3.3 Application to dialogue management
3.3.3 POMDP dialogue policies
A primeira questão de pesquisa que orientou este trabalho focalizou as razões que levam prospectivos profissionais do curso de pedagogia e licenciaturas a optarem pela profissão. Embora as respostas à questão tenham variado muito, elas acabaram circulando em torno de alguns eixos significantes que puderam ser identificados com relativa facilidade. Estes enfatizaram aspectos como gosto pela disciplina, aptidão, que envolve a ideia de alguém se sentir de alguma forma vinculado desde o nascimento para desempenhar determinado tipo de profissão. Em contraste com isso, emergiu a noção de circunstância, envolvendo a ideia de que o participante decidiu ser professor, ou foi levado a decidir, isto é, um conjunto de situações vinculadas à sua realidade mais imediata, que, de alguma forma facilitaram a decisão de tornar-se professor. Além disso, houve ainda aqueles que enfatizaram a profissão como funcional, associando a ideia de que ela serve para desenvolver capacidade para a maternagem de qualidade, por exemplo, ou que ajuda no desempenho de certas profissões que envolvem cuidado com pessoas, preparando para o seu desempenho no mercado de trabalho. Essas razões, embora
com suas ênfases específicas não devem ser pensadas como autoexcludentes. Ao contrário, são frequentemente complementares e vinculadas. Assim, no texto que segue ao analisarmos de modo mais detalhado cada uma delas, devemos ter sempre em mente a sua complementaridade.
Entre os participantes, um motivo bastante citado para a escolha do curso diz respeito ao gosto pela disciplina. Pode ser inferido da fala dos participantes a noção de gostar como vinculada a um desejo em relação a um objeto. Muitos constituem esse desejo em vínculos que se estruturam na subjetividade mais profunda da pessoa, levando à noção de aptidão. Conforme nos aponta Galvão (2003), talento, sucesso, desempenho possuem significados sociais que variam conforme o contexto cultural de cada sociedade, estando relacionada também a ideia de tempo. Trata-se então de relacionar quem tem talento, ou mesmo aptidão para alguma coisa, a certa facilidade para desenvolver algo que é visto pela sociedade como altamente valorizado. Tal pensamento pode ser identificado na fala do participante quando ele assume que sempre possuiu facilidade para matemática, especificamente na resolução de problemas:
Porque eu sempre tive aptidão na área de matemática e sempre gostei. Sempre tive facilidade mesmo em cálculo, em... na área de resolução de problemas, na escola era a área que eu tinha mais facilidade mesmo. (Informação verbal) (E2).
Aqui, o entendimento para o gostar do objeto é ter facilidade em lidar com ele, ou seja, é possível relacionar ter aptidão por gostar, ou ter facilidade em desenvolver algo com extrema facilidade, entretanto repetidas vezes, por exemplo, um jogador de basquete, ou de futebol que executam em constância a mesma atividade, consegue atingir a habilidade necessária para executar com perfeição o objetivo desejado.
Um participante, professor de matemática, justificou que queria ter um curso superior, qualquer um. No cenário educacional brasileiro, trata-se ainda de um sonho de consumo para a maior parte da população, que deseja tornar-se mais educada. O mesmo participante declara que gostava de matemática desde criança, citando que esse gostar foi fortemente influenciado pelos professores que teve. Chama-lhe a atenção duas qualidades desses professores: a competência, no sentido de que deviam dominar conteúdos e saber o que estavam fazendo; e se relacionavam bem com os alunos. Nota-se aqui algo que tem sido bastante enfatizado pela literatura e
que diz respeito à forte influencia que um professor pode ter na vida de alguém. Essa (boa) relação professor-aluno apareceu na fala seguinte com muita ênfase, o que demonstra a importância de tal relacionamento no processo de ensino e aprendizagem.
O que mais me chamou a atenção na matemática foram os professores que eu tive. Professores que sabiam lidar com a matéria, e pessoas que sabiam lidar com o público em geral. Eu acho que foi isso que mais me cativou, os professores foram fantásticos, eu só tenho lembranças boas dos meus professores. Inclusive até hoje quando eu encontro com eles na rua agente troca ideia (Informação verbal) (E1).
A facilidade com a disciplina foi mencionada pela maioria dos participantes e parece ter sido critério fundamental no momento de escolha do curso superior. Essa facilidade, mencionada pelos entrevistados, é percebida por meio de habilidades como saber resolver problemas que envolvam cálculo, além do hábito de leitura constante que a pessoa possui e que é notada desde sua infância seja percebido por ela mesma, ou por pessoas com quem convive. Interessante destacar que um entrevistado, E3, citou a importância da leitura em sua vida, para ele ter a sua disposição acervo com diferentes tipos de leitura foi fundamental para o desenvolvimento do gosto pela leitura.
