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3.6 Regiongrenser
3.7.2 Forvaltningsansvaret for ulvesonen
A primeira notícia escolhida para analisar nos dois jornais refere-se a um fato policial ocorrido um dia antes da edição em questão. Os dois jornais apresentaram, com destaque, na parte superior da capa, as manchetes das seguintes notícias: Datena mostra fuga alucinada de ladrão em carro na Barra Funda (jornal Agora) e Policiais fazem perseguição de cinema sobre as ruas de SP (jornal Folha).
O jornal Agora apresenta, no título, a expressão “fuga alucinada” com tarja vermelha para destacar e chamar mais atenção ao acontecimento. A manchete vem acompanhada de fotos do episódio, o que produz um efeito de realidade, por isso dá veracidade ao ocorrido e, de certa forma, apela para que seu leitor tenha mais interesse em comprar o jornal, uma vez que o público do Agora aparenta gostar mais de “ver” o jornal em vez de “lê-lo”. É um
público que aprecia o “espetáculo”, sentindo-se atraído por temas que envolvem as “catástrofes” do cotidiano. Por essa razão, o jornal põe em primeiro plano essa notícia.
Já a Folha traz um infográfico sobre a cena ocorrida – o que, de certa maneira, acaba atenuando o “espetáculo” do acontecimento e traz mais sobriedade ao jornal. O público da Folha não quer, no jornal impresso, a reprodução de programas sensacionalistas. Ele quer apenas estar bem-informado. Nesse sentido, a imagem completa o conjunto da informação, mas não tem importância maior.
Do ponto de vista da enunciação, os dois jornais trazem títulos enuncivos, revelando um narrador distante dos fatos que enuncia. O apagamento das marcas enunciativas no texto, portanto, produz o efeito de sentido de formalidade e objetividade no enunciado.
Outro aspecto interessante a destacar é o fato de que as manchetes das capas são parcialmente reproduzidas nos títulos das notícias no interior dos jornais, mas com um detalhe: a expressão “fuga alucinada”, usada na manchete do Agora aparece no título da matéria da Folha; já a expressão “perseguição de cinema”, utilizada na manchete da Folha, é usada no título da matéria do Agora. Este constrói algumas de suas matérias a partir de textos já elaborados pela própria Folha e pelo portal UOL, como é percebido neste trabalho.
A seguir, reproduziremos as matérias tais como foram apresentadas nos citados jornais e, depois, a análise delas.
Matéria do Agora:
Perseguição de cinema na Barra Funda
Ladrão em fuga atropelou policiais, bateu em ônibus e arrastou carros ontem à tarde na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Ele era foragido
Um ladrão em fuga atropelou ontem três policiais e bateu em dois ônibus e em seis carros durante uma perseguição de cinema, ontem à tarde, na Água Branca (zona oeste de SP), nas proximidades do terminal Barra Funda. Welington Gonçalves dos Santos é foragido da Justiça e havia roubado um carro na região central, onde foi abordado por policiais em motos.
Toda a ação foi transmitida ao vivo pela TV Bandeirantes, por volta das 18 h. A perseguição, segundo a polícia, durou cerca de 15 minutos. Santos dirigia um Fiesta Sedan preto, em alta velocidade, quando se deparou com o trânsito parado na avenida Auro Soares de Moura Andrade, perto do estádio do Palmeiras.
Acompanhado por seis motos e por dois carros da PM, o fugitivo avançou na contramão, atingindo ônibus e carros que estavam na frente.
Sem conseguir avançar em direção à avenida Francisco Matarazzo, o ladrão deu marcha a ré, atropelando e derrubando três policiais que estavam de moto. Durante a ação, outro PM teve a perna prensada entre um dos ônibus e o gurd-rail da avenida. Santos resistiu à prisão e só deixou o carro após ser cercado e alvejado por cinco tiros.
Motoristas e passageiros dos carros atingidos durante a perseguição se abaixaram para escapar dos tiros ou saíram dos veículos e correram a pé.
O farmacêutico Ricardo Duarte, 31 anos, dirigia uma Pajero preta – que quase foi arrastada pelo fugitivo. Quando ouviu os disparos, deixou o carro e chegou a ser perseguido por um dos policiais, que o confundiu com o ladrão.
