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KAPITTEL 1. INNLEDNING

1.5 Metode, kilder, data

Essa categoria aborda a organização do AEE em Sala de Recursos na forma definida pela SEEDF: Sala de Recursos generalista e Sala de Recursos específica que corresponde ao espaço pedagógico conduzido pelo professor especialista que oferece suporte educacional aos estudantes com TGD e com deficiência intelectual, física e múltipla; e Sala de Recursos Específica que oferece suporte educacional aos estudantes com altas habilidades superdotação e nas áreas de deficiência sensorial (auditiva, visual e surdocegueira). Como o foco do trabalho foi o AEE dos estudantes com TGD as questões foram direcionadas ao atendimento a esses estudantes.

No conjunto de respostas analisadas, foram identificadas três subcategorias consideradas como aspectos positivos quanto à organização do AEE, que contribuem para o atendimento aos estudantes com TGD. Estas subcategorias estão apresentadas na Tabela 8.

Tabela 8 – Aspectos positivos na organização do AEE ao estudante com TGD (n= 15) Subcategoria f % % de

professor Sala de Recursos vista como apoio/suporte ao estudante 11 39,3 73,3 Espaço individualizado que auxilia na aprendizagem 11 39,3 73,3 Professor de Sala Recursos referencial e auxílio ao estudante 6 21,4 40,0

Total 28 100,0

Nota: as porcentagens foram calculadas com base na frequência (f) das respostas e no número de professores participantes.

Conforme observado na Tabela 8, onze professores consideraram que a Sala de Recursos é um ambiente importante para apoio/suporte no atendimento ao estudante. Eles entenderam que a Sala de Recursos provê o suporte necessário, principalmente para o estudante com TGD, em face da sua insegurança e da dificuldade em estabelecer um vínculo. Consideraram, ainda, que o professor da Sala de Recursos consegue uma maior interação do estudante no contexto escolar, pois ele acompanha os estudantes na hora do recreio, no passeio e na hora do estudo, situações que permitem uma redução do nível de insegurança do estudante. Por fim, consideraram a Sala de Recursos como um suporte para o professor de classe comum, para que o estudante com TGD se mantenha cinco horas em sala de aula. A verbalização dos professores ilustram suas percepções:

É fundamental que ele tenha esse apoio. Para o aluno com TGD, dependendo do grau dele, no caso da Secretaria de Educação a diversidade é muito grande né? Sem esse apoio ele não consegue! Porque muitas vezes ele não consegue ficar na sala

(sala de aula) ele tem dificuldade de realizar as atividades no tempo proposto né? (PSR11)

Então, o fato de ter um professor ali, específico (professor da Sala de Recursos) para esse atendimento, ajuda o aluno TGD a ter essa referencia então ele fala: bom, mudou aquela professora, mas eu ainda tenho a referência da professora da Sala de Recursos, se nada aqui tiver bom, eu sei que eu vou ter alguém pra me ajudar. (PSR14)

Onze professores consideraram que a Sala de Recursos é um espaço individualizado que auxilia no incentivo à aprendizagem. Eles entenderam que esse espaço é necessário e imprescindível, por se tratar de um ambiente em que são trabalhadas questões que, muitas vezes, não são resolvidas dentro da sala de aula. Esse espaço mais individualizado permite, com o incentivo do uso do computador, de jogos educativos e com a mediação pedagógica, avançar na aprendizagem dos estudantes. Por fim, os professores ressaltaram que, na questão de aprendizagem, até os pais dos estudantes ao procurarem uma escola para seu filho, questionam se a escola oferece o Atendimento Educacional Especializado. Alguns relatos:

É um espaço fundamental, principalmente, para o conhecimento formal, a parte acadêmica. Falando mesmo de conteúdo, assim dentro da Sala de Recursos, apesar de aqui não ser o espaço direcionado pra conteúdo, até porque a gente vai trabalhar outras habilidades, funções mentais superiores. Mas, indiretamente eu ainda acho que aqui dentro da Sala de Recursos os meninos conseguem trilhar o caminho pelo processo de alfabetização, pela parte de conteúdo mesmo, melhor, porque tem a sala aqui. Aí você trabalha articulado com a professora, o conteúdo. (PSR7)

