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Kvantitative analyser: Bruk av fagord

5. BÆREKRAFT SOM FELT: IDEASJONELLE ANALYSER

5.4 Bærekraft som felt i elevtekstene

5.4.1 Kvantitative analyser: Bruk av fagord

Nascido na Bahia, vindo de uma família com boas condições financeiras, o jovem capanga chegou ao Distrito Federal com a mãe e três irmãos, fugindo do pai, que era alcoólatra, e tinha como “diversão” chegar à casa e bater na esposa e nos filhos. O jovem narrou que em muitos momentos as surras pareciam divertir o pai, que golpeava a família sorrindo. Ao se mudar para o Distrito Federal, sua mãe obteve um emprego como auxiliar de limpeza numa escola de música. Seus irmãos trabalhavam com uma variedade de ofícios, como empacotadores de supermercado, auxiliar de mestre de obras dentre outros. Enquanto isso, o jovem capanga ficava entediado em casa até o dia que resolveu ir para a rua e fazer amigos. Não haveria problema algum se grande parte das pessoas que o cercavam não estivessem ligados à criminalidade. Em entrevista o jovem mostrou a estirpe dos amigos que arrumou perto de casa: “Tipo... tem um amigo que era amigo mesmo, nós tocava o terror. Ele vendia droga aqui na candanga. Aí se apertou com os traficantes daqui, aí foi embora daqui. Foi para não sei qual a cidade, tipo lá do Goiás. Daí passou o tempo ele matou um usuário

de drogas por lá, matou queimado!”. Fato este, muito comum segundo Hart (2014), quando explica que o meio pode influenciar diretamente os indivíduos nele inseridos, pois despejam exemplos e obrigam muitos de seus indivíduos a agir conforme o padrão social da comunidade da qual fazem parte, mesmo de forma quase inconsciente.

Cercado de péssimas companhias, o adolescente passou a frequentar a escola e descobriu que tinha uma deficiência, manifestada por um certo atraso em sua cognição. Este fator não o impedia de “tocar o terror”28: “No começo eu tocava o terror, tocava o terror. Atentava, tipo... enchia o saco da professora, brigava com a professora, fazia isso, aquilo...”. Depois contou com um certo ar de orgulho uma das maiores confusões que aprontou:

“Ah, eu colocava uma planta que grudava na perna dos meninos e ficava inchada e com alergia, dava porrada nos meninos e ia para a direção. Aí me transferiram de escola. Lá foi mais tranquilo, aí eu já fui mundano. Aí eu fiquei um tempo lá, e vim para cá. Atentava aqui também. Vivia na direção. Eu enchia o saco das meninas, botava apelido e elas ficavam putas...”.

Do alto de seus quase um metro e noventa, o jovem chamou a atenção do diretor, que resolveu lançar um olhar diferenciado e tentar ajudar o jovem a se livrar do destino no tráfico de drogas, juntamente com o mundo da violência. Em entrevista, o diretor justificou o porquê resolveu “adotar” este aluno:

“...Ele sofria bullying e apenas revidava. Como era mais forte machucava sempre os colegas e saia com a culpa. Aí, toda vez que ele vinha para a direção, assim como os outros eu conversava muito com ele, a diferença foi que ele resolveu me ouvir e parou de se envolver com os bandidos e mudou sua perspectiva de vida. O que fiz, foi apenas oferecer oportunidades para ele, e ele as agarrou. A coisa partiu mais dele do que de mim...”.

Agarrando as oportunidades que o diretor indicava, o jovem capanga melhorou seu comportamento com a família, e como um bom círculo virtuoso, isso influenciou também a forma como se comportava no ambiente escolar. Castro e Abramovay (2002) apontam para a importância de envolver os jovens nas atividades escolares e mostrar para eles o sentido prático, embutindo no conteúdo aprendido na escola, para, com isso, almejar uma mudança

de comportamento e uma inclusão social. Envolvido nos projetos e, por consequência, abandonando o comportamento de risco, nasceu entre o jovem e o diretor uma relação afetuosa de amizade que levou o adolescente à um protagonismo impressionante em sua vida. Mas qual seria a contribuição deste aluno para a diminuição da violência no ambiente escolar? Ao começar a atuar no “time do diretor” o capanga agia como mais um indivíduo falante da linguagem discente, com fluência se expressava no dialeto da violência. Somado a isso, seu avantajado tamanho e seus rígidos músculos possibilitavam que este estudante atuasse em trincheiras que os professores e coordenadores jamais conseguiriam acessar.

No começo do semestre, o problema dos roubos estava fora de controle, haviam sumido modens, mouse, celulares de alunos, materiais escolares, dinheiro, casacos dentre outras coisas. Existia uma grande dificuldade de identificar os autores dos crimes devido a distância existente entre alunos e docentes. Neste espaço vazio o capanga passou a atuar:

“... Ajudei o diretor de várias formas, mas muitas vezes eu ajudo a achar que rouba as coisas aqui, para mim é mais fácil que conheço todo mundo muito bem. Uma vez, um menino tinha roubado um celular da garota aqui, dai fiquei sabendo e fui atrás de quem já sabia que fazia isso. Cheguei junto do menino, encostei ele na parede e logo ele confessou que tinha roubado a mando de Joao de Santo Cristo, missão cumprida! Entreguei os culpados ao diretor.”

