2. Lingua e dialetto
2.7 Percezione linguistica
2.7.2 I domini d’uso
A litologia da bacia hidrográfica do Rio Xopotó é representada principalmente por anfibólitos e granitos, rochas que apresentam elevadas concentrações de Fe, Mg, Al, K, Ca e Na. Sendo assim, as concentrações observadas desses elementos na área de estudo, são provenientes das características naturais da bacia hidrográfica. A correlação entre esses elementos é um bom indício da proveniência litológica, como evidenciado posteriormente.
A legislação brasileira não possui limites máximos estabelecidos para certos elementos abundantes na crosta terrestre e frequentemente observados nos sedimentos das bacias hidrográficas nacionais. Isto se dá, principalmente por serem considerados essenciais em altas concentrações ao ser humano, biota aquática e pela baixa toxicidade dos mesmos.
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Con ce ntr ação m g/ kg Pontos de amostragem Zn 1ª coleta Cu 1ª coleta
As concentrações de Al na área estudada oscilaram entre 5.446,8 e 21.151,7 mg.Kg-1 na primeira coleta. O ponto 01, a nascente da bacia hidrográfica apresentou as maiores concentrações do elemento maior (21.151,7 mg kg-1 ), seguido pelo ponto 09 (13.629,1 mg kg-
1 ) e ponto 02 (12.121,6 mg kg-1). Na segunda campanha houve aumento em grande parte dos
pontos amostrais, sendo que os pontos 01, 06 e 09 apresentaram picos elevados de Al.
Os valores de Fe em ambas as campanhas de amostragem ultrapassaram os 15.000,0 mg kg-1 , na primeira amostragem os pontos de coleta 02 (40.245,3 mg kg-1), 09 (51332,6 mg kg-1) e 11 (52.944,5 mg kg-1) apresentaram as maiores concentrações desse elemento maior, na segunda coleta as maiores concentrações estiveram presentes nos pontos amostrais 06 (52. 616,3 mg.Kg-1), 09 (63.149,3 mg kg-1) e ponto 12 (64.569,7 mg kg-1). Silva et al. (2013), detectaram valores de Fe na região do Alto Rio Doce (Quadrilátero Ferrífero), oscilando na estação da estiagem entre 174.132,0 á 259.064 mg kg-1 e na estação chuvosa entre 146.815,0 e 227.198,0 mg kg-1, valores muito acima dos detectados na bacia hidrográfica do Rio Xopotó.
Em rochas compostas quimicamente por minerais ferromagnesianos, como os anfibólios, observar proporções similares entre ambos, em sedimentos, pode indicar forte indicio de proveniência natural. A Figura 68 demonstra a correlação positiva mais significativa em pontos como: 05, 07, 10 e 12.
Figura 65: Correlação entre Fe e Mg na bacia hidrográfica do Rio Xopotó
Fonte: A própria autora
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 M agn ésio m g/k g F er ro m g/ kg Pontos de amostragem Fe 1ª coleta Mg 1 ª coleta
As concentrações de Mg na bacia hidrográfica na primeira amostragem oscilaram entre 420,2 e 3.072,2 mg kg-1, com maiores valores nos pontos de coleta 01 (nascente), 03 e 12 (rio principal com influência de lançamento de esgoto doméstico in natura). Na segunda coleta as concentrações variaram entre 672,2 e 2.740,4 mg kg-1, com maiores valores detectados nos pontos amostrais 01, 03 e 06.
As concentrações de Mg, possivelmente possuem caráter litológico, já que em rochas como os anfibólios, que são os constituintes da bacia hidrográfica do Rio Xopotó, há altas concentrações do elemento. A forte correlação com o Ca, outro mineral predominante na constituição química dessas rochas, corrobora a afirmativa. Na Figura 69 é possível observar a correlação entre estes elementos.
Figura 66: Correlação entre Ca e Mg na bacia hidrográfica do Rio Xopotó
Fonte: A própria autora
Os valores mais elevados de K na primeira amostragem foram detectados nos pontos de coleta 01 (2.186,4 mg kg-1 ), 11 (1.430,4 mg kg-1 ) e 12 (1.527,5 mg kg-1). Na segunda campanha amostral as maiores concentrações foram observadas nos pontos amostrais 01 (1.851,4 mg kg-1), 03 (1.195,4 mg kg-1) e 1273,6 mg kg-1).
