3 T EORETISK TILNÆRMING
3.1 Avviksteoretiske kontroverser
3.1.1 Essensialisme
Quando se fala da agroenergia, fala-se também em fontes renováveis que incluem as hidroelétricas, a energia eólica, geotérmica, solar e a energia dos oceanos. Em grande parte, os conceitos de bioenergia e agroenergia se confundem. Pode-se, entretanto conceituar agroenergia como sendo a bioenergia produzida a partir de produtos agropecuários florestais.
A Biomassa é um termo geral que cobre uma ampla variedade de material de origem vegetal ou animal. Rigorosamente, este conceito inclui combustíveis fósseis, mas geralmente o termo é usado para se referir às fontes renováveis de energia como madeira e seus resíduos agrícolas e fezes humanas/animais, dos quais se produzem combustíveis diretamente, ou após alguma forma de conversão (OLIVEIRA, 2003).
Este processo de conversão pode ser físico (por exemplo: secagem, redução de tamanho ou densificação), térmico (como na carbonização) ou químico (como na produção de biogás). O resultado final do processo de conversão pode ser um combustível sólido, líquido ou gasoso, e esta flexibilidade de escolha da forma física do combustível é uma das vantagens da biomassa em relação a outros recursos energéticos renováveis.
Existem numerosas tecnologias comercialmente disponíveis para processos de conversão e para utilização de produtos finais. Apesar dos diferentes tipos de biomassa possuir traços em comum, estes exibem variações consideráveis no que diz respeito às características físico-químicas que influenciam seus usos como combustíveis (OLIVEIRA, 2003).
para a geração de energia elétrica em regiões rurais e isoladas destacam-se: funciona como seu próprio estoque de energia; tecnologia de conversão disponível em ampla escala de potência e em diferentes níveis de sofisticação; produção de combustível e tecnologia de conversão natural de países em desenvolvimento; produção pode prover mais empregos em nível local, em comparação a outros sistemas renováveis de dimensões semelhantes.
Na determinação do potencial de utilização da biomassa para geração de energia, podem-se considerar três grupos de recursos: resíduos (agrícolas, lenhosos, animais e urbanos), cultivos com propósitos energéticos e vegetação natural. Nesta dissertação, o termo biomassa é empregado dentro do conceito de fonte renovável de energia.
Pode ser dividida em dois grupos: resíduos de colheita, os quais permanecem no campo após a mesma – por exemplo, talos de algodão; e resíduos de processos agroindustriais – por exemplo, casca de arroz. Como as dimensões territoriais brasileiras são muito grandes e com características regionais variadas, pode-se afirmar que a produção de resíduos agrícolas e florestais é muito diversificada (WINROCK, 2002).
A Tabela 7.1 apresenta o potencial de geração de eletricidade, a partir de cana-de-açúcar, resíduos agrícolas e resíduos madeireiros, para todas as regiões brasileiras.
TABELA 7.1 - Potencial de geração de eletricidade a partir da biomassa nas regiões brasileiras potencial teórico (mW).
Regiões Tipo de Biomassa Baixo Rendimento Médio Rendimento Alto Rendimento Resíduos Agrícolas 1.561 2.082 3.122 Cana-de-açúcar 1.362 2.633 5.267 Centro-Oeste Resíduos de Madeira 135 180 270 Resíduos Agrícolas 1.449 1.932 2.899 Cana-de-açúcar 151 584 584 Sudeste Resíduos de Madeira 67 89 133 Resíduos Agrícolas 4.664 6.216 9.328 Cana-de-açúcar 367 513 1.026 Sul Resíduos de Madeira 56 74 111
Cana-de-açúcar 4 4 8 Resíduos de Madeira 103 137 205 Resíduos Agrícolas 1.035 1.379 2.069 Cana-de-açúcar 158 306 611 Norte Resíduos de Madeira 70 94 140 TOTAL 11.774 16.722 26.961
Fonte: WINROCK (2002) a partir de CENBIO
Os potenciais apontados acima indicam que há um espaço considerável para o aproveitamento da biomassa40 no que diz respeito aos sistemas de geração de energia descentralizados. Por exemplo, microturbinas a gás para a geração de energia elétrica em sistemas isolados são objeto de pesquisa no valor de R$ 1 milhão, realizada em convênio entre a Escola Federal de Engenharia de Itajubá (Efei/MG) e a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG). Serão testadas diferentes microturbinas de até 45 quilowatts, utilizando como combustível o álcool e a biomassa gaseificada, além do gás natural (http://www.energiabrasil.gov.br).
Destaca-se no Brasil a geração de energia elétrica através do aproveitamento de cana-de-açúcar, de resíduos agrícolas, de resíduos da madeira e de óleos vegetais. Destaca-se igualmente a vocação dos recursos oleaginosos para o atendimento das comunidades isoladas do sistema elétrico, principalmente na Região Amazônica.
Outra observação importante se refere à complementaridade das vocações. Por exemplo, as Regiões Sul, Sudeste e Centro- Oeste apresentam os menores potenciais de utilização dos óleos vegetais, e, no entanto, possuem as maiores perspectivas de aproveitamento dos resíduos agrícolas. O Brasil desenvolveu um considerável esforço para implementar uma política de substituição dos derivados de petróleo por biomassa. Segundo um relatório da FINEP, no período 1982-1993 foram financiados 176 projetos na área de bioenergia no Brasil, totalizando US$ 32,9 milhões em investimentos.
