4. MEGLERFUNKSJONEN
4.3 Mer fokus på andre utdanningsnivå
4.3.1 Fagskoleutdanning
A nossa identidade é formada por múltiplos elementos dinâmicos que vamos adquirindo na vida, enquanto outros desaparecem, cobram protagonismo ou ficam em um segundo plano. Segundo Amin Maalouf (2007, p. 18-19), “todas as experiências e sentidos que damos aos diferentes aspectos da nossa vida (religião, língua, atividade laboral, etc.) configuram nossa identidade. Mas esta muda no tempo de acordo com nossas próprias vivências.” Sobre este aspecto, para Luis Mujica (2007, p. 14):
Cada pessoa que diz ser parte de uma comunidade pode participar – e de fato participa - em visões do mundo, costumes, regras de comportamento, gostos artísticos e culinários, crenças e formas de viver. Todos estes elementos mudam com o tempo e com as relações sociais que se estabelecem.
Agora, quando falamos em identidade cultural, pode-se afirmar que esta é formada em oposição à dos outros grupos com os quais se está em contato (CUCHE, 2002, p. 182). Neste sentido, “a identidade existe sempre em relação a uma outra. Ou seja, identidade e alteridade estão ligadas em uma relação dialética” (CUCHE, 2002, p. 183). Portanto, a relação com o outro, com o diferente é fundamental para a formação e a permanente transformação das identidades. Neste contato, a interculturalidade cobra sentido.
83 Apesar dos mestiços não constituírem uma cultura no sentido estrito, todos os participantes mestiços moravam na cidade de Pucallpa e tinham suficientes elementos em comum como para poder representar seus costumes ou “características culturais”.
Durante a experiência, conversei com muitos amigos indígenas e lhes perguntava qual era a essência (se existe uma) do ser indígena, qual é a diferença com os mestiços. A maioria dava respostas como “a língua” ou “a cultura”, mas não conseguia maior profundidade.
Tanto a formação das identidades quanto a eleição dos elementos a serem mostrados, estão diretamente relacionados com o contexto e com as distintas formas de discriminação. Percebi que os participantes da oficina têm estratégias para poder sobreviver tanto na cidade quanto nas comunidades. Prefiro utilizar esses polos (comunidade – cidade) mais do que cultura ocidental e cultura tradicional já que, por um lado, todas as culturas tradicionais possuem uma forte influencia da cultura ocidental levada principalmente pela igreja, o sistema educativo, a televisão e outros meios de comunicação, e, por outro, são espaços geográficos opostos entre os quais transita a maioria dos participantes das oficinas.
A forma que utilizam os jovens indígenas para sobreviver na cidade é a adaptação. Na cidade, eles adotam as formas e valores dos mestiços, como no caso de Robert:
O que eu utilizo: calça, sapato, tudo... é dos mestiços. Então eu sempre digo: exteriormente sou mestiço. Por que? Pela vestimenta. Mas interiormente sou Awajun, pela minha língua. […] Quando estou numa cidade, não vivo como Awajun. Mas se onde vou estar, existe um grupo de mestiços, eu tenho que viver também como mestiço. [...] Mas quando vou no meu povo, já como comida da minha cultura, falo minha língua, faço atividades, ou seja, programo minga84, tudo isso (informação verbal)85.
A professora Haydeé, confirma isto: “Desde o momento que [o estudante indígena] está na zona urbana e trabalha aí, estuda aí, não se sente mais parte desse mundo [do seu mundo de origem], até quando regressa para seu povoado, sua casa”86.