“Ele disse para eu parar, senão eu levaria um tiro. Parei de correr na hora, virei e disse que não era o bandido. Aí, ele abaixou a arma”, afirmou Duarte, que seguia para o show do grupo de rock Rush, no Morumbi (zona oeste).
A médica Hashilla Lopes, 28 anos, contou que ficou paralisada diante da perseguição. Ele [suspeito] bateu no meu carro e só deu tempo de abaixar para não ser atingida.”
‘Show de horrores’
Segundo o sargento Marcelo aparecido Ferreira, foi tudo um “show de horrores”. Ele não se feriu, mas disse que, em 16 anos de profissão, nunca havia visto uma fuga como a de ontem.
Um policial ficou ferido, sem gravidade. Ele foi levado à Santa Casa e não corre risco.
O suspeito teve fratura exposta em um dos dedos. Segundo a polícia, ele, que estava preso na penitenciária de Junqueirópolis (624 km de SP), recebeu indulto de Natal no final do ano passado e não retornou. Ele respondia por roubo, furto e receptação. (Adriana Ferraz, Rafael Italiani, Caio do Valle e Léo
Arcoverde)
Matéria da Folha:
Foragido protagoniza fuga alucinante por ruas de SP Com Fiesta roubado, entrou na contramão, bateu em carros e ônibus e atropelou PMs
As imagens da fuga foram registradas por helicóptero de TV; foragido levou tiro na mão, sem gravidade ANDRÉ CARAMANTE
ROGÉRIO PAGNAN
Um foragido da Justiça protagonizou, por volta das 18 h de ontem, uma perseguição alucinante de cerca de 20 minutos em ruas do centro e da região oeste de São Paulo.
Com um Fiesta Sedan preto roubado, ele subiu na calçada, entrou na contramão, bateu em oito veículos (um deles da polícia), dois ônibus e, de ré, ainda atropelou dois PMs em motos.
Wellington Gonçalves dos Santos, fugitivo da penitenciária de Junqueirópolis (624 km de SP), havia parado o Fiesta no cruzamento da avenida Rio Branco com a rua Helvétia, na área conhecida como “Cracolândia”. Um homem, não identificado, desceu do veículo.Dois PMs da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) viram a cena e desconfiaram dos vidros escuros do carro. Eles pediram que o carro parasse, mas o motorista fugiu.
Os PMs começaram a persegui-lo. Santos seguiu em alta velocidade pelas alamedas Eduardo Prado e Barão de Limeira, ruas da Barra Funda, Brigadeiro Galvão, passou perto do terminal rodoviário da Barra Funda e parou no acesso da avenida Auro Soares de Moura Andrade com a Francisco Matarazzo, perto do Palmeiras.
Tragédia
“Em 16 anos de PM, nunca passei por isso. Por pouco não aconteceu uma tragédia”, disse o sargento da PM Marcelo Aparecido Ferreira, o primeiro a tentar parar o Fiesta dirigido por Santos. Para o sargento, foi tudo um “show de horrores”.
O fugitivo não fez um caminho reto. Sempre seguido de perto pelos PMs, Santos rodou em círculos e chegou a entrar e sair de um estacionamento, que tem entrada e saída por ruas diferentes.
Ao tentar passar entre um ônibus e um carro num congestionamento, Santos bateu em alguns carros e, sem conseguir passar, deu marcha a ré e atropelou dois PMs em motos. Os policiais tiveram ferimentos leves nas pernas.
Já cercado por veículos da polícia, Santos ainda tentou escapar por entre os carros,mas não encontrou passagem e acabou preso depois de os PMs darem cinco tiros no Fiesta em que ele estava.
Santos tomou um tiro na mão. Ele não estava armado. Chegou a ser espancado por um motorista, quando estava rendido pelos PMs, no chão.
Segundo a polícia, ele recebeu indulto de Natal no final do ano passado e não retornou. Santos respondia por roubo, furto e receptação.
Comparando os dois títulos e lembrando o que foi apresentado anteriormente, no que respeita à inversão dos títulos em relação à manchetes, percebemos que ambos são bem parecidos. Talvez por isso a troca entre os títulos não tenha interferido na construção da matéria. Os dois títulos têm por objetivo persuadir o leitor em relação ao fato ocorrido e narrado pelos dois jornais. Nesse aspecto, se confrontarmos apenas os títulos dos jornais, a Folha acaba por se aproximar da linguagem sensacionalista do Agora.