Agora aqui (Sala de Recursos) fica o trabalho todo da formação acadêmica e para ajudar no comportamento pra escolarização. (PSR10)

Muitas vezes o pai chega e a primeira coisa que ele pergunta é se tem o Atendimento Educacional Especializado, se tem a Sala de Recursos, antes mesmo de matricular a criança. Porque ele sabe que o filho não vai conseguir, que vai ser difícil, que não vão perceber a hora que ele precisa sair da sala, aquela atividade que ele não dá conta né? A área de foco dele né? (PSR11)

É um espaço pra que o aluno especial possa se expressar do jeito que ele é, do jeito que ele pode ser, pois eu sei que aqui ele fica mais relaxado, tanto para aprender, como para se expressar. (PSR12)

Seis professores consideraram que o professor de Sala Recursos é um referencial para orientar o estudante com TGD. As falas são exemplos de verbalizações dessa subcategoria.

[...] ele (estudante com TGD) já tem a Sala de Recursos como referencial, quando ele percebe que não está conseguindo, ele já levanta, sinaliza para o professor e já vai atrás de apoio, né? (PSR11)

Então, o fato de ter um professor ali, específico (professor da Sala de Recursos) para esse atendimento, ajuda o aluno TGD a ter essa referência então ele fala: bom, mudou aquela professora, mas eu ainda tenho a referencia da professora da Sala de Recursos, se nada aqui tiver bom, eu sei que eu vou ter alguém pra me ajudar. (PSR14)

Em relação aos aspectos negativos na organização do AEE, que interferem no atendimento ao estudante com TGD, foram identificadas cinco subcategorias, conforme apresentado na Tabela 9.

Tabela 9 – Aspectos negativos na organização do AEE ao estudante com TGD (n= 15) Subcategoria f % % de

professor Necessidade de mais cursos para formação dos professores 7 35,0 46,7 Carência de recursos materiais e pedagógicos para o trabalho 5 25,0 33,3 Ausência de uma sala especifica para o estudante com TGD 3 15,0 20,0 Carência de equipe multidisciplinar 3 15,0 20,0 Previsão na norma de atendimento somente no contraturno 2 10,0 13,3

Total 20 100,0

Nota: as porcentagens foram calculadas com base na frequência (f) das respostas e no número de professores participantes.

Conforme observado na Tabela 9, os professores de Sala de Recursos, ao serem questionados sobre os aspectos negativos quanto à organização do AEE em Sala de Recursos que interferem no melhor atendimento ao estudante com TGD, referiram a distintos aspectos. Sete professores relataram a necessidade de mais cursos de capacitação, não apenas para os professores de Sala de Recursos, considerados especialistas, mas também para os professores de classe comum que recebem os estudantes incluídos e, em alguns casos, não sabem qual a melhor forma de desenvolver seus trabalhos com qualidade. Alegaram que os cursos oferecidos são direcionados somente para quem já está, ou na Sala de Recursos, ou em classe especial. Eles ressaltaram a importância de uma constante formação docente, pois enriquece o trabalho com os estudantes, o próprio profissional e a escola, o que representa um ganho para todos. Também mencionaram a necessidade de que esses cursos oferecidos sejam obrigatórios para todos os professores, conforme relatos a seguir:

Eu acho que falta muito curso de capacitação, não só para os profissionais do AEE como também para os outros professores porque os cursos são muito fechados só pra quem já tá, então acaba que tudo do menino é a professora da Sala de Recursos e os professores querem fazer um curso e não pode! (PSR8)

Aspecto negativo é a falta de capacitação dos professores, que recebem esse alunos em sala, mas, como fazer? E o que fazer? Sem ter condições de fazer um trabalho com qualidade. (PSR9)

Em relação à carência de recursos materiais e pedagógicos para o trabalho, cinco professores disseram que a falta de recursos para trabalhar interfere no atendimento ao estudante com TGD, o que dificulta o seu processo de desenvolvimento. Ressaltaram que, algumas vezes, precisam tirar dinheiro do próprio bolso para suprir a carência de recursos em suas salas. Consideraram que falta gestão, por parte do MEC, com relação à distribuição das

salas de recursos multifuncionais e não entendem como acontece esse processo dentro da Secretaria de Educação. Disseram que escolas que tinham classes especiais não estavam sendo contempladas pelo Programa do MEC porque não eram vistas como prioridade para o Programa de Implementação de SRM.

