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Oppsummering: Bærekraft som felt og doxa i skriveoppgavene

5. BÆREKRAFT SOM FELT: IDEASJONELLE ANALYSER

5.3 Bærekraft som topisk felt i skriveoppgavene

5.3.4 Oppsummering: Bærekraft som felt og doxa i skriveoppgavene

O fato dos ciúmes terem aparecido como um dos motivos frequentes para as violências escolares, trouxe à tona a necessidade de se observar as relações de namoro no interior da escola. Para entender como funciona a dinâmica destas relações afetivas é fundamental esclarecer dois conceitos básicos que estabelecem os possíveis limites do envolvimento entre estes jovens, que são o namorar e o “ficar”23. Priore (2012) ressalta que as relações amorosas e afetivas não seguem regras rígidas e universais, variando de acordo com o contexto histórico e social que acolhe os indivíduos. No Brasil colônia havia os amores domesticados como forma ideal de se relacionar, no Brasil moderno o namoro era a premissa para um casamento e uma família praticamente indissolúvel, ao passo que na contemporaneidade, em geral, o namoro e o casamento são instituições líquidas, self-service e muito frágeis (BAUMAN,2004; LIPOVETSKY, 2006).

O ato de namorar, segundo Minayo (2011), carrega traços mais rígidos, como uma cobrança pela monogamia, um convívio mais intenso, apresentar o companheiro para os familiares, não ir para as festas sozinhos, dentre outras. Entretanto, a teoria pode aparecer distante dos fatos cotidianos, Castro, Abramovay e Silva (2004) realizaram pesquisa em várias localidades do Brasil a respeito da sexualidade dos jovens e constataram que o namorar, apesar de ser considerado uma relação mais séria, também não garante a monogamia. Em Brasília 30,2% dos meninos acreditavam na fidelidade do parceiro e 32,2% das meninas acreditavam em uma relação de namoro monogâmica. Na escola analisada, alguns alunos também compreendiam o namoro com uma relação com limites mais estreitos: “...Acho sim, que namoro é coisa séria, tipo assim, tem que respeitar o namorado...”, Antonieta, que namorava há dois anos relatou o que achava a respeito desta relação e a fidelidade: “Eu namoro já tem uns dois anos, nunca coloquei chifre no meu namorado, não acho certo e acho que ele também não faz essas coisas comigo”. Em outro relato, o exemplo de fidelidade vindo de casa parecia influenciar na perspectiva de namoro de uma das jovens

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Termo usado para designar as relações afetivas de namoro que não possuem compromisso e se pautam em um forte caráter efêmero.

entrevistadas no grupo focal: “Lá em casa, minha mãe nunca traiu meu pai, e ensinou para mim que mulher decente não trai o companheiro, mas com relação ao meu pai... não sei se posso falar a mesma coisa.”. Entretanto, nem todos os alunos concordaram com este ponto de vista, Marco Aurélio relatou como funcionava sua relação de namoro:

“ Ah... tipo assim, véi..., eu namoro, mas saio com outras meninas também (risos). Uma vez, eu e meus amigos fomos a uma festa do pessoal da 3 (quadra 3) eu já namorava e mesmo assim arrumei uma menina para ficar lá ,e quando ela foi embora ainda peguei outra (risos), não vejo nenhum problema com isso. Mas ela não pode nem sonhar (risos)...”.

A princípio, os discursos dos alunos em entrevistas, grupos focais e relatos informais iam de encontro com pesquisa realizada por Abramovay (2010), descrevendo que o namoro para as meninas estaria muito mais ligado à fidelidade e companheirismo, ao passo que para os meninos a poligamia estaria ligada a uma postura mais popular e máscula entre os jovens, que denominam estes rapazes de “pegadores”. Taquete (2013) nos esclarece que esta cultura machista e patriarcalista onde o homem é o centro da família e tem os outros componentes como submissos, justificava em grande parte as traições masculinas, frequentemente impostas “goela abaixo”24 das mulheres, que se fizessem a mesma coisa poderiam ser

punidas de forma bastante firme, às vezes pagando com a própria vida.

