Chapter 3: Individual Practices in the Making of Informal City 83
3.9 Social services and infrastructure
Fatores políticos significam guerras, ataques terroristas, revoluções, mas também consideram eventos políticos tais como reuniões do G830. De acordo com o boletim Forexadvisor31, tem- se que o mercado cambial é o único mercado no mundo no qual é possível executar transações baseados fortemente em notícias políticas e econômicas. Uma vez que moedas representam países e não empresas, essas podem ser consideradas como ativos políticos e econômicos, e dessa forma, diretamente relacionadas com qualquer distúrbio político. Ao menor sinal de algum risco político, os mercados cambiais se movimentam rapidamente, no sentido de mitigação desse risco.
Um exemplo da influência de fatores políticos na história recente brasileira se deu em finais do ano de 1998, quando expectativas pessimistas relacionadas a fatores políticos tiveram repercussões no mercado cambial brasileiro. À época, rumores a respeito da demissão do então presidente do Banco Central – Gustavo Franco, foram interpretados como sinal de que mudanças na política cambial surgiriam, o que efetivamente se deu no início de 1999 na mudança do regime de banda cambial para o câmbio flutuante. Na ocasião se verificou inclusive um overshooting na taxa cambial, com uma desvalorização da moeda nacional de 64% em 30 dias.
Em anos recentes, vários países emergentes vêm anunciando medidas para se conter a entrada de grandes fluxos de capital estrangeiro em suas economias. O Brasil, por exemplo, instituiu no ano de 2010 um imposto de 2% sobre o investimento estrangeiro em fundos de renda fixa e de ações. Carvalho e Garcia (2006) destacam que medidas de controle (ex-ante) de entradas de capital estrangeiro possuem efeitos limitados no controle de fluxos de capitais. Para os autores, controles de capitais podem no melhor dos casos, terem eficácia durante breves períodos de tempo. Esse tipo de medida de controle, porém, não teria o poder de deter a entrada do capital estrangeiro, desde que operações de arbitragem fossem lucrativas.
30 Também conhecido como Grupo dos 7 e Rússia, é um grupo internacional que reúne os sete países mais
industrializados e desenvolvidos economicamente (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) e a Rússia, e que se reúnem com certa regularidade para discutir a respeito de relevantes questões mundiais
II.5.2.1 Intervenções Governamentais
Uma das maneiras utilizadas pela equipe econômica, com mandato no período entre os anos de 2003-2010, para conter a alta do real, foi a intervenção no mercado de taxas cambiais com o objetivo de formação de reservas internacionais, tanto através de compras de moeda estrangeira efetuadas pelo Banco Central brasileiro, quanto por imposição de restrições à entrada de capitais estrangeiros.
Garcia (2009) analisa, com base em resultados de estudos econométricos, a relação entre compras de dólares americanos realizadas pelo Banco Central do Brasil e o seu efeito na taxa cambial. Segundo o economista, a aquisição de US$ 1 bilhão tem o poder de depreciar a taxa de câmbio entre 0,54% e 1,56%. Dessa forma, o autor chega à conclusão de que os resultados empíricos mostram que intervenções governamentais têm efeito pequeno, apesar de estatisticamente significativo, na taxa cambial. Um dos motivos principais do pequeno efeito seria motivado pela não razoabilidade da hipótese de substituição entre ativos em dólar e em reais, em função dos mecanismos de arbitragem utilizados pelos mercados.
Como fato recente na economia brasileira, que denota a interferência política em questões cambiais, se pode citar a imposição da taxação de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações de curto prazo de estrangeiros no mercado de títulos brasileiros e também a criação do Fundo Soberano do Brasil (FSB). Ao regulamentar o FSB, o governo brasileiro adquire uma ferramenta que permite com que o Tesouro Nacional e o Banco Central coordenem ações para as intervenções no mercado cambial. Ao impor a taxação sobre aplicações de curto prazo de estrangeiros o governo tenta diminuir o fluxo de capitais externos de curto prazo.
II.5.2.2 Riscos políticos
Uma outra faceta a influenciar a taxa cambial inclui o fator risco político. Investidores preferem manter menores posições em ativos de risco. Dessa forma, moedas de baixo risco - associadas a nações política e economicamente mais estáveis - são mais valorizadas do que moedas de países de risco (SHAPIRO e SARIN, 2009).
Em uma pesquisa feita com investidores (investimento direto em corporações não financeiras) no mercado chileno, Moguillansky (2003) constata, via pesquisa formalizada junto a gestores
financeiros, que grande parte desses agentes acredita que o gerenciamento de risco do mercado cambial depende mais das expectativas dos investidores quanto à condução da política governamental, do que no tipo de política implantada (câmbio fixo ou flexível). Dessa forma, a interpretação é de que não é o tipo de política governamental que pode vir a interferir negativamente no mercado, mas sim a inconsistência entre a política governamental adotada e a evolução dos fundamentos macroeconômicos, que pode vir a criar a percepção de incerteza.
Outro estudo que foca especialmente o relacionamento do risco político com a taxa cambial, foi o trabalho desenvolvido por Bailey e Chung (1995) no qual, trabalhando com dados para o mercado mexicano (período de janeiro/1986 a junho/1994), mercado esse que como destacam os autores, trata-se de “um país que atravessou momentos de significativa turbulência monetária e política”, procuram relações entre a taxa cambial, o risco político e o retorno de ações. Utilizando-se dos dados do mercado bursátil (44 ações mais líquidas para o período), taxa cambial do peso com relação ao dólar americano, taxa de inflação e taxa de juros local e americana, concluem, pelas análises estatísticas desenvolvidas, quanto à existência de um prêmio de risco exigido pelo mercado, em face da existência de volatilidade cambial e de riscos políticos. Importante notar que para os autores, o prêmio de risco exigido refletiria em mudanças na combinação de fatores políticos, legais, significando em alterações do risco político.
O assunto taxa cambial não pode ser isolado das questões de intervenção governamental e riscos políticos, uma vez que moedas são ativos políticos e econômicos dos governos, os encarregados da operação de sua emissão e do seu controle. Todo estudo que pretenda analisar a questão cambial não poderia passar ao largo de questões políticas.