1.2 Komiteens merknader
1.2.2 Merknader fra Arbeiderpartiet
3.5.1. Objetivos e construção do questionário
Antes de partir para a ação era necessário conhecer a relação dos estudantes com a rádio e saber qual o seu interesse em acolher um projeto de rádio na escola, principalmente tendo em consideração a escassez de informação acerca da relação deste público com este meio. Por isso, inicialmente, foi aplicado um questionário online a todas as turmas do 3º ciclo do ensino básico da Escola Básica e Secundária de Muralhas do Minho.
Este instrumento de recolha de dados procurou responder aos seguintes objetivos específicos: - Traçar um quadro das práticas e preferências dos adolescentes sobre a rádio; - Conhecer as perceções dos adolescentes sobre a rádio;
- Conhecer o nível de proximidade dos adolescentes em relação à rádio;
- Conhecer o interesse e as expectativas dos adolescentes em relação a uma experiência de rádio na escola.
Tendo em conta estes objetivos, o questionário apresenta-se como um instrumento ideal, sobretudo pela “possibilidade de quantificar uma multiplicidade de dados” (Quivy & Campenhoudt, 2008, p. 189). Ainda assim, não podemos esquecer dois dos limites apontados por Quivy e Campenhoudt (2008): a superficialidade das respostas e a individualização dos entrevistados, que acabam por ser considerados independentemente das suas relações sociais.
O questionário35 foi criado a partir dos indicadores apresentados na Tabela 3. A definição e
operacionalização das dimensões foi feita tendo em conta os objetivos desta fase do estudo e com base nas leituras referidas nos capítulos anteriores, sobretudo no ponto referente ao lugar da rádio na vida do público infantojuvenil. Dada a existência de perguntas de crivo, cada inquirido teria que responder no mínimo a 22 perguntas e no máximo a 3936.
35 A versão final do questionário do diagnóstico pode ser consultada no apêndice 1.
36 Apesar do elevado número de perguntas, não surgiu qualquer problema que possa, à partida, estar associado à extensão do questionário. No
Dimensões Componentes Indicadores Pergunta(s)
Gosto pelo meio --- Gostar de rádio 6
Razões para gostar/ não gostar 6.1
Uso da rádio tradicional
Existência e recorrência do uso
Nº de vezes 7
Razões de não uso 7.1
Contexto de uso
Dispositivos mais usados 8, 9
Frequência de consumo em distintas situações 10 Momento do dia 11 Companhia 12 Simultaneidade de tarefas 13, 13.1 Conteúdo consumido Frequência de consumo de
distintos tipos de conteúdo 14
Preferências Emissora favorita 15
Programa favorito 16 Uso de rádio na internet Existência e recorrência de uso Nº de vezes 17
Modo de concretização do uso 18
Uso de podcasts Existência e recorrência do uso
Nº de vezes 19
Podcasts consumidos 19.1
Perceção sobre a
rádio ---
Função associada à rádio 21
Opinião sobre a adequação da
programação à sua faixa etária 22, 22.1
Palavra associada à rádio 23
Participação e produção de produtos sonoros
---
Ter participado numa rádio 24, 24.1
Ter produzido podcasts 20
Perceção sobre a
rádio escolar ---
Função associada à rádio
escolar 25
Interesse por projetos de rádio
na escola
Interesse Querer ter uma rádio na escola 28, 28.1, 28.2
Querer participar 29, 29.1, 29.2
Expectativas
Conteúdos que gostavam que
fossem emitidos 26
Função que gostavam de
Que fariam se fossem
responsáveis pela rádio 31
Interesse em colocar o projeto
de rádio online
Possibilidade de
acesso Ter acesso à internet 5
Interesse Opinião sobre a colocação dos
programas online 27, 27.1 Dados sociodemográficos Indicadores Perguntas Sexo 1 Idade 2 Ano de escolaridade 3
Habilitações escolares de pai e mãe 4
Tabela 3: Operacionalização das dimensões em análise no questionário e respetivas questões
3.5.2. Pré-teste
Antes de se aplicar um questionário, é imperativo que se testem as perguntas de forma a assegurarmos que serão bem compreendidas e que as respostas corresponderão às informações procuradas (Quivy & Campenhoudt, 2008). Por isso, este instrumento foi submetido a um pré- teste, tendo sido apresentado “a um pequeno número de pessoas pertencentes às diferentes categorias de indivíduos que compõem a amostra” (Quivy & Campenhoudt, 2008, p. 182). De forma a que não fosse incluído nenhum dos participantes no estudo e dado que no concelho em que foi feita a investigação não existia nenhuma outra escola com este nível de ensino, o pré- teste foi feito com 20 alunos do 3º ciclo de um concelho vizinho (Monção).