Esta cultura machista, que oprime os desejos e prazeres do sexo oposto parecia também dominar à escola analisada, pois ao tocar no tema a maioria das meninas relatavam um ponto de vista semelhante: “... não acho certo namorar e sair ficando com outros meninos...”. Entretanto, depois de algum tempo de convívio com as meninas este discurso pareceu um casco para protegê-las de agressões morais, principalmente vindas do mundo adulto como relatou uma professora: “ Não sei, mas acho que estes namoros de hoje em dia são muito diferentes da minha época, eles têm muita liberdade, o que eu acho um absurdo!”. Outro professor reatou a preocupação com os namoros dos jovens de outra forma: “...Tem umas meninas aqui, que vou te contar... são bem vadias mesmo! Ficam com um, logo namoram com outro e depois com outro”. Santos e Santiago (2010) descrevem a dificuldade de muitos professores para compreender os novos formatos das relações afetivas dos jovens, e, por isso, muitas vezes terminam reprimindo tal comportamento, levantando juízos de

valores negativos e não incentivando a reflexão sobre atos e suas possíveis consequências, para que o próprio estudante tome suas decisões de forma sempre ponderada.

Oprimidas pela cultura machista, as meninas geralmente vestem a máscara da “boa moça”, principalmente no que diz respeito à fidelidade. Entretanto, com a convivência e a confiança estreitando seus laços, as máscaras começaram a ser trocadas, e o discurso de “boa moça” se transformou radicalmente. Carla, do Bonde das Apimentadas explicou como funcionava: “...Com nóis não tem essa, nóis pega mesmo! Passo o rodo! Não é porque nóis somo menina, que não podemos ficar também! Só não dá para esparrar! (risos)”. Outra componente do Bonde também deixou cair sua máscara: “...Não é porque eu namoro, que não posso ficar com outros meninos! Eu sei que ele também fica, aí, fico também! Uma vez vi ele ir lá para trás da banca de revistas com outra menina, já cheguei puxando os cabelos...”. Nesse sentido, Pinho (2007) esclarece que, nesse cenário, os homens assumem sempre o papel de jovem sedutor e, quanto mais meninas no currículo, maior a fama. Para o universo feminino duas são as características de acordo com sua conduta e vestimentas. As meninas mais ousadas, com roupas mais curtas e comportamento poligâmico geralmente são denominadas de “amantes”, enquanto as meninas comportadas, com roupas longas e comportamento mais reservado são as “fiéis”, conforme complementou um aluno no grupo focal: “... Menina tipo para namorar!”.

Como a maioria das meninas não gostava de ser rotulada sempre de “amante”, o que levava a ter dificuldades em estabelecer um relacionamento sério, muitas delas escondiam dos meninos e dos adultos as atitudes mais ousadas e compartilhavam entre elas, enaltecendo aquelas que “ficam” com mais meninos e são mais ousadas sexualmente. Tudo ficaria bem se em muitos casos as traições não viessem à tona e vazasse em violências. Caridade, Saavedra, Machado (2012), Leitão et al. (2010) e Ataíde (2015) apontam que as relações afetivas de muitos jovens são envolvidas por comportamentos violentos, motivados por ciúmes ou sentimentos de posse podendo desencadear agressões verbais, agressões físicas e ameaças. Em entrevista José de Arimateia conta a briga de duas meninas causada por uma traição:

“...Eu estava na quadra, daí duas, uma das meninas já chegou gritando: “ Vai pegar macho de outra, sua vadia!”. Quando percebi já estavam as duas atracadas pelos cabelos, mais duas meninas que estavam por perto não deixavam ninguém separar a

Maria Lúcia também relatou uma briga motivada por traição:

“ Uma vez, perguntei pro João de Santo Cristo se íamos sair pra tomar um lanche, ele disse que estava com dor de cabeça e ficou em casa. Eu fui com umas amigas, daí, tipo... resolvemo ir para uma festinha que estava rolando perto da escola de uma aluna. Você não acredita! Quando cheguei lá, encontrei meu namorado pegando outra menina! A puta sabia que ele tinha namorada e mesmo assim, pegou ele, não deu certo... já cheguei batendo na cara dela, joguei ela no chão pelos cabelos... daí separaram a gente...”.

