2. Forslag under det enkelte departement
2.11 Finansdepartementet
A rádio ainda tem um lugar na vida dos adolescentes, havendo, no geral, uma visão positiva sobre a mesma e um interesse considerável por projetos de rádio na escola. Porém, existiam algumas fragilidades na relação dos inquiridos com este meio, tal como observamos a partir dos dados obtidos no diagnóstico. Como referimos no início deste capítulo, os participantes no ateliê não se apresentam como uma exceção face ao quadro traçado.
Durante a ação, os estudantes foram convidados a refletir e a discutir sobre diferentes aspetos relacionados com os media, em geral, e com a rádio, em particular, tendo-se despertado a atenção para questões desconhecidas pelos alunos ou sobre as quais nunca haviam refletido. No centro das atividades esteve a criação de conteúdos radiofónicos, pelo que experienciaram o processo de produção, assumiram diferentes papeis e realizaram distintas funções. Foi visível alguma evolução ao longo das sessões e os alunos gostaram do ateliê.
De modo geral, como consequência das atividades, conheceram o funcionamento de uma rádio e as funções dos profissionais envolvidos na produção radiofónica, passando a compreender melhor como se criam os conteúdos mediáticos. Aprenderam como se pode produzir um programa, adquiriram algumas ferramentas para tal e assumiram uma postura crítica face ao seu trabalho. Também houve algum impacto ao nível da expressão oral e escrita e passaram a compreender o que são os direitos de autor e porque devem ser respeitados. Em relação às competências de pesquisa e de seleção de informação, não podemos afirmar com total certeza que evolução houve neste âmbito, mas podemos referir que os estudantes foram ultrapassando a dificuldade inicial em definir o que procurar.
Além disso, foram promovidas outras alterações na relação dos participantes com a rádio. A maioria dos estudantes passou a gostar mais de ouvir, alguns passaram a ouvir mais frequentemente e quase todos disseram ter passado a estar mais atentos ao que ouvem na rádio, ou seja, passaram a ter uma atitude mais ativa. Esta questão é particularmente relevante, pois os dados do diagnóstico indiciavam a existência um consumo predominantemente passivo, dominado pelo ouvir e não pelo escutar. Relativamente à rádio na escola, observou-se que o interesse aumentou face ao existente antes de participarem neste projeto.
Apesar de estarmos cientes de que estes dados apenas dizem respeito à experiência em questão e de que não podem ser de modo algum extrapolados aos restantes inquiridos no diagnóstico, na nossa perspetiva, esta evolução sugere que o ateliê se apresenta com potencial para, em certa medida, reduzir fragilidades da relação dos adolescentes com a rádio e para gerar ou incrementar o interesse por projetos de rádio na escola, incentivando, assim, à participação.
Através da ação, foi também possível sensibilizar para a importância do som e fomentar a capacidade de escuta. Desenvolveu-se a capacidade de trabalho em grupo e a responsabilidade e facilitou-se a aquisição de conhecimentos sobre o meio envolvente. Os estudantes adquiriram protagonismo, ultrapassando-se, em alguns casos, a vergonha e a timidez e promovendo-se a autoestima.
Em suma, perante o descrito ao longo do capítulo e sintetizado neste ponto, podemos afirmar que a ação cumpriu os seus objetivos gerais. Sensibilizou-se para a importância do som e da rádio e favoreceu-se a aquisição de competências mediáticas.
