9. RESULTATER, BETYDNING OG VISJONER
10.2 Ekstern rekruttering
Iniciemos com as ciências naturais, o universo dinâmico de Lecoq. No vídeo de Roy e Carasso (1999), Lecoq fala de sua paixão pela cristalografia, sobre “a
maneira como as rochas começam a passar por uma mutação no momento de sua saturação, em uma geometria cujos ângulos são iguais para cada matéria”. Por um lado, o mestre faz um paralelo entre a cristalografia da natureza e os estilos de teatro: “no momento quando jogamos num jogo primeiro, em uma espécie de ‘subimpressionismo’, basta um pouco para que isso se desenvolva em um estilo, de forma que há também uma espécie de mutação no organismo teatral que decidirá a direção e estrutura, e isso faz o efeito de uma cristalografia”. Por outro, e é o que me parece fundamental para compreender essa noção de ‘fundo’, ele refere-se às estruturas dos cristais, suas linhas e geometria, suas relações com o espaço, a dimensão de seus ângulos com associações e medidas rítmicas que ele define como “decisões da natureza”. O mestre afirma que gosta de fazer viver um espaço, com uma dimensão com seus ângulos, com relações e medidas rítmicas.
Sem a pretensão de um estudo geológico aprofundado, vejamos algumas características desse ramo da ciência que possam iluminar tais relações. A cristalografia é a ciência que estuda os cristais, a maneira como os minerais se organizam e tomam forma. Os cristais são sólidos nos quais os minerais estão arranjados regularmente em relação uns aos outros e podem ser estudados de acordo com essa organização, segundo Groves (1979, p.3). O termo cristal também pode referir-se a qualquer sólido com estrutura interna ordenada, possua ele faces externas ou não. Pode-se assim idealizar um conceito mais amplo de cristal como um sólido homogêneo, possuindo ordem interna tridimensional que, sob condições favoráveis, pode manifestar-se externamente por superfícies limitantes planas e lisas.
Mineral é um corpo natural sólido e cristalino formado em resultado da interação de processos físico-químicos em ambientes geológicos. Cada
mineral é classificado e denominado não apenas com base na sua
composição química, mas também na estrutura cristalina dos materiais que o compõem. Em resultado dessa distinção, materiais com a mesma composição química podem constituir minerais totalmente distintos em resultado de meras diferenças estruturais na forma como os seus átomos ou moléculas se arranjam espacialmente (como, por exemplo, o grafite e o diamante). Os minerais variam na sua composição desde os elementos químicos, em estado puro ou quase puro, até silicatos complexos com milhares de formas conhecidas. (WIKIPÉDIA, 2012).
Um átomo é a menor unidade de um elemento que possui as propriedades desse elemento. A matéria existe em três estados: sólido, liquido e gasoso. As
diferenças entre os três estão relacionadas com o grau de ordenação dos átomos. Um mineral é um sólido natural e inorgânico que possui uma estrutura atômica interna específica e uma composição química que varia dentro de alguns limites. Os minerais crescem quando átomos são adicionados à estrutura cristal enquanto a matéria se modifica do estado gasoso ou líquido para o sólido. Os minerais se dissolvem ou derretem quando os átomos são removidos da estrutura cristalina. Todas as espécies de minerais possuem propriedades físicas e químicas bem definidas, como a estrutura cristalina, clivagem ou fratura, dureza e gravidade específicas, conforme Hamblin (1995, p.66).
Partindo dessas características da cristalografia, compreendemos que tudo o que existe é feito de alguma matéria29, a qual, por sua vez, é constituída de um conjunto de elementos organizados de uma forma específica. Portanto, os quatro elementos que citamos anteriormente são feitos de elementos químicos, assim como os seres humanos o são e tudo o que existe, somos todos feitos dos mesmos elementos, porém com diferentes combinações. Seja qual for o reino – mineral, animal ou vegetal –, somos constituídos dos mesmos elementos, ou seja, temos todos um mesmo fundo comum.
