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Isabella Correia de Oliveira Andrade Lima1, Adriana de Oliveira Fernandes1, Geórgia Ferreira da Silva1, Lanni Sarmento da Rocha1, Regiane Maio2.

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Setor de Nutrição - Hospital das Clínicas - Universidade Federal de Pernambuco (HC- UFPE) - Recife, PE – Brasil.

Email: [email protected]

Endereço: Rua Antônio Valdevino da Costa, nº 280. Bloco.13. Apto. 201. CEP: 50640-040. Recife, PE - Brasil.

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Departamento de Nutrição - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – Campus Recife, PE – Brasil.

Resumo:

Estimativas recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) calculam que em 2030 existirão aproximadamente 333 milhões de pacientes diabéticos, sendo projetado para o Brasil um universo de 11 milhões de indivíduos. Os pacientes com Diabetes Mellitus (DM) podem apresentar elevação das taxas de lipídios e de lipoproteínas na corrente sanguínea, ocasionando posteriormente as doenças cardiovasculares (DCV).Objetivo: Avaliar o perfil lipídico e a presença de dislipidemia em pacientes diabéticos atendidos no Ambulatório de Nutrição e Diabetes de um hospital universitário.Métodos: Estudo série de casos com 56 pacientes atendidos no ambulatório de Nutrição e Diabetes do Hospital das Clínicas-UFPE, no período de maio a outubro de 2011. Foram coletados dados laboratoriais de triglicerídeos, colesterol total, LDL-C e HDL-C; e dados antropométricos de Peso, Estatura, Circunferência da Cintura CC (cm) e Razão Cintura/Estatura (RCEts).A presença de dislipidemia foi classificada segundo a IV Diretriz Brasileira Sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. A análise estatística foi realizada por meio de tabelas e estatísticas descritivas (média e desvio- padrão).Resultados:Houve elevada ocorrência de dislipidemia associada ao DM (n=49). Quanto ao sexo, encontrou-se que 41 (73,2%) eram do sexo feminino. A média de idade foi de 59,37±11,50 anos.Conclusão: A maioria dos pacientes dislipidêmicos apresentou hipercolesterolemia isolada, seguido de HDL-C baixo,o que foi semelhante a outros estudos. Assim, percebemos a grande importância de solicitar perfil lipídico de diabéticos, pois a dislipidemia é um importante fator de risco para DCV.

Palavras-chave: diabetes mellitus; doenças cardiovasculares; dislipidemia; perfil lipídico.

Introdução:

A dislipidemia é uma alteração do metabolismo de lipoproteínas circulantes no sangue, sendo a resistência à insulina e a obesidade as principais causas em diabéticos, que é caracterizada pelo aumento na produção de glicose, hipertrigliceridemia e Lipoproteína de Muito Baixa Densidade (VLDL), associando-se a redução das Lipoproteínas plasmáticas de alta densidade (HDL-C) e elevação nas Lipoproteínas plasmáticas de baixa densidade (LDL-C).¹

Os fatores de risco cardiovasculares associados ao DM do tipo 2 são: obesidade, hipertensão arterial sistêmica (HAS), resistência à insulina, microalbuminúria,

tabagismo e anormalidades nos lipídios e lipoproteínas plasmáticas, principalmente elevação de triglicerídeos e redução do HDL-C.²

Os pacientes com DM do tipo 2 apresentam elevação dos triglicerídeos e redução dos níveis de HDL-C, sem, no entanto, apresentarem elevação dos níveis de colesterol contido na LDL-C além do esperado para a população em geral.3,4

Diretrizes da ADA e do ATP III (The National Cholesterol Education Program Adult Treatment Panel III) enfatizam que reduzir o LDL-C continua a ser a prioridade para redução de lipídios, e o HDL-C é o objetivo secundário de tratamento quando o nível de triglicerídeos é > 200 mg/dl.5,6 Estudo realizado por LIU et al (2005) determinou que o baixo nível de colesterol HDL-C é um forte preditor de mortalidade por doença coronária quando comparado com o LDL-C entre diabéticos, sugerindo que a VLDL e /ou triglicerídeos podem desempenhar um papel crítico no desenvolvimento de doença cardíaca entre aqueles com diabetes.4

Considerando a importância do DM como problema de saúde pública, é relevante diagnosticar o indivíduo diabético com dislipidemia, a fim de identificar subsídios que fundamentem intervenções eficazes nos serviços de saúde.

Esse trabalho tem como objetivo avaliar o perfil lipídico e a presença de dislipidemia em pacientes diabéticos atendidos no Ambulatório de Nutrição e Diabetes de um hospital universitário.

Metodologia:

A avaliação do estado nutricional foi realizada utilizando as medidas antropométricas de peso (kg), estatura (m) e circunferência da cintura CC (cm). A obesidade abdominal foi avaliada pela CC e razão cintura/estatura (RCEts) (CC em centímetros dividida pela estatura em metros). A antropometria foi realizada no dia da consulta do paciente no ambulatório.

A avaliação laboratorial foi composta por colesterol total (CT), LDL-C e triglicerídeos (TG). Os dados laboratoriais foram obtidos de exames apresentados pelo paciente no dia da consulta, considerando aqueles realizados nos últimos três meses.

