A preocupação com a análise dos dados coletados permitiu que as informações, depois de compiladas, fossem interpretadas. O objetivo da análise foi o de entender de forma crítica o sentido dos textos anotados.
5.4.1 Transcrição das Entrevistas e Textualização dos dados coletados
Após a realização das quatro entrevistas, estas foram transcritas. A transcrição se referiu a um processo em que os dados orais foram escritos no Caderno de Entrevista (C. E.). Procurei, durante a fase de transcrição dos dados, ter uma “atenção flutuante”, conforme nos chama a atenção Thiollent (1980, citado por Lüdke e André 1986, p. 36), que não se atém apenas ao roteiro preestabelecido e às respostas verbais, mas também à comunicação não verbal como: os sinais não-verbais, aos gestos, expressões, entonações, hesitações e alteração de ritmo, que permitissem uma melhor compreensão e validação do que foi dito.
Depois da transcrição, os trechos foram textualizados para serem utilizados no presente trabalho. Na primeira versão da textualização, foram colocados os números das questões no lugar de se colocar as páginas do Caderno de Entrevistas, para eu encontrar com maior facilidade a localização do trecho no caderno.
Para a redação final foram inseridos os nomes dos sujeitos e as páginas da citação localizadas no caderno. Um exemplo: (Hermes, C. E., p.80) aponta que foi selecionado um trecho da textualização relacionado à fala de Hermes, cujo texto está na página 80 do Caderno de Entrevista.
5.4.2 Categorização e análise dos dados
Lüdke (1986, p. 43) ressalta que não existem normas preestabelecidas para a criação de categorias. Neste aspecto, foi fundamental na pesquisa, realizar um estudo teórico concomitante com a coleta de dados acerca da relação entre formação e atuação no sentido de considerar a participação dos sujeitos no âmbito desta relação. Foi ainda muito importante desenvolver um estudo acerca dos pressupostos do currículo estarem fundamentados na abordagem histórica e social e delimitar as reflexões para a dimensão
das Políticas Públicas e Educação Profissional. Primordial foi realizar diversas leituras dos dados transcritos. Das leituras, foi possível identificar as temáticas mais frequentes destacadas pelos sujeitos, considerando que não houve saturação de dados.
A partir das determinações da qualificação profissional e das falas dos sujeitos, foi possível avaliar que as noções de competência, flexibilidade, articulação teoria/prática e mercado de trabalho poderiam se constituir como referências teóricas para compreender de um lado a formação institucionalizada no curso de nível técnico e, por outro, a sua relação com a atuação dos músicos no âmbito do trabalho profissional.
A técnica da triangulação dos dados foi utilizada na análise, tendo em vista que os dados foram obtidos em fontes distintas de pesquisa. Bresler (2000) registra que, na pesquisa qualitativa, é adequado fazer a triangulação dos dados como recurso da análise. A triangulação permitiu identificar as convergências e constatar a repetição de determinados elementos ou interpretações conseguidas na coleta de dados e articulados com a literatura e as minhas experiências com o tema.
Conforme Patton (1980, apud LÜDKE, 1986), “a análise de dados qualitativos requer um rigor intelectual e muita dedicação. Não existe uma forma melhor ou mais correta. O que se exige é sistematização e coerência do esquema escolhido com o que pretende o estudo.” Da categorização e análise dos dados, foram gestados alguns capítulos do trabalho.
6 RELAÇÃO ENTRE FORMAÇÃO E ATUAÇÃO: OS SUJEITOS E SUAS EXPERIÊNCIAS FORMATIVAS MUSICAIS
De acordo com Nascimento (2003), as propostas educacionais que subsidiam a concepção de ensino profissionalizante devem ser tratadas dentro a partir do reconhecimento de que “todos nós somos produtores de conhecimento e de que o mesmo é fruto das interações que o sujeito traça nas suas relações com o ambiente, com os objetos e com os outros sujeitos” (NASCIMENTO, 2003, p. 70)
A ênfase na relação entre formação e atuação profissional dos músicos permitiu esse modo particular de entender a formação como um processo contínuo, contextualizado em um tempo e espaço histórico e vivido por sujeitos que constroem várias experiências formativas dentro e fora da escola. Assim, Habermas (1990) fundamentou a consideração de que os processos de formação do sujeito envolvem diferentes dimensões, como o nível do saber e do agir técnico-estratégico (do trabalho) e no saber e do agir prático, moral e comunicativo (da interação). O desenvolvimento das capacidades e competências dos sujeitos acarreta o processo de evolução da sociedade.
Deluiz (1995, p. 3) destacou que, para Habermas, os sujeitos são capazes de desenvolver competências interativas tanto cognitivas, como linguísticas, morais e motivacionais e, por isso, têm capacidade de reconstruir leis que regem o mundo mediante a busca argumentativa. Isso significa que a direção do desenvolvimento no processo de formação é caracterizada por uma crescente autonomia do sujeito em termos da independência para a resolução de problemas, pela ênfase na capacidade dos sujeitos de falar e agir e buscando potenciais de emancipação no mundo vivido. Segundo a autora, Habermas concebe que os sujeitos sejam capazes de questionar o sistema de normas que vigora na sociedade bem como de buscar outros princípios normativos, reorganizando a sociedade em bases mais justas e igualitárias. Habermas, segundo a autora, propõe a formação do sujeito para que seja político e competente para atuar em diferentes espaços sociais.
Este capítulo procurou mostrar e interpretar as informações trazidas por Hermes, Beto, Sócrates, Sérvio Túlio, quando falaram como sujeitos de seus processos formativos desenvolvidos na vida social. São considerações que mostraram características de uma construção de conhecimento de múltiplas direções, assim como relatos que mostraram que desenvolvem capacidades interativas, entre outras.
Conforme Vieira, “as lembranças musicais bem como a vivência musical cotidiana fora dos espaços escolares [...] constituem marcas” (VIEIRA, 2003, p. 77). Para a autora, a herança musical familiar ou o ambiente social musical interage e interfere na construção de profissionais da área. Os dados identificaram que os sujeitos foram despertados para a profissionalização e buscaram o curso de nível técnico do CEMCPC.