Com o decorrer do tempo, os alunos pilares do comportamento de risco foram todos identificados, pois seus crimes passaram a ser descobertos. Após identificar estes líderes, em geral também tradutores, o diretor conseguiu na maioria das vezes prevenir o comportamento criminoso, com a ajuda de seu capanga: “..Depois de um tempo já sabia quem roubava, e conseguia perceber quando eles tramavam, e já dava logo uma intimidada, chegava junto mesmo...”.

Assim que o aluno infrator chegava à coordenação, o diretor, já sabendo que as punições escolares não infligiam muito medo aos alunos, resolveu usar uma tática diferente:

“Toda vez que algum aluno vinha por motivos de crimes eu nem excitava, já combinei com o pessoal da policia e eles sempre vem aqui. Então toda vez que o aluno se mete nessa eu chamo a polícia, aí sim... eles tem medo e respeitam. A presença do policial na maioria das vezes é o suficiente para que o aluno pense duas vezes antes de fazer qualquer coisa aqui dentro. Com a policia, a conversa é diferente!”

Assim, à medida que os crimes ocorriam, a polícia era chamada e o medo de cometer novas infrações se alastrou pela escola, pois, a punição não seria mais uma suspensão e, sim, uma possível ida à cadeia. Debarbieux e Blaya (2002) ressaltam que o policial escolar é parte fundamental do processo educativo dos alunos, tendo que atuar com alteridade e leveza ao ajudar nas orientações comportamentais. Em algumas escolas a figura do policial nem sempre aparece ligada à uma visão de repressão. Alguns projetos já incluem os agentes da lei em reuniões pedagógicas, conversas e orientações familiares além de ajudar e participar nas festas comemorativas, ou seja, passa a ser uma figura que se mostra sempre presente e incluída no cotidiano dos atores escolares (GONÇALVES; SPOSITO, 2002). Lógico que a intenção da presença da polícia na grande maioria das vezes não era de levar ninguém preso, mas mostrar para os estudantes que os atos teriam consequências, e poderiam ser graves. Na lógica da sociedade de rebanho, a atitude do diretor poderia parecer uma violência despropositada, entretanto, o que ele fez foi usar a linguagem dos alunos para mostrar-lhes que o comportamento de risco tem consequências sérias, e, se a linguagem que eles entendem é a violência, ela é falada.

No entanto, deve ficar claro que falar a vocabulário da violência não necessariamente tornava o interlocutor também violento. Apesar de se apropriar da linguagem, não deveria a usá-la para causar danos a outros indivíduos. Em outro momento, o diretor mostrou como usar a linguagem da violência para direcionar os comportamentos de risco e enquadrar os alunos na sociedade:

“A primeira coisa que faço quando entram os alunos valentões é colocá-los no projeto de boxe, e mostrar quem manda aqui dentro. Em geral eu dou as aulas de boxe, e ali eles aprendem mais do que em sala. O boxe, por si só é um esporte violento, isso me aproxima deles. Quando chego lá e eles percebem que sou mais forte, muito mais forte do que eles, automaticamente passam a me respeitar e, na maioria dos casos até admirar. Mostro isso com vontade!”.

Este processo que inclui o jovem por meio de um esporte violento, no caso o boxe e o m.m.a (mixed martial arts) também tinham como fundamento básico o desenvolvimento da disciplina, dentro e fora da escola, levando em consideração que para participar das atividades de lutas os jovens não podiam estar envolvidos com o tráfico, com drogas e nem

em situação de risco. No Brasil e pelo mundo não faltam projetos de artes marciais, com a intenção de modificar a perspectiva de mundo dos indivíduos, e por consequência seu comportamento, incluindo seus participantes em uma rede social onde a disciplina e o respeito são a tônica de toda a conduta, afastando em geral o adolescente das situações de risco (SILVA; SANTOS, 2005; DINIZ; VECCHIO, 2013; MELO; BARREIRA, 2015; FILHO et al., 2014). A vontade de aprender por meio de atividades diferentes das já estabelecidas na rotina escolar, como as artes marciais, saltaram às vistas quando 49,5% dos alunos afirmaram que adorariam praticar lutas no ambiente escolar.

Com efeito, as artes marciais carregam em sua essência um gene de violência. Entretanto, este fenômeno pode ser trabalhado no sentido do desenvolvimento do protagonismo e da inclusão social. Trocar socos e chutes dentro do ambiente escolar pode parecer uma afronta à educação para a paz. Todavia, quando isso é feito em um tatame, sob a supervisão de um Mestre29preparado para lidar com a violência na perspectiva da linguagem, o professor interage de maneira profunda com este praticante a o ponto de persuadi-lo a usar as violências apenas e unicamente dentro do ring ou em casos extremos de defesa pessoal, Platão (2005) já nos dava a dica em seu livro A república.

Contudo, a linguagem da violência tem múltiplas manifestações e não pode ser falada sob uma única vertente, neste caso as artes marciais. Levando em consideração que nem todos os estudantes falavam a linguagem da violência por meio de socos e chutes, o diretor, o coordenador de assuntos disciplinares e o professor de música se uniram e montaram um projeto com a função de transcender o comportamento de risco por meio da reflexão de seu contexto. A cultura hip hop caiu como uma luva nas mãos que sentem frio, pois traz em sua essência uma carga bem grande de violência, traduzida em suas letras e unida a arte da periferia, instigando os jovens a refletirem por múltiplas perspectivas o contexto em que estão situados.