Del 2: HMS-faginstansene i OUS sine vurderinger av HMS-temaene
2.13 Ergonomi og fysisk helse
Para o cumprimento dos objetivos de investigação – compreender, na sua abrangência e profundidade, as questões de fronteira que envolvem a zona raiana de Melgaço – tornou-se essencial um contacto próximo com a população local, pois seria
esta o principal veículo de informação, do qual se esperava o maior contributo na formulação de respostas às questões de investigação.
O contacto que estabeleci nem sempre foi fácil e frutífero, justificável por a minha presença ser estranha ao grupo social em análise, levando a um retraimento e a uma elevada vigilância por parte deste. Estes problemas práticos de investigação são, segundo Quivy e Campenhoudt (1992), naturais e derivam do facto da observação direta pressupor, em princípio, um contacto mais profundo e envolvente com e no mundo dos observados. Por isso, houve a necessidade de, em primeiro lugar, recorrer aos representantes institucionais, desenvolvendo assim, uma primeira ligação com a realidade em estudo.
A primeira interação ocorreu com a técnica superior, responsável pela cultura e museologia da Câmara Municipal de Melgaço – Angelina Esteves. Este contacto foi possível devido à intervenção de Albertino Gonçalves – professor associado com agregação no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, natural de Prado- Melgaço – que estabeleceu a ponte entre mim e a supracitada.
Este primeiro contacto revelou-se de extrema importância no terreno, sendo um auxiliar-chave na ligação com alguns dos informantes. Assim, após a apresentação dos pressupostos de trabalho e a recetividade para a colaboração, Angelina pôs-me em contacto com algumas instituições locais e com possíveis informantes.
Após esta primeira fase de interação e da realização de uma primeira recolha de dados, consegui uma maior integração no terreno em estudo, sendo já os próprios informantes e instituições com os quais havia previamente estabelecido ligação, a sugerirem outros participantes.
Face ao sucedido, foram surgindo outros informantes pelo denominado efeito de “bola de neve”. Esta situação é também ela uma das possibilidades abertas pela observação direta, porque além de permitir um contacto próximo entre observador e observados, possibilita que estes últimos se tornem informantes úteis e sejam “permanente fonte de informação sobre outras pessoas, aspectos do contexto social em estudo e acontecimentos que nele se vão passando” (Costa, 1990: 139).
A pesquisa que empreendi contou com a colaboração de 29 indivíduos (ver Anexo 3): 9 do sexo masculino e 20 do feminino, sendo a sua média de idades de 74 anos. Destas 29 pessoas, 6 eram considerados informantes especialistas (ver Anexo 3), devido aos possíveis contributos especializados que poderiam dar na interpretação da realidade em
estudo e 23 eram considerados informantes pertinentes, a quem o estudo se dirigia e envolvia particularmente.
Os informantes, como já anteriormente referi, foram concebidos como “representantes de um grupo social” e, além de cederem informações sobre a sua própria vida e as suas próprias experiências, forneceram igualmente importantes informações sobre a realidade que era objeto de análise (Albarello et al., 1997: 85). Este conceito de informante vai de encontro aos pressupostos da metodologia qualitativa, onde são especialistas “não os sujeitos individuais, mas estes entendidos como uma «síntese activa» de um «sistema em acto»” (Guerra, 2006: 20).
Assim, as entrevistas aos vinte e três informantes locais, tinham por objetivo recolher testemunhos e memórias que me permitissem, posteriormente, fazer uma interpretação da realidade envolvente e dos seus diversos contextos (sociais, culturais, históricos e linguísticos). Ou seja, pretendia através dos discursos dos informantes, aprofundar a relação entre os sentidos subjetivos que os mesmos conferem às suas práticas e experiências individuais e os sentidos presentes nas diversas racionalidades observadas e subsequentemente analisadas.
Como nota Isabel Guerra (2006: 32), o maior desafio do investigador é, através da análise dos diversos sentidos dos discursos, “tornar objetiva a subjetividade”. Esta tarefa nem sempre foi fácil.
No decurso das entrevistas aos locais deparei-me com dois problemas frequentes: a seletividade mnemónica e o desvio do sentido do discurso. Os informantes frequentemente me confessavam que o esquecimento se apoderava deles com o peso da idade e que nem sempre lhes era fácil abordar determinados assuntos da sua experiência e vivência, pela carga emotiva que implicavam. Estes compreensíveis constrangimentos foram sempre tidos em consideração, bem como as questões éticas que pautam a conduta de investigação. Assim, respeitei sempre o espaço, o tempo e a intimidade de cada informante, bem como o desenvolvimento natural do seu discurso e das suas memórias, que eram parte fundamental na construção de conhecimentos sobre factos passados e que marcaram a realidade melgacense, como foi o caso da atividade da emigração e do contrabando.
Além dos problemas expostos, outros surgiram, como a escassez de testemunhos masculinos, que se revelaram essenciais no decurso do trabalho de investigação, principalmente quando comecei a aprofundar as questões de fronteira, nomeadamente, as que envolviam a emigração e o contrabando.
