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Formål og Metode

3   Samfunnsvitenskapelig del

3.2   Formål og Metode

No Agora, a manchete principal está logo abaixo do nome do jornal, com fonte maior e com destaque à tarja vermelha na data a ser ressaltada: 12 de abril, quando 39.717 receberão atrasados do INSS. Esse tipo de notícia é muito recorrente no jornal, que apresenta com muita frequência assuntos de interesse dos pensionistas. Logo abaixo, vem a seguinte frase enunciativa: Veja como conferir se você vai ganhar até R$ 30.600. Nesse apelo, temos, com a utilização do verbo (no imperativo) “Veja”, o eu instalado no texto (enunciador – jornal) que fala para um tu/você (enunciatário – leitor), estabelecendo, dessa forma, um diálogo direto, um simulacro da conversação face a face, um eu que dialoga, como se estivesse dando dicas ao leitor e avisando-o, “como amigo”, do que ele não pode se esquecer. Ao interpelar o leitor por você, cria o efeito de sentido de informalidade no texto, dando a impressão ao enunciatário de que não há “barreiras” entre jornal e leitor, de que se trava um diálogo de cumplicidade, fidelidade e proximidade, lembrando as características de uma

interação falada em situação face a face. Em síntese, a relação comunicativa eu-você produz, no texto, um efeito de oralidade.

A seguir, o jornal Agora traz outra manchete: a chamada para o caso da menina Isabella, na parte central do jornal, sobre uma tarja em vermelho e junto a duas fotos (uma da mãe da menina e outra do advogado). Com fundo bege, apresenta três títulos – um em manchete (com fonte maior do que os outros) com forte apelo emocional: Mãe de Isabella chora e diz que Alexandre era um pai ausente. Esse título tem, evidentemente, o objetivo de sensibilizar e comover o leitor, apresentando maior dramaticidade ao que está sendo narrado. Os outros dois, por aparecerem em fonte menor, têm a função informativa complementar em relação ao primeiro.

Na Folha, a mesma notícia é tratada de uma forma menos emotiva. Na parte superior do jornal, do lado direito, há a representação de um infográfico que retrata o julgamento e, do lado esquerdo, a manchete: Mãe de Isabella diz que foi ameaçada por Nardoni. Trata-se de um enunciado mais sóbrio, narrado em 3ª pessoa, com fonte menor do que a da manchete central, assegurando um efeito de distanciamento, objetividade, certa formalidade e de ausência de envolvimento emocional.

Na sequência, o Agora traz a manchete relacionada aos professores, também encimada com um traço vermelho e com a tarja da mesma cor destacando o valor do bônus. É interessante perceber que tanto a Folha quanto o jornal Agora trazem manchetes desse assunto, mas há uma diferença muito grande na proposta de cada um dos jornais. O Agora apresenta o título Metade dos professores ganhará bônus de R$ 2.500,00, destacando o aspecto positivo da notícia, ou seja, a possível melhoria da remuneração. Já a Folha dá outro enfoque à notícia: Professor que faz greve terá bônus menor em São Paulo, pondo em evidência o aspecto negativo, isto é, o castigo pela participação na greve.

Na parte inferior da capa, do lado esquerdo, o Agora apresenta a manchete de um caso policial, destacada por uma tarja vermelha. Trata-se de notícia sempre muito presente nesse

meio de comunicação e nos jornais populares, em geral. Do lado direito, com fio azul, aparecem três destaques sobre futebol, outro assunto sempre muito abordado nesse jornal.

No Agora, as referências aos times de futebol são feitas por meio de metáforas ou metonímias futebolísticas, numa linguagem bem popular: Marcos dá piti e deixa treino do

Verdão; Tricolor aposta em futebol de resultados. A utilização do termo Verdão para o time

Palmeiras, em função da cor verde do uniforme, e Tricolor para o time São Paulo, em função das três cores que o identificam (preto, branco e vermelho), asseguram o aspecto popular e coloquial da notícia, próprios da oralidade. A Folha, ao contrário, atém-se aos nomes oficiais dos times (Goleiro do Botafogo não tem time dos Santos...). No caso da segunda manchete do Agora, destaque-se ainda o termo “piti”, próprio da coloquialidade da interação face a face.

Outro aspecto importante a destacar na capa do jornal Agora é a comunicação gestual, que pode ser percebida nas duas fotos da parte inferior do jornal. Tanto na notícia policial quanto na notícia de esportes parece que os rapazes fotografados estão olhando para o leitor, simulando uma relação de olho a olho, própria das interações face a face. Esse fato reitera o efeito de proximidade entre jornal e leitor, a qual já foi destacada pela relação eu-você na manchete principal.

A Folha apresenta, na parte central do jornal, a notícia principal: Plano de expansão do metrô de SP vai atrasar, dando-lhe destaque a fonte maior em relação às outras manchetes, e texto explicativo estruturado em quatro colunas. A manchete é enunciva, com narrador em 3ª pessoa, o que produz o efeito de distanciamento e objetividade, fato que também se pode perceber em outros títulos da capa:Lula aconselha turistas a tomar cuidado no Rio e Google troca site da China pelo de Hong Kong. Essas características configuram a formalidade e a objetividade do jornal.

Por fim, cabe ainda chamar atenção à publicidade veiculada nas duas capas. No Agora, divulga-se a promoção do jornal, em que os leitores recebem, com o jornal de domingo, uma cartela com símbolos variados, os quais devem ser comparados no jornal de cada dia da semana para ganhar os prêmios propostos. Trata-se de um produto viável para o poder de

compra do leitor, na percepção do jornal. Em outras palavras, o produto oferecido para a compra estabelece, de certa forma, o perfil socioeconômico do leitor. Já a publicidade apresentada na Folha é diferente. O carro sugerido à compra configura outro perfil socioeconômico de leitor. (Nas duas capas seguintes da Folha, haverá no final da página o mesmo tipo de anúncio de carro). Essa comparação das capas na perspectiva das peças publicitárias chega a ser caricatural do ponto de vista da definição do perfil socioeconômico dos leitores de outro jornal.