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Representation, civility and democracy

In document Feminism, Epistemology & Morality (sider 95-102)

THE ARGUMENT FOR VALUE-FREEDOM: A CRITICAL ASSESSMENT

2.4 Assessing the fourth premise 149

2.4.5 Representation, civility and democracy

Segundo Demo (2009), a competência profissional precisa nutrir-se da teoria e da prática no âmbito de uma articulação. Para o autor, não é o caso de distinguir teoria de um lado e prática do outro. A importância do conhecimento se deve aos dois termos interligados. Considerando essa abordagem do autor e lembrando que o artigo 35 § IV da LDBEN nº 9394/96 estabelece o relacionamento entre teoria e prática no currículo, pude compreender por meio dos depoimentos dos egressos, a existência de certas articulações quando eles falam dos conhecimentos teóricos adquiridos com suas práticas profissionais a partir de disciplinas do currículo.

Pelo que expuseram, observei que, para aqueles que já tinham uma experiência profissional anterior a entrada no curso técnico ou que já possuíam uma formação musical escolarizada anterior ao curso, o relacionamento entre teoria e prática entre as disciplinas foram mais significativas.

Tanto na disciplina História da Música como nas demais disciplinas de caráter teórico, Hermes me falou que procurou tirar proveito ao máximo, o que significou dedicar várias horas do dia para o estudo. “[...] de uma maneira mais generalizada, [as

disciplinas teóricas] foram importantes para eu respirar música 24 horas por dia. Tudo que eu fazia, eu relacionava a música com a minha vida” (Hermes, C. E., p. 45).

Entretanto, os egressos fazem uma crítica com relação à fragmentação de algumas disciplinas e à ênfase dada às mesmas. Percebi que o que os incomodava é que o maior peso da carga horária do currículo é dado a essas disciplinas teóricas em detrimento das disciplinas práticas.

“[...] em primeiro lugar eu acho assim, a prática tem que vir junto, se por exemplo, nós focarmos a prática, só a prática, ela vai justificando tudo isso, entendeu?” (Sócrates, C. E., p. 182).

De acordo com alguns depoimentos, as disciplinas teóricas relacionaram-se com a prática na medida em que permitiram a ampliação dos conhecimentos gerais sobre as artes. E possibilitaram, inclusive, discutir ou argumentar com outras pessoas ou clientes sobre os artistas, gêneros musicais e sobre história da música em diversas culturas.

Observei, também, que houve um maior relacionamento com a prática profissional, quando a disciplina estava ligada à docência. Beto relacionou a importância das disciplinas histórico-culturais com a necessidade de fundamentar e explicar a prática profissional, não só como músico, mas ainda como professor, já que o egresso também dá aulas particulares:

“porque muitas vezes as pessoas procuram a gente pra dar aula, eles não querem saber se você é bom na prática, eles querem saber se você consegue explicar porque que você é bom...” (Beto, C. E. p.97 ).

A disciplina Percepção e Estruturação Musical foram apontadas, nas entrevistas, como uma das mais importantes por se relacionar diretamente com a linguagem musical e com desenvolvimento de habilidades básicas para o instrumentista.

[...] eu acho muito importante para um instrumentista, para o fazedor da música. A única critica que eu tenho é que devia ser mais relacionado com o instrumento, sabe? Porque, por exemplo, eu aprendi campo harmônico, [...] com meu professor de instrumento, que me falou como que funcionava e tal, então eu estudei muita teoria com o professor de instrumento que foi muito mais útil porque existia um problema técnico e uma resolução teórica para aquele problema e o cara me mostrava ali, eu já via como que funcionava, era muito mais rápido o aprendizado, eu nunca mais esqueci [...] (Sérvio Túlio, C. E.,p. 136).

Sérvio Túlio, comentou:

eu aprendi campo harmônico, por exemplo, que é uma coisa bem simples, eu aprendi quando eu estava no penúltimo ano do curso, e era uma coisa que eu já utilizava no instrumento há pelo menos três anos, [...] então eu estudei muita teoria com o professor de instrumento, que foi muito mais útil porque [...] existia um problema técnico e uma resolução teórica para aquele problema e o cara me mostrava ali, eu já via como que funcionava, era muito mais rápido o aprendizado, eu nunca mais esqueci, [...] (Sérvio Túlio, C. E., p. 137).

