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Merknader fra Miljøpartiet De Grønne

In document (2020–2021) (sider 29-33)

1.2 Komiteens merknader

1.2.6 Merknader fra Miljøpartiet De Grønne

A grande maioria dos inquiridos gosta de ouvir rádio (92,1%). A música é a principal razão para tal (N=188), sendo que 53,2% mencionam unicamente a música e 14,9% indicam este e outro conteúdo (11,2% música e notícias, 3,2% música e jogos de futebol e 0,5% música e humor). Estes dados vão ao encontro dos resultados obtidos por Gutiérrez et al. (2011), a partir dos quais se verifica que os conteúdos musicais são o que os jovens mais gostam neste meio. Ser divertido (11,7%) e ser uma forma de passar o tempo (6,9%) também são justificações frequentemente apontadas. Estes resultados acabam por não ser de estranhar tendo em conta as perceções dos inquiridos sobre o meio. Além disso, sublinham claramente a importância da música na relação do público mais jovem com a rádio.

As razões para não gostar estão sobretudo associadas à impossibilidade de escolher as músicas emitidas. Contudo, importa sublinhar que o número de respostas válidas a esta questão é demasiado pequeno (N=13) para que se possam tirar conclusões. Ainda assim, e apesar de não ser nosso objetivo comparar o uso da rádio com o de outros dispositivos, nem termos dados para tal, há uma nota digna de registo. Os dados mostram que a existência de outras formas de consumo sonoro afeta, pelo menos em alguns casos, o consumo radiofónico. Esta ideia é ilustrada por respostas como, por exemplo, “porque não gosto das músicas e prefiro baixar no telemóvel e

ouvir lá”. Neste sentido, como refere Meneses (2011b), a rádio pressupõe uma grande escolha, mas não permite o controlo, o que a pode colocar em desvantagem face a outros dispositivos. Contrariamente ao sucedido na investigação de Balsebre et al. (2011), os estudantes inquiridos neste estudo não fizeram qualquer referência à televisão nas razões apontadas para não gostarem de rádio. Para além do escasso número de respostas, consideramos que esta diferença poderá também estar associada ao lugar ocupado pelos diferentes media na vida destes adolescentes. Ou seja, parece-nos que a televisão e a rádio ocupam lugares distintos na dieta mediática, pois o consumo radiofónico é, como veremos, predominantemente associado a um consumo musical. Assim, poderá compreender-se também o motivo pelo qual as razões apresentadas para não gostar de ouvir rádio estão mais voltadas para a emissão de música.

Quanto ao consumo, em média, durante uma semana, 58,5% da amostra ouve rádio todos os dias, 20,5% duas a três vezes por semana, 14,4% quatro a seis vezes, 4,4% uma vez e apenas 2,2% nunca ouve. Deste modo, pode dizer-se que a rádio faz parte do quotidiano da grande maioria dos inquiridos.

Gráfico 2: Frequência com que, em média, ouvem rádio durante uma semana (N=229)

Apesar de não ser significativo o número de estudantes que nunca ouve rádio ao longo de uma semana (2,2%), importa referir que, tal como seria expectável, todos tinham referido não gostar de ouvir rádio. O facto de o meio não oferecer a possibilidade de escolha das músicas e de, segundo um adolescente, ser aborrecido, são as razões apresentadas para tal.

2,2% 4,4% 20,5% 14,4% 58,5% 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0%

Nunca Uma vez por

No que diz respeito aos que ouvem, procurou-se também conhecer os seus hábitos de consumo56.

Na linha do que já tinham demonstrado estudos anteriores (Balsebre et al., 2011;Bonixe, 2015; Cardoso & Rocha, 2011; ERC, 2016; Magnoni & Miranda, 2015; Ribeiro & Santos, 2015; Weigelt, 2015), o carro surge como um elemento chave na audição de rádio.

Quando questionados sobre os dispositivos que mais utilizam para ouvir rádio, o rádio do carro é claramente o mais apontado para este consumo (73,7%), seguido pelo telemóvel (19,2%). O uso dos restantes dispositivos enquanto primeira forma de acesso ao conteúdo radiofónico é bastante residual.

Gráfico 3: O dispositivo mais utilizado para ouvir rádio (N=224)

Quanto ao segundo dispositivo que referem utilizar mais, o telemóvel tem o lugar de maior destaque (34,8%) e há uma percentagem considerável de adolescentes que apenas usa um dispositivo para este consumo (25,9%). Num estudo da ERC (2016), a importância do telemóvel já tinha sido observada relativamente aos jovens entre os 15 e os 24 anos.

