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5.5 Other Factors

5.5.4 Purpose of schooling

A formação do imaginário coletivo se dá com a finalidade de construção de uma identidade cultural e nacional. Portanto, as identidades são fenômenos elaborados pelo

processo de interação social. Assim, a memória histórica e cultural passa pelo imaginário do povo e a mídia exerce sua função como espaço na construção deste imaginário e desta memória coletiva. Como assinala Martín-Barbero (2009, p.306), “não

existe memória histórica nem a projeção sobre o futuro que não passe pelo imaginário”.

A memória coletiva e histórica, portanto, constroem uma identidade cultural do grupo ou identidade nacional do país.

Numa sociedade com uma grande diversidade cultural como Timor-Leste, o conceito de identidade cultural é fundamental para servir como referência ao seu patrimônio nacional. É preciso considerar então o processo de reconhecimento cultural e a política do multiculturalismo como estratégia política de cultura e identidade. Segundo Canclini (2010) o conceito de multiculturalismo, diferentemente definido pelos estudos culturais dos Estados Unidos como separatismo da cultura (Walzer, 1995; Taylor; 1994; Hughes, 1993; apud CANCLINI, 2010), na America Latina é entendido como parte da nação. Portanto, a formação do Estado-Nação deve incluir a participação do povo como fator determinante na identificação da identidade cultural e nacional. Eis a primeira abordagem do pensamento latino-americano de comunicação. Utilizando a definição do conceito de multiculturalismo de Paul Ricoeur, Canclini (2010) argumenta que como forma de resistir ao processo de globalização, o processo de autoafirmação na America Latina surge como uma política de reconhecimento na qual foi estabelecido uma análise da política de nacionalismo que separa entre o

próprio e o alheio. Como projetos de Estado na sua política de promoção de nacionalismo, Canclini argumenta que a política dos países da America latina é promover a cultura nacional como elemento importante a preservar diante desse processo de homogeneização e globalização.

[...] nos séculos XIX e XX a formação de nações modernas permitiu transcender as visões aldeanas de camponeses e indígenas, e ao mesmo tempo evitou que nos dissolvêssemos na vasta dispersão do mundo. As culturas nacionais pareciam sistemas razoáveis para reservar, dentro da homogeneidade industrial, certas diferenças e certo enraizamento territorial que mais ou menos coincidiam com os espaços de produção e circulação dos bens. Comer como espanhol, brasileiro ou mexicano significava não apenas guardar tradições específicas, como

também alimentar-se com os produtos da própria sociedade, que estavam à mão e costumavam ser mais baratos que os importados (CANCLINI, 2010, p.30).

Martín-Barbero (2009) destaca que este surge como um novo movimento de nacionalismo baseado na idéia de uma cultura nacional, que seria a síntese da particularidade cultural e generalidade política. Para Martín-Barbero a nação incorpora o povo, transformando a multiplicidade dos desejos das diversas culturas, num único desejo e participação do sentimento nacional. A partir da formação e criação de uma participação de um sentimento nacional, isso se torna como um projeto do estado que tem sua visão em manter uma unidade nacional diante da grande diferença cultural que existe na sociedade latino-americana.

Diferentemente do conceito de dominação do estado através da difusão dos meios de comunicação como propõe os teóricos da Escola Crítica, como Adorno e Horkheimer (2010), Martín-Barbero adaptou o conceito da hegemonia do Antonio Gramsci como um senso comum construído pelo público. Ao contrário do argumento da Escola Crítica, que entende o público como audiência passiva diante de discursos do Estado, Martín-Barbero entende o público como receptor ativo que negocia os conteúdos midiáticos. Dessa forma, o nascimento do pensamento comunicacional latino-americano se associa com a participação do povo ou massa na construção de seu Estado-Nação, “ [...] um estado que reabsorve a partir do centro todas as diferenças culturais, visto que resultam em obstáculos ao exercício unificado do poder, e uma nação não analisável em categorias sociais, não divisíveis em classes, uma vez que se acha constituída por laços naturais, de terra e sangue” (MARTÍN-BARBERO, 2009, p. 40).