Conclusão
Conscientes da atual importância da Literacia Mediática para o exercício da cidadania, propusemo- nos a olhar para o potencial da rádio na promoção de competências neste âmbito em contexto escolar. A investigação acabou por seguir o caminho que nos pareceu mais adequado em função dos seus objetivos, mas também dos contingentes temporais e de todo o contexto em que a mesma se inseriu. Como fomos salientado ao longo desta dissertação, no centro deste projeto de investigação-ação esteve a dinamização de um ateliê de comunicação radiofónica com uma turma de 23 alunos do 8º ano. O plano de trabalhos proposto foi sempre guiado pelos objetivos definidos para este estudo e, chegados a estas últimas páginas, é precisamente a estes guias que importa retomar, pois cabe-nos agora fazer uma reflexão sobre o modo como estes foram alcançados. Quanto à relação das crianças com a rádio, destacamos que este meio faz parte do quotidiano dos adolescentes, pelo que não é de o descurar no campo da Educação para os Media. Apesar de diversos estudos apontarem para um afastamento do público mais jovem da rádio (Gutiérrez et al., 2011; McClung, Pompper & Kinnally, 2007; Meneses, 2011a; Meneses, 2015, por exemplo), de modo geral, pode dizer-se que esta está presente na vida dos adolescentes inquiridos no âmbito deste estudo. Além disso, a maioria gosta de ouvir rádio e tem uma visão positiva do meio. Deste modo, e mesmo cientes de que os resultados obtidos não podem ser extrapolados à população, estes dados levam-nos a concordar com Bonixe (2015) quando este refere que “não se deve descurar a identificação e proximidade das crianças com o meio” (p. 156).
O consumo radiofónico é mais associado a uma lógica de entretenimento, a música e as viagens de carro assumem particular importância nas práticas dos estudantes e a relação com a rádio na internet é fraca. Os dados indicam que o meio é, essencialmente, utilizado como banda sonora das viagens de carro e de algumas atividades específicas como a realização dos trabalhos de casa ou a prática de exercício físico. Estes cenários poderão estar relacionados com um consumo predominantemente passivo, situado no patamar do ouvir e não do escutar. É aqui que, no nosso entender, reside a explicação para alguma falta de conhecimento sobre o mundo radiofónico. Relativamente aos projetos de rádio na escola, entre os respondentes do questionário, há um interesse considerável e não é habitual a participação em rádios, nem o envolvimento destes estudantes na produção sonora, o que sublinhou o interesse em projetos desta natureza.
Através do presente estudo, é ainda visível o impacto deste tipo de projetos naqueles que neles participam, sendo aliás neste ponto que reside uma conclusão central desta dissertação: através do ateliê de comunicação radiofónica, foi possível, em certa medida, sensibilizar para a importância do som e da rádio e favorecer o desenvolvimento de competências mediáticas. A relação dos adolescentes com o som sofreu alterações, já que, de modo geral, pode dizer-se que foi fomentada a capacidade de escuta e que a maioria dos participantes passou a valorizar mais os produtos sonoros. Quanto à rádio, promoveu-se, em certa medida, o gosto pelo meio e o interesse por projetos de rádio na escola. Além disso, pode aferir-se que a grande maioria dos alunos passou a ter uma atitude mais ativa perante o meio, pois passou a estar mais atenta ao que ouve. Ou seja, a relação com a rádio sofreu mudanças face ao observado no diagnóstico. No que diz respeito ao desenvolvimento de competências mediáticas, na generalidade, os estudantes passaram a compreender melhor o funcionamento de uma rádio, ficaram a perceber como se produzem produtos radiofónicos e a saber quais as funções dos principais profissionais do meio, aprenderam como se pode criar um programa e adquiriram algumas ferramentas para tal, desenvolveram a expressão oral e escrita e passaram a compreender o que são os direitos de autor e porque devem ser respeitados. Os alunos mostraram-se ainda capazes de assumir uma atitude crítica face ao trabalho que desenvolveram. No que diz respeito às competências de pesquisa e de seleção, por falta de dados, não podemos afirmar de forma segura que evolução houve. Apenas podemos referir que os estudantes foram ultrapassando a dificuldade inicial em definir o que procurar.
Interessa ressalvar que não trabalhamos com um grupo complemente homogéneo de alunos e que estes diferem, obviamente, entre si, pelo que, consequentemente, estivemos perante diferentes gostos, níveis de empenho e de interesse. Além disso, cada aluno reage à sua maneira, pelo que o ateliê não teve igual impacto em todos os estudantes. Ainda assim, fazendo um balanço geral, concluímos que foi possível contribuir para o desenvolvimento de competências mediáticas, quer ao nível da aquisição de conhecimentos, quer do desenvolvimento da compreensão crítica e das competências comunicativas e de produção criativa. No centro das atividades esteve a criação de breves produtos radiofónicos, pelo que destacamos o potencial da produção radiofónica neste âmbito, o qual também é observável, por exemplo, a partir das experiências relatadas por Condeza (2005), por Günnel (2009) e por Todorova (2015).