56 Os dados relativos ao consumo radiofónico são referentes apenas àqueles que efetivamente ouvem rádio pelo menos uma vez por semana,

pelo que não são incluídos os que nunca ouvem. Assim N = 224.

0,9% 2,2% 1,3% 0,4% 0,0% 73,7% 0,4% 19,2% 1,8% 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0% Aparelhagem Aparelho de rádio

Computador Despertador Leitor

multimédia (MP3/4/5,

Ipod)

Rádio do carro

Gráfico 4: O segundo dispositivo mais utilizado para ouvir rádio (N=224)

Na análise da relação entre o primeiro e o segundo dispositivo que os adolescentes dizem utilizar mais, observamos que há uma associação forte entre as variáveis (V de Cramer = 0,343), existindo alguns elementos dignos de destaque. Entre os adolescentes que apontam o rádio do carro como o dispositivo mais utilizado, a maioria afirma que o telemóvel é o segundo (43,6%) ou não usa outro dispositivo (28,5%). Entre os que dizem que o telemóvel é o dispositivo mais utilizado, a maioria afirma que o rádio do carro é o segundo (55,8%) ou não usa outro dispositivo (20,9%). Estes dados sublinham a importância do rádio do carro e o telemóvel neste consumo.

Quanto ao contexto em que ouvem rádio, o carro é um espaço privilegiado para a escuta (64,7% ouvem sempre e 19,2% muitas vezes), tal como seria de esperar tendo em conta o dispositivo mais usado para o consumo. Olhando para as situações em que os inquiridos dizem ouvir sempre rádio, as viagens nos transportes públicos são o segundo contexto em destaque (14,3%), apesar de o valor ser muito menor em comparação com o referente ao carro. Assim, os resultados sugerem que o consumo radiofónico beneficia de situações associadas ao movimento.

Quando nos focamos na soma das percentagens referentes ao “sempre” e “muitas vezes”, verificamos que são equivalentes para a variável “em casa” e “nos transportes públicos” (25,0%). A escola apresenta-se como o contexto em que o consumo é menos frequente (89,3% dizem nunca ouvir ou ouvir raramente). No que diz respeito a outras situações de consumo, no total foram referidas sete - enquanto ando de bicicleta, enquanto corro, na piscina e/ou praia, no café, nos hospitais, no trabalho do pai e no campo -, contudo, a sua expressão não é significativa.

5,8% 5,8% 2,7% 0,4% 4,0% 12,1% 3,1% 34,8% 5,4% 25,9% 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% 35,0% 40,0% Aparelhagem Aparelho de rádio

Computador Despertador Leitor

multimédia (MP3/4/5,

Ipod)

Rádio do carro

Tablet Telemóvel Televisão Apenas uso

um dispositivo

Gráfico 5: Frequência com que ouvem rádio em distintos contextos (N=224)

A manhã é o período do dia mais referido como aquele em que ouvem rádio mais vezes (50,0%), seguido pela tarde (38,8%), pela noite (9,8%) e, por último, pela hora de almoço (1,3%).

O consumo é feito maioritariamente na companhia57 de algum familiar (63,9%), principalmente

dos pais (48,7%). Estes dados são coerentes com os obtidos por Balsebre et al. (2011). Além disso, como refere Magnoni e Miranda (2015), dado que os estudantes não têm carta de condução, “pode-se inferir que o ato de ouvir rádio do aparelho do carro é um hábito adquirido devido à influência de terceiros”, principalmente dos pais (p. 65).

57 A questão em análise apresenta um erro de construção que não foi detetado na fase do pré-teste. “Com os irmãos e com os pais” não foi

apresentada enquanto opção possível para a resposta à pergunta “na maioria das vezes, com quem costumas ouvir rádio?”. Apesar de terem surgido algumas respostas relativas a esta opção na categoria “outro”, não é de descartar que, na falta desta opção, os inquiridos tenham selecionado aquela que, no seu entender, estaria mais próxima desta.

