• No results found

KAPITTEL 5. SAMMENLIGNENDE ANALYSE

5.3 Det europeiske caset

Como no fórum de discussão virtual as pessoas utilizam-se da escrita para se expressarem, para a coleta de dados categorizou-se esse material (postado no fórum) e recorreu-se à Análise de Conteúdo (AC), com base nas proposições teóricas do levantamento teórico realizado. Os textos escritos podem dizer mais do que seus autores imaginam; dos textos emergem pensamentos, sentimentos, discussões e posicionamentos das pessoas. A AC é um método de análise de texto que reduz a complexidade de uma coleção de textos a uma descrição curta de suas características. A classificação sistemática e a contagem de unidades do texto destilam grande quantidade de material em um uma descrição curta de algumas de suas características (BAUER; GASKELL, 2002, p. 190):

Embora a maioria das análises clássicas culmine com descrições numéricas de algumas características do corpus do texto, considerável atenção está sendo dada aos “tipos”, “qualidades” e “distinções” no texto, antes que qualquer quantificação seja feita. Desse modo, a análise de texto faz uma ponte entre o formalismo estatístico e a análise qualitativa dos materiais. No divisor quantidade/qualidade das ciências sociais, a análise de conteúdo é uma técnica híbrida que pode mediar esta improdutiva discussão sobre virtudes e métodos.

A Análise de Conteúdo pode ser realizada mediante metodologias tanto qualitativas como quantitativas, tal como assinalam Bauer e Gaskell (2002). Textos resultantes quer de entrevistas, quer de registros podem ser submetidos à análise de categorias de discurso a qual é de natureza qualitativa; ademais, o mesmo conjunto de textos pode ser contemplado de uma

perspectiva numérica, existindo contemporaneamente aplicativos aptos a tratar textos mediante procedimentos e testes estatísticos (FLICK, 2004). O que os especialistas em AC tentam estabelecer como abordagem desejável é a ultrapassagem dos limites quali-quanti e o estabelecimento de uma via de mão dupla para que dados qualitativos sejam complementados por análises quantitativas e, reciprocamente, dados quantitativos sejam iluminados por visões provenientes da perspectiva qualitativa. Como salientam Bauer e Gaskell, mesmo o enfoque positivista de contar unidades de texto é uma contribuição à interpretação aberta de um corpus de texto (BAUER E GASKELL, 2002).

O texto é um meio de expressão quer de um indivíduo, quer de um grupo. Os procedimentos da AC reconstroem representações em duas dimensões principais: a sintática (os transmissores de sinais e suas inter-relações) e a semântica (os meios de expressão e influência – como algo é dito ou escrito). A codificação e a classificação dos materiais colhidos é tarefa de construção que carrega a teoria e o material da pesquisa. A AC interpreta o texto à luz do referencial de codificação constituída de seleção teórica que reúne os objetivos da pesquisa (BAUER E GASKELL, 2002).

A pesquisa qualitativa deve levar em conta a pergunta a ser respondida, o uso do contexto natural, a observação participante, as comparações e os contrastes efetuados, isto é, valoriza a reflexão a partir da intuição e da base teórica; captar o conteúdo latente e interpretar esse conteúdo, redefinindo e reelaborando os instrumentos e as categorias à medida que observa o desenrolar da realidade para chegar à compreensão dos fenômenos (BAUER; GASKEL, 2002). O pesquisador deve utilizar-se do cruzamento dos dados obtidos de diversas estratégias e instrumentos de pesquisa utilizados para sua interpretação e validação dos resultados do trabalho. Para isso, as unidades sintáticas e semânticas definidas pelas características do texto foram classificadas a partir dos objetivos específicos traçados para este estudo e seus fundamentos teóricos (trabalho cooperativo, reflexão sobre a prática, coesão e utilização de novas práticas), os quais constituíam as categorias.