As concentrações de P na área estudada oscilaram entre 89,2 e 463,3 mg kg-1 na primeira coleta, com maiores valores nos pontos 03, 09 e 11. Na segunda campanha, variaram entre 133,3 á 506,4 mg kg-1,as concentrações mais elevadas estiveram presentes nos pontos amostrais 06, 09 e 1 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Conce ntr aç õe s m g/k g Pontos de amostragem Ca 1ª coleta Mg 1ª coleta
Os valores de Mn na primeira amostragem oscilaram entre 190,2 e 1317,7 mg kg-1 com maiores concentrações nos pontos de coleta 01, 11 e 12. Na segunda campanha amostral os valores variaram entre 246,2 e 5.991,3 mg kg-1 , com maiores concentrações nos pontos de amostragem 01, 06 e 09.
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A bacia hidrográfica do Rio Xopotó composta por quatorze municípios possui características urbanas e rurais. A região no geral não apresenta atividade industrial significativa, exceto pelo polo moveleiro localizado em Ubá e a mineração de areia, seguida pela extração de quartzo, os quais são as extrações minerais mais importantes. A economia regional é baseada na pecuária leiteira. A degradação da qualidade da água local é proveniente da elevada carga orgânica de esgoto doméstico in natura dos núcleos populacionais, concomitante, á atividade pecuária, desenvolvida na área de drenagem.
A qualidade da água na bacia hidrográfica do Rio Xopotó, considerando o IQA 2015, apresentou qualidade razoável a excelente, com predominância das características de boa qualidade. Em comparação com os resultados de IQA observados na série histórica, a bacia hidrográfica em 2015, apresentou significativa melhora na classificação da qualidade da água, já que não houve valores de IQA retratando características qualitativas ruins.
A E. coli foi o parâmetro de maior influência no cálculo do IQA, na bacia hidrográfica do Rio Xopotó, influência também observada na série histórica. No IQA 2015, as concentrações de fosfato e turbidez, antes observadas como preponderantes no cálculo do índice, deixaram de ser grande influencia. No entanto, a DBO5d-20ºc, que nos últimos 15 anos
não foi significativa para o resultado final do IQA no Rio Xopotó, foi o segundo parâmetro mais significante para a qualidade da água em 2015.
Relacionando os resultados do IQA 2015 desta pesquisa científica, com os resultados do IQA 2015 do monitoramento do IGAM, foi possível observar a diferença na classificação qualitativa da bacia hidrográfica quando houve o aumento dos pontos de amostragem. Considerando os resultados do IGAM em 2015, o IQA da bacia hidrográfica do Rio Xopotó variou entre 71,2 a 79,6. A classificação da bacia hidrográfica foi de IQA bom, durante todo ano pelo IGAM. Não houve parâmetros com concentrações acima do estabelecido na resolução CONAMA 357/05 em nenhuma amostragem, sendo a E. coli, o parâmetro de maior influência no cálculo. Os resultados das amostragens próprias em 2015 determinaram o IQA da bacia hidrográfica oscilando entre 62,1 a 79,2, variando entre IQA razoável e IQA bom,
com predominância de melhores resultados na época da estiagem. Os municípios com IQA mais baixos, foram Cipotânea e Brás Pires. A DBO5d-20ºc e o fósforo, apresentaram
concentrações acima do estabelecido na CONAMA 357/05 na estação chuvosa e na estação seca. As concentrações de E. coli estiveram em desacordo com o preconizado na legislação em ambas as estações sazonais. Em relação à sazonalidade, os melhores resultados de IQA na bacia hidrográfica do Rio Xopotó, estiveram relacionados com menores índices pluviométricos na região. O que também foi possível observar na série histórica e no monitoramento do IGAM 2015.
Quanto a outros fatores relacionados à qualidade da água na bacia hidrográfica do Rio Xopotó, além das elevadas concentrações de E. coli em 2015 detectadas no monitoramento próprio, a bacia hidrográfica apresentou diversificados genótipos de E. coli diarreiogênica (EHEC, EPEC e ETEC), que foram observados em ambas as amostragens. Houve predominância de patótipos diarreiogênicos na estação chuvosa.