As regras mais rígidas dos namoros, em geral tendiam a desencadear mais violências entre os jovens de ambos os sexos. Em pesquisa a respeito dos afetos das violências juvenis, Oliveira e colaboradores (2014) apontam que 85,3% dos jovens brasileiros já haviam praticado ou sido vítimas de violências verbais durante uma relação de namoro, os espanhóis somaram 96,3% e os canadenses 53,7%. Barreira e colaboradores (2014) realizaram pesquisa semelhante na cidade de Recife, com 408 jovens que possuíam um relacionamento de namoro, e pôde constatar que 83,9% dos jovens já haviam sofrido violências psicológicas e 14,2%, violências físicas, com uma propensão maior para a mulher como vítima. Em conversa informal, uma das componentes do Bonde das Apimentadas relatou uma ameaça psicológica que uma colega fez a outra. Certa feita uma das meninas do bonde desconfiou que uma aluna estava “dando em cima”25 de seu namorado, devido ao fato de estarem fazendo juntos um trabalho de ciências. A jovem que se sentia traída resolveu coagir a colega do grupo de seu namorado, e assim fazia todos os dias, ora passava ao seu lado e fazia uma ameaça de agressão física, ora colocava bilhetes ameaçadores em seus pertences até que a agressão física fosse inevitável.

Observando a literatura que focalizada a violência em relacionamentos afetivos de namoro entre jovens, as meninas, em geral, aparecem como principais alvos das violências (ALDRIGHI, 2004; DIAS; MACHADO, 2008; FACUNDO et al., 2009). Realmente, na escola analisada as meninas que se envolviam em brigas por motivos relacionados ao namoro eram bem maior que o número de meninos, conforme relatou o coordenador disciplinar:

“... Aqui as brigas acontecem mais com as meninas ou porque roubou ou paquerou o namorado da outra ou porque bota chifre. Mas o que acontece é que com os meninos tem um corporativismo por conta do medo, eles em geral respeitam a menina do outro. Já as meninas são ao contrário, quando percebem que tem um rapaz novo ou que as outras acham bonito, elas entram em disputa. Aí a porrada come! (risos)”.

Os namoros no ambiente escolar podem encontrar no tédio um local para desenvolver seu lado mais violento, que muitas vezes pode ser potencializado pelo dilema levantado por Matheus: “... namoro ou liberdade?”. A resolução deste problema em muitos casos pode se dar com um outro tipo de relacionamento, o “ficar”. Esta modalidade de se relacionar vem se tornando muito comum entre os jovens, pois estabelece um vínculo mais efêmero e líquido entre os participantes, deixando os alunos mais livres para experimentar suas afetividades. O “ficar” não exige fidelidade entre os companheiros é um ato que se desenrola visando a priori o prazer imediato, fugaz e quase sem regras, deixando os jovens a vontade para beijar e praticar relações sexuais com uma gama variada de parceiros, mesmo que muitos na mesma cama. Em geral duram apenas uma noite ou uma festa pois o vínculo não continua no dia seguinte (JUSTO, 2005; MINAYO, 2011; JESUS, 2005; ORNELLAS, 2008). O “ficar” para muitos jovens é a possibilidade de ampliar suas vivencias afetivas: “... Antes de namorar, eu gosto de ficar... tipo... para saber quem é a pessoa, o que ela gosta... estas coisas...”. Marcela também descreveu o que para ela pôde ser uma vantagem em “ficar” ao em vez de namorar:

“Quando a gente fica não precisa dá satisfação para ninguém, daí pode ficar com um menino em um dia e outro no outro, sem problema nenhum. Uma vez eu fui para uma festa com minhas amigas, e fizemos uma competição de que beijava mais meninos, e eu ganhei. Beijei seis! (risos)”.

Segundo Abramovay (2010), o ato de “ficar” era vista de forma diferente entre o sexo masculino e o feminino: para os meninos, quanto maior o número de envolvimentos afetivos maior era considerada sua masculinidade entre seus pares; para as meninas o efeito era oposto, quanto mais se relacionassem mais promíscuas eram consideradas. Entretanto, na escola analisada este rótulo só cabia nas meninas que namoravam e traiam seus parceiros, pois as que costumavam apenas “ficar” não eram julgadas por juízos negativos de valores entre seus pares. Este fato revelou dois desdobramentos importantes relacionados a este tipo de afeto, o primeiro foi a possibilidade de experimentação de uma vida afetiva com poucos limites e o segundo se desvelou na ausência de violência nestas relações.