Dessa maneira, pôde-se estabelecer uma relação dialógica e coerente entre as categorias estabelecidas e a teoria norteadora deste estudo. Assim, a análise do material postado foi realizada à luz dos objetivos específicos; o texto foi interpretado e categorizado. Alguns fragmentos de texto relacionavam-se a mais de um objetivo, portanto foram classificados como pertencentes a mais de uma categoria. Ao analisar as intervenções, o interesse foi o de coletar evidências que dessem suporte – se e quando existissem – aos objetivos.

Elaborou-se uma tabela com quatro linhas, para os objetivos específicos 2, 3, 4 e 5 (trabalho cooperativo, reflexão sobre a prática, coesão e utilização de novas práticas); e duas colunas. A primeira coluna referia-se aos objetivos. Na segunda coluna ficaram os fragmentos de texto que evidenciavam a consecução daquele objetivo. A freqüência de palavras na mesma frase ou parágrafo serviu de indicador de sentidos associativos. Assim, as características semânticas deram condições ao pesquisador para fundamentar suas conjeturas. Dessas conjeturas, inferiu-se a consecução ou não do objetivo. Para que as inferências fossem as mais objetivas possíveis, o pesquisador ilustrou as interpretações realizadas com as unidades de texto selecionadas, comprovando-as com exemplos retirados dos relatos dos docentes participantes deste estudo, como se pode ler no próximo capítulo.

Subsidiou também essas inferências a avaliação de uma prática em sala de aula sugerida pelos professores a partir do estudo realizado no fórum eletrônico. A avaliação da prática, visto ter surgido extemporaneamente no transcurso do fórum, teve caráter voluntário. Em se tratando de um projeto de desenvolvimento, as observações tenderão a ser continuadas após o término deste estudo, portanto não serão foco de discussão sistematizada.

A observação é um recurso de coleta de dados que utiliza os sentidos na obtenção de aspectos da realidade. Uma das vantagens da observação é permitir a evidência de dados não constantes nos roteiros de entrevistas ou questionários, além de possibilitar a coleta de dados sobre um conjunto de atitudes comportamentais típicas. Como principais desvantagens estão o fato de o observado tender a criar impressões favoráveis ou desfavoráveis no observador e a ocorrência de fatores imprevistos que podem interferir na tarefa do pesquisador (MARCONI; LAKATOS, 2005).

Para complementar o estudo solicitou-se aos participantes avaliarem o processo de aprendizagem online vivenciado no fórum (Apêndice J – Avaliação do fórum eletrônico). Como apenas quatro professoras responderam a avaliação, o pedido foi reforçado (Apêndice K – Reforçando o pedido de avaliação de todos). Com a avaliação, os trabalhos foram encerrados. A análise do material encontra-se no próximo capítulo.

4 CAPÍTULO IV – RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Neste capítulo, compendiaram-se os resultados da intervenção instrucional de que trata a presente dissertação, ou seja, a utilização do fórum de discussão como instrumento de capacitação de docentes do Ensino Fundamental e Médio e, ainda, como ocorreu o início dos trabalhos no fórum com a dinâmica Nossas Expectativas e o caminho trilhado pelo grupo participante durante o desenvolvimento das discussões no Fórum Clareza.

No item referente ao Fórum Clareza, avaliou-se o atingimento dos objetivos propostos: se o foram e como. Quanto aos objetivos propostos verificou-se: (a) se o recurso assíncrono favoreceu momentos de estudo e reflexão sobre a prática; (b) se houve trabalho cooperativo entre os professores; (c) se houve coesão entre os participantes; e (d) se as discussões favoreceram a utilização de novas práticas pelos professores.

A análise dos relatos a seguir foi feita à luz das relações que se estabeleceram entre os objetivos deste estudo, a teoria que o fundamentou e o levantamento da literatura realizado. Os nomes dos professores participantes foram alterados para resguardar a identidade deles; portanto, são fictícios.