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Comparison with other architectures

6.2 Optimisation of rule parameters

7.1.4 Comparison with other architectures

O estudo de caso consiste no “estudo da particularidade e complexidade de um único caso, conseguindo compreender a sua atividade no âmbito de circunstâncias importantes” (STAKE, 2007, p. 11). É uma modalidade de pesquisa difícil de ser abordada dada sua aplicação e abordagens díspares (YIN, 2010). O estudo de caso é caracterizado pelo “estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado” (GIL, 1999, p. 72-73). Em outros tipos de delineamento considerados não seria possível este tipo de metodologia, uma vez que o objetivo do estudo de caso é a particularização (STAKE, 2007).

O caso é um fato específico, complexo e em funcionamento. É um sistema integrado. Assim, a construção de dados em uma instituição de ensino fundamental pode ocorrer, perfeitamente, com a utilização da metodologia do estudo de caso, pois seu objetivo é a compreensão dos diferentes fenômenos sociais (YIN, 2010), sem existir uma definição substancial sobre os limites entre o fenômeno e o contexto estudados.

Porém, existem algumas limitações sobre a utilização de estudos de caso. São elas: falta de rigor metodológico, dificuldade de generalização e tempo demasiado destinado à pesquisa (GIL, 1999; YIN, 2010). Tais limitações indicaram que o investigador possui um papel relevante, demandando ter cuidado com as generalizações e buscando o rigor científico no tratamento da questão.

No estudo de caso, é importante a elaboração de um roteiro de entrevista a ser utilizado com os participantes (GIL, 1999; STAKE, 2007; YIN, 2010). Mas, a qualquer momento do estudo, o investigador pode modificar ou substituir as perguntas iniciais do roteiro de entrevista previamente preparado para a construção de dados. Ademais, na construção de dados, o pesquisador de um caso qualitativo procura preservar as múltiplas realidades19, mantendo os enunciados diferentes e contraditórios.

Para Stake (2007, p. 33), as perguntas para “a enunciação de problemas fornecem uma poderosa estrutura conceptual para organizar o estudo de um caso”. Assim, o trabalho de investigação na construção dos dados foi facilitado pela enunciação de problemas, expressos de qualquer modo, desde que útil, podendo ter sido tanto declarativos quanto interrogativos.

Além disso, na construção dos dados, a enunciação de problemas pode surgir como uma relação de causa e efeito, mas também pode ser apenas um problema possível, pois,

segundo Dilthey (2010), não existe fenômeno possível de vir à tona sem uma conexão com o horizonte maior de sua manifestação. Desse modo, é possível que a compreensão da experiência humana seja, para o investigador qualitativo, mais uma questão de cronologia do que de causa e efeito.

É provável que perguntas informativas sejam confundidas com perguntas para as questões problemáticas ou perguntas com caráter avaliativo. Também pode ser um equívoco realizar perguntas de pesquisas abrangentes e contínuas como organizadoras do estudo de caso, porque estas contribuem muito pouco para a criação de uma estrutura conceitual (STAKE, 2007), apesar de serem importantes.

Daí a necessidade de terem sido formuladas perguntas interessantes ao invés de partir do princípio que elas apareceriam do nada. A evolução das perguntas para as questões dos dados construídos ocorreram pela transição das seguintes fases: pergunta pontual, problema implícito, problema decorrente e asserção (STAKE, 2007). Estas fases se sobrepõem e se interrelacionam de maneira funcional e a transição acontece quando os dados se tornaram clarificados e redefinidos, possibilitando, assim, o desenrolar da investigação.

Neste estudo de caso qualitativo foi interessante que se cuidasse para que as perguntas não fossem personalistas, ou seja, as perguntas de pesquisa não serviram à compreensão e resolução de questões pessoais. Assim, o que foi feito no campo e a elaboração de um formulário foram atributos igualmente importantes para a organização da construção dos dados, em que foi necessária a elaboração de um plano detentor de raízes nas perguntas de investigação.

Além do cuidado com as perguntas, outras habilidades são necessárias para um pesquisador do estudo de caso. Yin (2010) destaca a importância da preparação e treinamento de um estudo de caso, exemplifica como elaborar um protocolo de estudo de caso e sintetiza a elaboração de um relatório de pesquisa. Assim, o investigador estará preparado para desenvolver quaisquer papéis que possam lhe ser atribuído.

Stake (2007) menciona cinco papéis do investigador de estudos de caso: professor, defensor, avaliador, biógrafo ou intérprete. No papel do professor, o investigador fornece informações sobre a pesquisa e a construção dos dados. Na qualidade de defensor de modelos de pensamento, o investigador mostrar-se um pouco mais comedido, transmitindo a mensagem sem a necessidade da defesa. Como avaliador, o investigador avaliar o programa, pessoa, agência ou qualquer outra situação que signifique um caso. Como biógrafo ou

intérprete, o investigador vai além do domínio dos cientistas e alcança o domínio das artes20. Assim, no estudo de caso, “embora a realidade que procuramos seja da nossa própria criação, é uma criação coletiva. Nós procuramos a realidade bem sintonizada, uma realidade que sustente exames rigorosos e criativos” (STAKE, 2007, p. 117).

Contudo, a construção dos dados com a utilização da metodologia do estudo de caso necessitou de protocolos. Os protocolos foram necessários para encontrar a validade dos dados observados e construídos. Isto significa que os protocolos da investigação permitiram a crítica do relato, ou seja, a indagação se o relato do pesquisador transmitiu o mesmo significado em circunstâncias diferentes. Daí a importância da participação dos entrevistados na construção do conhecimento da pesquisa.

A escrita do relatório do estudo de caso dependeu da organização inicial do relatório, dos leitores, da narração de histórias e de pequenos episódios. A compreensão do caso por parte de alguns leitores foi um componente indispensável para uma descrição detalhada. Segundo Stake (2007), é recomendável a escolha de um leitor modelo, que nada mais é do que o público para quem o investigador escreve. Porém, a previsão da reação do leitor não impõe a necessidade de mudar o relatório, pois o mais importante é escrever promovendo um encontro entre o leitor e a complexidade do caso.

Encerrando, o caso foi algo especial de ter sido estudado com possíveis problemas e relações. O caso foi considerado uma entidade. Ele apresentou uma vida singular. Para Stake, (2007, p. 149), o caso é algo que não compreendemos, mas queremos compreender. Por isso “fazemos um estudo de caso”. É recomendável que o caso seja observado in loco. O estudo de caso é subjetivo e o investigador tenta promover ao leitor algo da experiência pessoal na construção de dados. Os casos altamente atípicos poderão contribuir para a compreensão de outros casos.

Ao observar, interpretar e descrever as ações de um caso, o pesquisador não deve se afastar dos seus aspectos de vida, pois “o estudo de caso qualitativo é uma investigação altamente pessoal” (STAKE, 2007, p. 149), em que as pessoas ou situações são estudadas em profundidade. E mais: o estudo de caso pode fracassar porque se exigiu demais dele. Mas, ele também poderá ser visto como a finalização de uma obra de arte.

20 As obras e o pensamento de Goethe são exemplos que ilustram o papel do investigador ou artista como intérprete. A esse respeito, consultar o artigo de MAAR (2006), publicado na Revista Episteme.