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Utviklingsmuligheter

3   Samfunnsvitenskapelig del

3.9   Nemndenes kontakt og dialog med sin omverden

3.9.8   Utviklingsmuligheter

Acreditamos que a formação do leitor é determinada por dois fatores essenciais na vida da criança e do jovem, a atmosfera literária e linguística reinante tanto em casa, proporcionada pela família, quanto em sala de aula, proporcionada pelo professor.

Em termos ideais, os pais, se letrados, com suas leituras e conversas com os professores de seus filhos, aprendem a reconhecer que o ensino da leitura começa no primeiro ano de vida da criança. Uma das primeiras coisas que as crianças devem pegar e ver são os livros de gravuras. Antes mesmo que a criança seja realmente capaz de compreender o texto, os pais devem estimulá-las a descobrir o universo dos livros, devem ler em voz alta e falar-lhe sobre o livro, contemplando com ela as gravuras e nomeando as coisas que nelas se vêem.

Dessa maneira, a linguagem da criança se desenvolve juntamente com seu interesse pelos livros. Se os pais mostrarem as palavras que explicam os livros de gravuras, também despertarão o interesse pela leitura e, assim, a criança fará as primeiras associações entre o objeto e a palavra, o que já é uma boa preparação para a leitura. Dessa maneira, esses estarão favorecendo o desenvolvimento do vocabulário e a desenvoltura para a leitura, primeiros passos para uma leitura crítica. A criança será bem sucedida e a experiência do êxito é a melhor motivação para desenvolver o gosto e o interesse pelos livros. Silva (1996, p. 40) alerta para a importância do incentivo à leitura na fase pré-escolar dizendo:

Um educando que inicia suas atividades de leitura em seus primeiros anos de vida, certamente, estará inserido na sociedade de forma a exercer conscientemente sua função social; ele terá um relacionamento crítico e reflexivo com o outro e saberá desfrutar das oportunidades que poderão surgir ao longo da sua vida. Ele usará a linguagem em benefício próprio como fator de questionamento, posicionamento e, acima de tudo, como crescimento social; terá possibilidade de ir além do pensamento, por meio da sua capacidade racional, criando novas idéias.

A ajuda dos pais continua a ser necessária mesmo depois que a criança tenha aprendido a ler. Ela deve ser capaz de sentir o interesse dos pais pelo que está lendo, mas nunca em forma de interrogatórios e testes a respeito daquilo que leram. Bamberger (2008, p.71) ainda aconselha que “formar uma biblioteca para a criança, com livros presenteados ou comprados com seu próprio dinheiro, é um dos melhores meios de promover o desenvolvimento da leitura.” E acrescenta que “quem ama os livros deseja possuí-los; quem os possui acaba por amá-los.”

Estudos sobre o incentivo à leitura em família tem causado impacto sobre as práticas educativas, especialmente nos Estados Unidos, e tem gerado a organização de ações mais abrangentes, que incluem a divulgação de programas de parceria

entre as escolas e famílias. Tais ações vêm apresentando resultados bastante promissores, que, comprovam múltiplos benefícios, tanto para a escola como para a família. Pesquisadores americanos tem-se preocupado em pesquisar e desenvolver programas para serem realizados com as famílias, visando a aquisição de competência em habilidades de leitura pelas crianças através de atividades que possam ser realizadas entre pais e filhos em sua rotina diária. (SANTOS e JOLY, 1996)

Os estudos tem demonstrado que nos lares onde há leitura frequente tanto dos pais quanto das crianças, diálogo, acesso fácil e rotineiro a materiais de leitura e escrita e as crianças são reforçadas positivamente sobre o seu desempenho em atividades de letramento, observam-se efeitos positivos nas habilidades específicas de leitura e escrita.

No Brasil, a segunda edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil9 desenvolvida em 2008, pelo Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc), da Unesco, e pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), retrata o comportamento leitor da população brasileira, especialmente com relação aos livros. As informações obtidas na pesquisa configuram um ambiente em que a leitura não é socialmente valorizada, em que o livro não tem um lugar assegurado.

As alegações para a ausência de leitura no ano anterior à pesquisa evidenciam problemas de várias ordens: falta de tempo: 54%, outras preferências: 34%, desinteresse: 19%, falta de dinheiro: 18%, falta de bibliotecas: 15%. Assim, 33% das alegações dizem respeito à falta de acesso real ao livro e 53% dizem respeito ao desinteresse pela leitura. Se considerarmos a falta de tempo uma questão de opção na organização da agenda pessoal, o índice de desinteresse pela leitura cresce muito. (RETRATOS DA LEITURA NO BRASIL, 2008, p.13)

A pesquisa revela ainda que 86% dos não-leitores nunca foram presenteados com livros na infância, enquanto no universo dos considerados leitores esse índice cai para 48%. Outra informação importante diz respeito às práticas familiares de leitura. Nos lares dos não-leitores, 55% nunca viram os pais lendo. Os dados da pesquisa confirmam a necessária e estreita relação entre leitura e educação e, esse vínculo natural torna-se imperativo num país com desigualdades sociais nos níveis

existentes no nosso, onde a família não exerce o papel de primeira e mais importante definidora do valor da leitura.

Acreditamos, no entanto, que o incentivo à leitura realizado a partir de hábitos domésticos é apenas o primeiro passo para o desenvolvimento da compreensão leitora. A família não deve se abster desse compromisso mas ela não é a única instituição que levará uma criança a se tornar um leitor crítico.