CHAPTER 4: METHODOLOGICAL FRAMEWORK OF STUDY
4.4 M ETHODS OF DATA COLLECTION AND ANALYSIS
4.4.3 A template analysis approach to data analysis
Conforme explicitado anteriormente, retomaremos nesta seção as discussões acerca da construção de indicadores qualitativos por considerá-los fundamentais e
pertinentes ao teor da abordagem deste estudo avaliativo, que é de natureza qualitativa. Nessa perspectiva, tomaremos por maior referência as análises de Minayo ao discorrer sobre a construção de indicadores dessa natureza.
É compartilhado por alguns estudiosos do campo de avaliação de políticas públicas que, ao longo dos anos, vêm se empreendendo ações num esforço significativo de aprimorar os indicadores no campo da abordagem qualitativa. A busca pela inserção de aspectos de ordem subjetiva nos processos avaliativos visa essencialmente a aumentar a validade dos parâmetros de análises das informações obtidas.
Assim sendo, afirma Minayo (2009), existem no mínimo duas vertentes de abordagem nessa forma de construção: uma advinda da lógica quantitativa e a outra que é inspirada na fundamentação hermenêutica.
Destaca ainda que a busca por mensurar valores, opiniões, relações e vivências intersubjetivas – características essenciais dos indicadores qualitativos por estratégias quantitativas – datam dos anos 1920, a partir da criação de diversas escalas.
Dialogando com Assis, a autora menciona alguns desses instrumentos, como a escala de distância social, em que se faz solicitação ao entrevistado no sentido de haver o estabelecimento de hierarquia de intimidade e convivência social que ele estivesse disposto a ceder para pessoas de outras nacionalidades, raças e etnias; escala de Thurstone, baseada em conceitos do tipo “concordo” ou “discordo”, sendo tais resultados submetidos à análise de especialistas no assunto sob estudo, que deverão apontar tendências; a escala de Likert, que estabelece os mesmos procedimentos da escala de Thurstone, diferenciando-se pelo fato de que, nesse caso, não serão os especialistas a analisarem, e sim grupos sociais que possuem as mesmas características. O escalograma de Guttman estuda as concordâncias entre respostas, buscando construir um perfil de comportamento em relação à tolerância e aceitação da presença de outros grupos étnicos; e a técnica sociométrica de Jacob Moreno, que se refere à construção de sociograma na busca de estabelecer as medidas de variáveis sociais ou medição de grau de vínculos entre os indivíduos de um determinado grupo.
Cabe salientar que essas técnicas, em maior ou menor grau, conferiram valor numérico ou percentual a respostas de conteúdos subjetivos seguindo modelos de análise qualitativos do período em que foram criados. Todos eles evidenciam a
lógica do pensamento estatístico que os nortearam em suas preocupações metodológicas, as quais, segundo referem Boudon e Lazarsfeld (1973), são: construção de amostras ordenadas de forma sistemática; validação dos procedimentos de coleta de dados e resultados; criação de codificadores para medir regularidades; utilização de análise de frequência visando à objetividade e à cientificidade; e construção de dispositivos para mensurar validade, fidedignidade e produtividade de análise.
Em tempos mais atuais, é possível identificar com certa frequência avaliações qualitativas tendo por base a lógica quantitativista, a exemplo das pesquisas de satisfação ou indicadores de satisfação do usuário, em que o pesquisador busca um “quantum” de satisfação a respeito das relações mantidas com profissionais, informações recebidas e eficácia ou competência da ação dos profissionais em relação aos serviços dispensados aos usuários. (MINAYO, 2009)
Ainda de acordo com a referida autora, a esse tipo de investigação acima descrito, referente a pesquisas avaliativas qualitativas e que se apropriam de instrumentos e resultados de recorte quantitativo, convencionou-se chamar de “mensuração de atitude” ou “escala de atitudes”. Segue sua análise fazendo uma crítica acentuada a respeito desses procedimentos, que, segundo ela, são bastante antigos no tocante a estudos de percepção e subjetividade. Entretanto, as escalas continuam reduzindo a questão da singularidade e individualidade dos sujeitos a uma série de hipóteses estabelecidas pelos pesquisadores. Dito de outra forma, há um empobrecimento na forma de colher as informações, pois em geral esse tipo de investigação não considera os aspectos sociais, culturais e econômicos dos entrevistados.
