5. BÆREKRAFT SOM FELT: IDEASJONELLE ANALYSER
5.2 Normprosjektet som bærekraftfelt
5.2.1 Fag- og læreplantilknytning
É inegável a influência das famílias na formação da personalidade dos indivíduos. Prata e Santos (2007) descrevem que o núcleo familiar em geral é responsável pela primeira socialização da pessoa na comunidade. Sob esta ótica sua função deve ser colocar limites e ensinar as crianças a interagirem socialmente, andando nos trilhos de sua cultura. Em tempos antigos a família tinha como obrigação educacional apenas restringir as possibilidades dos filhos se machucarem. Neste sentido os métodos de educar vêm variando de cultura para cultura, mas o que precisa ser observado é que em uma sociedade as famílias, em geral, devem dividir com a escola e outros diversos grupos de convivência a tarefa de educar as crianças (CARVALHO, 2004).
Nesse sentido, a família que deveria estruturar fortes alicerces na construção da personalidade dos indivíduos, muitas vezes abrem mão de participar desta construção, deixando as bases destas pessoas extremamente frágeis. Em geral, quando a família se exime de ensinar os limites e a convivência em sociedade, outro grupo pode assumir este projeto, como relatou um professor em entrevista: “...Aqui é muito comum os pais trabalharem o dia todo, ficam fora mesmo, e os meninos ficam em casa ou na rua. Aí, ou são criados pela televisão, ou pelos traficantes...”. Amorim (2010) descreve como esse fenômeno acontece de
forma semelhante nas favelas do Rio de Janeiro, quando os traficantes assumem o papel educativo, na maioria das vezes com o consentimento de quem cuida da educação dos jovens. Em certa idade, em geral quando o menino ou a menina estão ainda no ensino fundamental os traficantes conversam com os pais, sugerem que podem pagar a educação desta criança, em bons colégios, até que ela se forme na educação. Nesse processo, os traficantes passam a direcionar durante muitos anos o ideário destes jovens, formando vários policiais, juízes, professores, médicos e políticos que podem vir a trabalhar regidos pela cartilha da irmandade do crime.
Com efeito, a lacuna deixada com a ausência da família na criação desses jovens geralmente vai ser preenchida por outro grupo que se disponha a educá-lo. Essa ausência do componente familiar na vida dos adolescentes e no ambiente escolar é facilmente detectada por professores: “Ah, a família dos alunos quase nunca aparece na escola, marcamos reunião de pais e mestres nos sábados porque sabemos que eles trabalham durante a semana, mas, mesmo assim só aparecem os pais dos bons alunos, os alunos que realmente precisam, os pais não comparecem...”. Esse discurso é reforçado por um dos coordenadores: “... Já não sabemos mais o que fazemos para conseguir interagir com a comunidade, muitos deles não demonstram interesse algum na educação dos filhos, acham que isso é um depósito de crianças.”. Os próprios alunos também relatam a omissão da família em suas vidas escolares: “...Minha mãe só vem aqui mesmo quando o diretor chama ela para resolver algo, se não, não vem...”. Nogueira (2006) descreve que cada vez mais as famílias se mostram distantes da vida escolar dos alunos e, em muitos casos, chegam a terceirizar para a escola a educação de seus filhos.
A violência da ausência não é a única influência no péssimo comportamento de alguns alunos. Os exemplos dados pelos pais, em casa, podem ser altamente influentes para a construção do comportamento destes jovens na sociedade. Marcolan, Frigheto e Santos (2013) explicam que o aprendizado mais eficaz para as crianças nem sempre se fortalece nas palavras, pois os exemplos podem ficar marcados de forma indeletável e muitas vezes passam a fazer parte do repertório de atitudes dos filhos que vivenciam estes modelos. Um bom exemplo, no caso, vale mais do que mil palavras. Em entrevista com um estudante considerado bom aluno pelos professores, a questão do aprendizado pelo exemplo da família ficou latente: “...Ela ( a mãe) me incentivava a escudar. A escudar algumas músicas, me incentivava a muito a lê. Aprendi a estudar com ela, ela gosta muito de lê é advogada e
quero ser assim quando crescer (...) Na hora do recreio gosto de ficar sentado lendo, com meus amigos...”. Esta questão do exemplo familiar como reforço positivo no comportamento do aluno também foi descrita pelo diretor:
“É fácil identificar aqui os alunos que são criados com amor e limite pela família, só o amor não adianta também, tem que ter limite. Mas geralmente, estes são os alunos que não tem problemas de disciplina e nem de nota, se espelham nos pais (...). Engraçado porque eles reproduzem tudo dos pais, a forma de andar, as palavras e como se comportam, são miniaturas dos pais...”.