A noção de aptidão-vocação está muito presente nas significações do que seja a profissão docente para a maioria dos entrevistados. Conforme alguns participantes, o indivíduo já nasce com essa facilidade, e, é evidente que o sujeito não nasce sabendo que será professor, mas à medida que desenvolve atividades que envolvam o ofício essa percepção torna-se cada vez mais forte. Assim, nas falas que se seguem, a representação de ser professor é fortemente relacionada à vocação, aptidão ou dom.
(...) Porque eu sempre tive aptidão na área de matemática e sempre gostei. Sempre tive facilidade mesmo em cálculo em... na área de resolução de problemas na escola era a área que eu tinha mais facilidade mesmo. (Informação verbal) (E2).
(...) Eu acredito que é uma vocação porque você sente lá no íntimo (Informação verbal) (E4).
Outro aspecto bastante enfatizado pelos entrevistados foi de um gostar que supere dificuldades e incentivos negativos apesar de a pessoa ter sido alertada de que as licenciaturas não ofereceriam ganho salarial satisfatório. Na maioria das falas, o sentimento de realização e amor à profissão ficou evidente a ponto de uma
das entrevistadas chorar quando falou de sua satisfação com o curso escolhido e do futuro exercício profissional como professora. Nesse sentido Brasil (2008) diz que a escolha profissional se justifica por expressar amor e idealismo. O amor destacado parece ser condição necessária para atuar na educação infantil, bem como para explicar a escolha e permanência na profissão. Tal sentimento justificaria o pouco prestígio, o baixo salário, a pouca profissionalização e as reais condições de trabalho do professor. Na fala que se segue é possível observar tal afirmação:
(...) porque você sente, não pelo que as pessoas a sua volta te falam, mas porque você sente lá no íntimo que vale a pena por mais que as pessoas te falem que não tem mercado de trabalho, que não dá dinheiro, que é uma profissão que não tem reconhecimento (Informação verbal) (E4).
É importante mencionar que os estudantes E1, E2 e E3 mencionaram um gostar que propicie prazer em tudo que se relaciona com a profissão de professor, palavras como amor, sonho, adorar e gostar expressam a satisfação a respeito da formação.
Conforme E6 o dinheiro não é fator motivacional em seu ofício, o participante expressou essa visão que possui com a palavra “ambição”, não ter ambição para ele é não se preocupar com dinheiro. Talvez esse pensamento de despreocupação financeira se evidenciou na fala do participante, por vir de uma formação religiosa em que o dinheiro tem pouca importância em relação à ajuda prestada ao outro. Outra expressão que chamou a atenção quando questionado sobre a escolha profissional, foi o “gosto pelo conhecimento” à representação que o participante possui do professor é a de um profissional que se dedica ao ensino e ao conhecimento, para ele ser professor é possuir conhecimento e a filosofia é o caminho possível para essa pretensão. De acordo com Brasil (2008), Perfeito (2011) e Iosif (2007) esta visão não é a mesma da realidade vivida pelos professores atualmente, onde uma das insatisfações é o salário considerado insuficiente.
A escolha do curso também se deu pela funcionalidade oferecida. Uma participante citou que sempre quis ser professora, chegou até mesmo a querer estudar em uma escola Normal, mas desistiu quando soube que deveria estudar o dia inteiro, optou por um curso acadêmico à noite para trabalhar durante o dia. Essa mesma participante declarou que ter um curso superior e poder aproveitá-lo para a maternagem, por exemplo, foi decisivo na hora de escolha do curso superior.
Brasil (2008), Tardif e Lessard (2011) apontam em diversas pesquisas que este pensamento ainda é determinante na profissão. A ideia de profissão docente como profissão de dificuldades, também foi mencionada durante a entrevista pela futura pedagoga, foi possível perceber pela fala e, até mesmo pelo semblante da entrevistada, certo arrependimento em exercer a futura profissão, entretanto, o gostar da profissão foi mencionado como motivo para continuar a formação e ofício.