48,6% 65,2% 89,3% 6,3% 55,9% 98,2% 26,3% 18,3% 8,5% 9,8% 19,2% 0,4% 25,0% 16,6% 2,2% 83,9% 25,0% 1,3% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Em casa Enquanto caminho Na escola No carro Nos transportes públicos Noutra situação

Gráfico 6: Com quem ouvem rádio na maioria das vezes (N=224)

Cruzando esta questão com o dispositivo mais usado para ouvir rádio, verifica-se que há uma associação moderadamente forte (V de Cramer = 0,254). Neste sentido, por exemplo, entre aqueles que, na maioria das vezes, ouvem rádio com os pais, 86,2% apontam o rádio do carro como o dispositivo mais utilizado.

Relativamente à simultaneidade de tarefas, 59,4% dos adolescentes não costumam realizar outra atividade enquanto ouvem rádio, o que poderia ser explicado pela centralidade das viagens de carro neste consumo. Contudo, a relação entre esta questão e a frequência de audição de rádio no carro é fraca (V de Cramer = 0,153). Por outro lado, verifica-se que existe uma forte relação com a frequência de consumo em casa (V de Cramer = 0,328) e enquanto caminham (V de Cramer = 0,318). Assim, entre os que ouvem sempre em casa há um maior número de inquiridos a referir que costuma fazer outra atividade em simultâneo e entre os que ouvem sempre enquanto caminham acontece o mesmo.

Entre as atividades realizadas enquanto ouvem rádio (N=89), destacam-se estudar/fazer os trabalhos de casa (30,3%), fazer exercício físico (22,5%), utilizar o telemóvel/tablet/computador (21,3%), dançar (10,1%) e realizar tarefas domésticas (10,1%).

A partir destes dados, poderá intuir-se que a rádio é, sobretudo, utilizada enquanto banda sonora das viagens e de algumas atividades específicas, uma questão já sugerida pelo estudo de Balsebre et al. (2011) e o de Magnoni e Miranda (2015). Estes cenários poderão estar relacionados com

23,2% 12,1% 48,7% 4,5% 2,7% 8,0% 0,9% 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0%

Sozinho Com os amigos Com os pais Com os irmãos Com os irmãos e

com os pais Com outros familiares ou indivíduos que Com conhecidos se encontram no

um consumo dominado por uma atitude mais passiva, situada no patamar do ouvir e não do escutar.

No que diz respeito ao tipo de conteúdos ouvidos, as conclusões são semelhantes às de outras investigações (Balsebre et al., 2011; Cardoso & Rocha, 2011; Magnoni & Miranda, 2015; Weigelt & Parmeggiani, 2014; Weigelt, 2015). A música é sem dúvida o conteúdo predileto (23,2% ouvem muitas vezes e 67,4% sempre), tal como era expectável tendo em consideração as razões para gostar de rádio e as perceções sobre o meio. O humor e o desporto ficam em segundo e terceiro lugar, respetivamente (12,1% e 9,4% dizem ouvir sempre). Porém, estes não são valores muito elevados, principalmente, se compararmos com os relativos à música. Uma vez mais, estes dados sublinham a centralidade da música na relação do público mais jovem com a rádio e a principal função atribuída ao meio (entreter).

Se nos focarmos na soma das percentagens relativas ao “muitas vezes” e “sempre”, verificamos que em segundo lugar fica o humor (43,4%), em terceiro a previsão do tempo (26,3%), quarto a informação (25,5%) e quinto o desporto (23,7%). À exceção da música e do humor, nas restantes categorias, a percentagem relativa ao “nunca” e ao “raramente” é superior à relativa ao “muitas vezes” e ao “sempre”, o que confirma o lugar de destaque dos conteúdos musicais e humorísticos no consumo radiofónico. Quanto a outros tipos de conteúdos, um estudante identifica a publicidade, dizendo que ouve muitas vezes.

Gráfico 7: Frequência com que ouvem distintos tipos de conteúdo na rádio (N=224)

Em relação às preferências, a RFM é a emissora favorita de 66,1% dos inquiridos que ouvem rádio e 25,4% preferem a Rádio Comercial. Observa-se, então, que os gostos destes adolescentes são semelhantes aos dos jovens entre os 15 e os 24, já que, segundo a Marktest (2016a; 2017a), estas são as duas emissoras mais ouvidas por esta faixa populacional. As restantes emissoras referidas apenas contam com uma resposta cada (0,4%) e são a Antena 1, a Europa FM58, a Hiper

FM, a Kiss FM, a Rádio Renascença e a Rock FM.

