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Barnehagelærerprofesjonen og relasjoner til andre profesjoner og

Innledning og perspektiver på barnehagelærerrollen

3. Historiske perspektiver

3.3 Barnehagelærerprofesjonen og relasjoner til andre profesjoner og

Outra maneira de perceber o fenômeno da transitividade é entendendo as possibilidades de existência ou não dos complementos verbais a partir das posições estruturais que os tipos de sintagmas podem ocupar em relação ao verbo. Por essa perspectiva, conforme Ouhalla (1994), os verbos são categorias que chamam por argumentos. Há verbos que pedem um, dois ou mais argumentos. Esse é o fenômeno da subcategorização, que em termos de categorias sintáticas como o núcleo do predicado (NP) nomeia-se como seleção categorial (C-seleção). Mas, para os teóricos que trabalham com esse pressuposto de análise, ainda há outro tipo de seleção realizada pelos verbos. Trata-se da seleção em termos de categorias semânticas a qual descrevem como seleção semântica (S-seleção). A S-seleção é determinante na estrutura conceitual dos itens lexicais, pois ela opera em termos de categorias semânticas chamadas de papéis temáticos. Nesse sentido, na síntese de Cyrino; Nunes; Pagotto (2009, p.50)

a informação constante na entrada lexical de um verbo envolve, entre outras coisas, três especificações:

SV

SN1 V’

O menino V SN2

acertou o alvo

2) qual é o papel temático (agente, paciente, experienciador, etc.) desses argumentos;

3) qual é a realização sintática (sintagma nominal, sintagma preposicional, etc.) de tais argumentos.

Os termos normalmente usados em relação aos argumentos ou às estruturas temáticas dos verbos são chamados de argumentos internos ou externos. Para entendermos melhor o que se postula como argumento interno ou externo, tomemos o seguinte exemplo:

Os argumentos considerados externos posicionam-se fora da projeção do núcleo lexical da barra simples (‘), são argumentos em relação imediata com SV e “estabelecem conexão sintática com V’”. No caso do exemplo (09), o sintagma o menino, corresponde ao argumento externo da forma verbal acertou. Já os argumentos internos ocupam uma posição interna à projeção da barra simples do núcleo lexical e “estabelecem uma relação sintática direta com o

verbo no interior de V’”. (CYRINO; NUNES; PAGOTTO 2009, p. 53). A expressão o alvo,

representa, portanto, o argumento interno do verbo acertar, no exemplo em análise. Sendo assim, estruturalmente os argumentos internos são irmãos do núcleo lexical que os seleciona, enquanto os argumentos externos não o são.

É importante ressaltar que, tomando por base o critério temático, duas especificações precisam ser prontamente marcadas, segundo Ohalla (1994): a de que cada argumento deve receber um papel temático e a de que cada papel temático deverá ser atribuído a um

argumento. Dessa forma, e deixando de lado algumas poucas variações, “[...]um argumento

vai ocupar a posição de especificador ou de complemento do verbo em função do seu papel temático. Assim, o papel temático de agente será canonicamente atribuído à posição de

especificador do verbo e o de paciente, ao seu complemento.” (CYRINO; NUNES;

PAGOTTO 2009, p. 54). (09)

Decorre dos fatos expostos anteriormente, ou seja, dos números e tipos de argumentos selecionados pelos verbos e da natureza semântica que esses argumentos apresentam, a classificação dos tipos de verbos existentes na Língua Portuguesa. Para os teóricos que percebem a complementação verbal como uma questão posicional, os verbos podem ser definidos como: verbos sem argumentos, verbos transitivos, verbos bitransitivos, verbos inacusativos e inergativos, verbos de alçamento e verbos leves. (CYRINO; NUNES; PAGOTTO 2009, p. 57-63).

Para efeito de enquadrar as discussões teóricas precisamente no foco de nossa pesquisa, passemos a exemplificar com mais detalhes apenas os quatro primeiros tipos verbais, de modo a localizarmos em nossas análises futuras os distanciamentos e as aproximações que essa sintaxe de base posicional proporciona ao estudo que ora trazemos.

Nas discussões trazidas por Cyrino; Nunes; Pagotto (2009), os verbos sem argumentos, transitivos e bitransitivos apresentam conceitos que não diferem muito da análise feita pela gramática tradicional. Isso lhes permite dizer que verbos sem argumentos são aqueles que expressam fenômenos da natureza e, para ilustrar trazem como exemplo o verbo chover que, numa sentença, ainda que diferente da utilizada pelos autores para análise, recebe a seguinte organização estrutural:

(10) Choveu muito hoje e já está caindo a temperatura.19 SV

V’

V

Choveu

No que se refere aos verbos transitivos, os autores dizem fazer parte desse grupo aqueles de ação na voz ativa. Nesse tipo de construção, a posição de especificador de SV é ocupada pelo agente verbal e a posição de complemento refere-se ao papel temático de paciente do verbo. Vejamos o exemplo que segue:

19 Disponível em: http://www.climatempo.com.br/olhonotempo/128644/choveu-muito-hoje-e-ja-esta-caindo-a- temperatura. Acesso em 12.09.12.