Com esta ação, foi também potenciado um conjunto de aprendizagens que vão para além dos objetivos da Educação para os Media como a capacidade de trabalho em grupo, a responsabilidade e a aquisição de conhecimentos sobre o meio envolvente. Através desta experiência os alunos despertaram ainda para a possibilidade de serem os atores do processo de aprendizagem. Foram colocados no centro do processo e das decisões, participaram ativamente e foram protagonistas. A timidez, a vergonha e a ideia de que teriam “falta de jeito” para participar numa rádio foi, em muitos casos, ultrapassada. A experiência constitui-se como um estimulo à participação, consolidando o direito destes adolescentes à participação e à expressão. Podemos, então, afirmar que a reflexão de Urgoiti (2011) é aplicável também ao contexto escolar. Tal como expõe o autor, a rádio pode ser uma ferramenta capaz de consolidar os direitos globais das crianças.
Aproveitando-nos da interessante comparação apresentada Frau-Meigs (2008) quando se refere à Educação para os Media, podemos, em última análise, dizer que esta ação se constituiu, ainda que de forma limitada, como parte de uma “jornada para o empoderamento” (p. 173). Ressalvamos, a este respeito, que uma única experiência nunca será suficiente para que se atinjam elevados níveis de Literacia Mediática.
O ateliê de comunicação radiofónica apresentou-se como um modelo capaz de promover a Literacia Mediática e, simultaneamente, a participação e a cidadania. Os estudantes adquiriram ferramentas para compreender a cultura mediática que os rodeia e para comunicar e criar conteúdos, podendo aproveitar o potencial dos media para terem voz e beneficiar das oportunidades teorizadas por Jenkins et al. (2009) relativas à cultura participativa. O desenvolvimento das diferentes competências reverteu ainda para a construção da cidadania destes adolescentes. Afinal, tal como exploramos no ponto sobre a Educação para os Media, a Literacia Mediática é essencialmente uma questão de cidadania (Livingstone, 2004; Pinto et al., 2011, por exemplo). Aliás, é, atualmente, considerada “uma das condições essenciais para o exercício de uma cidadania activa e plena, evitando ou diminuindo os riscos de exclusão da vida comunitária” (Recomendação da Comissão Europeia de 20 de agosto de 2009).
Apesar de os participantes terem gostado da experiência, face aos dados da avaliação, pensamos que a utilização da rádio na escola durante mais tempo e fora de uma segmentação horária tão rígida, como a resultante do desenvolvimento do projeto durante as aulas, poderia ser mais proveitosa. A existência de condições ideais para a gravação, nomeadamente de um estúdio,
também poderia ser benéfica. Contudo, queremos sublinhar que, num projeto desta natureza, interessa mais o processo do que o produto final. Afinal, como explica Pereira (2000a), os trabalhos práticos são um meio para chegar a uma compreensão crítica dos media e não um fim em si mesmos.
Mesmo limitada no tempo, no número de participantes e circunscrita num contexto específico, esta experiência é indicativa do potencial da rádio. Neste sentido, concordamos com Baltar (2008) quando este refere que a implementação de um meio radiofónico na escola pode funcionar como um contraponto em relação ao discurso mediático convencional, facilitando a sua compreensão. Aliás, como afirma Bonixe (2015), “a rádio deve ser vista como um excelente incentivo para a aprendizagem e conhecimento do mundo e da linguagem dos media” (p. 156).
Deste modo, e recordando, uma vez mais, que com a internet se abrem novas possibilidades de participação, entendemos que, na linha do que aponta Cordeiro (2015), a rádio, na sua transição para a web, se pode transformar “numa ferramenta dinamizadora de uma nova cidadania que recorre às ferramentas disponíveis online para transformar os receptores da comunicação em intervenientes e, mesmo, produtores de comunicação” (p. 282).
