3.2 Praktisk tilnærming i en undervisningshistorisk kontekst
3.2.2 Den audiolingvale metode: system og kontroll
No contexto atual, vivenciado pela categoria profissional dos assistentes sociais, predomina a discussão sobre a profissão inserida dentro dos processos de trabalho vigentes na sociedade capitalista. Em sua obra mais recente – Serviço Social em Tempo de Capital Fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social (2007) – Marilda Villela Iamamoto apresenta, dentre suas Teses, a de que o assistente social é mão-de-obra vendida e explorada na sociedade atual, assim como toda a classe trabalhadora.
À priori, cabe destacar a discussão da categoria trabalho por Marx, que é concebida a partir da relação entre o homem e a natureza, a partir de uma projeção teleológica como ele expõe em sua obra “O Capital”:
Antes de tudo, o trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana. Atuando
assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza (MARX, 1989, p.202).
Desse modo, a partir do trabalho, o homem desenvolve sua consciência e passa a intervir na natureza, intensificando sua interação com outras pessoas. Todo o trabalho se realiza a partir de um processo que se materializa em condições materiais e em si mesmo. Como processo de trabalho pode-se compreender a “atividade dirigida com o fim de criar valores-de-uso, de apropriar os elementos naturais às necessidades humanas; [...] é condição natural da vida humana” (MARX, 1989, p. 208).
Na conjuntura atual, em uma sociedade com o modelo de produção capitalista, os processos de trabalho são cada vez mais valorizados, não pela relação intrínseca existente entre o homem e a natureza, mas pela exploração evidente que ocorre do capital ao trabalho, no qual o foco é a obtenção de mais-valia transformando o trabalho em mercadoria.
Sabe-se que as mercadorias, e o acúmulo delas, equivalem a uma forma isolada de riqueza humana. Através da mercadoria, é possível compreender a existência do capitalismo, pois sem ela e sua venda este modo de produção não teria se reproduzido e permanecido vigente na sociedade. Vê-se, dessa forma, a mercadoria enquanto propulsora do capitalismo. Dessa maneira, cabe compreender a mercadoria como um objeto da necessidade humana, supondo-se ser impossível sobreviver sem a sua existência.
A mercadoria se apresenta em dois aspectos, como valor de uso e como valor de troca. É possível compreender o valor de troca como “a base material com que se manifesta uma relação determinada” (MARX, 2008, p. 53). Compreende-se que o aspecto relevante ao modo de produção capitalista se materialize no valor de troca, pois, é a partir dele que o capital se reproduz.
Cabe ressaltar que o trabalho e a mão de obra do trabalhador são compreendidos enquanto valor de troca. É a partir da mão de obra necessária que o capitalista irá analisar se o trabalhador atende ou não suas necessidades para o fluxo da mercadoria (produção – circulação – realização) e, consequentemente negociar enquanto mercadoria, quanto deve ser pago. Dessarte, é atribuído ao trabalhador um preço de mercado para que seja possível obter um valor de troca
durante o processo. Com a necessidade da obtenção de maiores valores de troca, no âmbito do trabalhador, é possível identificar fatores de fragilização nas relações de trabalho e forte propensão ao trabalho alienado (considera-se como trabalho alienado aquele em que o trabalhador não se reconhece), bem como a sua exploração.
Segundo Marx (2006, p. 66) “o trabalhador transformou-se numa mercadoria e terá muita sorte se puder encontrar um comprador. E a procura, à qual está sujeita a vida do trabalhador, é determinada pelo capricho dos ricos e dos capitalistas”. Esse trecho, explicitado na obra “Manuscritos Econômico-Filosóficos” (MARX, 2006), demonstra de forma bastante clara como se dá a relação de dominação e do trabalhador enquanto mercadoria.
A partir do ponto de vista do capitalista, o seu interesse em relação à força de trabalho é a produção da mercadoria e, consequentemente, sua venda e lucro (caracterizada pela extração da mais-valia). Para tanto, expõe o trabalhador a situações de exploração seja por meio do aumento da carga horária de trabalho, diminuição de salários e ainda através da substituição de seu posto de trabalho por máquinas, provocando a “destruição, precarização e eliminação dos postos de trabalho, resultando em um desemprego estrutural” (ANTUNES, 2005, p. 15).
