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D EPARTMENT OF A RCTIC G EOLOGY

4. EVALUATION OF UNIVERSITY DEPARTMENTS

4.6 THE UNIVERSITY CENTRE IN SVALBARD

4.6.1 D EPARTMENT OF A RCTIC G EOLOGY

Se a tensão entre os polos mercantil e político é aquela mais evidente, certamente não se trata da única que compete ao redator de textos técnicos administrar. Para Schwartz (2007, p. 31).

[...] somos sempre apanhados pela retaguarda, no que tange à atividade

humana. Ela está sempre, em um dado meio, em negociação de normas. Trata-se de normas anteriores à própria atividade: a atividade negocia essas normas em função daquilo que são as suas próprias. Qualquer que seja a situação, há sempre uma negociação que se instaura. E cada ser humano – e principalmente cada ser humano no trabalho – tenta mais ou menos (e sua político, merece especial destaque, sobretudo por se revelar perfeitamente alinhado à natureza da sua reivindicação ‒ política ‒, visando, portanto, ao bem comum.

54 O Sindicato dos Jornalistas encontra-se disponível no endereço: <http://www.sjsp.org.br/>. Acesso em:

tentativa nem sempre é bem sucedida) recompor, em parte, o meio de trabalho em função do que ele é, do que ele desejaria que fosse o universo que o circunda. [...]

De acordo com o filósofo francês, em qualquer situação de atividade humana – e, por conseguinte, de trabalho – verifica-se a associação de diferentes saberes, que resultam num dos fundamentos científicos da proposta ergológica: os saberes

acadêmicos ou instituídos, que correspondem a tudo aquilo que é formalizado, ensinado e consultado, independentemente de quais sejam os suportes por meio dos quais o conhecimento se dá (livros, escritos, gráficos, manuais, organogramas, todo o referencial dos prescritos, das normas), e os saberes práticos ou investidos, que contemplam os conhecimentos adquiridos na dimensão experimental, de ordem prática do trabalho, considerando, desta forma, a experiência peculiar a cada trabalhador, a sua história, o seu conhecimento acumulado, tenha ele se dado particular ou coletivamente. Ambos os saberes constituem o que na Ergologia designou-se como “normas

antecedentes”. Na síntese do filósofo comoriano Abdallah Nouroudine (2009),

professor e pesquisador do Departamento de Ergologia da Universidade de Provença, “[...] a ‘norma antecedente’ comporta diversas formas de antecipação às quais os protagonistas se referem para realizar as atividades”, sendo ainda, nas palavras de Schwartz (2011, p. 137), uma conquista de toda a sociedade humana.

Por exemplo, dos prescritos que compõem a atividade de trabalho do redator de textos técnicos, já nos detivemos em torno de quais devem ser, segundo os registros da CBO 2002, algumas das competências pessoais desse profissional – muito embora também já tenhamos analisado que elas se referem à Família dos Profissionais da Escrita em geral e, nesse contexto, condensam preceitos que acabam por privilegiar a produção literária. Entre elas, encontram-se “1. Demonstrar hábito de leitura” e “5. Dominar a língua”, que também correspondem às prescrições que emergem naturalmente no senso comum quando se pensa nas características de alguém que atue com a produção de textos ‒ “Ah, então você deve ler muito!”, “Você deve saber tudo de

Português!”, etc. E, para além desses exemplos de saberes instituídos e já

“relativamente estabilizados”, que se referem ao “protocolo experimental” (NOUROUDINE, 2009) do exercício do redator, os seus saberes investidos serão alcançados mediante aquilo que, em negociação com as normas, ele vai colocando de si mesmo – e, portanto, de toda a sua singularidade individual e histórica – no desenvolvimento do seu próprio trabalho, configurando a sua própria maneira de saber

fazer. De outro modo, se as normas antecedentes contemplassem tão somente os

saberes instituídos – igualmente essenciais –, seria de se supor que, em

instrumentalizando um grupo de redatores de textos técnicos com os mesmos suportes teóricos e em lhes passando exatamente os mesmos prescritos acerca de como produzir um texto, todos eles apresentassem as mesmas redações em resposta a um tema em comum que lhes fosse solicitado desenvolver – o que seria impraticável.

Embora não nos demos conta dessa questão na maior parte do tempo, o fato é que somos levados a apreciar a atividade de trabalho do outro a partir dos prescritos que a envolvem, e não pelos usos que ele faz de si. Ou, ainda, apreendemos da atividade de trabalho, de maneira relativamente acessível, os seus meios e resultados (“o redator escreve”, “o professor ensina”), quando ela própria, no essencial, não se vê (SCHWARTZ, 2011, p. 134). Assim, se, apesar da invisibilidade da sua atuação, encontramos algumas referências do que se espera do exercício profissional de um redator, interessa-nos saber, então, quais são os usos que lhe compete fazer de si mesmo desde a demanda do seu contratante até a entrega da sua redação final, convocando para o plano visível esse conteúdo da sua atividade que ainda permanece encoberto.

Ao mesmo tempo em que se constitui pelas normas que lhe são anteriores, a atividade também se organiza a partir dos debates de normas e de valores peculiar à natureza humana daqueles que a realizam, que precisam se valer de si mesmos para desempenhá-la, uma vez que nenhuma norma nos desobriga de repensar, no nosso íntimo, as nossas escolhas de ser e de vida (SCHWARTZ, 2011, p. 133), advindo daí o que o filósofo francês denominará de “dramáticas da atividade” ou “dramáticas do uso

de si”. Além disso, por mais exaustivas que sejam as tentativas, essas normas não são

capazes de enquadrar, de antecipar, de predeterminar todas as possibilidades (algo

impossível), justamente pelo fato de que nenhuma ação pode ser reduzida à mecanicidade da sua aplicação (isto seria invivível) – mesmo naqueles trabalhos considerados exclusivamente operacionais, tal como já o comprovaram alguns valiosos estudos nos quais operadores de linhas de montagem foram observados em situação de

trabalho indo além da “cientificidade”. E, por fim, tendo em vista a própria infidelidade do meio em que a atividade se processa (o que significa que no próprio ambiente em que ela se dá ocorrem diversas intervenções técnicas, humanas ou outras que não se pode prever), as normas ainda se revelam insuficientes, evocando ora o preenchimento do seu vazio (“vazio de normas”), ora renormalizações por parte do seu protagonista. Ou seja: haja vista que toda atividade de trabalho é também permeada pelo uso de si, tem-se que

ao trabalhador é preciso estabelecer uma consonância entre os seus saberes, surgindo daí, inúmeras vezes, a necessidade de se reavaliar e/ou de renormalizar a maneira como se desencadeia a atividade, posto que, se de um lado estão as normas, os regulamentos e os procedimentos codificados, de outro figuram as demandas individuais, já que, “[...] quando se trabalha, não há uma simples submissão a procedimentos, à execução estrita de uma tarefa, mas há, principalmente, o uso de um capital pessoal” (SCHWARTZ; DURRIVE, 2007, p. 191).