A presença de dislipidemia foi classificada segundo a IV Diretriz Brasileira Sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (2007), considerando os pontos de cortes para diabéticos, da seguinte forma: hipercolesterolemia isolada (LDL-C ≥ 100mg/dL), hiperlipidemia mista (LDL-C ≥ 100mg/dL e TG ≥ 150mg/dL), hipertrigliceridemia isolada (TG ≥ 150mg/dL), baixo colesterol (HDL-C < 50mg/dL para homens e mulheres) isolado ou em associação com aumento de LDL-C ou TG.

Os dados coletados foram inseridos no programa Microsoft Office Excel 2007 e depois importados no “software” estatístico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versão 17. A estatística descritiva foi apresentada em tabelas, sendo as variáveis contínuas com distribuição normal expressas em valores médios e desvios- padrão, e as variáveis com distribuição não-normal apresentadas em valores de mediana e percentis 25 e 75 e as variáveis categóricas expressas em porcentagem.

A pesquisa foi conduzida após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco, registro do SISNEP FR 397563, em obediência à Resolução do Conselho Nacional de Saúde n°196/96 sobre “Pesquisa envolvendo Seres Humanos”. A participação no estudo foi voluntária após obtenção do consentimento dos pacientes mediante o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Resultados e Discussão:

Quanto ao sexo, 41 (73,2%) pacientes eram do sexo feminino. A média de idade foi de 59,37 ± 11,50 anos.

Segundo o IMC, a maioria dos pacientes adultos (n=19) apresentou sobrepeso/obesidade, assim como a maioria dos idosos apresentaram excesso de peso (n=22); totalizando 41 pacientes (Tabela 1). Conforme os indicadores de obesidade abdominal, a CC identificou aproximadamente metade dos homens (n=7) e a maioria das mulheres (n=33) com risco muito elevado de complicações metabólicas. Pela RCEst a maioria dos homens (n= 12) e das mulheres (n= 36) estavam com valores acima dos pontos de corte utilizados para risco coronariano elevado (Tabela 1).

As concentrações séricas de lipídios estão descritas na Tabela 2. Dentre as alterações do perfil lipídico, foi predominante o LDL-C elevado. A presença de dislipidemias foram observadas em 49 pacientes. A maior ocorrência foi de hipercolesterolemia isolada seguida de HDL-C baixo (Gráfico 1).

Conclusão:

Conclui-se que existe forte relação entre a dislipidemia e o DM, e que devem ser adotadas medidas preventivas como orientações dietéticas e incentivo da atividade física regular. Essas medidas têm como objetivo diminuir o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e aterosclerose.

Tabelas e Gráficos:

Tabela - 1 Estado nutricional e obesidade abdominal em pacientes diabéticos atendidos no HC/UFPE. Indicadores Antropométricos N IMC Adultos (kg/m2)* (n=24) Eutrofia Sobrepeso Obesidade Grau I Obesidade Grau II Obesidade Grau III

5 10 5 3 1 IMC idosos (kg/m2))** (n=32) Magreza Eutrofia Excesso de Peso 1 9 22 CC (cm) (n=56) Sem risco

Risco aumentado de complicações metabólicas Risco muito elevado de complicações metabólicas

7 9 40 RCEst (cm/m) (n=56)

Sem risco

Risco coronariano elevado

8 48

IMC= índice de massa corporal, CC= circunferência da cintura, RCEst= Razão cintura/estatura.*Organização Mundial de Saúde, 1998. ** Lipischitz, 1994.

Tabela - 2 Concentrações séricas de lipídeos em pacientes diabéticos atendidos no HC/UFPE Características laboratoriais* N Colesterol Total (mg/dL) Normal <200 Elevado ≥ 200 29 27

LDL-C (mg/dL) Normal <100 Elevado ≥ 100 22 34 HDL-C (mg/dL) Normal Baixo <50 29 27 Triglicerídeos (mg/dL) Normal <150 Elevado ≥ 150 37 19

LDL-C= lipoproteína de baixa densidade, HDL-C= lipoproteína de alta densidade. * Metas terapêuticas da IV Diretriz Brasileira Sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2007.

Gráfico 1: Ocorrência de dislipidemias em pacientes diabéticos atendidos no HC/UFPE

HDL-C= lipoproteína de alta densidade; LDL-C= lipoproteína de baixa densidade; TG= triglicerídeos.

Referências:

1.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arquivo Brasileiro de Cardiologia; 2007; 88 (1).

2.

Reaven, GM. Role of insulin resistance in human disease. Diabetes; 1988; 37;

1595-1607.

3.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Prevenção clínica de doença cardiovascular, cerebrovascular e renal crônica. Cadernos de Atenção Básica; n. 14 - Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília, Distrito Federal; 2006; 56.

4.

Liu, J. et al. Joint Distribution of Non-HDL and LDL Cholesterol and Coronary Heart Disease Risk Prediction Among Individuals With and Without Diabetes. Diabetes Care; 2005; 28 (8).

5.

American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes. Diabetes Care; 2010; 33 (1).

6.

American Diabetes Association. Standards of medical care in diabetes: 2006. Diabetes Care, 2006; 29 (1); S4-S42.

AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DE PACIENTES HEPATOPATAS