O trabalhador que passa pelos processos exploratórios supracitados acaba expondo-se a fragilizações e situações de vulnerabilidade no âmbito biopsicossocial o que também pode ocasionar o seu desligamento da empresa empregadora. Essa fragilização ainda, reforça a precarização do trabalho e acentua o que se pode chamar de “sociedade de trabalho” sem interessar o vínculo que se tem, seja ele formal ou não (a carteira assinada e a contribuição com a previdência social são colocados em segundo plano devido à necessidade do trabalho e posterior remuneração para a sua subsistência).
Com o acirramento e crescimento do capitalismo, acentuou-se o descaso com os trabalhadores, colocando-os em um patamar de objetos, “máquinas vivas” que produzem riqueza (mesmo sem condições de acessá-las) e quando não mais os interessar são descartados e substituídos por “algo” novo, em melhores condições e que ficarão a disposição para serem substituídos assim que necessário.
Assim como todas as demais profissões, a do Serviço Social encontra-se inserida na divisão social e técnica do trabalho, que “[...] tanto especializa o trabalho, quanto pluraliza suas necessidades, por isso mesmo seu produto serve-lhe apenas de valor de troca” (MARX, 1989, p. 119). Especificamente no que tange ao profissional assistente social, seu trabalho está diretamente relacionado às expressões da questão social.
Para Iamamoto, a questão social é vista como um objeto específico de trabalho do profissional assistente social, “é ela, em suas múltiplas expressões, que provoca a necessidade da ação profissional [...]. Essas expressões da questão social são a matéria-prima ou o objeto do trabalho profissional” (1999, p.62). Como exemplo de expressões que dão visibilidade à questão social, é possível elencar as temáticas envolvendo o uso/abuso de drogas; pobreza; preconceito, etc. Estas temáticas, em geral, caracterizam-se como prioritárias no que se refere à necessidade da intervenção do assistente social, com vistas a emancipação/autonomia do sujeito.
Para que o enfrentamento às referidas expressões seja realizado, necessita- se do reconhecimento do movimento dialético enquanto imprescindível aos profissionais, devido a necessidade de desvendar os fenômenos sociais em sua amplitude. Em sua obra Contribuição à Crítica da Economia Política, Marx explicita que “o concreto aparece no pensamento como o processo da sínTese, como resultado, não como ponto de partida, embora seja o verdadeiro ponto de partida e, portanto, o ponto de partida também da intuição e da representação.” (MARX, 2008, p. 259).
Para contemplar o processo citado anteriormente, a categoria profissional de assistentes sociais, adotou como método de investigação e de intervenção o método dialético-crítico, como abordado anteriormente no capítulo da metodologia. Para Sousa (2008) o assistente social ocupa um lugar de destaque no mercado de trabalho, pois, na medida em que ele atua diretamente no cotidiano das classes e grupos sociais menos favorecidos, ele tem a real possibilidade de produzir um conhecimento sobre essa mesma realidade. Dessa maneira, o conhecimento é, sem dúvida, o seu principal instrumento de trabalho, pois lhe permite ter a dimensão das possibilidades de intervenção profissional.
Para caracterizar o trabalho do Assistente Social é fundamental entender “a natureza qualitativa dessa atividade profissional, enquanto ação orientada a um fim como resposta às necessidades sociais, materiais ou espirituais [...] de segmentos sociais das classes subalternas na singularidade de suas vidas” (IAMAMOTO, 2007, p.417). Sendo o trabalho do assistente social considerado interventivo, se faz necessário compreender a dinâmica das relações apresentadas pelos sujeitos e os fatores que estão vinculados a essas “necessidades” para que se consiga possibilitar os processos emancipatórios de cada um.
Estudar, pesquisar, debater temas, reler livros e textos não podem ser atividades desenvolvidas apenas no período da graduação. Se durante a prática profissional o assistente social não se atualiza, não questiona as demandas institucionais, não acompanha o movimento e as mudanças da realidade social, estará certamente executando uma reprodução mecânica de atividades, tornando o seu trabalho tecnicista, e, sem dúvidas, não promovendo mudanças significativas seja no cotidiano da população usuária ou na própria inserção do Serviço Social no mercado de trabalho (SOUSA, 2008).
No entendimento de Cavalcanti e Zucco (2006), o assistente social precisa ter domínio teórico e técnico sobre a política em que direciona sua atuação, o que não impulsionará, por si só, a efetivação dos princípios ético-políticos da profissão, presentes em seu projeto profissional. Para isso, o profissional dependerá de sua clareza acerca das dimensões teórico-metodológica, técnico-operativa e ético- política na garantia do acesso às políticas, como por exemplo, a da saúde.