Por fatores como a gestão de tempo de trabalho no terreno, as entrevistas a cinco dos nove informantes masculinos tiveram que decorrer num único dia (4 de abril de 2017), o que condicionou, em certa medida, o alargamento da interação entre investigador e entrevistados e levou a uma maior superficialidade na exploração das questões abordadas em entrevista. Contudo, é de ressalvar que os testemunhos masculinos se tornaram essenciais para compreender as complexidades inerentes aos fenómenos da emigração e do contrabando, visto que foram entrevistados três homens que haviam sido emigrantes clandestinos em França, tendo um deles sido também contrabandista e funcionário da alfândega; além destes, foi entrevistado um ex-guarda fiscal, que também havia estado envolvido no contrabando e, por fim, um ex-passador, também ele ex-contrabandista.
O universo feminino de informantes revelou-se muito mais representado (vinte dos vinte e nove participantes). Esta questão também se prende com o facto de que, nos locais onde realizei interações, o número de mulheres ser superior ao número de homens, sendo a quase totalidade das mulheres entrevistadas viúvas (dezassete das vinte informantes) — compreende-se, por isso, a escassa presença masculina.
Relativamente a este universo de informantes, é de relevar a sua constituição. Este universo feminino foi composto por oito mulheres que haviam sido emigrantes em França (três delas emigraram clandestinamente), quatro mulheres que estiveram envolvidas diretamente na atividade do contrabando — ainda que, a níveis distintos, a quase totalidade das informantes (dezassete das vinte) fosse com regularidade à Espanha clandestinamente buscar bens de primeira necessidade. Além disto, a particularidade reside em que a quase totalidade das informantes locais teve os seus maridos emigrados por longos períodos de tempo, bem como os seus pais e avós, o que também me ajudou a compreender, através dos seus relatos e memórias, a relevância da figura feminina na zona em estudo, aquando da ausência prolongada da figura masculina.
Além do universo dos informantes acima explicitado, entrevistei mais seis informantes que entendi serem especialistas, pois considero que me permitiram novas interpretações das questões de estudo. Refiro-me aos seguintes informantes:
• Manoel Pombal – Presidente da Câmara Municipal de Melgaço;
• Maria José Codesso – Vereadora da Educação e Cultura e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Melgaço;
• Angelina Esteves – Técnica Superior, responsável pela Cultura e Museologia da Câmara Municipal de Melgaço;
• Albertino Gonçalves – Professor Associado com Agregação no Departamento de Sociologia, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, natural de Prado - Melgaço;
• Álvaro Campelo – Professor Associado na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa;
• Valter Alves – autor do blogue Melgaço, entre o Minho e a Serra, natural de S. Paio – Melgaço.
Os primeiros três nomes, revelaram-se importantes na medida em que me forneceram informações úteis sobre a realidade do município, nomeadamente sobre a realidade demográfica do concelho, a realidade social e cultural das suas comunidades, sobre as iniciativas e estruturas culturais do município, a realidade económica e, também, a realidade turística envolvente. Além disto, dois dos informantes são naturais do concelho (Angelina Esteves e Maria José Codesso), encontrando-se esta última ainda a residir no mesmo, o que me permitiu ter também uma perspetiva pessoal da realidade em estudo.
O quarto e o quinto informantes mencionados, deram-me a possibilidade de, através dos seus testemunhos, aprofundar determinadas temáticas em investigação e ofereceram um importante complemento à revisão bibliográfica e documental que fui fazendo antes, durante e após a recolha de informação no terreno.
O Professor Doutor Albertino Gonçalves, com diversos trabalhos sobre as realidades que envolvem os fenómenos da emigração e do contrabando4 e sendo natural e conhecedor do município em estudo, forneceu-me novas perspetivas sobre a realidade melgacense que me foram úteis na análise dos dados obtidos, não esquecendo também que foi um importante apoio nos primeiros contactos com o terreno e as suas entidades. Por sua vez, o Professor Doutor Álvaro Campelo, com trabalho desenvolvido no âmbito da cultura/literatura popular no concelho de Melgaço5, concedeu-me interpretações úteis
4 Entre os diversos trabalhos que realizou podem-se mencionar os seguintes: Imagens e Clivagens: os residentes face
aos emigrantes (1996; Tese de Doutoramento); “Caminhos de Inquietude. A organização do contrabando no Concelho de Melgaço” (2008); “O Presente ausente: o emigrante na sociedade de origem” (1986); “Uma vida entre parênteses. Tempos e ritmos dos emigrantes portugueses em Paris” (1991, em co-autoria com Conceição Gonçalves); “La emigración portuguesa hacia Francia en la segunda mitad del siglo XX: breve caracterización” (2002, em co-autoria
com José Cunha Machado).
5Refiro-me ao trabalho desenvolvido pelo Centro de Estudos de Antropologia Aplicada da UFP e coordenado pelo
sobre as temáticas que envolvem a cultura popular e as tradições orais, bem como importantes referências documentais e bibliográficas que me permitiram alargar os horizontes de interpretação.
Por fim, a seleção de Valter Alves como possível informante consubstanciou-se pelo facto de este se revelar um observador atento e assíduo da realidade melgacense, sobretudo a nível cultural e social, a qual espelha no seu blogue Melgaço, entre o Minho e a Serra, que se revelou uma fonte importante antes e durante o trabalho em campo, nomeadamente, na pesquisa documental.
Assim, tendo em conta os objetivos da presente dissertação, privilegiei uma amostra diversificada, socialmente representativa, que me permitisse ter várias perspetivas relativamente às questões e problemáticas levantadas antes e durante a pesquisa de terreno: uma perspetiva analítica de especialistas.