Neste contexto, Rosa (2003), Leão e Agapito (2015) destacam que, além do exemplo dado em casa e na escola, é fundamental o reforço positivo do comportamento desejado, para que o exemplo seja fixado e se transforme em comportamento. Uma professora declarou que usa este reforço para acentuar o bom comportamento ensinado em casa e na escola: “... Alguns meninos têm boas referências da família, fica mais fácil de trabalhar (...) para reforçar este comportamento, em geral eu trago umas balinhas para os alunos que se comportam...”. Esta influência da família na conduta dos alunos fica nítida ao observar a reprodução do tratamento que eles recebem em casa no ambiente escolar, copiando grande parte das linguagens, sejam de afeto ou violência em suas relações diárias (BISSOLI, 2014). Esta narrativa também se repetiu na perspectiva de uma professora: “...tenho certeza que o que eles aprendem em casa, fazem de novo aqui... por exemplo: tem um menino aqui, que o irmão é traficante e o pai alcoólatra, o mino é o cão aqui na escola e vende droga igual o irmão. Se espelha e acha bonito ser do tráfico...”. Na ótica dos alunos, grande parte também acreditava que o comportamento vivenciado em casa se repetiria na escola.
Com efeito, hábitos de casa se levam à praça. Entretanto nem sempre os hábitos ensinados pela família são relacionados à alteridade e ao afeto. Em muitas casas a linguagem predominante é a da falta de limites, respeito e do excesso de intolerância e violências. Cabe aqui contar a estória de um dos alunos tradutores, fiel cópia dos exemplos familiares. João de Santo Cristo foi criado em uma família tradicionalmente nuclear, um pai, uma mãe e um irmão mais velho. Seu pai não gostava de trabalhar e bebia muito todos os dias, era um homem agressivo, e, quando embriagado se tornava extremamente violento, com relatos de agressões físicas e verbais contra todos os membros da família. Seu irmão era um dos mais renomados e respeitados traficantes da comunidade, motivo que enchia de orgulho João de Santo Cristo. Segundo o próprio jovem, em relatos informais, seu irmão era dono de uma
boca de fumo e andava ostentando armas, dinheiro e mulheres. Com isso, pelo visto, o único exemplo que não se estrutura em violências vinha da mãe, que trabalhava e, órgão público como faxineira terceirizada, saindo de casa às cinco e meia da manhã e voltando somente depois das vinte horas, muito cansada e geralmente esperando violências verbais e físicas do marido.
Observando tudo isso, o adolescente em vários momentos afirmava que gostaria de seguir os exemplos da mãe, sendo trabalhador, conversando com as pessoas, ao invés de agredir, e levando uma vida altruísta. Entretanto, fez valer o ditado de que um exemplo vale mais que mil palavras. Desde novo João de Santo Cristo afirmava andar com colegas mais velhos e estes não lhe rendiam bons exemplos:
“...Porque meus amigos tudo se desviou... os moleque tudinho... uns morreram...nessa vida aí morreram (...) Eu? Ah... tem uns que por causa da família, que o pai e a mãe já era traficante... já botava desde pequeno para fazer, para vender! E os outros foi aqui no colégio, né... as influência, chama para fumar... chama para experimentar, acha a lombra muito doida e vai! Aqui que começou tudo! Começa a fumar, depois não tem mais dinheiro para comprar, começa a traficar.... e assim foi..”.