Citando o exemplo do México, Canclini (1997) destaca que depois da revolução mexicana, vários movimentos culturais realizam simultaneamente um trabalho modernizador e de desenvolvimento nacional autônomo. Em seu processo de formação de uma sociedade nacional, que “[...] junto à difusão educativa e cultural dos saberes ocidentais nas classes populares pretendeu-se incorporar a arte e o artesanato mexicanos a um patrimônio que se desejava comum” (CANCLINI, 1987, p.81). Ao

difundir a cultura popular na formação da identidade nacional, Canclini destaca que a representação da identidade nacional está presente nas obras populares e local como “ [...] obras de maias e astecas, nos retábulos de igrejas, nas decorações de botecos, nos desenhos e cores da cerâmica, nas lacas de Michocán”. O uso dos meios massivos (TV, Rádio e Jornal) na América Latina derivou-se da idéia de meios populares como meios massivos usados pelo povo na sua manifestação e construção da cultura popular e identidades (nacional/regional/social).

No contexto desse estudo, percebemos a participação do povo no contexto sócio histórico de Timor-Leste, quando o povo timorense lutava por sua independência.10 Durante os vinte e quatro anos de sua ocupação, o governo Indonésio, com seu poder e controle, tentou dominar e formar a identidade e o imaginário do povo timorense, a fim de integrá-los à república da Indonésia. A inserção da língua indonésia foi feita através da difusão dos meios massivos com esse objetivo. Dessa forma, a mídia indonésia fez parte na construção do imaginário e identidade timorense. No entanto, a mídia, nesse contexto, servia como espaço de identificação e de reconhecimento pelo povo timorense como o outro, que se reuniu como um povo e formou os movimentos para a sua libertação. O povo cria a massa e essa massa forma a vontade de separar e de obter sua independência onde “ [...] mais do que sujeito de um movimento histórico, mais que um ator social, o povo designa no discurso ilustrado aquela generalidade que é a condição de possibilidade de uma verdadeira sociedade” (MARTÍN-BARBERO, 2009, p.34). Hoje o processo de construção do Estado-Nação do país exige uma estratégia de reconhecimento do povo e o reconhecimento cultural para que o Estado possa abranger todos os aspectos sociais e culturais na construção de sua nação.

Ao analisar cultura e identidade, é fundamental analisar a relação entre identidade, cultura popular e culturas híbridas. Com relação entre esses três conceitos, o pensamento latino-americano de comunicação traz consigo suas contribuições e uma nova abordagem dos estudos culturais. Canclini (2010) e Martín-Barbero (2011)

destacam que na análise do processo de formação identitária, a identidade e cultura

híbrida são os outros dois elementos importantes que constróem uma sociedade, como

outro aspecto fundamental teórico.

A mestiçagem, não é só aquele fato racial do qual viemos, mas trama hoje de modernidade e descontinuidades culturais, deformações sociais e estruturas do sentimento, de memórias e imaginários que misturam o indígena com o rural, o rural com o urbano, o folclore com o popular e o popular com o massivo (MARTÍN-BARBERO, 2009, p.28)

Portanto, o pensamento latino-americano de comunicação concentra-se nas conexões entre comunicação e cultura, que busca, sobretudo, a experiência do sujeito. É nessa experiência referida às práticas culturais relacionadas que os meios de comunicação foram discutidos, originando o surgimento dessa escola através das “experiências culturais e fatos sociais entrecruzados, catalisando um novo sentido dos processos de comunicação nas sociedades de fim de século” Martín-Barbero (1991 apud JACKS e ESCOSTEGUY, 2005, p. 53). Segundo Girardi, Jr. (2005) os estudos latino-americanos de comunicação foram fortemente influenciados pelo papel que os movimentos populares tiveram nos debates sobre a democratização e sobre a participação popular nos anos de 1970 e 1980. Girardi Jr. citou o exemplo do Brasil, onde o crescimento dos novos movimentos sociais deslocou um conjunto de pesquisadores para os estudos urbanos e que passou a exigir uma nova imaginação sociológica e antropológica. Dentro desse processo, Girardi assinala que a discussão sobre o papel dos meios de comunicação, como jornais e redes de televisão, ganhou destaque nas discussões sobre os movimentos sociais e populares.

