4. LEVEKÅR OG LIVSKVALITET FOR PERSONER MED KJØNNSINKONGRUENS
4.4 Seksuell og reproduktiv helse
Após a concretização de todo este trabalho investigativo, reflexivo, analítico, interpretativo e interventivo, estão construídas as linhas para as considerações finais.
Chegados a este ponto, espera-se um olhar sobre todas as coisas que aqui se fizeram, como forma de resumirmos todas as etapas e a forma como foram delineadas. Desta maneira, produz-se um autoconhecimento e uma autoaprendizagem, também eles conscientes e capazes de produzir mais ainda.
O objetivo geral do presente relatório foi o de entender quais Os Contributos das Histórias de Vida de Colaboradoras na Prática Profissional Com Idosos, de forma que a investigadora, através dos meios estipulados para socorrer a investigação, conseguisse adquirir informação suficientemente rica e válida para descrever esses contributos.
Todo o estudo – refiro-me ao estudo do contexto real – foi baseado, em grande parte, nas estórias das participantes da investigação. Inicialmente, quando se prepararam os objetivos específicos, iniciou-se exatamente por esse aspeto: conhecer as histórias de vida das colaboradoras através das suas narrativas biográficas.
Até chegar aqui, foram existindo conversas informais, como forma, também, de preparar o terreno para se consolidarem as narrativas biográficas. É muito importante existir alguma familiaridade, não em excesso, entre quem ouve e quem relata.
Ao iniciarmos as conversas inscritas no processo de investigação, fui constatando as realidades de cada uma das participantes, as suas visões e formas de atuar perante a sociedade que as albergou e que hoje as alberga – na falta de sequencialidade dos factos, o passado cruza- se com o presente e a sociedade muda consoante esses factos. Diria que é normal, uma vez que a sociedade de há 30 anos se regia de maneira diferente da sociedade atual.
Aos poucos, e resultado da minha movimentação pelo edifício, fui compreendendo os contextos do centro de dia e da E.R.P.I. – espaços parecidos, porém, com diferenças significativas. Ainda que não seja objetivo deste relatório criar comparações entre respostas sociais, é imparcial que não se constatem algumas, para que se entendam os contextos, por mais que não seja, de forma superficial. Uma vez que uma das participantes da investigação trabalha diariamente no centro de dia, seria oportuno vivenciar o seu espaço de trabalho. Daqui fui entendendo horários, tarefas, o que estava incumbido a cada pessoa, fui questionando informalmente e, ainda mais, fui criando laços com os utentes do espaço.
De facto, quando me foi competida a tarefa de realizar e submeter todos os inquéritos de satisfação de clientes das 3 valências do edifício, o contacto com o espaço foi largamente ampliado, já que passei a ser presença regular. Quanto à E.R.P.I., fui presença assídua durante todo o percurso de estágio curricular. Fez-se sempre uso da observação, das interrogações (várias vezes interrogações pessoais), das conversas informais e dos apontamentos que poderiam vir a ser necessários.
Quanto ao analisar o exercício do trabalho das colaboradoras e ao compreender o papel destinado a este grupo, ambos os objetivos foram constatados simultaneamente, afirmaria: ora, ao passo que me movimentava pelos espaços, ia vendo as colaboradoras e as tarefas que desempenhavam. Ainda que não soubesse a nomenclatura específica dada a cada função, a observação permitiu sempre perceber as tarefas das colaboradoras.
A partir do meu vaguear pela instituição, também foi possível analisar a relação construída entre colaboradora, organização e utente. Diria que, somente através do simples facto de estar sentada no meu espaço, consegui constatar essa relação face a certas colaboradoras e utentes. Presenciei vários momentos de troca de afetos, o que simboliza a boa relação instituída. Como é óbvio, não me foi possível observar tudo, com todos, apenas refiro aquilo que testemunhei e o qual asseguro ser real. No que se refere à relação entre colaboradoras, através das narrativas biográficas constata-se que essa é saudável e que respeita as normas e políticas da organização. Quanto à relação com a própria organização, pelo que verifiquei e através do narrado, confirma- se a estabilidade e positivismo.
No que diz respeito à identificação das necessidades que possam condicionar a prática profissional das colaboradoras na instituição, felizmente para todos os colaboradores, a prática formativa é uma constante, o que contribui para a performance individual e em grupo dos intervenientes da instituição. Como se referiu em vários pontos deste relatório, o levantamento de necessidades não evidenciou a carência da formação na instituição, mas sim uma distribuição formativa que chegasse mais fácil e rapidamente às colaboradoras, quer a nível de horários, quer a nível de localização. De resto e pelo que se sabe, esta é uma premissa que parece estar a tomar proporção neste momento, desenvolvendo-se de forma a melhorar a comparência dos interessados nas formações.
Por fim, quanto ao último objetivo específico desenhado para esta investigação, foi necessário e imprescindível analisar o carácter humano das colaboradoras com os utentes e com o próprio meio organizacional, no que concerne aos seus comportamentos. Uma vez que o público de trabalho são pessoas da terceira idade, os cuidados a ter redobram, refletindo-se nos
comportamentos individuais de cada colaboradora. Naquilo que me foi possível assistir e retirar das entrevistas, o caráter humano dos envolventes foi sempre respeitado, a par das normas e das políticas de ética e deontologia da organização. Refiro as normas de boa educação e prontidão, aspetos essenciais em qualquer função independentemente do cargo e que, na minha perspetiva, oferecem igualmente uma imagem da própria organização. Relativamente ao que assisti, penso que – pelo menos – o mínimo da boa educação com os internos e externos à instituição foi verificado.