No que diz respeito à enunciação, as notícias, nos dois jornais, apresentam textos enuncivos, em que as marcas da enunciação não estão explícitas no enunciado. A utilização do verbo na 3ª pessoa acentua a característica do jornalismo em geral, pela formalidade e distanciamento do narrador em relação à notícia e ao enunciatário.
Em relação à escolha lexical, notamos que não há diferença entre as matérias. Os textos apresentados nos jornais são de fácil entendimento para qualquer público, talvez pelo
fato de se tratar de um tema que tenha estado também na mídia televisa e que tenha sido assunto das conversas faladas.
Ocupando 80% da página – tendo na parte superior apenas o editorial –, a notícia no jornal Agora tem, além do texto sobre o ocorrido, o “passo a passo” do acontecimento, mostrado por meio de dez fotos, que acompanham cada etapa do acontecido, como se fosse uma “fotonovela”, reconstituindo todo o trajeto que o meliante fez, o que acentua o caráter popular, e até sensacionalista, do jornal Agora, que procura por meio das imagens produzir o efeito de realidade e de veracidade da cena. O texto escrito, dessa maneira, acaba ficando em segundo plano, uma vez que o que mais chama a atenção do leitor são justamente as imagens contidas na página. Todas as imagens têm legenda explicativa da cena, acentuando a comunicação verbo-visual.
Além disso, o título com a expressão “Perseguição de cinema” anuncia o que será narrado no texto, acentuando a comunicação informal com o leitor, como se aquilo fosse “realmente um filme”, transmitindo com as imagens a mesma emoção que o telespectador tem ao ver a cena.
Em relação à manifestação escrita da notícia, embora a reportagem do Agora seja um pouco mais extensa (com 2.065 caracteres contra 1.889 da Folha), não observamos muitas diferenças em relação às informações transmitidas. Em algumas situações, a Folha especifica melhor os dados, apresentando o nome da região Central de onde o ladrão partiu (a ”Cracolândia”), além de especificar algumas ruas por onde o foragido passou (cruzamento da Avenida Rio Branco com a rua Helvétia; alamedas Eduardo Prado e Barão de Limeira e ruas Barra Funda e Brigadeiro Galvão) – informações não contidas no texto do Agora.
Já o jornal Agora apresenta, na primeira parte da matéria, duas citações de pessoas que presenciaram a cena narrada. A instalação de dois interlocutores no texto produz o efeito de sentido de veracidade àquilo que está sendo narrado.
Na segunda parte do texto, o jornal Agora traz o intertítulo „Show de horrores‟ – reprodução da fala do sargento mencionado no texto e ressaltando o aspecto
“cinematográfico” dado à matéria –, dando maior ênfase ao fato, complementando a informação dada no título (perseguição de cinema), destacando o aspecto sensacionalista. Já a Folha optou pelo intertítulo “Tragédia”, que representa o que aconteceu, mas sem o aspecto hiperbólico do Agora, trazendo nessa parte a citação completa do sargento entrevistado.
Os dois jornais fazem uso de recursos metaenunciativos como as aspas e os parênteses. As aspas são usadas nas citações de outros interlocutores instalados nos enunciados e, também, no caso da Folha, para se referir a um termo “Cracolândia”. Os parênteses explicativos foram utilizados nos dois veículos de comunicação seja para complementar a informação, dando maior esclarecimento ao fato – (zona oeste de SP)/(624 km de SP)/(um deles da polícia) – ou para elucidar a sigla Rocam – (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas), no caso da Folha. Além disso, há ainda o colchete, utilizado no jornal Agora na citação da médica Hashilla Lopes a fim de que não haja nenhum problema de identificação de fonte enunciativa por parte do leitor.
Em relação à estrutura sintática, também, não há muitas diferenças entre os dois jornais. A maioria dos períodos dos dois enunciados são formados por orações na ordem direta. No jornal Agora, encontramos orações coordenadas (e bateu em dois ônibus/e só deixou o carro/ou saíram dos veículos/e correram a pé), orações adjetivas explicativas (onde foi abordado por policiais em motos/que quase foi arrastada pelo fugitivo) e orações subordinadas adverbiais temporais (quando se deparou com o trânsito/quando ouviu os disparos). Na Folha, aparecem orações coordenadas (e desconfiaram dos vidros escuros do carro/mas o motorista fugiu/mas não encontrou passagem/e acabou preso depois), orações adjetivas explicativas (que tem entrada e saída por ruas diferentes/em que ele estava), uma oração subordinada substantiva (Eles pediram que o carro parasse) e uma oração subordinada adverbial temporal (quando estava rendido pelos PMs).
