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The question of values in inquiry: A question beyond values

In document Feminism, Epistemology & Morality (sider 87-95)

THE ARGUMENT FOR VALUE-FREEDOM: A CRITICAL ASSESSMENT

2.4 Assessing the fourth premise 149

2.4.4 The question of values in inquiry: A question beyond values

No que se referiu a alguns conceitos sobre a gestão dos seus próprios trabalhos, este estudo realizou uma abordagem acerca do trabalho do músico como administrador de sua própria carreira.

Nesse sentido, foi fundamental considerar as competências para planejar e organizar suas atividades, bem como saber desenvolvê-las, tendo em vista os dados trazidos das entrevistas.

No entendimento dos dados, as competências para administrar seu próprio trabalho profissional exigem que os músicos sejam flexíveis no planejamento das atividades, bem como tenham habilidades para trabalhar de forma coletiva em projetos integrados.

Beto administra um projeto social em uma casa de detenção dando aulas de música. Ele vivenciou atividades de elaborar, coordenar e desenvolver esse projeto que envolve conhecimentos de administração, de pedagogia musical além de mecanismos para avaliação de resultados.

[...] todo final de plano de aula ao invés de ter prova eu tenho que estar apresentando um trabalho, trabalho esse que acaba substituindo as provas normais, como se fosse no ensino [...] tem uma certa data do ano que vem as pessoas de Belo Horizonte e elege um grupo, daqueles todos, [...]... para estar lançando na mídia [...] temos vários casos de pessoas que tiveram um contato com a música e estouraram a nível nacional. Essa é a característica mais concreta do projeto porque se tem um resultado. (Beto, C. E., p. 83).

Henry Fayol e Samuel Certo (2003) destacaram que no planejamento, são definidas metas ou objetivos, assim como os recursos que serão utilizados para alcançar metas ou objetivos traçados. Segundo os autores, o planejamento é um processo de reflexão que necessita ser permanentemente avaliado. Para o músico, esta função pode ser representada pelas diferentes atividades musicais que desenvolve ou que pretende desenvolver, como: que tipo de músico eu quero ser? As possibilidades de respostas são bem amplas e vão desde as diversas áreas e subáreas da música até os diferentes estilos musicais que podem modificar bastante a carreira em termos de espaços profissionais, remuneração, relacionamentos sociais, horários, estabilidade de emprego e todas as possibilidades de exercício da profissão de músico.

Se tocar na banda municipal, você tem que ter na cabeça que a banda vai viajar. Você tem que se preparar, estruturar-se para isso. Se você toca numa banda de qualquer estilo que seja, tem que pensar que a banda vai fazer uma turnê!... Se você faz gravações,

você tem que saber que você vai ter que ficar até as três horas da manhã no estúdio, ou então amanhecer o dia no estúdio! [...] Se você quer trabalhar com várias coisas, então você tem que ter uma agenda para não bater datas.[...] Então, ele tem que ter uma agenda bem organizada e já ter a lista de pronta decisão. (Hermes, C. E., p. 61).

Henry Fayol e Samuel Certo (2003) destacaram que, no aspecto de organização são analisados os recursos que serão usados para alcançar as metas e objetivos colocados no planejamento. Para isso determina os métodos de trabalho e divide os recursos necessários para tal empreendimento. Traduzindo essa função de planejamento e gestão para o músico, isso significou pensar desde os equipamentos que serão utilizados para tocar e apresentar, como instrumentos, acessórios, livros, partituras, métodos, vestimentas, seu visual, até os cursos e investimentos com a formação. Também é importante pensar nas formas do planejamento dos estudos ou nos horários entre trabalho e estudo.

Sobre a direção ou gerenciamento de trabalhos, os autores mostraram que é fundamental desenvolver competências para saber lidar com as pessoas, motivar, minimizar conflitos e trabalhar coletivamente. Muitas vezes, o músico numa posição de liderança, necessita ter responsabilidades diversas como a de divulgação, designer, de criação de arranjos para o grupo, de contador e engenheiro de som.

A função de desenvolver as atividades profissionais exige competências para controlar e dirigir o trabalho. Isso significou entender que há uma constante revisão e atualização da atuação, como também há reflexão crítica ou autoavaliação para se ter uma ampla visão do processo como um todo.

A competência para trabalhos integrados diz respeito ao viver o coletivo da profissão de músico. Isto exige uma capacidade para identificar oportunidades, lidar com situações novas e trabalhar de forma integrada.

Ah, esses dias [...] eu estava tocando num colégio e tinha o pessoal do teatro [...] [...] Montei tipo [uma sonoplastia]. Estavam fazendo um malabarismo, e eu criei algumas coisas, [...] tocando violino, uma trilha sonora. Na hora assim para acompanhar. E foi bem legal porque deu para perceber que era uma trilha. [...] Foi bem interativo, as pessoas perceberam, depois bateram palma e tal, então eu acho que essas coisas são muito importantes. Eu nem sabia que ele ia estar lá, mas aconteceu, estava lá, surgiu a oportunidade, não deixei ele sozinho! Então entrei na roda com ele [...] fizemos a nossa arte, eu acho que isso aí também é muito importante. (Sócrates, C. E, p. 222).

Como foi ressaltado por Freire (2001), a variedade de atuações no mercado de trabalho exigem competências variadas dos músicos. E em razão desse contexto variável, os profissionais elaboram sua própria ideia das relações entre formação e atuação tendo em vista competências que foram desenvolvidas e/ou estão em desenvolvimento.

Os dados ajudaram a compreender que tais competências vieram de um conhecimento do viver a profissão de músico, que resultou tanto do processo de escolarização quanto de outros ligados ao interior do trabalho. Os dados revelaram que os egressos estão sempre aprendendo. Procurando adequar suas atividades às demandas das instituições, das organizações e das expectativas da comunidade que querem um professor de música com múltiplos objetivos, ou um músico para apresentar em casamentos, shows; ou um profissional da área para planejar ou avaliar um projeto social, ou para executar em orquestras, grupos musicais, ou para criar músicas com suporte tecnológico, entre outros.

No processo de viver a profissão e continuar a aprender em cursos, palestras, shows, projetos, festivais, etc. os dados mostraram que os egressos selecionam e adaptam alguns conteúdos, acrescentam ou desprezam outros e, com isso, vão adquirindo competências variadas. Estas considerações me fizeram enxergar a existência de um conhecimento do trabalho musical ou um conhecimento do trabalho profissional do músico os quais necessitariam ser objeto de estudo no currículo do curso técnico de música.

Sintetizando, este capítulo mostrou que, nas relações entre a formação e atuação profissional, os sujeitos construíram competências para dar aulas, para tomar decisões, para a ética, para a criação, para a performance, para o saber tecnológico e para a gestão e trabalhos integrados. Isso comprova que as demandas do trabalho são complexas e exigiram dos músicos egressos o enfrentamento de situações diversas, algumas previsíveis e outras inesperadas, surgidas como desafios e que exigiram respostas eficientes. Ao pensar nas necessidades formativas destes sujeitos no enfrentamento da realidade do trabalho entendo que um currículo por competências para os cursos técnicos de música necessita desenvolver o aprender a ser, aprender a fazer e aprender a pensar a prática profissional para preparar profissionais que gerem conhecimento de forma autônoma. Seria uma formação para a construção de estruturas mentais que se relacione com todas as formas de relacionamento do homem com o mundo.

9 FORMAÇÃO E ATUAÇÃO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A RELAÇÃO

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