Voltando às estruturas que Lecoq mencionou, podemos entender tal relação com a formação das rochas, quando certos minerais vão disputando o espaço, expandindo-se, enquanto outros se retraem, empurrando e forjando sua forma enquanto resfria o magma, por exemplo. Quando pensamos nisso em termos de movimento, percebemos ações de empurrar, ser empurrado, puxar e ser puxado, as mesmas que Lecoq menciona como fundamentais para todos os movimentos. Na verdade, estas são coisas que não podemos ver a olho nu, somente por microscópios, mas ao sabermos disso já podemos imaginar como acontecem. Estamos, portanto, no campo da imaginação, impulsionada por exemplos da natureza concreta, ainda que a nível molecular. Há aquelas que podemos verificar a olho nu, a aparência externa, e com o auxílio do microscópio podemos observar os arranjos internos. As fotos de diferentes rochas abaixo nos ajudam a visualizar as linhas, os ângulos, as faces, as
29 Sem deixar de considerar que, segundo a nova ciência, essa matéria é antecipada pela energia, de
acordo com estudoas da física quântica e da descoberta do bóson, apontada como a chave para explicar a origem da massa das outras partículas elementares (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bóson_de_Higgs – acesso em 13/03/13), aspectos revistos recentemente, mas que não anulam o valor da abordagem apresentada aqui.
formas, as composições, enfim, as inúmeras maneiras como a matéria pode se organizar no reino mineral.
Fig.4: No sentido horário: Cubos de Pirita; Cristal de Ametista; Estibnita com Barita; Hematita
Fonte: http://geogallery.si.edu/index.php/en/minerals/all/mineral/
Ainda dentro dessa lógica de organização dos elementos químicos, podemos observar numa lâmina fina retirada de uma rocha a forma como os minerais estão colocados e que podem também ser associadas a uma foto de satélite, como mostram as ilustrações abaixo.
Fig.5 Lâmina delgada de rocha vulcânica.
Fonte: Arquivo pessoal
Fig.6 Foto de satélite “Brasil Visto do Espaço”.
Fonte: http://www.cdbrasil.cnpm.embrapa.br. Acesso em 25/01/2013
Anthropos é o microcosmo que reflete como um espelho o eco do
macrocosmo. (Jousse, 1974, p.16)
Relações entre micro e macrocosmos, associações entre as diferentes manifestações da natureza é a contribuição que acredito que a abordagem científica traz para o entendimento do fundo comum. Importante salientar que são associações que estabeleço a partir da minha percepção, pois não eram mencionadas em tal profundidade por Lecoq. Entretanto, constatando por diversos depoimentos de ex- alunos sobre a importância da observação da natureza em sua pedagogia, tudo me
leva a crer que, para além dos estudos da ciência, há um senso comum capaz de pelo menos supor essas relações.
Isso que eu acho interessante, o conhecimento que ele passou para nós é muito baseado nas leis da natureza – é a grande riqueza, é a chave, talvez, do método. (...) Estamos falando de árvore, ele vem sempre num crescente, numa transformação. Não é uma coisa que você aprende, um conceito, você leva aquele conceito na sua cabeça e ele está ali, estático. Não. É um conhecimento em movimento! Ele tem a profundidade do conhecimento dele, a partir da natureza. E a natureza implica, no ser humano, na natureza das coisas que o homem criou no mundo, também, não só a natureza bela, os passarinhos, não, também o vulcão, a bomba, a bomba atômica. Toda a natureza no sentido amplo da palavra. Experimentei essa disponibilidade na escola, e ainda hoje essa experiência é muito importante. Acho que esse estado de disponibilidade para o ator, é fundamental.(NAPOLEÃ0 apud SACHS, 2004, p.156)
Muitos ex-alunos demonstram essa percepção de todo, de comunhão com a natureza e com os seres a nível científico, ou ainda, com as ciências naturais. Mas vejamos essa questão do ponto de vista filosófico, aqui abordada a partir de alguns pressupostos de Bergson (1979, p. 153-206).