Ao analisar a recepção das audiências dos programas midiáticos global, os estudos latino-americanos de comunicação ou mais conhecidos como Estudos de Recepção, têm o objetivo de estudar a comunicação, a sociedade e suas relações com a cultura local. Com as suas múltiplas relações sociais e culturais, essa abordagem é feita através da análise do processo de mediação e de recepção, focando nas práticas sociais e culturais do cotidiano do receptor. Comunicação, segundo esse pensamento, se torna fundamentalmente uma questão de mediação, dando a importância aos usos sociais que os sujeitos fazem dos meios. Martín-Barbero (2009) propõe um novo

método em sua teoria, a análise da comunicação como uma relação social presente no processo de recepção.

A concepção geral dos pesquisadores centra-se em considerar o receptor não como sujeito passivo que facilmente é dominado pela hegemonia de indústrias culturais. A mediação para Martín-Barbero (2009, p. 261) é o lugar “ [...] para as articulações entre práticas de comunicação e de movimentos sociais [...] as diferentes temporalidades e [...] a pluralidade de matrizes culturais”. Tal perspectiva coloca a comunicação como centro das mediações, tendo a cultura e política às mediações constitutivas. “Embora sejam observações extremamente importantes para o entendimento da produção social do sentido, faz-se necessário verificar com cuidado o que a categoria mediação permite identificar e compreender, como direcionar o olhar do pesquisador da comunicação” (GIRARDI, 2007, p.41). É preciso então lembrar que a mediação é um processo histórico de formação desses espaços e a formação dessas pessoas faz parte das suas sociedades. Dessa forma, é importante para a nossa pesquisa não só entender a formação de Timor-Leste como um país para compreender o seu processo de construção identitária, mas também, entender as experiências e memórias vividas pelos timorenses como elementos construindo imaginário e sentimento de pertença ou identidade nacional.

A intenção de Martín-Barbero, segundo esse pensamento, é investigar o uso e o papel que os meios massivos exerceram nas diversas fases de modernização da América Latina. Dessa forma, o pensamento comunicacional da America Latina também se apoia na análise da economia política ou na análise de conteúdo, “[...] tanto quanto a perspectiva dos usos e gratificações, a análise de recepção entende os receptores como indivíduos ativos, os quais podem fazer muitas coisas com os meios de comunicação - do simples consumo a um uso social mais relevante“ (ESCOSTEGUY e JACKS, 2005, p.42). Ao focar nesse âmbito de consumo, o pensamento latino-americano reconceitualiza a própria noção de consumo. Para Canclini (2010, p.14) “o consumo não apenas como simples cenário de gastos inúteis e impulsos irracionais, mas como espaço que serve para pensar, e no qual se organiza

grande parte da racionalidade sociopolítica e psicológica nas sociedades.” Portanto, o consumo e recepção de produtos midiáticos devem e têm de ser vistos como espaço de estudo científico, que analisa o processo de circulação, produção e de recepção dos produtos midiáticos.

O receptor deixa de ser visto como consumidor necessário de supérfluos culturais ou produto massificado apenas porque consome, mas resgata- se nele também um espaço de produção cultural; é um receptor em situações e condições, [...] esse receptor é melhor percebido no mundo da cultura em produção, mais popular, em que a própria comunicação se encontra (SOUSA, 1995. p.27)

Não obstante, os estudos latino-americanos de comunicação surgem como uma forma de rejeitar o imperialismo norte-americano que supunha a passividade dos receptores diante dos meios de comunicação de massa, como foi colocada pela escola crítica, que aconteceu através da política da comunicação e da democratização dos fluxos de informação e produtos culturais.

