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9.   RESULTATER,  BETYDNING  OG  VISJONER

10.3   Intern  rekruttering  og  kvalifisering

10.3.1   Hva  med  de  unge?

Com uma extensa obra, que abarca diversos temas, Henri Bergson foi um dos filósofos fundamentais do século XX. Em seu ensaio intitulado A Evolução Criadora (1979, p.160,) o autor sustenta que “não há manifestação essencial da vida que não nos apresente, em estado rudimentar ou virtual, as características das outras manifestações”. Segundo ele, a totalidade possui a mesma natureza do indivíduo, de um movimento, um impulso de liberdade criadora que se insere e transforma a matéria incessantemente, de sorte que a distinção entre espaço e duração possui um alcance ainda maior e certamente mais valioso que diz respeito à nossa própria existência. Ele alega que o movimento evolutivo seria algo simples se a vida descrevesse uma trajetória única, comparável à parábola descrita por uma bola de canhão, mas que estamos tratando de algo como uma granada que explodiu em fragmentos destinados a explodir de novo e assim por diante durante muito tempo. “Só percebemos o que está perto de nós, os movimentos espalhados dos estilhaços

pulverizados. É a partir deles que devemos voltar, paulatinamente, até o movimento original”.

Bergson (1979, p.205) menciona a tendência que cada ser carrega em si enquanto potencial, como uma planta, por exemplo, que mesmo distinta de um animal por sua fixidez e insensibilidade, possui ainda movimento e consciência adormecidas nela como lembranças que podem despertar, assim como um animal pode ser desviado para uma vida vegetativa. As duas tendências penetravam-se no início, assim como acontece com a inteligência e o instinto. Sendo assim, ele conclui que existe uma corrente de existência e uma corrente antagônica, de onde se origina toda a evolução da vida. Para encontrar uma fonte comum dessa oposição, no entanto, entraremos ‘nas mais obscuras regiões da metafísica’, afirma o filósofo. Mas, considerando que “as duas direções encontram-se marcadas na inteligência, por um lado e, por outro, no instinto e na intuição, “o espetáculo da evolução da vida sugere- nos certa concepção do conhecimento e também certa metafísica que se implicam reciprocamente. Uma vez destacadas, essa metafísica e essa crítica poderão derramar alguma luz, sobre o conjunto da evolução”.

Para a discussão sobre ‘fundo comum’, interessa a noção de evolução, de origem, da colaboração dessa combinação de filosofia, de crítica e de metafísica que Bergson propõe aqui. Ele ainda afirma que o corpo extrai do meio material ou moral o que pode influenciá-lo, o que lhe interessa, ideia que também se alinha à concepção de Lecoq, baseada no mimismo de Jousse, mencionado anteriormente. E Bergson salienta, naquilo que concerne à experiência real do tempo, do espaço e do corpo, a importância do corpo como elo presente entre passado e futuro, e da consciência como o local onde se evidencia que a realidade é duração, onde se unem a experiência e a intuição.

Assim como Bergson estabelece tais relações com a natureza, ainda que de outro ponto de vista, existem diversos aspectos que se entrecruzam e que ecoam alguns dos fundamentos da visão de Lecoq, entre os quais proponho associações com a filosofia oriental através de alguns pressupostos dos estudos de Vedanta.

Vedanta é o conhecimento contido no final dos Vedas, os textos chamados de

Upanishads. Outros textos de Vedanta são a Bhagavadgita, o Brahmasutra e os Prakaranagranthas, textos que também exploram temas de estudo de Vedanta

essencial através de seu método de escutar as palavras de ensinamento diretamente de um mestre, depois refletir sobre o que foi escutado e contemplar o que foi escutado e refletido, sendo, portanto, a meditação concomitante ao estudo. Segundo Glória Arieira30, Vedanta não é um sistema filosófico, nem tampouco uma religião, mas uma tradição de ensinamento transmitido de mestre a discípulo num fluxo perene desde tempos imemoriais. Assim como não podemos dizer o que veio primeiro, se a árvore ou a semente, é impossível delinear um começo para esse ensinamento.

O ensinamento do Vedanta – que significa "a meta de todo o conhecimento" – é um desdobramento claro e profundo dessa verdade essencial e única, sobre a identidade do indivíduo, aquele que busca o Ser Ilimitado. Baseia-se nas leis espirituais imutáveis que são comuns às tradições religiosas e espirituais ao redor do mundo, em que essa meta se referiria a um estado de autorrealização ou de consciência cósmica. Vedanta menciona a ideia de fundo comum que é Iswara – que pode ser traduzido por deus –, que é o todo manifestado. Para o Vedanta, não há separação entre o Eu e o Todo, não há um círculo fechado ao redor de um Eu: o indivíduo está dissolvido no todo, somos constituídos de uma mesma matéria, os elementos estão todos em comunicação, “nosso corpo é poeira de estrelas”. Ao invés de deus, pode-se considerar consciência ou vida.

O ensinamento central dos Upanishads, coletânea de escritos fundantes da filosofia hindu que encontram-se nos livros dos Vedas, como aponta Frawley (1982), é justamente sobre a unidade de todas as coisas. As várias forças ou princípios ali colocados são maneiras de demonstrar tal unidade. São considerados cinco os elementos básicos – espaço, ar, água, fogo, terra –, que são tomados como uma sofisticada ferramenta para compreender por analogia a unidade de todas as coisas no

self, que é a vastidão da verdadeira visão dos fenômenos da vida. A unidade de todas

as coisas pode ser reduzida a esses elementos, uma vez que compreendemos que tudo o que existe são meras combinações desses elementos, então podemos vislumbrar a unidade em toda manifestação, contanto que tomemos essa analogia num sentido simbólico, como os antigos faziam, e não apenas no sentido científico. Os cinco

30 Gloria Arieira é Diretora Presidente da escola Vidya Mandir Centro de Estudos de Vedanta e

Sânscrito. Estuda desde 1974 com Swami Dayananda, que tornou-se seu mestre de quem escuta os ensinamentos. Responsável pela tradução de vários livros,ministra aulas de Vedanta e de sânscrito em sua escola no Rio de Janeiro. É professora de Maria Nazaré Cavalcanti, ex-integrante do grupo Tear de teatro (PoA), minha professora de ioga e de Vedanta. (http://www.vidyamandir.org.br, acesso em 19/12/12)

elementos são utilizados para ajudar a direcionar a mente gradualmente, abordando por vários ângulos e por nomes diferentes a experiência do Todo. Se essa unidade última será chamada de espaço, de água, de Atma, de Brahma, de olho do sol, de comida ou de graça, pouco importa, somente importa a questão de que tudo é compreendido como uma unidade no seu sentido interno.

Trata-se, em última análise, da universalização desses princípios. Por exemplo, quando você entra em uma sala vazia, ela não está vazia, está cheia de ar. O ar está em contato com o seu corpo e está em contato com as paredes, que estão em contato também com o ar externo àquele espaço, todos constituídos de matéria diversas, com elementos organizados de maneiras diferentes, átomos empacotados com tensões próprias que vão diferi-los enquanto conjuntos, mas que no fundo são todos uma coisa só. A água, seja no mar, no gelo das geleiras ou nas ondas, é sempre a mesma “sopa” de elementos químicos sob influência física, com variações aqui e ali que vão diferenciá-los, mas que possuem o ‘fundo comum’ de serem água, e que somos capazes de identificá-la como tal, e de buscar apreender a noção de ‘água de todas as águas’.