Kunnskapsgrunnlag om barnehagelærerrollen i
6. Pedagogisk arbeid med barn
6.1 En helhetlig tilnærming til læring
O lugar teórico de onde analisamos o fenômeno transitividade verbal, conforme definição apresentada nos dois itens anteriores, nos possibilitou delimitar algumas questões distintas do tratamento que esse fato gramatical vem recebendo ao longo dos estudos linguísticos. Uma deles diz respeito à criação do que nomeamos, em Dalmaschio (2008), como silêncio sintático.
O que apresentamos como definição de silêncio sintático teve por base o fato de considerarmos que a língua é permeada por silêncios das mais diversas ordens. Por não-ditos que se inscrevem no próprio dizer e se manifestam como efeitos de sentido em determinados acontecimentos enunciativos.
Nessa perspectiva, e alicerçados no que Orlandi (1995) define como silêncio constitutivo, ousamos empreender um trabalho teórico de associação semântico-sintática de modo a afirmamos que os estudos linguísticos precisam considerar que, também na organicidade da
sentença, às vezes, “para dizer é preciso não-dizer.” (ORLANDI, 1995, p.24).
Sendo assim, passamos a considerar que só a projeção do lugar sintático do objeto verbal, vinculada a dado acontecimento enunciativo já pode ser percebida como índice de completude. Diferente da perspectiva tradicional, para nós, não é necessário um termo ocupante do lugar sintático de objeto, para que haja completude semântica.
Voltemos ao exemplo (03) para tentarmos ilustrar o que dizemos. O verbo sofrer, presente na fala dos dois interlocutores, se fosse passar por um processo de classificação por alguns dos tipos de gramática aqui já apresentados, seria classificado em relação à pergunta do interlocutor 1 (Ela sofreu muito antes de morrer?) como intransitivo e, em relação à resposta do interlocutor 2 (...sofreu um assalto que lhe tirou grande parte do dinheiro, um sequestro
que lhe levou um apartamento e dois terrenos, um golpe de meu pai que a deixou sem carro...),como verbo intransitivo que funciona transitivamente nessa situação de uso.
Na perspectiva que assumimos, o verbo sofrer, projeta o lugar sintático de objeto nas suas sentenças, mas, no exemplo em questão, a ocupação desse lugar só se efetiva na fala do interlocutor 2, que direciona a predicação de que o verbo participa para um domínio de referência mais delimitado e pontual. Entretanto, o silêncio sintático, estabelecido na fala do interlocutor 1, ou a falta de um elemento léxico não afeta a unidade da sentença, porque há uma memória de seu lugar que advém de outros extratos de ocorrência que são constitutivos do espaço sintático. Tal é a força da regularidade referencial apresentada pela memória de utilização desse verbo que, ao serem recortados os extratos para ocupação do lugar sintático de objeto na fala de 2 (...um assalto..., ...um sequestro... e ...um golpe...) o acontecimento enunciativo em ato se estabelece como texto humorístico, uma vez que a ocupação na fala de 2 realiza um deslocamento da ocupação silenciosamente marcada na fala de 1. Vale ressaltar que só podemos trabalhar a noção de deslocamento em função da repetição, do hábito. Afinal,
acreditamos que é “recorrendo ao já-dito que o sujeito ressignifica. E se significa”
(ORLANDI, 1995, p.90). O que podemos perceber é que os diferentes percursos de sentido do verbo sofrer geram elementos que possibilitam a construção de domínios de referência também distintos para a ocupação do lugar sintático de objeto. Trata-se de um intervalo entre uma memória de recorrências - no caso em análise, recorrências de silêncios sintáticos em predicações de que esse verbo participa, orientadas para a ideia de sofrimentos físicos propiciados por uma doença – e uma atualidade de uso – que lida com o verbo sofrer como algo relacionado à perda de bens materiais. Esse seria, então, o espaço do equívoco, espaço
esse em que “os sentidos não se imobilizam...não perdem seu caráter errático: deslocamentos,
equívocos e mudanças se produzem. E não param de produzir seus efeitos.” (ORLANDI, 1995, p.94).
O silêncio sintático seria, portanto, um lugar na organicidade da sentença, aqui especificamente o lugar sintático de objeto, que permite a possibilidade do movimento dos dizeres. Movimento esse que se constitui sócio-historicamente a partir de uma tensão entre memória e atualidade.
Não podemos considerá-lo, sob esse ponto de vista, como uma categoria vazia. É dessa forma, então, que entendemos o silêncio como um dos eixos responsáveis pela fluência da
sendo “para o falante (...) lugar de elaboração de outros sentidos (...); para o analista uma pista
de um modo de funcionamento discursivo.” (ORLANDI, 1995, p.130).
Essa forma de nos posicionarmos diante da transitividade verbal, ou seja, essa proposta de que o objeto é um lugar sintático projetado pelos verbos parece generalizar a explicação para o fenômeno orgânico da relação entre verbo e objeto. Some-se a isso, ainda, que a possibilidade de explicar a ocupação ou a não ocupação como sendo algo condicionado a um acontecimento enunciativo mostra que as explicações para o fenômeno da transitividade não podem ser centralizadas no verbo, nem nos sentidos que ele pode assumir e nem, ainda, num contexto de uso que ele possa apresentar.
Conforme já mencionado nesse trabalho, o que nos cabe agora é tentar explicitar, por meio de um processo de análise mais efetivo, qual o papel do verbo nos estudos da transitividade, de modo a verificar qual o nível de participação das formas verbais no processo de ocupação e não ocupação do lugar sintático de objeto; bem como esclarecer em que espaços da cena enunciativa se encontram os elementos geradores do domínio referencial para a ocupação do lugar sintático de objeto e analisar em que medida a ocupação e a não ocupação desse lugar se relacionam à construção temática e à progressão textual. Além, é claro, de criar, conforme mencionado, um contínuo de predicação que evidencie como as condições enunciativas influenciam no fenômeno da transitividade verbal.