Num outro eixo, encontra-se a abordagem da construção de indicadores qualitativos por estratégias qualitativas. Nesse sentido, importa observar as reflexões abaixo:
Chamo de indicadores qualitativos propriamente ditos os que expressam a voz, os sentimentos, os pensamentos e as práticas dos diversos atores que compõem o universo de uma pesquisa ou de uma avaliação. Eles evidenciam a adoção ou a rejeição de certas atitudes, valores, estilos de comportamento e de consciência e se fundamentam na necessidade de ressaltar as dimensões das relações vividas intersubjetivamente, entendendo que elas fazem parte de qualquer processo social e o influenciam. (MINAYO, 2009, p. 87)
A autora em pauta atribui acentuada importância ao assumir uma postura norteada pela categoria metodológica hermenêutica, no momento de construção de indicadores qualitativos. Nessa perspectiva, devem-se considerar alguns aspectos relevantes.
Primeiro, a realidade empírica e concreta é o local onde se origina a produção de indicadores; segundo, ter presente que os atores sociais se expressam a respeito de qualquer “assunto do mundo da vida” a partir das suas referências. Dito de outra maneira, os sujeitos interpretam e julgam os fatos de acordo com a sua posição e condição de classe social, etnia, gênero, função social, idade, entre outros aspectos; terceiro, os pesquisadores devem fazer as suas análises procurando se colocar dentro do processo de construção da realidade, valorizando a relação entre observador e observado, ambos implicados no momento histórico e, portanto, fazendo parte de fatores sociais comuns; e, por fim, ter em mente que indicadores qualitativos são criados com os próprios atores que fazem parte do estudo avaliativo, ao contrário do que ocorre com escalas de mensuração, em que é possível encontrar uma listagem de indicadores.
Em relação às técnicas empreendidas para obtenção de indicadores qualitativos, ressalta-se que as mais comuns são: a técnica de Delphi, que, conforme referem os estudiosos da temática, entre eles Minayo, trata-se de método de consenso de especialistas que estimula e permite a ampla discussão sobre questões e objetivos. Destaca-se que a principal característica dessa técnica é a inexistência de contato presencial entre os participantes, sendo que a interação entre eles ocorre através da circulação das respostas individuais sistematizadas e enviadas a cada novo questionamento. O grupo nominal refere-se a uma técnica em que os participantes do grupo apresentam as suas ideias de forma sistemática e independente. Os participantes são convidados a expor suas ideias num quadro e em seguida abre-se a discussão. Depois, procede-se à classificação das ideias. Por fim, tem-se a tomada de decisão de acordo com a maior pontuação obtida daquelas ideias acerca do problema discutido.
Uma técnica bastante utilizada é a de grupos focais, que, conforme os autores que discutem essa temática, como Morgan (1996) e Krueger (1994), centram-se em um modelo de entrevista realizada na presença do pesquisador devidamente capacitado a mediar um pequeno grupo de pessoas nas discussões (é recomendado não ter mais de oito participantes) sobre um determinado tema sob investigação.
Uma das características marcantes desse tipo de técnica é que os sujeitos da pesquisa podem interagir, podendo observar as demais opiniões e assim dinamizar as discussões.
Por fim, menciona-se a técnica de narrativa. De acordo com Minayo (2012), refere-se a um tipo de estratégia utilizado para pesquisar o sentido da experiência humana comum em lugares sociais específicos. Nessa perspectiva, como o próprio nome sugere, valoriza as narrativas orais como fonte de pesquisa que possibilitam a aproximação dos significados atribuídos à experiência de quem narra, uma vez que resguarda a própria realidade do narrador.