Segundo Abramovay (2010) muitos destes jovens têm em suas consciências a noção do caminho que devem seguir, entretanto, quando percebem que as trilhas deixadas pelas gangues e pelos criminosos são mais curtas e atrativas para levar ao dinheiro e status entre seus pares, muitos jovens decidem fazer parte destes grupos. Assim, envolvido com traficantes, João de Santo Cristo começou a trabalhar de “aviãozinho”10, ganhando o status
que esta profissão empreende. Certo dia, ele tomou com um colega uma cartela inteira de um benzodiazepínico chamado rohypnol, e, segundo ele, os efeitos foram bastante intensos: “Tomei a parada com uma lata de cerveja, deu uma meia hora eu não lembrava mais de
nada e acordei na delegacia (...) Fiquei em uma lombra11 muito doida e terminei roubando
uma padaria e fui preso...”. O jovem foi acusado de ato infracional análogo a roubo e porte de arma. Segundo ele, quem estava armado era o colega, mas como ele era “de menor12” a
arma foi parar nas mãos dele. Após este evento, João de Santo Cristo foi matriculado no regime integral, a fim de ficar longe das ruas, pois cumpria medida socioeducativa, estratégia frustrada com a “promoção” do adolescente no mundo do tráfico. Até o presente momento
10
Termo que define o indivíduo que leva e trás pequenas quantidades de entorpecentes.
11 Gíria usada para definir a forte sensação gerada pelo uso de entorpecentes. 12 Giria que define o jovem com idade inferior a dezoito anos.
João de Santo Cristo passava os dias em uma quadra de esportes fumando maconha, cheirando cocaína e vendendo os mais diversos tipos de drogas. Por conta desta promoção, a evasão escolar aconteceu mais ou menos no meio do ano.
Em geral, os indivíduos que experimentam episódios de violências em casa tendem a se tornar pessoas agressivas e menos tolerantes, podendo reproduzir este comportamento em outros momentos de sua vida (MENEGHEL; GIUGLIANI; FALCETO, 1998). Ao falar de exemplos negativos, neste momento, cabe apresentar mais um personagem fundamental na dinâmica escolar, a tradutora Maria Lúcia. Esta jovem teve uma infância regada à violências, narrada por ela mesma em entrevista: “Minha infância não foi muito boa não, eu tive que amadurecer cedo e não brincava muito. Comecei a namorar cedo, tive muito problemas, meu pai foi preso e eu cresci sem ele...”. Com o pai preso por latrocínio, muito jovem começou a frequentar o ambiente carcerário, e, como relatado por ela, coisa boa não era: “Era ruim,
péssimo. Eu era muito apegada com ele, e quando eu ia lá tinha vontade de ficar com ele. Não sabia, não conhecia... Ele foi preso eu tinha um ano, ele saiu eu tinha oito”. Ormeño, Maia, Williams (2013), Santos e Soares (2009) analisaram os possíveis efeitos que os pais encarcerados podem gerar na vida dos filhos, ressaltando que na maioria dos casos os exemplos vindos do encarcerado são ligados à violência, mesmo que suas atitudes agressivas não sejam diretamente contra algum membro da família, os exemplos, em geral, têm uma influência muito forte no comportamento dessa criança no decorrer de sua vida.
Nesses oito anos de visitas, seu pai se dizia inocente do crime, prometia coisas mirabolantes para a filha, promessas essas que nunca foram concretizadas. Ao sair da cadeia, pegou a jovem, com todas as suas expectativas, e foram morar juntos. Alguns meses se passaram e o mesmo se casou novamente, fazendo a jovem garota perder sua majestade: “Quando ele saiu da cadeia ele casou com uma mulher e colocava ela em primeiro lugar, e isso era difícil porque eu também era muito ciumenta...”. Após este fato, começou a apresentar um comportamento cada vez mais distante do comportamento considerado ideal e iniciou um namoro que durou quase dois anos com João de Santo Cristo.