Em síntese, notamos que as duas matérias são bem semelhantes no que tange aos recursos linguísticos. Os textos são de fácil compreensão tanto pelo leitor da Folha quanto pelo leitor do Agora. O recurso à oralidade não é manifestado no texto da matéria, o que, de certa forma, aproxima os textos dos dois jornais, apresentando ambos características próprias da escrituralidade. Porém, nos títulos, a linguagem informal, ou melhor, popular, acaba sendo
ressaltada nos dois veículos de comunicação, uma vez que eles acabam por compartilhar os mesmo termos. A diferença mais distinta é encontrada nas imagens, isto é, na forma como a comunicação visual é construída em cada um dos jornais.
A segunda matéria escolhida, cujo tema é a sucessão presidencial, não aparece com tanto destaque nos dois jornais, apresentando as manchetes: Dilma e Serra apelam para Deus na volta à TV (jornal Agora) e Dilma mostra papa, e Serra, „valores cristãos‟ (jornal Folha).
No Agora, o fio vermelho lateral e a tarja com o tema da notícia destacam cada manchete. O título Dilma e Serra apelam para Deus na volta à TV é o mesmo apresentado no interior do jornal, porém aí em ordem indireta.
Na Folha, o título Dilma mostra papa, e Serra, „valores cristãos‟ identifica um ato de cada candidato, diferentemente do que faz o Agora que traz a mesma informação para os dois. Há, ainda, no título da Folha, o recurso das aspas para se referir a termo utilizado pelo candidato Serra, deixando a interpretação das aspas a cargo do leitor.
Quanto às estratégias enunciativas, os títulos dos dois jornais são enuncivos, o que se confirma pela utilização da 3ª pessoa, instaurando o ele no discurso num espaço lá e no tempo então, caracterizando o distanciamento do texto, produzindo o efeito de objetividade e formalidade.
A seguir, reproduziremos as matérias tais como foram apresentadas nos citados jornais e, depois, a análise delas.
Na volta à TV, Dilma e Serra apelam para Deus
Presidenciáveis tucano e petista abordam religião, o direito à vida e os valores da família brasileira
Os candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) exibiram ontem o primeiro de seus programas no horário eleitoral obrigatório que serão veiculados ao longo do segundo turno. Em meio a uma polêmica sobre aborto e religião, os presidenciáveis petista e o tucano falaram de Deus.
Vencedora do primeiro turno com os votos de quase 47% do eleitorado, a ex-ministra da Casa Civil iniciou seu programa fazendo um agradecimento usando expressões religiosas. “Quero começar esse segundo turno agradecendo a Deus”, afirmou a petista.
Ela também se intitulou como “mulher que respeita a vida” e disse que “irá apoiar a família brasileira”. “No segundo turno, eu quero fazer uma campanha antes de tudo em defesa da vida, cheia de futuro e esperança no Brasil, de compromisso com nossos valores mais sagrados”, complementou a petista.
Nos últimos dias, a campanha do candidato do PSDB vem explorando uma suposta contradição no discurso de Dilma, que teria se mostrado favorável à prática do aborto anos atrás e mudado de posição por conta da atual disputa eleitoral.
Candidato tucano
José Serra abordou Deus durante trecho do discurso que fez após a apuração dos resultados do primeiro turno, no último domingo, no qual falava da fé que tem em sua vitória. “Com Deus, com amor no peito pelo Brasil, no nosso coração verde e amarelo, braços dados, cabeça erguida e coração leve, vamos à vitória pela Presidência e pelo Brasil, afirmou.
O tucano também disse que defende a vida e não é uma pessoa “que muda de opinião em véspera de eleição”, explorando uma contradição no discurso de Dilma, que teria se mostrado favorável à prática do aborto anos atrás e mudado de posição por conta da atual disputa eleitoral.