[...] a economia política da comunicação começa a se desenvolver nos anos 60. Assume de início a forma de um questionamento sobre o desequilíbrio dos fluxos de informação e produtos culturais entre os países situados de um lado e de outro da linha demarcatória do

desenvolvimento” (MATELLART, 2008, p.113)

Martín-Barbero (2009) destaca que a partir de 1920, a maioria dos países da América Latina iniciou um processo de reorganização de suas economias e de reajuste de suas estruturas políticas. Canclini (1997) também destaca que desde os anos de 1930, os países latino-americanos começaram a organizar-se em um sistema mais autônomo de produção cultural. A industrialização foi iniciada a partir de processos de importações, com investimento em obras de infraestrutura para transporte e comunicação. Este processo de industrialização gerou condições de um funcionamento do mercado internacional com o objetivo de desenvolver os países como parte do projeto nacional de cada Estado. Martín-Barbero destaca que a idéia de modernização na America Latina se adaptou com decisões e políticas de economia e cultura. Nessa trama da modernidade, o processo de internacionalização e transnacionalização, sendo dois fatores de mudança que ocorrem na sociedade, são elementos que afetam a instabilidade da identidade excluindo o conceito de território, como destacam os

antropólogos e sociólogos como um dos fundamentos na formação da identidade coletiva. O encontro entre o local e transnacional é facilmente percebido através do surgimento econômico, da cooperação internacional e da inserção dos meios eletrônicos. O fenômeno, como transnacionalismo para muitos autores, não é um novo fenômeno. Segundo Ribeiro (1997, p.1)

[...] a transnacionalidade aponta para uma questão central: a relação entre territórios e os diferentes arranjos socioculturais e políticos que orientam as maneiras como as pessoas representam o pertencimento a unidades socioculturais, políticas e econômicas (...) isto é o que denomino modos de representar pertencimento a unidades socioculturais e político-econômicas.

Não obstante, as sociedades que perpassam o processo de transnacionalismo exigem mudanças sociais nas áreas política e econômica como forma de enfrentar as mudanças rápidas dentro do esquema da globalização. Ribeiro (1997, p.3) assinala que com essas mudanças “o transnacionalismo coloca em perigo a lógica e eficácia de modos pré-existentes de representar pertencimento sociocultural e político [...] a consciência de fazer parte de um corpo político global, mantém, em muitos sentidos, características potenciais e virtuais”. Para o nosso universo de estudo, é importante saber que de um lado existe o canal local TVTL, com poucos programas de conteúdos locais e transmissão de programas estrangeiros em língua portuguesa. E do outro lado, há canais indonésios que podem ser acessados através de uma simples antena parabólica. É esse processo de fusão entre o local e o global e de uma resignificação de práticas, definida por Garcia–Canclini como a transculturação, que serve como o espaço para discussão da análise de conteúdo e recepção. Assim, a análise para o nosso estudo, segundo o pensamento latino-americano, deve ser feito a partir de “uma abordagem sociocultural que dá ênfase à cultura como prática, contribuindo para situá- la num espaço social e econômico complexo onde a atividade é condicionada, isto é, entender a cultura em relação à estrutura social e sua contingência histórica” (JACKS e ESCOSTEGUY, 2005, p.94). A partir desse ponto de partida, a análise no campo da comunicação e cultura coloca seu foco na análise das dinâmicas culturais criadas pelo processo de globalização e transnacionalização, que busca explicar e captar a experiência e o sentimento dos sujeitos. Portanto, Martín-Barbero (1991, apud, JACKS

e ESCOSTEGUY, 2005, p.53) afirma o novo sentido da pesquisa comunicacional, o qual é “[...] de entender as experiências culturais e fatos sociais entrecruzados”.