Como é óbvio, não existe um modo único e específico de desenvolver as competências e cada indivíduo tem o seu ritmo e reage de maneira diferente. Porém, de acordo com o supracitado, o trabalho em torno da rádio pode apresentar-se como uma boa estratégia para a implementação da Educação para os Media em contexto escolar e do próprio Referencial de Educação para os Media, sendo possível, através da comunicação radiofónica, cumprir alguns dos seus objetivos. Um trabalho deste tipo poderá ainda contribuir para o desenvolvimento das competências da área da informação e da comunicação apresentadas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (DGE, 2017). Este documento foi homologado depois de concluída a dinamização do ateliê, pelo que não esteve na base do mesmo. Ainda assim, face ao descrito sobre as potencialidades da rádio, no geral, e do ateliê, em particular, entendemos que o trabalho com este meio poderá ser um aliado no desenvolvimento desse perfil.
Parece-nos também que, nas escolas, há realmente um lugar para estas atividades. Porém, ainda há um caminho a percorrer para que as mesmas possam ser uma realidade, sendo, para isso, a formação e a sensibilização dos professores absolutamente essenciais. Afinal, os docentes são atores centrais no contexto escolar, podendo ser motores da implementação da Educação para os
Media, já que, por iniciativa própria, podem desenvolver este tipo de ações. Todavia, é necessário que os mesmos estejam conscientes da sua importância e que tenham ferramentas para as desenvolver. É, então, necessária uma sensibilização para o papel da Educação para os Media nas escolas e para as possibilidades de implementação da mesma, designadamente através da exploração do Referencial de Educação para os Media.
Neste âmbito, consideramos que a academia e as empresas mediáticas também podem ter um papel, nomeadamente através do estabelecimento de parcerias com as escolas. Relativamente à academia, parece-nos importante, por exemplo, a partilha de informação entre os investigadores e os atores presentes nos estabelecimentos de ensino, bem como o desenvolvimento de projetos de investigação-ação com os protagonistas destes espaços. Ressalvamos, contudo, que estas ideias não são originais, pois na Declaração de Braga foram apresentadas propostas nesta linha. Já as empresas mediáticas podem ter um papel mais ativo neste campo através da promoção das rádios escolares ou mesmo do desenvolvimento de projetos em colaboração com os estabelecimentos de ensino. Quanto à promoção das rádios escolares, poderia ser interessante, por exemplo, o desenvolvimento de uma rúbrica para as crianças apresentarem as suas emissoras. Este espaço serviria, aliás, múltiplos propósitos, já que os mais novos teriam a oportunidade de contactar com uma emissora profissional, de ter voz na mesma e ainda de divulgar a sua rádio escolar, pelo que, no nosso entender e tendo em consideração a função dos meios do serviço público, este espaço poderia até ter um lugar na grelha de programação das emissoras do grupo RTP. A nível nacional, poderia ainda ser lançado um concurso para as rádios escolares ou um outro que incentivasse as crianças a produzir programas de rádio na escola, os quais poderiam ser posteriormente emitidos pelas próprias estações. A nível regional e local, os meios de comunicação poderiam ter um papel ainda mais ativo, criando, em parceria com as escolas, um espaço na sua programação que contasse com a participação de crianças, podendo os profissionais desses meios colaborar com os mais novos na criação desses mesmos produtos. Por último, sem distinção entre emissoras nacionais ou regionais, a rádio poderia abrir-se mais à escola e a escola à rádio, ou seja, seria interessante aumentar as possibilidades para os mais novos visitarem as emissoras e para os profissionais visitarem as escolas e desenvolverem, por exemplo, um workshop.
O possível papel da academia e dos meios de comunicação não descarta, todavia, a evidente necessidade de formação dos docentes para que este tipo de projetos ou quaisquer outros com
os objetivos da Educação para os Media sejam uma realidade nos estabelecimentos de ensino. Aliás, não podemos deixar de sublinhar que a formação de professores e educadores é “um ponto crítico e decisivo para a efetivação e tradução prática” do Referencial de Educação para os Media (Pereira et al., 2014, p. 7). Ou seja, a Educação para os Media nunca será uma realidade em todas as escolas como consequência direta da existência do Referencial, apenas o será se existirem atores que transformem o documento em ações. Não queremos, no entanto, desvalorizar a importância deste guia. Aliás, este é, na nossa perspetiva, um excelente auxiliar para todos aqueles que pretendam desenvolver uma atividade ou um projeto neste âmbito.