Segundo Beto a disciplina Percepção Musical foi um conteúdo cuja falta sentiu na sua prática profissional. Ele me contou que sentiu falta de aprofundar no conteúdo de leitura, principalmente a Leitura à Primeira Vista. “Leitura a primeira vista, Acompanhamento e Transposição”, foi uma disciplina retirada da matriz curricular em 2009, depois que o egresso se formou.

Quanto à disciplina Noções de Educação Musical, o entrevistado Hermes referiu à sua importância para a prática profissional do professor, uma vez que também dá aulas particulares. Ao relacionar a teoria e a prática da formação do curso técnico, mencionou os dois lados de sua atuação. Para o egresso, parece ter sido positivo o conhecimento obtido, uma vez que uma boa parte da sua atuação tem sido como professor.

Beto considerou a disciplina Noções de Educação Musical

Uhum, o máximo, [gargalha], e ainda mais que ela tem até uma parte de regência, assim, o que você aprendeu lá atrás [...] vem falar na verdade o que é, assim, você vem aplicar na prática realmente. Porque [...] normalmente o professor, nesse ponto, passa a trocar ideia com você do que te ensinar. (Beto, C. E., p. 99)

Sobre as disciplinas práticas, os entrevistados comentaram com entusiasmo, considerando-as de grande importância para a formação e para a atuação no trabalho profissional. Embora a disciplina Oficina de Multimeios figure entre as disciplinas teóricas, ela tem um caráter prático, e houve comentários favoráveis a esta no que diz respeito a sua adequação ao mercado de trabalho musical.

[...] depois que eu estudei todo o curso no conservatório, ele me deu vários caminhos. E eu gostei muito de uma disciplina que eu fiz lá que era oficina de multimeios, que eu já gostava muito de computação, desde pequeno [...], e eu gostava muito de música [também], [assim] juntou as duas coisas, então eu interessei muito, então lá [no conservatório] me deu [...] uma diretriz, depois disso eu passei a estudar por conta própria [...] (Sérvio Túlio, C, E., p. 129).

Sérvio Túlio declarou que as disciplinas práticas

Foram importantes, mas não foram as únicas, porém elas foram apenas introdutórias. E daí em diante eu busquei aprofundar muito naquilo para poder ter um conhecimento e desta forma poder trabalhar com isso profissionalmente. Mas, assim como todas as matérias do Conservatório, eu acho que elas te mostram de uma maneira bem prática o que é aquela matéria. [...] Mas ela me serviu para que conhecesse os primeiros programas. (Hermes, C. E., p. 45).

Para Beto, as disciplinas Prática Profissionalizante e Oficina de Multimeios foram muito importantes para a sua formação, principalmente no momento atual em que está montando o seu próprio estúdio de gravação. Beto ainda observa que, em 2009, essa disciplina teve uma diminuição na carga horária, passando a ter a duração de um ano24.

É bom que você conhece a outra parte do registro musical, elaboração, produção e os esclarecimentos são básicos, vem do aluno ali buscar aprofundar mais, porque um ano só de curso agora, não é dois anos mais, e para aqueles que escolhem ir pra esse lado, produção musical, registro, tablatura, partitura, aplicações de ritmos, sonorização, para essas pessoas eu acho muito interessante, sim, é um curso que está de parabéns, é um dos poucos que eu parabenizo, porque dá a oportunidade da pessoa estar [narrando fala]: “Ó eu não vou ser só músico, eu quero ser um arranjista, um músico elaborador, eu quero ser um músico produtor, eu não quero tocar fora, eu quero ter meu escritoriozinho, meu

24 Na data da entrevista o egresso ainda não tinha a informação de que a matriz curricular em 2010 havia sofrido uma pequena alteração colocando a disciplina Oficina de Multimeios com uma carga horária de 100h00 distribuídas em três anos, sendo o último ano mais prático, voltado totalmente para o estúdio.

comodozinho, meu estudiosinho”. Então, dá um opção profissional, [...] para o que se está buscando [no curso técnico]. (Beto, C. E., p. 98).

