• No results found

KAPITTEL 4. EUROPEISK IDENTITET

4.4 Formidling av europeisk identitet gjennom utdanningssystemet

4.5.4 Hvilke (n) av strategiene har vært avgjørende?

A relação instrução/formação e a cultura de paz, segundo Resende (1998), é o desafio imposto pela sociedade atual. Para vencer esse desafio a escola precisa prover uma educação formativa, ou correrá o risco de ser sufocada pelo fechamento que ela própria está gerando. Os professores pesquisados defendem a educação para a formação como a ideal para se estabelecer uma cultura de paz, mas se contradizem em seus argumentos, optando por uma educação para a instrução. Em relação à educação para a formação eles apresentaram dicotomia entre os papéis da família e da escola, cabendo à primeira cuidar da formação e à segunda cuidar da instrução. Também separaram o papel da escola e o papel do professor. Embora acreditem que a educação formativa deve ser promovida pela escola, esta deveria ficar sob a responsabilidade de outros profissionais, como psicólogos e assistentes sociais. Assim, ao professor caberia somente a transmissão de conteúdos. Portanto, há indefinição e

divergência por parte dos professores quanto ao papel da escola como ao papel do professor necessário para este século XXI.

Câmara (2002) aborda que esta dicotomia expressa pelos professores significa uma ruptura entre o saber e a consciência, pois educar consiste em desenvolver plenamente o ser humano nos diferentes níveis e aspectos. Milani (2003) também afirma que a experiência escolar é marcante na vida de crianças e jovens, provavelmente menos pelo conteúdo das disciplinas do que por constituir num espaço no qual é (ou) deveria ser oportunizado aos alunos exercitar as capacidades de ouvir, negociar, dialogar, cooperar, bem como interagir com adultos, identificando nesses modelos de referência. Isto não foi identificado nas falas dos professores.

Entre os dez domínios de competências, apresentados por Perrenoud (2000), reconhecidos como prioritários na formação contínua dos professores, o autor aborda a competência de enfrentar os dilemas éticos da profissão e afirma que cabe ao professor prevenir a violência na escola e fora dela. Neste estudo ficou confirmado o despreparo dos professores em face das violências. Eles afirmaram que não estão aptos para exercer o papel formativo e atribuem esse fato à deficiência na formação acadêmica. A formação dos educadores sobre a violência contemporânea é defendida por alguns autores (v.g. ADAMS, 2000; SANTOS, 2001; DEBARBIEUX; BLAYA, 2002; MILANI, 2003), mostrando que se faz necessário fornecer ao professor treinamento para atuar como mediador nos conflitos mesmo diante de atos extremos de violência; haja vista que a cultura de paz não significa uma cultura onde haja ausência de conflitos, mas sim que esses possam ser resolvidos de forma pacífica e justa.

Os professores descreveram algumas condições que julgam serem importantes para que a educação formativa se efetive. Assim, eles sugerem que as escolas ampliem o tempo de permanência dos alunos, atendendo-os em tempo integral; que os professores

concentrem seus cargos em uma escola, haja vista que trabalhar em escolas diferentes os sobrecarrega. Também alertam para a hora/aula, concluindo que ficar somente 50 minutos em uma turma dificulta a interação e o conhecimento sobre cada discente. O tempo dedicado à escola é um fator importante para melhorar o relacionamento professor-aluno. Esse assunto é abordado por Debarbieux e Blaya (2002), constata que com maior carga horária dedicada a escola os professores conhecem melhor os alunos e seus pares, pois passam a coordenar atividades alheias à sua própria matéria; o que contribui para que eles não sejam vistos pelos alunos apenas especialistas de uma matéria, mas como pessoas.

Com relação à educação e ao estabelecimento de uma cultura de paz nas escolas, três pontos foram priorizados para o ensino médio, que dizem respeito à educação formativa, profissionalizante e desportiva. A escola seria um espaço para o desenvolvimento da cidadania, dos valores e da socialização.

A educação profissionalizante como um meio de reduzir as violências também tem sido defendida, sobretudo no universo masculino. Os professores defendem que o ensino técnico em nível médio ou pós-médio oferecido pela escola pública prepare os alunos para enfrentarem o mercado de trabalho após concluírem o ensino médio.

A educação técnica profissionalizante é rejeitada por Milani (2003), que pergunta até quando insistiremos na tolice de que a capacitação técnica para inserir o jovem no mercado de trabalho é o objetivo final da escola. Porém, entende-se que essa educação abordada pelos professores é apresentada como um dos objetivos do ensino médio e não como objetivo final. Em Montes Claros, como essa modalidade de educação se concentra em escolas particulares e instituições como o SENAI, os alunos mais desprovidos de recursos não têm acesso devido à distância de suas casas e as taxas de mensalidades. Acredita-se que programas do Estado ou parcerias com empresas e indústrias locais junto às escolas de ensino médio poderiam oportunizar aos alunos o contato com o mercado de trabalho. Para os

professores, a atual proposta oferecida pelas escolas públicas de Minas Gerais leva os alunos do ensino médio a se sentirem inseguros e sem perspectivas para enfrentar esse mercado. Nesse sentido, comunga-se com o exemplo de projeto desenvolvido em escolas e apresentado por Welsh (2000), que inclui um projeto de estudo cooperativo com programa de aprendizagem técnica e atividades de orientação para a carreira. Assim, concorda-se com o pensamento de Corrêa (2003) quando considera a educação para a paz como conteúdo e metodologia novos, que buscam destreza profissional e, ainda, com Noleto (2003), que aponta o aprender a fazer como um dos pilares da educação, que está ligado à educação profissional na perspectiva do mundo atual. Ou seja, não preparar uma pessoa somente para uma tarefa específica, mas com competência técnica e profissional, com disposição para o trabalho em equipe, o gosto pelo risco e a capacidade de tomar iniciativa, pois o futuro exige polivalência.

Os professores apontam para a educação desportiva também como um meio de desenvolver a cooperação e a solidariedade. Sabedores dos benefícios advindos da prática do esporte, tais como a disciplina e o estabelecimento de regras, também é preciso estar atentos para que não se estabeleça a situação de competição onde vale tudo para conseguir alcançar a vitória, o que seria uma proposta contrária à apresentada pela Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, que é o aprender a viver juntos.