O convívio diário com seu pai mostrou que as promessas feitas na cadeia ficaram por lá mesmo. Chegava a casa quase todos os dias bêbado, usava cocaína na frente dos filhos e por várias vezes produzia espetáculos de violências contra sua esposa, respingando em Maria Lúcia. Segundo a própria jovem, em entrevista, um destes respingos terminou em violência
sexual: “...A gente começou a brigar, foi quando ele me abusou, eu ainda fiquei três anos calada, até ele tentar fazer de novo. Aí nesses três anos, ele vinha falar comigo, a gente discutia, caia na porrada. Coisas assim..”. Por pior que pareça, fatos de violências familiares como estes não são tão incomuns como se imagina. Os dados levantados no mapa da violência doméstica são de cair o queixo. O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde atendeu em 2011 a um montante de 10.425 crianças e adolescentes que haviam sofrido violências sexuais de seus familiares, maior parte destes, era de meninas, 83,2%. Foram 16,4 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes para 100 mil atendimentos, com grande parte das vítimas com idade que variavam de dez a quatorze anos (WAISELFISZ, 2012). Entretanto, os números podem subir ainda mais se levarmos em conta que grande parte das vítimas optam por ficar em silêncio (DESLANDES; MENDES; LUZ; 2014).
Após prestar acusação formal contra o pai, a adolescente voltou a morar com a mãe e passou a se envolver mais profundamente com os jovens meninos do tráfico. No ambiente escolar, Maria Lúcia acabava de montar o Bonde das Apimentadas, caracterizado por um grupo de meninas que se reuniam para dançar funk e espalhar vários tipos de violências na intenção de serem as senhoras dos pátios escolares. A popularidade deste bonde era tão grande entre os alunos que 91,4% confirmavam a existência deste grupo e 74,3% afirmavam que estes bondes eram compostos somente por meninas. Em entrevista informal a adolescente relatou que se uma destas colegas do bonde entrassem em alguma confusão, ela tomaria as dores e partiria para a agressão física: “Dou porrada mesmo sem dó, mexeu com minhas amigas e tomo as dores, quero nem saber se tá certa ou não... amiga é assim, somos todas juntas, tipo irmãs...”. Exemplo claramente retirado da personalidade do pai, como narrado por Maria Lúcia: “Ele é aquele tipo de pessoa que mata sem sentir dó.”
Certo dia, segundo relatos das colegas do Bonde das Apimentadas, a jovem resolveu sair com um dos líderes do tráfico e a noite se estendeu até tarde, deixando sua mãe preocupada. Às duas da manhã Maria Lúcia apareceu em casa dizendo que foi violentada sexualmente. Foram até a polícia, o suposto agressor foi preso, a jovem foi ameaçada de morte, tendo que sair da escola e mudar de cidade.
É fácil perceber que os exemplos de violências familiares, como no caso desta jovem, marcaram de forma nítida os contornos de seu comportamento dentro da escola. Entretanto, o
exemplo mais usado não era a simples reprodução de violências e, sim, o aprendizado de uma dialética da conveniência. Na dialética forjada pelo que convém ao indivíduo, o importante não era manter a integridade e rigidez dos valores aprendidos, e, sim, manipula-los de acordo com cada situação em direção ao domínio do outro. Ao observamos o comportamento do pai, a filha percebeu que o importante era ter a situação sempre sob seu controle, sendo tanto o algoz quanto a vítima, dependendo do contexto em que estivesse inserida. Ao analisar os relatos da aluna, podemos perceber que seu pai, quando precisou convencer sua filha, tornou- se a vítima. Entretanto, quando queria convencer alguém fora de casa, em geral, usava da violência, transitando do escravo para o senhor, dependendo de sua conveniência (HEGEL, 2003).
Pattias, Bossi, Dell’Aglio (2014) e Carvalho (2003) lembram que o início da formação simbólica tem sua construção primeira no ambiente familiar, em geral, com os exemplos dados pelas pessoas de maior ou mais marcante convívio, estruturando a forma como irão se comportar em sociedades maiores e mais complexas. Assim, a jovem Maria Lúcia desenvolveu muito bem a dialética da conveniência, mandando em muitos momentos com violência e agressividade e, em outros, mandando enquanto era vítima. Os casos de violência sexual em outras perspectivas podem nos mostrar os traços da dialética aprendida com seu pai.