Outro motivo para a escolha do curso foi para trabalhar em área específica deixando o magistério para segundo plano. O participante, E10, mencionou a possibilidade de trabalhar em várias áreas como, por exemplo, na área de filosofia política e como escritor. Para ele, o bom professor é aquele que se dispõe a mudar a realidade social e que mostra essa realidade possível ao aluno, o professor deve ser capaz de aproveitar o conhecimento já adquirido pelo aluno e, a partir desse conhecimento, inserir outros que conduzam a uma nova aprendizagem. Tal conhecimento é possível por meio da leitura, ler é fundamental para uma formação competente.
A influência de contexto foi mencionada por uma participante como fundamental quando escolheu o curso de pedagogia, essa motivação surgiu após participar de um curso em que uma equipe pedagógica ensinava técnicas de apresentação de trabalhos a um grupo de técnicos de prevenção de acidentes, o uso dessas técnicas possibilitou melhor apreensão, por parte dos trabalhadores, de como prevenir acidentes de trabalho. Conforme a participante, é necessário ao educador manter posturas que facilitam o processo de ensino e aprendizagem, saber falar e se posicionar em apresentações de slides, por exemplo, são aspectos importantes e que devem ser considerados pelo professor ao ministrar as aulas, essas técnicas que o professor possui devem vir acompanhadas de avaliações contínuas dos alunos, a exemplo das seguintes manifestações:
(...) e os pedagogos vieram e falaram uma série de coisas, como você deve se posicionar na frente de um slide, como você deve falar (...) (Informação verbal) (E11).
(...) então tinha funcionários até analfabetos e se você chegar e ficar na frente do slide com uma canetinha na mão e fica de longe... e não dá pra ser assim, porque você tem que avaliar um monte de coisas (...) (Informação verbal) (E11).
Outro motivo para escolha do curso foi à experiência com a docência. Para a participante E14 a experiência como professora, mesmo informalmente, foi algo que
a motivou a continuar na carreira como docente. Vale destacar que a especialização foi mencionada como essencial para a carreira. Conforme a participante, professora de letras e inglês, ter uma especialização é necessário para concorrer a uma melhor posição no mercado de trabalho. Outro entrevistado E1 declarou que fez o curso de matemática para concorrer a vagas em empregos públicos e não para a carreira docente. O principal motivo para não permanecer no magistério foi o salário considerado por ele como insuficiente e as dificuldades do oficio de professor. Tais dificuldades não foram mencionadas pelo participante.
É importante destacar a fala de um entrevistado que mencionou a escolha profissional por exigência e não por opção, e que a vontade em atuar no magistério apareceu no decorrer do curso momento em que percebeu a importância da carreira docente e mesmo o gosto pela disciplina. Essa importância mencionada trata-se especificamente da própria disciplina, para ele a filosofia é um campo do conhecimento que possibilita discutir a realidade e mudá-la:
Como eu falei, foi uma exigência do Instituto. Eles me mostraram o porquê do curso, na educação religiosa você precisa fazer filosofia e teologia então eles te caminham a fazer o curso. Assim... Eu resolvi fazer e tô aqui até hoje, não sei se foi coincidência mais eu gostei (Informação verbal) (E6).
Um dos entrevistados E3 mencionou que a filosofia lhe proporcionou o prazer de ouvir o ser humano e entendê-lo em suas dificuldades, é um conhecimento que possibilita a interação entre as pessoas para um melhor convívio social. Esta ideia se aplica na escola, na relação professor aluno, é necessário ao professor ouvir o aluno e respeitar a bagagem intelectual já apreendida. É necessário que o professor valorize os conhecimentos já adquiridos pelos alunos, e, a partir deles, inserir conhecimentos novos. Os pensadores como Aristóteles e Platão foram bastante citados por um dos participantes, a importância mencionada diz respeito a uma visão de mundo em que o homem vive em prol do próximo e essa convivência só será real quando houver respeito compartilhado.
Outro aspecto que responde a razão para escolha do curso diz respeito à infância. As falas dos participantes se direcionam a uma identificação, referente ao magistério, notada desde a infância. Essa identificação foi mencionada por dois participantes e se deu pela percepção e facilidade em lidar com áreas do conhecimento com relativa facilidade. Um participante aluno de filosofia declarou
gostar de ler desde sua infância. Outro entrevistado afirmou gostar de matemática porque resolvia com facilidade, desde sua infância, problemas relativos a essa disciplina sem dispender muito esforço. É importante ressaltar que E3 mencionou a oportunidade que teve de conviver em espaços que possibilitaram o desenvolvimento da aprendizagem, como ter a disposição acervo de livros, para ele, a leitura contínua foi fundamental para aprofundar seus conhecimentos.