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Kreftklinikken (KRE)

In document HMS-årsrapport (sider 154-0)

Del 3: Klinikkenes HMS-årsrapporter

3.7 Kreftklinikken (KRE)

O tratamento dos dados constitui uma das fases mais absorventes e importantes do trabalho de investigação, e tem como finalidade “fornecer ao investigador essa distanciação indispensável em relação ao que é dito para chegar a reconstruir o que é” (Albarello, et al., 1997: 63).

Assim, o tratamento de dados iniciou-se com a transcrição integral das vinte e nove entrevistas realizadas, que se foi efetuando por fases (durante e após a pesquisa no terreno). Todo o conteúdo das entrevistas foi transcrito literalmente (verbatim), respeitando a expressão linguística dos informantes. Além do explicitado, é de relevar que, em todas as entrevistas transcritas, a identificação dos informantes foi devidamente protegida, substituindo-se o seu nome completo por nomes fictícios e mantendo-se unicamente a sua zona de proveniência, para fins de análise. Todos estes procedimentos de tratamento de dados foram da minha responsabilidade.

Como referi anteriormente, a transcrição das entrevistas foi faseada. A primeira fase de transcrição, que ocorreu durante o período de observação, permitiu-me uma primeira interiorização das temáticas e ideias referidas pelos informantes e, como foi sendo feita

“Promoção e Gestão da Imagem do Vale do Minho”, do qual resultou a monografia Lendas do Vale do Minho (2002), que retrata o património lendário e a memória oral das gentes do Alto Minho.

paralelamente à realização de outras entrevistas, deu-me a possibilidade de, tendo em conta as análises primárias das transcrições já realizadas, ajustar o guião de entrevista a novas necessidades e temáticas, bem como para estabelecer possíveis pontos de convergência entre informantes. Além do exposto, esta primeira fase permitiu-me igualmente melhorar a minha postura durante o processo de realização das entrevistas, nomeadamente na interação com os/as entrevistados(as), visto tratar-se, na sua maioria, de pessoas de idade avançada merecedoras, por isso, de uma atenção e cuidado especiais.

Por sua vez, a segunda fase da transcrição, contando já com todo o material recolhido (incluindo as entrevistas escritas), permitiu ter uma ideia geral das principais temáticas referidas pelos informantes e dos pontos convergentes e divergentes entre eles, possibilitando a seleção do melhor método de análise dos conteúdos resultantes da transcrição.

Neste sentido, foi privilegiada a análise de conteúdo, em que é tido em consideração o caminho entre a observação, que inclui a receção das diversas mensagens e a “reacção interpretativa” do investigador (Bardin, 2013: 10).

Este tipo de análise, segundo Quivy & Campenhoudt (1992: 224), “oferece a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos que apresentam um certo grau de profundidade e de complexidade [e permite] satisfazer harmoniosamente as exigências do rigor metodológico e da profundidade inventiva”. Assim, tendo em consideração esta opção metodológica de análise dos dados, efetuei a análise a três níveis distintos6:

1. Ao nível temático, procurando perceber as principais temáticas abordadas pelos informantes, bem como os seus pontos de convergência e divergência e, também, a sua relevância para o trabalho de investigação;

2. Ao nível da enunciação, procurando discernir os sentidos e os significados que os sujeitos atribuem às suas experiências e vivências, valorizando o seu discurso e as suas referências;

3. Ao nível da expressão, centrando a minha análise nos aspetos mais formais e linguísticos, compreendendo as especificidades da zona raiana em estudo ao nível da língua.

6Para o estabelecimento destes três níveis de análise, tive em consideração as premissas expostas por Laurence Bardin, no seu livro Análise de Conteúdo (2013) e também o que, a este respeito, Isabel Guerra expõe no seu livro Pesquisa Qualitativa e Análise de Conteúdo (2006: 63).

Daqui se depreende que a análise de conteúdo pode assumir duas vertentes significativas: uma relaciona-se com a análise dos significados (as temáticas, o conteúdo do discurso e enunciação), outra mais com a análise dos seus significantes, como é o caso da análise de aspetos essencialmente formais e linguísticos. Assim, segundo Bardin (2013: 42), o que se procura realizar quando se opta por este método de análise “é uma correspondência entre as estruturas semânticas ou linguísticas e as estruturas psicológicas ou sociológicas… dos enunciados”.

A análise dos dados, como já havia acontecido com as hipóteses e questões de investigação sustentou-se, sobretudo, nos resultados da observação direta no terreno optando-se, assim, por um trabalho essencialmente indutivo que, como observa Albarello et al. (1997: 117), “encara a análise qualitativa numa lógica exploratória, como meio de descoberta e de construção de um esquema teórico de inteligibilidade”, não se privilegiando a averiguação e prova de hipóteses e teorias pré-estabelecidas, como supõe uma metodologia de tipo quantitativo. Esta opção metodológica leva a um tipo de análise mais flexível e adaptável, favorecendo uma interpretação heurística dos dados.

Além do que fica exposto, é importante reforçar o percurso analítico a que foram submetidos os dados: por um lado, sustentei a minha análise nos conteúdos das entrevistas, focando a atenção nos dados extralinguísticos, como é o caso dos referentes às especificidades culturais, sociais e históricas; por outro lado, realizei uma análise linguística dos dados, atendendo às especificidades expressivas/linguísticas verificadas na transcrição das entrevistas, dando primazia às especificidades semânticas, morfológicas, sintáticas, fonológicas e lexicais.

Apesar de complementares em termos de possibilidades de análise, sustêm pressupostos distintos e Bardin (2013: 44) chama a atenção para a distinção entre análise linguística e análise de conteúdo:

A linguística estuda a língua para descrever o seu funcionamento. A análise de conteúdo procura conhecer aquilo que está por detrás das palavras sobre as quais se debruça. A linguística é um estudo da língua, a análise de conteúdo é uma busca de outras realidades através das mensagens.

Procurei, então, conciliar estas duas perspetivas de análise, valorizando não só os sentidos das palavras e o que de significativo existe para além delas, mas também a sua forma, materialidade, ou expressão, sendo que a análise nestas duas vertentes pode

fornecer importantes contributos para a compreensão de realidades que fazem parte do percurso identitário de Melgaço e da sua população.

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