(11) [...] os meninos compraram uma mesa de sinuca [...]20 SV

SN1 V’

Os meninos V SN2

compraram uma mesa de sinuca

Sobre os bitransitivos, também não há novidades no que já parece estar consensuado nos manuais de gramática tradicional. Trata-se dos verbos que apresentam objeto direto e indireto, ou, na perspectiva posicional, das formas verbais que selecionam três argumentos, um externo e dois internos. Vejamos um exemplo de verbos bitransitivos no esquema apresentado em (12):

(12) [...] ofereço flores a você [...]21 SV

SN1 V’

[eu] V SN2 Sprep

ofereço flores a você

A principal mudança trazida por Cyrino; Nunes; Pagotto (2009) refere-se, entretanto, aos verbos monoargumentais, aqueles considerados intransitivos pela Gramática Tradicional. Essa diferença se estabelece pelo fato de que um verbo monoargumental pode ter, segundo a teoria desenvolvida, um argumento externo ou um argumento interno e isso exige que especificações sejam feitas para delimitar as diferenças sintáticas e as diferentes relações semânticas que esses tipos de argumentos estabelecem com verbo. Decorre desse fato, a separação desses verbos em dois grupos distintos: o grupo dos inacusativos – cujo único

20 Disponível em: http://leiturasdaausencia.blogspot.com.br/2011/06/housing.html . Acesso em 12.09.12. 21 Disponível em: http://www.falardeflores.blogger.com.br/2005_10_01_archive.html. Acesso em 12.09.12.

argumento ocupa a posição de complemento verbal – e o grupo dos inergativos – cujo único argumento situa-se na posição de especificador do verbo. Observemos nos exemplos (13) e (14), respectivamente, demonstrações desses dois grupos verbais – os inacusativos e os inergativos: (13) As provas sumiram22 SV V’ V SN Sumiram as provas.

(14) Aconteceu, então, que o menino dormiu [...]23 SV

SN V’

o menino V

dormiu

Como vimos, para efeitos da divisão dos verbos monoargumentais em inacusativos (13) e inergativos (14) os autores trabalham com a pressuposição de que “os eixos semântico e sintático são complementares e a noção de sujeito está desvinculada do caráter interno ou

externo de um argumento...” (CYRINO; NUNES; PAGOTTO, 2009, p.61). Assim, para

evidenciar um argumento como externo ou interno, propõem que as sentenças monoargumentais, cujo argumento é interno, apresentam verbos compatíveis com particípio

22 Disponível em: http://www.istoe.com.br/reportagens/196904_AS+PROVAS+SUMIRAM . Acesso em 12.09.12.

23 Disponível em: http://arturbic.blogspot.com.br/2010/01/o-menino-que-dormiu-tres-dias.html. Acesso em 12.09.12.

absoluto e passivas estativas (passivas com o verbo estar) – Sumidas as provas/As provas estão sumidas. Os argumentos externos, ao contrário, não se apresentam associados a verbos com essa compatibilidade - *Dormido o menino/*O menino está dormido.

Além dessa proposta, outros investimentos teóricos foram realizados no sentido de entender os estudos sintáticos sob o ponto de vista posicional, dentre eles destaca-se o trabalho de Milner (1989).

Milner ser propôs a desenvolver uma teoria posicional da sintaxe baseada na ideia de lugares- posições e esses lugares-posições da sintaxe apresentam, segundo o autor, propriedades absolutas e relacionais.

Para ele, entre as propriedades absolutas dos lugares, podemos mencionar a etiqueta categorial. Entretanto, a observação dessas propriedades absolutas exige que se realize uma diferenciação importante no que tange aos fenômenos envolvidos no processo: quando se trata de lugares-posições, a terminologia de Milner propõe que o fato seja visto sob o rótulo de etiquetagem, e, quando se trata de termos, o teórico sugere que tomemos a questão sob a perspectiva do pertencimento.

Após a fixação dessa diferença, o próprio autor realiza alguns questionamentos que sua proposta sintática tenta esclarecer, tais como: quais as etiquetas possíveis no mecanismo de estruturação sintática? Como podemos relacionar a etiquetagem dos lugares-sintáticos e as categorias lexicais?

Caminhando por essa via de análise, Milner nos leva a compreender que uma mesma etiqueta pode abrigar categorias distintas que, por força das regularidades linguísticas combinam com essa etiquetagem.

Assim, trazendo à tona aquilo que o autor denomina propriedades relacionais dos lugares- posições, é possível perceber que, para ele a sintaxe não se configura como uma relação entre itens lexicais, mas como uma associação entre lugares sintáticos. A sintaxe é, portanto, uma articulação entre os lugares-posições. Por isso, há circunstâncias em que a sintaxe usa etiquetas posicionais que não coincidem com o pertencimento categorial do termo ou não pertencem à lista das categorias reconhecidas para os termos em geral. Um exemplo disso é a ocupação do lugar de sujeito com uma oração substantiva. Nesse caso, não há um item lexical para que se possa discutir o pertencimento. A única discussão possível de ser estabelecida, nesse caso, é sobre a etiquetagem da posição sujeito.

Dando prosseguimento à sua pressuposição teórica, o linguista postula, então, a existência de uma geometria sintática que prevê a existência de dois lugares: o site, que ele determina como lugar sintático qualificado e place, que em sua definição apresenta-se como um lugar sintático não qualificado. Por ser essa uma discussão que consideramos de extrema importância para as reflexões que ora estabelecemos nesta pesquisa, entendemos ser prudente retomar as noções de site e place no capítulo 3, de modo a situar essas duas perspectivas sintáticas de forma mais analítica, mais ilustrada e, consequentemente, mais eficaz aos nossos objetivos.