3. TEORETISKE PERSPEKTIVER
3.6 K ULTURBEGREPER I EN MANGFOLDIG VERDEN
Ao analisar a Figura 14 e a Figura 15, percebe-se que a palavra “saúde” (ch2152,66)
formou o ramo principal, que está no centro da árvore. Ao redor dela ainda tem a divisão de 6 outras categorias. Pode-se destacar que a palavra “saúde” liga-se às expressões “conselho tutelar” e “assistência social”, “educação” e “justiça”.
Figura 14 – Análise de similitude da classe 2. Fonte: Criado pela autora.
Figura 15 – Grafo de similitude da classe 2. Fonte: Criado pela autora.
Figura 16 – Nuvem de palavras da classe 2. Fonte: Criado pela autora.
Trecho no qual consta a expressão “conselho tutelar”:
“Fazemos muito isso, é mais com o pessoal do conselho tutelar. Que os pais estão em uso. Mais é o conselho tutelar que busca isso” (Profissional n. 1, comunicação pessoal, Nov. 2014).
No trecho acima, a entrevistada afirma que o CAPS AD II acaba atuando muito com o Conselho Tutelar por determinação judicial, pois, nos casos em que os pais são usuários de álcool ou outras drogas, é comum a justiça determinar acompanhamento no CAPS AD II. Contudo, questiona-se se essa “parceria” pode ser chamada de rede intersetorial, visto que o papel dessa relação institucional é restrito e determinado pela justiça. Apesar dos avanços na atenção dos usuários de álcool e outras drogas na história brasileira, essa situação ainda nos retoma a fala de Pinho (2009) quando ela cita o período que antecedeu a Reforma Psiquiátrica, no qual a medicina e o Direito dividiam a atenção aos usuários de drogas. Com esse olhar crítico, percebe-se, na fala da entrevistada, o papel da Lei n. 11.343/2006, pois os pais são encaminhados pela justiça como uma forma de punição. Como afirmam Penso (2009) e Santoucy et al., (2010), ao usar drogas o indivíduo não receberá uma pena privativa de liberdade, mas ainda receberá uma pena restritiva de direitos, pois o uso de drogas continua sendo uma infração de acordo com a legislação brasileira.
Em outro trecho, a entrevistada relata como ocorre a “parceria” com a assistência social:
“(...) Mas quando você corre muito atrás, porque é como eu falei são pessoas vulneráveis, mas a assistência lida também com pessoas muito vulneráveis. Então, sempre existem as prioridades. Às vezes temos um paciente que faz um bico e eles têm lá um usuário que não tem renda nenhuma, que está
abaixo da linha de pobreza, então existem as prioridades, fica difícil a inserção em programas que gerem uma renda para proporcionar autonomia” (Profissional n. 11, comunicação pessoal, Nov. 2014). Vale ressaltar que saúde não significa simplesmente ausência de doença (Organização Mundial da Saúde, 1946), ou abstinência. Mais que isso, saúde significa trabalho, renda, lazer (Brasil, 1994; Tulloch et al., 2008). Com uma rede desarticulada sem um real apoio intersetorial é difícil fazer de saúde, tratamento e reinserção do usuário de álcool e outras drogas.
A palavra “intersetorial” aparece com um ch2 (10,64) muito baixo e não significante, demonstrando que ela não tem relevância na classe quando comparada com outras palavras. Esse fato leva ao questionamento da rede, de como ela está se estruturando em torno do CAPS AD II e nos faz retomar as palavras de Sanicola (2008), quando ela afirma que atuações isoladas podem gerar a desresponsabilização do território e a dependência no usuário.
Apesar do trabalho intersetorial não ser o padrão nos CAPS AD II e não aparecer de forma significativa nos cálculos estatísticos, uma profissional relata os benefícios que ocorrem quando ele acontece.
“Acabamos descobrindo nas reuniões, temos reunião de rede (...) nós fomos descobrindo que aquele cidadão que usava álcool também tinha outros problemas de saúde e estava sendo atendido pelo centro de saúde, estava sendo atendido no hospital e chegamos a fazer visita conjunta também, se necessário (...). Mas foi isso que aconteceu, descobrimos em reunião que era um caso comum. Tem vários na realidade e começamos a fazer um trabalho conjunto. Acho que o NASF e o hospital são (parceiros), tem o conselho tutelar por que temos muito caso de conselho tutelar, a assistência com certeza, SEDEST, CRAS, aqui temos só o CRAS e o CREAS” (Profissional n. 6, comunicação pessoal, Nov. 2014).
Um estudo realizado em três cidades nórdicas Stavanger, na Noruega; Umea, na Suécia e Aarhus, na Dinamarca também demonstraram os benefícios do trabalho em rede e dos serviços interconectados. Nos locais pesquisados, para desenvolver os serviços, os funcionários atuam em várias unidades da rede para ter acesso a novas ideias, organizam e participam de oficinas em nível local, nacional e internacional. Cada serviço é também um centro de pesquisa e estudo (Næss et al., 2014). Os resultados obtidos nesta pesquisa são coerentes com a recomendação do Ministério da Saúde a respeito da importância de um trabalho verdadeiramente interdisciplinar e intersetorial.
A análise dessa classe deixa claro que, apesar do Distrito Federal ter vivido avanços reais por meio da Lei n. 10.216/2001, Portaria GM/MS n. 336/2001 e da Portaria n. 3.088, com a implementação dos CAPS AD II, essa Política precisa avançar para que se construa uma rede verdadeiramente intersetorial.
Para que seja atuante e funcional, a equipe de referência requer uma instituição e formas de atuar que pactuem com o modelo da clínica ampliada, do trabalho intersetorial e com o novo modelo psicossocial apresentado pela reforma psiquiátrica, que rompe totalmente com o modelo médico centrado e hospitalocêntrico. Nessa nova lógica, é necessário espaço coletivo, de vínculo e diálogo para discussão de casos clínicos, sanitários ou de gestão (Brasil, 2009; Campos & Domitti, 2007).
4.3 CLASSE 3 (VERDE) − “REDUÇÃO DE DANOS - ESTRATÉGIAS ESPECÍFICAS OU