Nessa perspectiva, os meios de comunicação, segundo a abordagem latino- americana, podem ser pensados numa dualidade: como instrumento educativo e culturalista. A educativa parte da premissa de que a mídia eletrônica define o mecanismo básico de difusão de conteúdos perante da população. Segundo Beltrán (2002 apud VALENTE, 2009, p.30), os projetos de televisão educativa partiam da idéia de que as mídias públicas massificariam a educação, apoiariam outros processos educacionais e permitiriam atingir, com relativa facilidade, as populações que estavam excluídas dos circuitos oficiais da educação. Esse objetivo se encontra com a perspectiva culturalista de Martín-Barbero em analisar “[...] os meios massivos como televisão como meio popular de manter a produção cultural própria em todas as faixas da programação e desempenhar um papel alfabetizador da sociedade” (VALENTE, 2009, p.39).

Nesse contexto, a pesquisa comunicacional latino-americana se concentra no processo de recepção, no uso dos meios massivos e da experiência dos sujeitos não meramente como receptores passivos, mas como ativos. Essa perspectiva então aponta “a comunicação que deve ser tratada no cenário da cultura, que na América latina encontra eco na sua formação híbrida, que propicia múltiplas mediações na recepção das mensagens” (BERGER, 2001, p.268).

Dessa forma, Martín-Barbero (1995, p.39) ressalta que “a recepção não é apenas uma etapa do processo de comunicação em que as pessoas atuam a todo instante, seja oralmente ou através de meios de comunicação”. Esse processo, Martín- Barbero (1995) leva à recepção não como unicamente o lugar de chegada do processo comunicacional, mas também um ponto de partida de produção de sentido. E é através dessa produção de sentido que os indivíduos dão na sua relação diária com seu ambiente, que criam também um espaço de interação que dirige a formação da cultura e identidade na sociedade de massa. Como nos diz Martín-Barbero (1986, p.125) “[...]

deslocaremos então o olhar, ou melhor, o ponto de vista, para interrogar a tecnologia a partir desse outro lugar, o dos modos de apropriação e uso das classes populares”.

Não obstante, a mídia, como tem sido colocada pelos estudos culturais, é também vista pelos teóricos e estudiosos de comunicação na América Latina como um espaço de produção de sentido e identidade. A identidade cria sentido, e o sentido cria uma forma de viver, de entender melhor o mundo que o sujeito vive e de entender a sua identidade. A televisão, que ocupa grande parte no cotidiano dos timorenses, de certa forma, ajuda a oferecer os significados do mundo, do sentido e de identidade através das informações e programas oferecidos. A televisão comercial, por exemplo, é predominantemente regida pela estética do realismo representacional, de imagens e histórias que fabricam o real e tentam produzir um efeito de realidade. Várias representações sociais e imagens presentes nos meios de comunicação criam e formam a construção de significados do mundo vivido em suas experiências cotidianas. Isso está fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que no passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais. Estas transformações estão também mudando nossas identidades pessoais, abalando a ideia que temos de nós próprios como sujeitos integrados (HALL, 2004, p.9).

A dualidade existente entre os meios de comunicação como meio massivo e popular, segundo o pensamento latino-americano, pode ser aplicada no caso de Timor- Leste, como um país novo que necessita da maximização dos meios massivos como instrumento educativo, como espaço de representação cultural e nacional, bem como a esfera pública democrática do povo timorense. A partir dessa perspectiva, podemos adiantar que a observação do papel e do uso da televisão como meio massivo na sociedade timorense deve partir através da necessidade que essa sociedade propõe e dos interesses públicos, como os projetos do Estado. Ao pensar nessa dualidade, a televisão pode significar um espaço da voz do povo timorense ao projetar a sua vontade comum. Portanto, os Estudos Culturais na sua forma elaborada junto às ideologias de pensadores latino-americanos, como Canclini e Martín-Barbero, demonstra outro aspecto da elaboração do pensamento funcionalista como aporte

teórico adequado à discussão do nosso estudo. São correntes teóricas reconhecidas e validadas no mundo acadêmico a partir de sua elaboração, entrelaces entre mídia, identidade e cultura apropriadas na forma de representação midiática para este estudo.