Ao conversar com o diretor e os coordenadores a respeito deste episódio, surgiram alguns indícios de que os relatos de abusos sexuais poderiam ser falsos. Um dos fatos que causou estranhamento foi a naturalidade e a frequência com que a jovem se referia ao caso, em muitos momentos parecia narrar em terceira pessoa. Ramos e Silva (2011) destacam que geralmente os sintomas de crianças e adolescentes que sofrem violências sexuais podem aparecer no excesso de timidez, medo, vergonha e culpa, sentimentos e comportamentos opostos aos demonstrados por Maria Lúcia ao narrar o acontecido. Em discurso, o diretor reforçou esta teoria:
“... Não acho que ela tenha sido abusada pelo pai, nem por este traficante, olha só porquê: primeiro, quando ela foi fazer queixa na polícia, não quis fazer o exame de corpo de delito, e as duas vezes que ela disse que foi abusada, a família parecia não está dando muita atenção. Com relação ao outro episódio é muito estranho esse traficante pegar ela de carro em casa, levar para usar drogas e fazer sexo, deixar ela no ponto de ônibus perto de casa e ainda dá o dinheiro para pegar o ônibus? A menina não quis fazer exame na polícia novamente e não apareceu com nenhuma marca de violência física. Tudo muito estranho, o que achamos, inclusive a mãe também acha, é que ela criou tudo isso porque ia chegar tarde e levar uma surra...”.
Uma de suas melhores amigas, em entrevista também levantou dúvidas a respeito do ocorrido: “Olha, não sei de muita coisa, véi... mas achei estranha a história dela com esse menino, acho que ela foi porque quis e não fez nada sem querer...”.
Observando mais de perto o comportamento da jovem aluna podemos perceber que ela fez um jogo com o fato do abuso sexual em diversas perspectivas, de forma sempre explícita e aberta, sem nenhuma timidez, vergonha ou medo de contar o acontecido. Sob este viés transitou nas relações sendo ora a senhora, ora a escrava, dependendo da conveniência para dominar a situação, assim como via seu pai fazer. Na primeira entrevista formal, a jovem relutou um pouco em falar do assunto dizendo que não se sentia confortável, e que não gostava de lembrar do ocorrido, entretanto quando lhe foi conveniente usar o fato para justificar uma violência, a timidez não fez parte do discurso: “...Bati mesmo na menina, ela mexeu com minhas amigas (...) Sou assim, meio explosiva, tive uma infância difícil... fui abusada pelo meu pai uma vez e ele tentou outra depois...”. Em outro momento, o mesmo fato ganha cores diferentes: “ ... estávamos na casa da minha amiga, fazendo uma festa do pijama. A mãe dela foi comprar lanche e esqueceu do meu e pediu para que eu dividisse com uma amiga... como ela faz isso? Eu tinha que ter preferência, ela tinha que ter pena de mim, afinal, fui abusada!”.
Pinto (2008) e Kossovitch (2004) ressaltam que os animais selvagens desenvolvem as mais diversas estratégias para sobreviver e manter sua espécie. No universo dos animais racionais não parece ser diferente, contudo a linguagem oral aparece como mais uma arma no arsenal do indivíduo. Com isso, a dialética da conveniência pôde aparecer na vida desta jovem como uma forma de sobreviver em meio à natureza violenta que a circundava. E, com isso, a linguagem se desvelou como um instrumento ora de sobrevivência ora de dominação, linguagem esta, aprendida primeiramente em casa. Na idade Medieval, já se sabia disso e o modelo da família nucleada passou a ser o ideário familiar a ser seguido, tendo como exemplo primeiro de comportamento a figura patriarcal, e, logo em seguida, o exemplo de submissão feminina (MARIN; PICCININI, 2007; LOBO, 2005).
Os exemplos de violências familiares refletidos no comportamento do adolescente, por um lado, podem aparecer nas agressões físicas, verbais, psicológicas dentre outras e, por outro lado, podem se firmar na ausência do convívio com os familiares e de afeto. Com isso,
a negligência infantil pode surgir como uma das causas de comportamentos violentos ou uma violência em si contra a criança. A ausência de laços entre a criança e seus familiares, segundo Reis e Pinto (2012) pode se transformar em uma profunda cicatriz na formação do caráter do indivíduo, e, por falta de referência passa a ter uma ampla possibilidade de