No mundo contemporâneo, com o modelo de família nuclear desabando, as famílias passam a assumir as mais diversas formas, buscando a satisfação pessoal e sexual, sem se prender muito a rótulos morais (LOBO, 2005). Nesse sentido, as famílias compostas por pais e mães homoafetivos aparecem cada vez mais na sociedade. Em geral estes casais surgem de um relacionamento recomposto e miram o foco de suas preocupações no bem-estar e na felicidade da família (ISAY, 1998; PINHEIRO, GALIZA, FONTOURA, 2009). Ana Clara descreveu sua relação com a namorada da mãe: “Acho a namorada da minha mãe super gente boa, ela é carinhosa comigo sai para passear e até me ajuda na lição de casa. Não vejo nada de demais na minha mãe namorar outra mulher. Quando era com meu pai, era péssimo... tinha muita briga... agora tá de boa!”. Na escola estudada, a violência contra os meninos e meninas homoafetivos vinculadas diretamente a sua opção sexual quase não foram percebidas, pelo contrário, a maioria dos jovens parecia transcender a questão do gênero no momento de se relacionar, conforme relatado na conversa com Joaquim:

“Pesquisador: Oi, Antônio, terminou o namoro com a Joana? Aluno: Sim, tio, terminamos eu me apaixonei por outra pessoa. Tem tudo a vê comigo, gostamos de coisas parecidas... tipo... temos muita afinidade! Pesquisador: E quem é a menina? Aluno: Não é menina (risos) é o Carlos.

Muitos jovens, ao falarem de relacionamentos afetivos, faziam questão de mostrar que o gênero não tem muita importância, o que estava em jogo era o convívio harmônico entre os indivíduos que compartilhavam a afetividade. O “ficar” garantia aos jovens uma liberdade para vivenciar a sexualidade jamais pensada quando se relacionam como namorados, Carla do bonde das apimentadas descreveu um de suas vivencias:

“... Daí, quando eu namorava, não podia nem olhar para o lado (risos), meu namorado era muito ciumento daí nóis brigava direto. Saia e nem podia conversar e abraçar meus amigos que ele ficava brabo... Agora, faço tudo que quero (risos)! Outro dia fui em uma festa na casa do Arnaldo com a Maria e a Janete. Daí, eu estava ficando com um menino e minha amiga estava com outro, daí o menino que estava comigo sugeriu um beijo triplo... foi doido, “véi”26! Agora quero fazer sempre!”.

O “ficar” pode se desvelar como uma relação tão leve que muitas vezes aparecia em

forma de brincadeiras. Em conversa informal com um grupo de meninas na hora do intervalo, uma delas relatou uma destas brincadeiras que iniciava com uma roda de jovens, todos em pé, composta por meninos e meninas. Aleatoriamente um indivíduo era escolhido e ficava com os olhos vendados, andando do lado de fora do círculo de pessoas enquanto os outros colegas cantavam uma música. No momento em que a música acabava o jovem que andava por fora da roda deveria parar onde estava, posicionar-se na frente do colega sorteado e todos gritavam: “Pera, uva, maçã ou salada mista?”. Cada fruta carregava em seu significado um tipo de afeto, por exemplo, a pera um abraço apertado, a uva um beijo na bochecha, a maçã um beijinho na boca e a salada mista, um beijo muito apimentado. Sem saber o gênero ou quem era o indivíduo sorteado para compartilhar os afetos, o indivíduo escolhia uma fruta e os dois a saboreavam, assim a brincadeira durava horas a fio até que os pares fossem compartilhados de várias formas e por várias pessoas. Wenetz (2012) esclarece que brincadeiras ligadas à sexualidade é algo muito comum entre os jovens, como uma das formas de ser apresentado ao mundo da sensualidade e aos prazeres do mundo adulto.

