1.2 Komiteens merknader
1.2.4 Merknader fra Senterpartiet
Tendo como base o Referencial de Educação para os Media e não esquecendo os objetivos desta investigação, foram definidos um conjunto de objetivos para o ateliê de comunicação radiofónica que nos propusemos a implementar:
- Favorecer a aquisição de competências mediáticas; - Sensibilizar para a importância do som e da rádio.
Estes foram decompostos em objetivos específicos, os quais foram, essencialmente, adaptados do Referencial de Educação para os Media43, tal como se pode observar na Tabela 4.
43 Não foram considerados para este trabalho todos os objetivos referidos nesse documento orientador, pois a ação desenvolvida era limitada no
tempo e, além disso, foi necessário fazer uma seleção de acordo o projeto desenvolvido, optando por aqueles objetivos que poderiam ser diretamente desenvolvidos no âmbito de um trabalho em torno da comunicação radiofónica.
Objetivos específicos do Referencial Objetivos específicos do ateliê - Perceber como se produz cada um dos media - Perceber como se produz produtos radiofónicos - Saber quais são os principais profissionais dos
media
- Saber quais são os principais profissionais da rádio
- Saber como se pode criar um media - Saber como se pode criar um programa de rádio/podcast
- Perceber a seleção e hierarquização da informação
- Desenvolver competências de pesquisa e de seleção da informação
- Saber que há informação verdadeira e informação falsa ou distorcida e saber como podem ser distinguidas
- Conhecer os direitos de autor e entender porque devem ser respeitados
- Conhecer os direitos de autor e compreender a sua importância
- Desenvolver a capacidade de comunicar (desenvolver a expressão oral e escrita) - Educar a escuta
Tabela 4: Objetivos específicos do Referencial de Educação para os Media (Pereira et al., 2014, pp. 12- 14) e objetivos específicos do ateliê
Desenvolver a capacidade de comunicar e educar a escuta não são objetivos contemplados no Referencial. Sublinhamos, contudo, que o documento inclui, nos descritores de desempenho do 3º ciclo, os seguintes pontos: “aprender a expressar ideias e sentimentos, a escutar os outros e a sentir empatia” e “desenvolver a capacidade de comunicar uma ideia, um acontecimento, uma opinião” (Pereira et al., 2014, p. 16). Foram estes descritores que serviram de base para a formulação dos objetivos em questão.
Recordamos ainda que nos primeiros anos de ensino, o Referencial dá prioridade a outros meios de comunicação, como a televisão. Ressalvamos, por isso, que, tal como já referimos, no nosso entender, os descritores de desempenho do ensino secundário relativos à rádio podem-se estender ao 3º ciclo, sobretudo, perante a facilidade de uso do meio para produção de media, já mencionada no primeiro capítulo.
A partir dos objetivos apresentados foi, então, planificado o ateliê. Definiu-se, em conjunto com a direção do agrupamento e com a diretora da turma dos participantes, que a ação decorreria entre
fevereiro e maio de 2017 durante as aulas de Educação para a Cidadania44. Por isso, foram
planificadas 12 sessões semanais de 45 minutos.
Além dos dados provenientes do questionário, as leituras sobre a temática referidas no capítulo anterior foram fundamentais para a planificação do ateliê. Revelou-se também útil o contacto com documentos de cariz mais prático como, por exemplo, o Manual de Radio Participativa con niñas, niños y jóvenes: Radioferoz! (Gerbaldo, 2006), 25 + UM: Agenda de Atividades de Educação para os Media (Pereira, Pereira & Tomé, 2011) e Fazer rádio online com crianças e jovens: Manual de sugestões (Jorge, Brites & Minga, 2016). Uma visita à Rádio Vale do Tamel permitiu aperfeiçoar o plano da ação.
Importa referir que o plano delineado não pretendeu ser absolutamente fechado ou rígido, pois, como referem Kemmis e McTaggart (1988), o plano deve, por definição, antecipar a ação, mas ser o bastante flexível para se adaptar a efeitos imprevistos e a limitações que não eram percetíveis aquando do planeamento. Assim, este acabou por ficar aberto a possíveis ajustes em função das reações dos participantes e dos recursos disponíveis.