Esta fase levou a alterações37 ao nível da linguagem, eliminando termos de difícil compreensão, e
também ao nível do formato e da ordem de algumas questões. Uma outra alteração significativa está associada à criação de uma nova pergunta sobre o uso da rádio na internet, visto que se
37 Nesta fase, verificou-se também que as perguntas abertas poderiam resultar num número considerável de respostas sem qualquer conteúdo.
Contudo, considerou-se que seria mais vantajoso não fazer alterações. Além disso, verificou-se que alguns alunos não sabiam o que era um programa de rádio. Perante esta situação e dado que também pretendíamos avaliar a proximidade com o meio, optou-se por manter a pergunta.
percebeu que alguns alunos o entendiam enquanto sinónimo de audição de música, nomeadamente através do Spotify38.
O pré-teste permitiu ainda conhecer o tempo de preenchimento de questionário, garantindo que seria possível aplicá-lo durante as aulas de Educação para a Cidadania.
3.5.3. Autorizações e aplicação
Após o pré-teste, foi formalizado o pedido de autorização à Direção-Geral da Educação (DGE)39 para
aplicação de inquéritos em meio escolar. Depois de ser aprovado, foi contactada a direção do Agrupamento Muralhas do Minho para solicitar formalmente a autorização e a colaboração. Após estes trâmites, foram entregues aos diretores de turma os pedidos de autorização para os pais e encarregados de educação40.
O questionário foi aplicado em janeiro de 2017, na presença da autora deste estudo e, em alguns casos, do professor responsável pela aula de Educação para a Cidadania, já que foi esse o tempo disponibilizado para este processo41.
Como já referimos, o questionário foi aplicado a todas as turmas do 3º ciclo da Escola Básica e Secundária de Muralhas do Minho. Falámos de um total de 14 turmas – cinco turmas do 7º ano, quatro do 8º ano e cinco do 9º ano -, as quais perfaziam no momento da aplicação, segundo a informação disponibilizada pela própria escola e tal como confirmamos no decorrer do trabalho de campo, um total de 292 alunos. No entanto, porque este procedimento depende da autorização dos encarregados de educação42, da presença dos alunos na aula e do consentimento dos mesmos
para a participação, a amostra ficou reduzida a um total de 229 alunos.
38 Como veremos na análise dos resultados, esta solução não teve tanto sucesso quanto o esperado.
39 Para mais informações, pode consultar http://www.dge.mec.pt/inqueritos-em-meio-escolar-0
40 O documento pode ser consultado no apêndice 2.
41 A aplicação dos questionários foi feita em dia previamente acertado com os diretores de turma para que o preenchimento fosse o menos
perturbador possível para a prática pedagógica. Importa, ainda, ressalvar que os professores presentes na sala de aula não intervieram no processo, tendo sido permitido aos adolescentes responder às questões com total liberdade. As únicas intervenções feitas pela autora do estudo resultaram de pequenos pedidos de esclarecimento, nomeadamente, em relação ao que era uma emissora e um programa de rádio. Aquando destes pedidos de esclarecimento, foi pedido aos alunos para responderem “não sei”, tendo sido explicado o significado no final do preenchimento.
42 A grande condicionante neste processo foi a obtenção das autorizações, já que foi significativo o número de alunos que se esqueceu várias vezes
da folha referente ao pedido de autorização. A este esquecimento somaram-se alguns casos em que os encarregados de educação não consentiram a participação. É de referir que foram disponibilizados os contactos da autora do estudo para qualquer pedido de esclarecimento, contudo, ninguém recorreu aos mesmos.
3.5.4. Análise de dados
Tratando-se essencialmente de uma abordagem quantitativa, os dados provenientes do questionário foram tratados e analisados através do programa IBM SPSS Statistics. Tendo em conta os objetivos propostos para esta fase do estudo, optou-se pela interpretação de dados quantitativos através de medidas próprias da estatística descritiva. Quanto às perguntas abertas, a análise também foi essencialmente quantitativa, tendo-se definido as categorias a posteriori.