Referimos, ao longo desta dissertação, que, nos primeiros anos de ensino, o Referencial dá prioridade a outros meios de comunicação, como a televisão, e que os descritores de desempenho do ensino secundário relativos à rádio se podem estender, no nosso entender, ao 3º ciclo, principalmente, tendo em conta a facilidade associada à produção radiofónica. Não fazemos, porém, esta consideração como uma crítica ao mesmo. A elaboração de descritores tendo em consideração todos os media exige necessariamente uma seleção. Além disso, o próprio documento não se apresenta como uma receita, mas sim como uma referência para este tipo de trabalho pedagógico neste campo.
Pela nossa experiência, podemos dizer que os objetivos apresentados nesse guia ajudam a definir o plano a seguir num projeto desta natureza, auxiliando tanto estes como os descritores de desempenho no acompanhamento e na avaliação da própria ação. O enquadramento da temática, apresentado nas páginas iniciais, e a lista de bibliografia e de recursos, apresentados no final, são particularmente úteis, especialmente para aqueles que não têm qualquer experiência na área. Não obstante, consideramos difícil a implementação deste Referencial sem qualquer formação e, sobretudo, sem qualquer sensibilização.
Para terminar, queremos ressalvar que esta investigação apresenta um conjunto de limitações. Em primeiro lugar, as opções metodológicas deste estudo acarretam um elevado grau de mediação. Em relação à observação participante, mesmo procurando manter-nos fiéis às observações, admitimos que as notas de campo possam refletir alguma subjetividade, pelo que os dados apresentados são a nossa visão sobre o sucedido, a qual, por depender do olhar de um único sujeito, será sempre limitada. Por outro lado, a própria análise quer dos dados resultantes da observação, quer dos recolhidos durante a avaliação da ação exigiu uma seleção e
interpretação, que dificilmente serão neutras. Salientamos também que as interpretações apresentadas nunca serão as únicas possíveis, nem esgotam a riqueza da informação recolhida. Em segundo lugar, o estudo está intimamente associado a todo o contexto em que decorreu e que necessariamente o condicionou. A este propósito, queremos fazer uma ressalva acerca da observação. Como esclarecemos no capítulo 5, o elevado número de grupos e o curto período de tempo impediu um acompanhamento cuidado da pesquisa feita por cada grupo, pelo que não obtivemos dados suficientes para precisar as condições exatas em que decorreu. Poderá ainda ter-nos escapado algum outro pormenor relevante, porque a memória nos traiu ou porque não o conseguimos observar, afinal durante as sessões não nos estávamos a dedicar somente à recolha de dados.
Resta-nos, agora, apontar alguns possíveis caminhos para futuros estudos. No âmbito da investigação-ação, seria interessante complementar este trabalho com um novo ciclo de planificação, ação, observação e reflexão em função dos resultados aqui descritos, de modo a observar se os mesmos melhorariam a intervenção, contribuindo, assim, para o refinamento de um projeto que possa ser aplicado em contexto escolar com vista a contribuir para a promoção da Literacia Mediática através da comunicação radiofónica. Face à escassez de dados exaustivos que permitam fazer um mapeamento sobre as iniciativas que envolvem a rádio nos estabelecimentos de ensino, um estudo sobre esta realidade poderia ser relevante, podendo, inclusive, a riqueza das experiências já desenvolvidas auxiliar ou inspirar a criação e a dinamização de outras. Por último, a promoção de uma reflexão mais alargada e uma exploração em profundidade da relação das crianças com o som e com a rádio parece-nos importante, pois não é justificável a marginalização da rádio nos trabalhos de natureza científica neste campo. Apesar das limitações, esperamos, contudo, que esta investigação possa ser um contributo, ainda