Como já referido no final do capítulo da apresentação e discussão do processo de investigação e intervenção, e por tudo o que se foi relatando aqui, considera-se que, efetivamente, as Histórias de Vida das colaboradoras participantes do estudo contribuíram nos percursos profissionais que hoje detêm - percursos esses que são dissemelhantes, singulares e representativos de histórias marcantes.
A narração proferida oralmente por cada uma das entrevistadas ocasionou momentos de diálogo simbólicos com a investigadora, dos quais se retiraram informações pertinentes e adequadas à consolidação da posterior análise e interpretação.
O espaço e momento da entrevista permitiu que, à medida que se questionava cada uma das participantes, se constatasse a presença da autoformação e da autoaprendizagem implícitas nesse momento (formativo).
O facto de se aperceberem dos seus trajetos pessoais e das estórias que entrelaçam a cada momento de fala é verdadeiramente rico e revela uma consciencialização dos factos. É uma introspeção formativa voluntária onde são dispensadas, diria por completo, reprovações e censuras.
A observação dos contextos de trabalho das participantes e as vastas conversas informais que se mantiveram permitiram, e muito bem, complementar os dados retirados das entrevistas, enriquecendo, desta feita, o conteúdo. Prevalece, indubitavelmente, a relação constituída entre investigadora e participantes, a qual possibilitou a confiança e à vontade, não só das participantes, mas também da investigadora – sublinha-se a subjetividade inerente, de resto, necessária ao estudo das histórias de vida.
Diria que, a nível pessoal, o estágio possibilitou que me integrasse num contexto real de trabalho – o que desvendou, de facto, a realidade das colaboradoras duma instituição cujo objetivo é cuidar e auxiliar idosos. A observação desse quotidiano permitiu que se entendesse, dentro do
que era possível, os afazeres das colaboradoras e as necessidades do local de estágio – imprescindível para conectar com todas as informações que iam surgindo.
Ao trabalhar com o software especializado na gestão da qualidade, percebi como era realizada a gestão interna da instituição: o motivo pelo qual existia, de que forma era utilizado, por quem era manuseado e os benefícios e malefícios que trazia.
Considero, realmente, ter sido benéfico conhecer e manusear este tipo de programas, mais que não seja, por compensação pessoal.
Acrescento, sem dúvida, o enriquecimento pessoal que ganhei por ter conhecido pessoas demasiado simpáticas e atenciosas – sublinho a abertura e disponibilidade das participantes para contarem as suas histórias e os idosos com quem mantive contacto na altura, quase diariamente. A oportunidade de contarem a sua vida representa uma possibilidade de testemunharem sobre aquilo que foram e, acima de tudo, naquilo em que se (trans)formaram. Não somente, foi- me dada essa possibilidade de testemunhar em silêncio, sem moralismos, com a máxima sensibilidade e empatia, sobre cada trajeto narrado. A (trans)formação acaba por ir ao encontro de novas formas de (re)pensar o impacto da análise social na vida das pessoas que aceitam falar sobre si (Lechner, 2009).
Para além de aprender com cada história de vida, cada trajeto, cada visão e postura das participantes ao escutá-las, aprendi com as vastas histórias de vida dos idosos que, ainda que não seja relevante para o estudo em si, fizeram bons momentos e merecem ser mencionados.
A nível institucional sublinho as ações de sensibilização que, apesar de curtas, proporcionaram conhecimento na assistência. De facto, a criação destas ações, realmente impregnadas na instituição mesmo após a minha saída, promoveram o contacto entre colaboradoras, direção, enfermeira e investigadora e a discussão saudável sobre temáticas importantes. Talvez o facto de terem sido sessões curtas, obrigasse a que houvesse uma maior atenção e questionamento por parte do público – o que é extremamente gratificante. O cuidado em criar situações hipotéticas possibilitou que imaginassem os seus próprios contextos de trabalho, criando-se soluções e perspetivas diferentes.
Por fim, a nível de conhecimento na área de especialização, é facto que, primeiramente, seja qual for o contexto, é possível retirar conhecimento, por mínimo que seja.
O facto de interagir com pessoas diferentes em contextos diferentes dos que conhecia, proporcionaram conhecimento. Obviamente que o contacto com programas especializados e algumas tarefas internas permitiram, igualmente, perceber os seus funcionamentos e, acima de
tudo, auxiliar no máximo de afazeres. A gestão interna e dos recursos humanos da instituição é, praticamente toda, trabalhada com programas desenvolvidos especialmente para promover a qualidade da instituição.
Ao criar as ações de sensibilização, consultaram-se, também, documentos fornecidos em unidades curriculares do mestrado, como forma de criar uma ação baseada em informações transmitidas diretamente.
Não diria que o contexto tenha fornecido imensos momentos de trabalho na área dos recursos humanos, uma vez que toda essa parte é trabalhada na sede da instituição (desde processamento salarial, relatórios, parte do recrutamento e seleção, serviço administrativo, e por aí).
Ainda assim, desenvolveu-se algum trabalho, também na parte da avaliação de desempenho de colaboradoras.
Quanto à formação, uma vez que não era necessidade da instituição, não se pôde, efetivamente, trabalhar em grande escala. No entanto, as ações de sensibilização tiveram um papel muito idêntico e permitiram que me preparasse para, diria, formar e sensibilizar sobre temáticas essenciais.
Numa retrospetiva consciente, constataria que todo o trabalho desenvolvido, consoante o que era fornecido pelo contexto de estágio, com e para a instituição, foi benéfico, claramente, e permitiu promover e acatar conhecimentos.
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