Além disso, 3,1% das respostas não são referentes a emissoras, tendo sido indicada uma frequência ou um programa de rádio, e 2,7% dos respondentes à questão disseram mesmo não saber o que era uma emissora. Neste sentido, observa-se um desconhecimento, ainda que pouco significativo, face a este termo59.

Os programas com conteúdo musical e os humorísticos são os favoritos destes adolescentes, tal como era de esperar, pois, como vimos, estes são os tipos de conteúdo mais ouvidos. Todos os indicados são emitidos pela RFM ou pela Rádio Comercial. O Café da Manhã é referido em 27,1% das respostas, sendo este um espaço da programação da RFM que inclui alguns dos outros

58 Importa relembrar que os inquiridos vivem num concelho raiano, o que pode justificar a preferência por uma emissora espanhola.

59 O desconhecimento pode ser apenas relativo ao termo “emissora”. Esta não foi uma questão levantada no pré-teste, pelo que não resultou em

alterações no instrumento final. Contudo, importa referir que, ao longo do desenvolvimento do ateliê (fase que se seguiu ao diagnóstico), não se verificou o mesmo problema com o termo “estação”. Claro que o número de adolescentes presentes no ateliê não é significativo, porém, acreditamos esta informação pode ser útil para futuros estudos.

3,5% 51,8% 46,9% 33,1% 83,4% 50,5% 55,0% 99,6% 5,8% 24,6% 27,7% 23,7% 10,7% 23,2% 25,0% 0,0% 90,6% 23,7% 25,5% 43,4% 5,8% 26,3% 20,1% 0,4% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Música Desporto Informação Humor Fóruns Previsão do tempo Informação de trânsito Outro

programas indicados como, por exemplo, os do Nilton. Mixórdia de Temáticas (14,6%) e os espaços protagonizados pelo Nilton na RFM60 (13,5%) são relativamente populares entre estes

alunos e há uma percentagem considerável de estudantes que não têm programa favorito (19,8%).

Gráfico 8: Espaços/programas de rádio favoritos dos adolescentes (N=96)

Nesta questão foi anulado um elevado número de respostas. Mais de metade dos inquiridos que ouvem rádio demonstram uma falta de conhecimento sobre o que é um programa de rádio (55,3%). Por um lado, 17,9% dos adolescentes dizem não saber o que é um programa de rádio. Por outro, 20,5% indicam uma emissora e 14,7% um tipo de conteúdo como, por exemplo, a música ou as notícias. Assim, pode intuir-se que, nuns casos, existe uma confusão entre aquilo que é um programa e o que é uma emissora e que, noutros, há uma dificuldade em distinguir um programa de um tipo de conteúdo, podendo esta última questão estar associada a uma falta de consciência sobre a organização dos diferentes tipos de conteúdos por blocos programáticos. Além disso, 2,2% das respostas não estão relacionadas com o universo radiofónico, sendo referido, por exemplo, “Morangos com Açúcar”, “MTV” e “Correio da Manhã”.

No nosso entender, esta dificuldade em responder à pergunta poderá estar relacionada com uma atitude passiva face ao meio, sendo a rádio essencialmente utilizada enquanto banda sonora, o que se traduz numa falta de conhecimento. Assim, parece existir alguma proximidade com este medium, por estar presente no quotidiano da maioria dos adolescentes, mas, simultaneamente, intui-se que a relação é frágil. A este respeito importa relembrar que já, num estudo com jovens

60 Não foram distinguidos os diferentes espaços do comediante para efeitos desta análise, já que alguns inquiridos referiram apenas “Nilton na

RFM”. Deste modo, nesta categoria foram incluídas as seguintes respostas: “A tua tia tem bigode”, “Telefonemas do Nilton” e “Nilton na RFM”.

14,6% 4,2% 13,5% 5,2% 3,1% 5,2% 2,1% 27,1% 2,1% 3,1% 19,8% 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% Mixórdia de Temáticas (Rádio Comercial) Rebenta a Bolha (Rádio Comercial) Nilton na RFM 40 minutos de músicas seguidas (Rádio Comercial) 10 músicas seguidas (RFM) Oceano Pacífico (RFM) Top 25 (RFM) Café da Manhã (RFM) Manhãs da Comercial (Rádio Comercial) Outros Não têm programa favorito

espanhóis entre os 14 e os 24 anos, Gutiérrez et al. (2011) tinham concluído que a grande maioria dos inquiridos não conhecia a oferta programática da rádio.

In document (2020–2021) (sider 29-33)