4. VITENSKAPSTEORI, METODE OG MATERIALE
4.5 Operasjonalisering: Analysekategorier
4.5.3 Relasjon belyst gjennom Holdning
É dia das bruxas, no Brasil, em uma comunidade repleta de indivíduos quase invisíveis aos olhos do governo. Com ruas estreitas, casas e prédios comerciais com no máximo três andares disputando cada centímetro de espaço, as pessoas se esbarram nas
outras transitam nas estreitas calçadas, andando ora no pavimento ora nas ruas, disputando espaço com carros e pequenos caminhões. A falta de área verde é percebida por meio do calor sufocante nas épocas de seca. Dois parques públicos e uma rampa de skate fazem parte da pouca diversão gratuita que os jovens da comunidade dispõem. Cercada por muros grafitados bem coloridos, a escola da região comemora um dos dias mais marcantes para os alunos, o Halloween.
Inspirado na casa dos monstros dos parques de diversões da década de setenta e oitenta, o diretor da escola, juntamente com os coordenadores e os professores montaram uma grande estrutura a fim de tornar a data inesquecível para os alunos. Este fato é de extrema importância para que os estudantes possam associar a escola a um lugar agradável, e com isso tenham mais facilidade para despertar o gosto pelo estudo (GUIMARÃES, 2005). Sob este viés, o diretor, alguns professores e coordenadores justificaram a ideia de gastar dinheiro do próprio bolso para tal atividade. Quando em entrevista, o diretor foi perguntado por que fazia isso, o mesmo respondeu:
“... não acho justo estes meninos ficarem o ano todo dentro desta escola sem condições para suportar tal jornada, os recursos da escola são escassos e vamos fazendo o que dá para fazer. No ano passado, fiz o halloween para os meninos, e a felicidade que eles ficaram compensa a parte financeira. Fazemos isso, porque também somo humanos e a realidade aqui já é dura o suficiente com os alunos (...) Este ano, por conta da situação financeira da escola, não poderemos fazer e eu não posso tirar do meu bolso...”.
Um portão enferrujado dá as boas-vindas aos alunos, na entrada da escola. A área verde que poderia ser utilizada em prol dos alunos virou um estacionamento de carros. Na parte de cima, uma quadra de futebol em péssimas condições e uma quadra de vôlei de areia, com mais pedras do que a própria areia, para a prática das atividades. Abóboras e bruxas de papel decoram a entrada da escola, uma fila enorme de alunos eufóricos espera para entrar na casa dos monstros. A fila percorre o pátio e termina quase no portão, com um tempo de espera para a brincadeira de mais ou menos meia hora. Alguns professores fantasiados de monstros, com máscaras e roupas rasgadas ajudam a manter a ordem da fila com dinâmicas e brincadeiras. As finas paredes que sustentam a escola, “provisória há vinte anos”, segundo relato de professores, deixam o som dos gritos de susto e as risadas vazarem até a fileira,
aumentando a euforia e a curiosidade dos jovens.
A entrada era escura, os corredores da escola estão todos cobertos com uma lona preta e uma estrutura lateral de madeira fina que direciona e monta os corredores da casa dos monstros. Foi colocado um sistema de som, com o auxílio de um professor que entendia da parte elétrica, e, como resultado disso cada cômodo tinha um som característico do cenário em que estavam. Os jovens entram em dupla, com as mãos suadas entrelaçadas com as de um professor, vestido de monstro para guiar o passeio.
A primeira porta à esquerda é o banheiro, lugar que Soares (2004) afirma ser importante visitar para quem quer conhecer a administração da escola. Sempre limpo, o local tem as pias com torneiras de plástico que derramam filetes de água para a higiene dos alunos, as cabinas sem porta escondem pequenos delitos como ameaças e o uso de maconha. A segunda porta à esquerda estava aberta, é a sala de lutas, com um enorme tatame utilizado para os treinos de artes marciais. Os alunos, de mãos dadas com o professor jogam o corpo para trás e esticam o pescoço para frente, com um misto de medo e ansiedade a fim de tentar observar o que espera por eles no escuro. Algumas luzes acendem e professores pulam vestidos de monstros em direção aos alunos, que levam sustos subsequentes, se agacham, fecham os olhos, gritam e saem da sala com as bochechas rosas de tanto rir.
Enquanto os jovens recuperavam o fôlego, o professor continuava a conduzir pelo corredor do terror. A próxima sala era a dos professores, com uma grande mesa e cadeiras em volta, quadros feitos pelos alunos pendurados e dois sofás de couro no canto. Mais à frente, a direção, com as portas trancadas são o prelúdio para o melhor e mais esperado momento da festa, a monga. Esta atração foi inspirada no mito de uma mulher muito bela que sofre uma maldição e fica presa dentro de uma gaiola. Quando o espectador aparece ela se transforma em macaco, abre a jaula e corre atrás das pessoas que em geral deixam a sala assustadas. Para isso, o diretor acessou na internet, aprendeu como era feito o truque da transformação, comprou todo o material, alguns professores ajudaram e ao final do dia um jogo de espelhos, um professor vestido de gorila e uma professora de princesa representavam o assustador mito da mulher-macaco.
Com os olhos arregalados e apertando as mãos do professor os alunos entram e se deparam com uma professora vestida de princesa, no meio da sala escura com apenas um
feixe de luz iluminando um pedaço do seu corpo e seu rosto, de baixo para cima. A transformação começa, os alunos gritam e ficam agitados com as luzes falhando no ambiente. Ouve-se o som de um gorila, a princesa começa a se transformar deixando os alunos eufóricos e, em poucos segundos, o gorila fica visível, sacudindo as grades da jaula até que a porta se abra e ele corra atrás dos alunos. Em meio a gritos e gargalhadas, os jovens e o professor saem da sala rumo à próxima atração, ficando após um corredor aberto e termina em forma de “T”. Lá a última atração é a recriação do cenário do filme “O massacre da serra elétrica”. O som deste ambiente, reverberado pelo telhado de zinco, é uma música que lembra os momentos de suspense de um filme de terror, muitos professores maquiados pregam sustos nos alunos, e, no final do corredor, o diretor vestido, a caráter segura uma serra elétrica desligada (com proteção nas correntes) corre atrás dos estudantes, que fogem aos gritos e risadas.
Ao sair da atividade o trio passa pelo gramado da escola, que contém uma mesa de airsoft, uma mesa de totó e slakeline. O sucesso do passeio foi tão grande que todos os adolescentes já entravam novamente na fila para repeti-lo. O dia termina com um churrasco, feito por alguns professores e com a ajuda das cozinheiras da escola. Os alunos em fila para comer, comentam a respeito do dia com os sorrisos mordendo as próprias orelhas. Este dia, segundo Antônio: “é o dia mais legal da minha vida, véi3...”