Em sua propaganda, Serra confirmou a estratégia tucana da discussão de valores. “[Serra] Um homem que nunca se envolveu em escândalos e sempre foi coerente, sempre condenou o aborto e defendeu a vida”, afirmou a narração da peça. (Adriana Mompean e UOL)
Matéria da Folha:
Deus, valores e defesa da vida marcam volta à TV
Dilma e Serra levam religião aos primeiros programas depois do 1º turno
Propaganda tucana menciona aborto, e Lula diz que, como sua candidata, já foi vítima de boatos em campanha Como uma onda que ganhou volume entre o primeiro e o segundo turno das eleições, a nova rodada da propaganda eleitoral no rádio e na TV foi aberta ontem com Dilma Rousseff e José Serra agradecendo a Deus e pregando a defesa da vida, da fé e dos “valores”. A petista assumiu compromisso com os “nossos valores mais sagrados”. O tucano fez a defesa “dos valores da família brasileira” e dos “valores cristãos”.
O último programa do primeiro turno já prenunciava a “guerra santa” pelo eleitor conservador: na ocasião, Dilma se comprometera a respeitar a liberdade religiosa; Serra mostrou a família e leu a Bíblia para uma eleitora.
De lá para cá, houve um acirramento entre correligionários das duas candidaturas, a partir de material apócrifo na internet sobre as convicções de Dilma e da exploração da dubiedade da posição da petista sobre descriminalização do aborto.
Uma pesquisa do Ibope também detectou que, em setembro, Dilma perdeu votos eteve um aumento de rejeição entre evangélicos.
A candidata governista abriu o seu programa da tarde agradecendo a Deus por ter lhe concedido “uma dupla graça: ter sido a candidata mais votada no primeiro turno e ter a oportunidade agora de discutir melhor as minhas propostas e me tornar ainda mais conhecida”.
Serra foi mostrado num discurso em que diz que irá à vitória “com Deus, com amor no peito pelo Brasil, no nosso coração verde e amarelo”.
Até as propostas de governo ganharam embalagem adequada à nova ordem. O programa de Dilma informou que, “para fortalecer a família brasileira”, a candidata irá “construir mais 2 milhões de moradias, melhorar o sistema de saúde” etc.
Ao anunciar o programa Mãe Brasileira, de atendimento pré-natal e pós-parto, a propaganda serrista citou o “dom da vida”.
Dilma apareceu numa foto com um véu na cabeça ao lado do papa Bento 16, numa com a filha e noutra com o neto, como a “mulher mãe”, “a mulher avó” e a “mulher que respeita a vida”.
Em depoimento, Lula disse já ter sido vítima de boataria: “Quando pessoas saíram do submundo da política mentindo a meu respeito. Dizendo que eu ia fechar as igrejas, mudar a cor da bandeira. Ganhei as eleições, e o que aconteceu? Mais liberdade religiosa, mais respeito à vida, mais democracia”.
O programa de Serra citou pela primeira vez a palavra “aborto”. Disse o locutor: “[Serra é] um homem que nunca se envolveu em escândalos. E que sempre foi coerente. Sempre condenou o aborto e defendeu a vida”.
Aliados e FHC
Serra mostrou duas vezes o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ambas rapidamente. Na primeira, os dois aparecem juntos (“no Ministério do Planejamento, Serra ajudou no Plano Real”). Depois, ao exibir uma galeria de fotos de ex-presidentes, o programa tucano comparou Dilma a Collor.
“Esse [Collor] foi o último presidente desconhecido que o Brasil elegeu. O estrago foi tão grande que precisou desse [Itamar] para trazer decência. E desse [FHC] pra controlar a inflação, modernizar o Brasil e criar programas sociais. Depois veio esse [Lula] que também tinha história e deu continuidade. Para o Brasil avançar, tem de ser alguém já testado.”
Os dois candidatos levaram ao ar os aliados vitoriosos no primeiro turno – governadores e senadores eleitos ou reeleitos.
As matérias apresentadas nos dois jornais não têm muita diferença entre si. O jornal Agora, novamente, acaba por utilizar texto de outro veículo de comunicação (portal UOL). O que acontece é que a Folha acaba por detalhar mais o assunto, apresentando um texto com mais desdobramentos, explorando mais o tema da notícia (com 2.682 caracteres em oposição aos 1.632 caracteres do Agora).
O texto do Agora não apresenta marcas da oralidade. O texto apresentado na notícia desse jornal está bem próximo do padrão jornalístico da Folha. Há poucas diferenças lexicais
entre os dois jornais, embora a Folha tenha utilizado alguns termos que, provavelmente, um leitor do Agora não saberia interpretar (acirramento, apócrifo, correligionários,