Em relação aos elementos traços e maiores, as águas superficiais da bacia hidrográfica do Rio Xopotó apresentaram concentrações de Fe e Al acima do estabelecido na CONAMA 357/05 para águas classe 2. Demais elementos como Ba, Cr, Cu , também foram observados, mas em concentrações inferiores as preconizadas na legislação já citada. Novamente, as maiores concentrações estiveram relacionadas com a estação chuvosa. Quanto a presença de elementos traços e maiores em sedimentos, houve concentrações acima dos limites estabelecidos na CONAMA 454/12 para o nível 2, de Cr, As e Pb, incidentes na estação seca. Diante dos fatos explanados acima, é possível estabelecer as principais características em relação à deterioração da qualidade da água na bacia hidrográfica do Rio Xopotó. Os cursos d’água possuem um bom poder de diluição, já que a confluência da bacia hidrográfica apresentou característica de razoável à boa qualidade de água. No entanto, o afluente do Rio Xopotó (Rio Espera) no Município de Cipotânea, apresentou deterioração de qualidade, considerando baixos valores de IQA, indiferente da sazonalidade, assim, como o Rio Xopotó na cidade de Brás Pires. A contaminação microbiológica de origem fecal foi a principal causa da degradação da bacia hidrográfica, resultando principalmente do lançamento de esgoto doméstico in natura dos centros urbanos. Este problema é consequência da ausência de ETE’s na maioria dos municípios, e em menor proporção, do carreamento de partículas de áreas pecuárias, potencializado pela ausência de mata ciliar. A confirmação de patógenos diarreiogênicos ao longo da bacia hidrográfica representa riscos à saúde pública e animal devido ao contato direto com os cursos d’água, comprometendo diversos usos, como a recriação e irrigação de hortaliças e demais culturas ingeridas in natura. Ainda, prejudica a
dessedentação de animais. A presença de elementos traços e maiores na água superficial e em sedimentos, também foram fatores comprometedores da qualidade da água na bacia hidrográfica. Em sua maioria, foram provenientes da litologia regional, potencializados pelas já citadas atividades antrópicas acima, e por meio das atividades industriais do polo moveleiro de Ubá. Estes elementos podem causar danos ao ecossistema aquático e consequentemente á saúde humana. No entanto, faz-se necessário determinar suas especiações e biodisponibilidade para o meio ambiente e biota aquática, somente assim é possível afirmar o verdadeiro comprometimento dos cursos d’água da bacia hidrográfica. A sazonalidade anual traz alterações importantes na qualidade da água da bacia hidrográfica. O escoamento superficial da estação chuvosa para estes cursos d’água foi mais atuante que a redução do poder de diluição da estiagem.
Em bacias hidrográficas com as características da do Rio Xopotó, investimentos estruturais em saneamento básico são fundamentais, seja para minimizar a degradação resultante das atividades antrópicas, seja, para atuar na saúde pública preventivamente. O processo convencional de tratamento de água das ETA’s existentes deve ser realizado corretamente, observando principalmente a potencial contaminação por patógenos dos mananciais de capitação, e quando possível, a adoção de sistemas avançados para o tratamento de água com maior eficiência é recomendado. A implantação de ETE’s convencionais nos municípios da bacia hidrográfica é de suma importância para a melhoria das características qualitativas dos cursos d’água, devido à redução de matéria orgânica lançada nos mesmos, assim como, para atenuação das doenças transmitidas por contaminação fecal, como as diarreias. Em situações ideais, o tratamento terciário é o mais indicado. A recuperação das matas ciliares ao longo da bacia hidrográfica e manutenção da vegetação nestas áreas são medidas efetivas na redução do transporte de partículas do solo para os cursos d’água, e em consequência, acarreta a melhoria das características qualitativas da bacia hidrográfica, bem como, de seu IQA.
Finalizando, futuramente almeja-se realizar a avaliação quantitativa da E. coli diarreiogênica e posteriormente determinar o grau de risco de contaminação microbiológica por ingestão das águas na bacia hidrográfica do Rio Xopotó.
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