Apesar desta adaptação que fazem para viver na cidade, os participantes indígenas das oficinas tinham muito carinho e respeito por seus costumes e sua cultura. Inclusive, alguns deles vêm a possibilidade de serem professores como um caminho para poder transmitir na escola os costumes ancestrais da sua cultura. Esta valoração cultural foi percebida por Jimmy,
84 A Minga é o trabalho coletivo nas comunidades
85 UGKUSH, R. 2011. “Yo lo que uso: pantalón, zapato, todo… es de los mestizos. Entonces, yo siempre digo:
‘exteriormente yo soy mestizo’.. ¿Por qué? Por, por la vestimenta. Y pero interiormente soy Awajun por mi idioma. […] Cuando estoy en la ciudad, no vivo como Awajun. Pero si, si yo donde voy a estar, un grupo de mestizos, yo tengo que vivir como mestizo también. […] Pero yo donde me voy en mi pueblo, ya pues, como comida de mi cultura y converso mi, mi idioma y me voy a unas actividades, o sea, programo minga, todo eso.”
86PANDURO, H. 2011. “Desde el momento que ya está en una zona urbana y trabaja ahí, estudia ahí, no se
siente ya parte de ese mundo[de su mundo de origen] sino ya hasta cuando regresa otra vez a su pueblo, a su casa.”
estudante mestiço de engenharia: “a maioria gosta de ser realmente de onde são, não têm vergonha de dizer sua origem” (informação verbal)87. Sem embargo, ao mesmo tempo, todos os participantes indicam que têm colegas que negam sua origem indígena por vergonha.
Em um dos encontros da segunda oficina, formou-se um grupo da cultura Awajun, um grupo de mestiços e um terceiro grupo com integrantes de diferentes grupos étnicos. O ponto de partida era representar sua cultura. O grupo Awajun apresentou uma cena em que um homem convida seus vizinhos para trabalhar na sua chácara. Todos aceitam. No dia seguinte chegam, bebem masato88 e trabalham a terra. No final do trabalho comem, bebem e dançam. Os
Awajun mostraram como característica cultural o espírito de colaboração, o trabalho coletivo e recíproco e a celebração misturada com o trabalho, através de uma atividade tipicamente rural que é a limpeza da chácara.
A cena toda foi realizada em língua awajun e, apesar disso, os mestiços a entenderam bem e conseguiram explicá-la. Os mestiços da amazônia, mesmo moradores da cidade, têm certo conhecimento sobre o que acontece no âmbito rural.
Os mestiços apresentaram uma cena de preparação da festa de 15 anos de uma moça. Ela era muito mimada e exigia tudo de seus pais. Ela tinha visto na televisão que havia uma empresa que organizava festas e decidiu que queria isso para seus 15 anos. Os pais tinham muito dinheiro, falavam por celular, tinham carro com motorista. Eles fazem tudo o que a filha pede. A festa é um sucesso. A análise desta cena se focou no costume de celebrar os aniversários, principalmente dos 15 anos, já que as culturas indígenas não têm esse costume, e no amor que os pais tinham pela filha. John, estudante mestiço de engenharia, que foi um dos atores, mencionou que queriam mostrar como os mestiços utilizam a tecnologia: celulares e carro. Pode-se ver nesta cena o tema do dinheiro, da influência da mídia, da necessidade de ter status social, e a ênfase no individual. Tudo gira em torno dos desejos da moça, e não do coletivo.
O terceiro grupo não podia fazer uma cena sobre sua cultura, já que eram de culturas diferentes. Eles criaram, livremente, uma cena sobre discriminação que será descrita mais adiante.
87 ACUÑA, J. 2011. “La mayoría se quieren realmente de dónde son, no tienen vergüenza de decir su origen.” 88Bebida alcoólica feita em base a mandioca fermentada.
A proposta inicial era justamente trabalhar a partir da identidade. Neste sentido, ao representar sua cultura, ao conhecer mais sobre outras culturas, ao contar histórias próprias, ao pesquisar temas importantes para cada um, ao lembrar jogos e histórias da infância (que aconteceu quando trabalhamos a partir de objetos), intrinsecamente, consciente ou inconscientemente, está se trabalhando a identidade. Porém, tão importante quanto propor um caminho para realizar o trabalho é estar aberto e atento às propostas do grupo e do próprio processo. Isto nos levou, quase naturalmente e principalmente na segunda oficina na qual havia uma maior variedade étnica, ao tema da interculturalidade.