Entre brincadeiras e festinhas os jovens “ficavam” e vivenciavam sua liberdade se relacionando com muitas pessoas de gêneros variados sem que isso custasse um juízo de valor moral negativo. Esta liberdade que os jovens “ficantes” vivenciavam, em geral não era bem vista por grande parte dos professores e coordenadores, conforme narrou uma professora: “... Olha, eu acho isso um absurdo! Na minha época a coisa era séria! Tem que ser assim. Estes alunos saem beijando todo mundo!”. Outra professora reforçou o discurso de repressão: “...Não acho certo, estes adolescentes saem beijando todo mundo, querem nem saber, meio promíscuo isso...”. Fechando com chave de ouro o desfile de violências verbais o coordenador disciplinar ressaltou: “...Essa galera não quer nada com nada, acham bonito ficar se pegando com todo mundo, se comportam feito umas putinhas...”. Braz, Vieira, Bussoletti (2014) esclarecem que muitos professores julgam o “ficar” como uma relação moralmente inconveniente, levando em consideração que as referências podem sofrer interferências intergeracionais ao criar sentido no ato de “ficar”, piorando drasticamente se a relação for homoafetiva. Com isso, o que para muitos adultos pode ser considerado um fenômeno promíscuo, para boa parte dos jovens se desvela como um ato de liberdade.

Muitos professores perceberam a relação do “ficar” como algo moralmente negativo. Minayo (2011) que confirma o teor efêmero e volátil deste tipo de relação, afirmando que ele pode fazer com que os jovens não aprendam a lidar com as adversidades da vida a dois, pois

as relações são tão rápidas e focalizadas no prazer que não sobra tempo para mais nada, incluído conhecer a pessoa com quem se troca afetos, fato que hipoteticamente favorece o aumento dos divórcios. Apesar dessa perspectiva lançada pelos docentes, entre os discentes este tipo de relação não apresentou nenhum caso de violência nos relatos dos estudantes. Abramovay (2010) esclarece que esse tipo de relação se torna menos violenta do que o namoro pois não existe uma cobrança da exclusividade no momento de distribuir afetividades. Em um grupo focal, algumas alunas explicaram por que alguns preferem “ficar” ao namorar, e deixaram a dica do motivo pelo qual esta relação, em geral, tende a ser pacífica: “ Ah! Tipo... assim... tipo ficar é mais legal, ninguém te cobra nada, não tem treta com ninguém! (risos). Tipo assim, você pode ficar com um menino hoje e no outro dia já pegar outro, não tem compromisso...”. Maria Joaquina também deixou seu recado: “ Eu fico, outro dia fiquei com dois meninos aqui da escola no evento que teve alí na Esplanada...” (...) “Eu prefiro ficar, porque daí não tem que ficar dando satisfação pra ninguém, posso sair com minhas amigas à vontade de falar quanto quiser no whats up...”.

O desvelar da falta de compromisso na relação do “ficar”, comparada ao namoro pôde indicar que muitos alunos preferem relacionar-se de forma mais superficial, com vínculos frouxos, para não terem de lidar com os compromissos, limitações e restrições determinada pelo namoro. Se, por um lado, o “ficar” pode proporcionar menos violência nas relações afetivas entre os jovens, por outro lado, vem mostrando que muitos estudantes parecem correr de qualquer tipo de compromisso, seja ele com as notas, com o corpo acadêmico, com o bom comportamento escolar (FERNANDES; SCAFF; OLIVEIRA, 2013) ou até mesmo com seus pares. Todos estes ingredientes, somados e misturado entre si nas devidas proporções, são uma receita para o fracasso escolar, possivelmente criando mais um indivíduo excluído, engrossando o caldo da fila dos desempregados (DANTAS; FARIAS, 2015).

O tédio no interior da escola se manifestou como um processo no qual os comportamentos de risco se desenvolviam de forma bastante frequente, salvo os poucos estudantes que optavam por fazer do tempo livre, algo produtivo. Em geral, uma enorme confusão linguística estabelecia barreiras, principalmente na comunicação intergeracional, uma infraestrutura que dificultava o pleno exercício da profissão, o currículo desalinhado com a realidade do seus atores, a falta de motivação, formação descontinuada dos professores e as relações de namoro eram algumas das múltiplas faces geradoras de um viscoso tédio que

não poupava nenhum ator social presente neste cenário, inflando e influenciando fenômenos como o consumismo desenfreado, a ostentação de pessoas e bens materiais, brincadeiras de riscos e comportamentos violentos. Com efeito, até o momento era possível que o cenário construído parecesse um campo de guerra disputado apenas por alunos, entretanto, ao focar a lanterna um pouco mais para o lado foi possível perceber que existiam pessoas com um forte