto, uma justificação. Afirma que o pai nunca lhe bateu, mas coloca – de forma irracional, julga-se – a mulher num patamar baixo e mesquinho. Crê-se que este aspeto foi dito de forma involuntária e irracional, já que Alzira, enquanto vítima de violência durante anos, sabe, na primeira pessoa, os traumas, a dor e a impotência de se desprender desses atos. As mulheres continuam a ser vistas como o género mais fraco, no que consta inclusive a acessos profissionais e desempenho de tarefas, e incapazes de se defender. No mundo atual, com toda a informação que os media transmitem de casos reais, ainda se assiste a inúmeros casos de
violência agressiva que levam à morte. A vergonha, a necessidade e, por vezes, a falta de acompanhamento certo, conduzem a finais trágicos. Algumas vezes no discurso narrado por Alzira, constata-se que a sua mãe era uma figura especial e, apesar da pobreza e do trabalho da altura, não descurava da sua tarefa diária de ser mãe.
A entrevistada refere que em 1989 o marido adoece e fica totalmente dependente de terceiros. Apesar da sua vida turbulenta com este homem e de estar a passar por uma fase complicada a nível monetário, Alzira cuida do marido que fica paralisado, estando grávida18 de meses do filho mais novo e desempregada.
“Depois o meu homem caiu doente numa cama. E eu é que olhei por ele. Esteve 15 anos doente. E eu é que … quando ele cai numa cama com 35 anos, Mónica, eu estava com um filho para nascer na barriga, a minha filha pequena, a fábrica fechou. Fechei a fábrica, pedi dinheiro para indemnizar o pessoal que ficou. (…) E com um bebé. E ficou o meu homem outra criança e ficou a minha filha outra criança.Eu olhei por ele 15 anos sem interesse nenhum. Ele era uma criança. (…) [Ficou com ele mesmo?] Fiquei, mesmo divorciada. Porque eu divorciei-me. Eu só tive problemas. Mas eu fiquei 15 anos. E ainda estou. Eu casei-me com o meu homem, divorciei- me no papel…”.
A vida pessoal de Alzira passava por uma situação complicada, com graves problemas de dinheiro e sem ajudas. Admite que passou fome e vivia com o mínimo. São várias as vezes que Alzira refere que aquilo que a ajudou a levantar-se da tristeza e dos momentos maus, foi a sua fé em Deus. Este discurso é, indubitavelmente, marcado pela crença, pela fé e por um temer indiscutível a Deus. Constata-se que a religião em Alzira merece ser sinalizada pela influência que tem na sua vida -“Lá está, tinha de me amarrar a Deus, não tinha mais ninguém. (…) A minha fé em Deus é que me faz viver. A força que eu tenho vem tudo dali (de Deus). Porque eu acredito!”
A fase compreendida entre 2001 e 2003 é marcada, igualmente, por situações complicadas na vida de Ana, tendo sido atravessada por um momento de luto.
Em 2005 entra para a instituição onde trabalha atualmente, consagrando-se isso como um marco positivo na vida de Alzira, pois passa a auferir de um salário certo e, aos poucos, a construir uma vida mais segura. Admite que, para ela, a família conta muito e tem uma boa relação com todos – “Adoro os meus irmãos, a minha família.”
18 Este aspeto foi retirado das afirmações de Alzira. No entanto, após a análise do espetro temporal, constatam-se algumas anomalias e lapsos de tempo, fruto de, porventura, alguma confusão temporal da entrevistada no decorrer da narração – por exemplo, quando revela que o filho mais novo nasce em 1993 num momento e noutro momento refere que se encontrava grávida desse mesmo filho em 1989. Mantiveram-se as datas referidas inicialmente por Alzira, porém, faz-se atenção a este aspeto.
Trajeto Formativo – marcos importantes na formação de Alzira
Tabela 6- Trajeto formativo de Alzira.
Tendo em conta aquilo que Alzira referiu na sua narrativa biográfica, tomamos conhecimento do seu percurso formativo, constatando-se que as suas habilitações académicas são o 6º ano.
Trabalhou em várias profissões até chegar à instituição que hoje a acolhe, porém, para além das formações que integra ao abrigo da obrigatoriedade das 35 horas anuais pela instituição, realizou um curso profissional em 2005 que lhe valeu a entrada, enquanto estagiária, para o atual local de trabalho, há 14 anos. Era uma adulta que voltara a estudar para aprender e apreender novos conhecimentos numa área que tanto lhe dizia, como forma de emancipar a sua aprendizagem ao longo da vida.
Quando questionada sobre o enriquecimento das formações que a instituição cria, Alzira afirma que “Há muitas que para mim já não é novidade. Há muitas que no meu curso de um ano aprendi coisas que para mim já não é novo. Mas vou, não é. Quando posso.”