40 Não é por acaso que existem vários movimentos no País a favor de um Programa de Biomassa para incentivar a geração de
energia. Estima-se que o potencial de co-geração a partir do bagaço da cana-de-açúcar possa chegar a 6 mil mW, se considerado também a queima da palha. Segundo o representante da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Onório Kitayama, a exploração desse potencial ainda é mínima (PEREIRA, 2001).
algumas dificuldades técnicas, econômicas e políticas para a utilização em larga escala da energia de biomassa devem-se ressaltar a falta de uma base institucional e de um suporte tecnológico. No meio rural e em localidades isoladas, a utilização desta fonte dispersa de energia deveria ser priorizada como forma mais racional de suprimento energético – sob o ponto de vista técnico, econômico e político – devido aos elevados custos de transporte dos combustíveis fósseis.
No entanto, devido a oferta de derivados de petróleo (GLP, diesel, óleo combustível) a preços altamente subsidiados, o seu uso tem sido inviabilizado. Durante as duas últimas décadas foram realizadas inúmeras pesquisas para produção e utilização de óleos vegetais como carburantes de motores Diesel.
Com efeito, a biomassa aparenta ser a maior e a mais sustentável fonte de energia alternativa renovável, composta por 220 bilhões de toneladas de matéria seca anual, prontas para uso energético. Outros autores reduzem o potencial efetivamente sustentável para cerca de 3.000 EJ, donde o valor médio observado nos cenários (270 EJ) é apenas marginal e constitui o que pode ser prontamente aproveitado, com custos competitivos, considerando as barreiras culturais e de portabilidade da energia (HALL & RAO, 1999).
Nos países em desenvolvimento, a bioenergia continuará a ser uma importante fonte na matriz energética. Sem as externalidades do mercado, a crescente urbanização e o aumento da renda per capita, fariam com que a demanda por outras fontes, que não as bioenergéticas, crescesse a taxas maiores. Como resultado, a participação da bioenergia tenderia a reduzir de 24% para 15%, até 2020. As energias alternativas renováveis têm o potencial técnico de atender grande parte da demanda incremental de energia do mundo, independente da origem da demanda (eletricidade, aquecimento ou transporte) (WINROCK, 2002).
Há três aspectos importantes a salientar: a viabilidade econômica, a sustentabilidade de cada fonte e a disponibilidade de recursos renováveis para geração de energia, que variam entre as diferentes regiões do globo.
radiação solar, enquanto as áreas planas, em especial as costeiras, apresentam maior potencial eólico. Já a energia geotérmica é mais abundante nas regiões com atividade vulcânica intensa. O lixo está disponível em qualquer lugar e tanto seu volume quanto o grau de concentração, aumentam com a urbanização. A principal discrepância ocorre na biomassa, onde poucos países dispõem de condições de ampliar a área de agricultura energética, sem competir com outros usos da terra, como alimentação, lazer, moradia, vias de transporte, reservas de proteção ambiental, etc (WINROCK, 2002).
É importante ressaltar que a matriz energética brasileira é uma das mais limpas do mundo. Estimativas da International Energy Agency mostram que 35,9% da energia fornecida no Brasil é de origem renovável. No mundo, esse valor é de 13,5%, enquanto nos Estados Unidos é de apenas 4,3%. É previsível que o custo da energia obtida de fontes alternativas renováveis se tornará mais competitivo, ao longo dos próximos 20 anos, como resultado do investimento tecnológico e do ganho de escala.
Cabe ainda apontar nesta dissertação que a utilização de uma fonte de energia espacialmente dispersa promoverá a reversão do efeito centralizador do atual modelo econômico e viabilizará uma distribuição mais uniforme da população no território nacional, rompendo assim o círculo vicioso em que a produção centralizada de energia acentua permanentemente a concentração dos investimentos, inviabilizando o desenvolvimento harmônico do Brasil.
No meio rural e em localidades isoladas, a utilização desta fonte dispersa de energia deveria ser priorizada como forma mais racional de suprimento energético – sob o ponto de vista técnico, econômico e político – devido aos elevados custos de transporte dos combustíveis fósseis. No entanto, devido a oferta de derivados de petróleo
(
GLP, diesel, óleo combustível) a preços altamente subsidiados, o seu uso tem sido inviabilizado.
A utilização da biomassa no setor industrial, por sua vez, apresenta também, oportunidades bastante interessantes de aumento de
tecnológicas nos processos industriais existentes. Neste sentido, é importante o estabelecimento de uma estratégia de longo prazo, que permita atrair para a região aportes de capital e tecnologias que permitam reduzir e, se possível, neutralizar aqueles impactos financeiros negativos, por exemplo, através da geração de empregos (WINROCK, 2002).
Uma base de dados fundamental para a prospecção do potencial de aproveitamento da biomassa para a geração elétrica está sendo construída com base nos esforços conjuntos do projeto Informações Energéticas (Infoener) e do Centro Nacional de Referência em Biomassa (CENBIO). Trata-se do Banco de Dados de Biomassa.