Tendo em consideração os objetivos do ateliê e dada a importância da produção no âmbito da Educação para os Media45, a produção de programas radiofónicos teria que ter um lugar central
na ação, mas teríamos que incluir também momentos de cariz mais interrogativo e reflexivo. Neste sentido, procurou-se incluir duas grandes vertentes de abordagem dos media sintetizadas por Pinto et al. (2011) e contempladas no Referencial de Educação para os Media: os media como campo ou objeto de estudo e como meio de comunicação ou de expressão e de produção. Como se pode observar na Tabela 546, antes de avançar para a produção, consideramos essencial
planificar algumas sessões de contextualização e enquadramento, as quais também tinham como função desenvolver uma relação de confiança entre a autora do estudo e os participantes e, consequentemente, motivar e preparar os alunos para a fase seguinte. Assim, as primeiras três sessões procuraram ser um espaço de reflexão e de discussão sobre a importância do som, a linguagem radiofónica e outros aspetos relacionados com os media, em geral, e com a rádio, em
44 A Educação para os Media é considerada uma das dimensões da Educação para a Cidadania, pelo que foi escolhido este tempo letivo para o
desenvolvimento da ação. Para mais informações, pode consultar http://www.dge.mec.pt/educacao-para-cidadania e o Referencial de Educação
para os Media.
45 Lembramos que esta questão foi abordada no segundo capítulo.
particular. Um dos objetivos destas atividades foi também familiarizar os estudantes com diferentes aspetos do mundo radiofónico, de modo a permitir contemplar eventuais fragilidades que o diagnóstico pudesse indiciar. Na quarta sessão, foi introduzida a temática da rádio escolar e foi lançado um desafio aos estudantes: criar um projeto que implicasse a produção de um conjunto de breves programas radiofónicos, a “nossa rádio”. Na quinta sessão, os alunos foram convidados a definir em conjunto a estrutura desse projeto. A sexta sessão centrou-se na preparação para a prática, tendo sido apresentadas algumas dicas relativas à redação e à locução e explicado como se procederia à edição. As restantes foram exclusivamente voltadas para o desenvolvimento da “nossa rádio”, sendo o trabalho feito essencialmente em grupos.
Data Assunto da sessão
06/02/2017 A importância do som (reflexão e discussão)
13/02/2017 A linguagem radiofónica (escuta de uma reportagem, reflexão e discussão) 20/02/2017 Diferentes aspetos relacionados com os media, em geral, e a rádio, em particular
(quiz)
06/03/2017 A rádio escolar (o que é, para que serve e um exemplo) e introdução ao trabalho a desenvolver nas sessões seguintes
13/03/2017 Definição da estrutura da “nossa rádio”
20/03/2017 Como comunicar através da rádio (dicas e breve explicação sobre a edição) 27/03/2017 Preparação da “nossa rádio” e dos programas
03/04/2017 Preparação da “nossa rádio” e dos programas 24/04/2017 Preparação da “nossa rádio” e dos programas 08/05/2017 Preparação e gravação do primeiro programa 15/05/2017 Preparação e gravação do segundo programa 22/05/2017 Preparação e gravação do terceiro programa
Tabela 5: Síntese das sessões do ateliê
A autora do presente estudo esteve responsável pela dinamização das atividades, tendo o papel de acompanhar e de orientar, bem como o de promover a reflexão. Os estudantes estiveram no centro do processo, cabendo a estes tomar todas as decisões. Procurou-se, deste modo, promover a participação e a criatividade dos adolescentes, adotando-se uma abordagem capacitadora (Buckingham, 2001).
Além dos estudantes e da autora deste estudo, esteve também presente no ateliê a professora responsável pelo espaço letivo durante o qual decorreu a ação. A docente assistiu a todas as sessões, por vezes, participou nas discussões propostas, dando a sua opinião, e ajudou alguns grupos durante a produção dos programas radiofónicos, por exemplo, acompanhando-os ao exterior da sala para recolha de informação.
Tal como esclarecemos anteriormente, a direção do agrupamento escolheu a turma participante entre aquelas que tinham preenchido o questionário do diagnóstico. A opção recaiu sobre um conjunto de 23 estudantes do 8º ano, cuja caracterização se fará mais à frente.