Em contrapartida, uma professora ressaltou ser privilegiada por ter uma Sala de Recursos montada, mas que isso só aconteceu em função da mobilização e da parceria entre escola e iniciativa privada. A esse respeito, são apresentadas, a seguir, as verbalizações de suas percepções:

O que eu vejo como negativo e eu não sei por que minha Sala de Recursos não foi montada como Sala de Recursos Multifuncionais? Me faltam instrumentos de trabalho. Eu falo que na Sala de Recursos o único recurso sou eu. Eu não tenho recursos que de repente poderia ser facilitador para esse processo de desenvolvimento das crianças TGD. (PSR7)

Os recursos têm que existir e a gente sabe que a Secretaria de Educação, assim como em todo país, no Brasil de um modo geral, não está conseguindo isso, né? Em particular eu nunca recebi esses equipamentos da Secretaria de Educação. Nós temos aqui uma sala bem montada, mas com parcerias, não que eu tenha recebido do MEC nenhum computador, nenhum software, nada! Então assim, seria interessante estar observando essa questão, né? O nosso caso não é uma realidade de todo Brasil, infelizmente... (PSR11)

Três professores destacaram como muito específico o atendimento ao estudante com TGD, por esse motivo entendem que o correto seria a existência de uma Sala de Recursos Específica para esses estudantes, ao invés de uma sala do tipo Generalista.

Eu acho assim: como o deficiente auditivo e o deficiente visual tem uma sala específica, o TGD teria que ter também uma sala específica. Porque o professor de Sala de Recursos ele não sabe tudo de todos. Eu acho muito errado ter que trabalhar com deficiente intelectual, com deficiente físico, com deficiente múltiplo, e com TGD. (PSR1)

Três professores entenderam que, para um melhor atendimento, seria necessária a existência de uma equipe multidisciplinar nas escolas, de modo a possibilitar atendimentos como fonoaudiólogos, psicólogos, dentre outros. A esse respeito, apresentaram uma proposta de se efetuar itinerância com uma equipe multidisciplinar de psicólogos, fonoaudiólogos e psiquiatras nas escolas para atenderem esses estudantes.

A área da saúde junto com a da educação. Então, esse atendimento hoje multidisciplinar, eu diria que realmente ele não existe. A escola que, às vezes, busca e realmente orienta, mas até esse pai chegar até esse serviço, obter esse serviço, é sempre muito moroso. (PSR3)

A respeito da previsão, em norma, de atendimento somente no contraturno, dois professores disseram que pode ocorrer dificuldades para o atendimento em Sala de Recursos,

pois alguns desses estudantes apresentam constantes variações no comportamento e precisam ser retirados de sala de aula. Também informaram que muitos pais têm dificuldade para trazer os filhos no contraturno por motivos como: morar longe da escola e necessidade, por parte do estudante, de atendimentos complementares como psicólogos e fonoaudiólogos.

Supostamente a gente só pode atender o menino no horário inverso e muitas vezes a criança em sala de aula, a criança com TGD, ela tem crises, muitas vezes ela quer sair da sala de aula. Ela às vezes, dentro de sala de aula a coisa não funciona né? Então assim, eu acho que em alguns momentos você poder retirar essas crianças de sala de aula. [...] o que acontece muitas vezes é que eles faltam no horário inverso, então eu nem atendo dentro do horário do turno e nem atendo no contraturno porque moram longe, porque tem um que faz Equoterapia, faz Fono. (PSR2)

Eu acho que dificulta um pouco a questão deles não poderem vir no horário contrário, isso dificulta um pouco. Eu tenho dois alunos aqui que eles não podem vir no horário contrário, aí eles não participam do AEE. Mas eu vejo que ao mesmo tempo o atendimento no horário de aula também atrapalha. (PSR14)

Além desses aspectos negativos apresentados na Tabela 9, dois professores disseram ter um número elevado de estudantes para sua carga horária, o que dificulta seu trabalho, pois precisam reduzir o tempo de atendimento para contemplar todos os estudantes e ainda precisam de tempo para as outras atribuições que lhes são devidas.

4.1.2 Estratégias para promover acesso, permanência e sucesso escolar para o