A opção profissional a que se refere Beto se relaciona também com a possibilidade de montar seu próprio estúdio.

Sobre outras disciplinas práticas:

[...] as [disciplinas práticas] de que eu participei, Canto Coral, Noções de Regência e demais, eu achei muito esclarecedor, eu acho que devia ter mais conteúdo desse jeito porque para o músico - depois eu vim entender isso – [...] que é muito importante tocar com outros músicos. [...] Eu acho que para desenvolver essa musicalidade, essas disciplinas que trabalham em grupo são muito úteis, eu achei que todas foram muito interessantes [...]. Mas só de você estar estabelecendo um diálogo entre outros músicos, para mim, eu acho que é muito rico, muito importante. (Sérvio Túlio, C. E, p. 137-138).

Embora nem todos os entrevistados tenham participado da disciplina Produção de Espetáculo e Direção Cênica, Hermes comentou que as atividades cênicas são muito importantes para o músico desinibir-se no palco, ser mais criativo e aprender a interpretar e cativar o público. Com relação à participação em apresentações, concursos, projetos e outras atividades ligadas a performance considerou...

Importantíssimas!... Elas são o respaldo da sua dedicação. Uma apresentação é antes de tudo um evento. Ela já reúne todos os pais, os parentes, os amigos. E quando toca você recebe o aplauso, você se sente gratificado daquelas horas que você estudou. Só isso já é um pagamento! (Hermes,C. E., p. 48).

Sobre a disciplina prática Instrumento Complementar, os depoimentos mostraram a sua relevância por permitir ao aluno ampliar suas capacidades musicais. Para os alunos que estudaram um instrumento melódico, por exemplo, perceberam ser fundamental a aprendizagem de um instrumento harmônico e de percussão.

Por fim, os entrevistados ressaltaram os recursos e materiais disponibilizados pelo conservatório durante as aulas teóricas e práticas.

Lá tem uma biblioteca maravilhosa, [...]às vezes, não reconhecem, o quanto aquela biblioteca é maravilhosa! O tanto de coisa que tem naquela biblioteca! Eu posso citar os instrumentos do Conservatório, as salas de aula, quadros com pincel atômico, computadores, microfones, Internet, DVD, aparelho de TV, telão, rádio, o rádio cassete, que ainda tinha muito na época em que começou o curso. [...] Até o celular trazia informações com músicas para nós. Piano... (Hermes, C. E., p. 47-48).

Essas foram algumas das disciplinas destacadas neste estudo, pelas quais percebi que a relação atuação e formação tem elementos importantes da organização curricular.

Segundo Demo (2009), o currículo intensivo procura evitar o distanciamento entre teoria e prática. Para o autor, o currículo é uma organização que deve levar em conta o perfil dos sujeitos de quem se espera uma competência que se deseja questionadora e reconstrutiva. A construção do currículo está relacionada ao desfio da qualidade acadêmica, profissional, da política e da ética. Trata-se de uma organização que precisa levar em conta a formação de sujeitos históricos e capazes de inovar e de humanizar a inovação.

No que se referiu à organização curricular, a opinião de Hermes aponta para a questão da flexibilidade ao considerar que no curso técnico seria ideal um currículo:

Semi-aberto com optativas, porque tem certas coisas que [...] são importantíssimas na música, percepção, musicalização, [...] porque são coisas que vão fazer diferença, [pausa] agora optativas é importante para a pessoa fazer algumas interdisciplinaridades, ligar uma coisa que ela gosta com o objetivo dela no mercado de trabalho. (Hermes, C. E., p. 64).

Para o egresso, a responsabilidade de fazer conexão entre os conteúdos ensinados e a prática profissional é do aluno.

Eu acho que quem faz a conexão é o aluno. Ele entende o que é realizado, né, como realizar melhor aquilo e vai pro mercado, e tem as suas experiências e as suas conclusões, aí depois ele volta com as dúvidas e as conclusões e aprimora mais, e volta de novo e vai aprimorando até chegar uma hora que ele vai errar menos. (Hermes, C.E., p. 65).

9.2 Mercado de trabalho profissional, desafios da atuação e continuidade da

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