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As manchetes que selecionamos nessa data são:
Agora:
Contra o Avaí, Palmeiras inaugura de vez a era Felipão
Empolgado, Flamengo vai a Goiânia para subir na tabela
Raposa tenta seguir caçando em uma das novas tocas
Irmão descarta volta de Gaúcho ao Brasil e mira os EUA7
Folha:
Vitória fora é 1º desafio de Scolari
Reforçado, Santos evoca o 1º semestre
Corinthians testa o seu porto seguro
Percebemos, nas manchetes destacadas, que o jornal Agora interage com seu público utilizando títulos chamativos: além de escolhas lexicais especificas, dá realce a algumas delas com tarja azul (as três primeiras manchetes) e preta (a última manchete). No que se refere agora aos recursos lexicais, não existem grandes destaques que distingam as manchetes do Agora com as da Folha. O nome do técnico do Palmeiras vem referido no Agora como
Felipão e na Folha por seu sobrenome, Scolari. No primeiro caso, evidencia-se uma escolha em favor da oralidade, portanto, uma escolha que sintoniza com o perfil do leitor.
Ainda em sintonia com esse perfil aparece a figurativização da terceira manchete do Agora. O termo “Raposa” identifica o time do Cruzeiro de Minas Gerais, que sairia “caçando”, isto é, vencendo outros times, em outras “tocas”, ou seja, em estádios dos times adversários. Utilizar figuras ou apelidos é, sem dúvida, um recurso próprio das interações faladas, entre pessoas próximas ou até conhecidas. Evitar essas figuras, usando nomes próprios ou oficiais dos times ou mesmo de pessoas é um modo de informar objetivamente sobre a identidade delas e de manter certa formalidade de denominação. Em relação às figuras, chama a atenção o uso de “porto seguro” na Folha. Trata-se de uma metáfora que provavelmente não apareceria no jornal Agora, por fazer referência de um mundo mais distante das coisas populares.
Em resumo, a observação comparativa dessas manchetes revela que elas são muito semelhantes do ponto de vista das escolhas lexicais. Tirando os destaques que fizemos, nada há que permita dizer que as primeiras têm caráter oral mais intenso do que as do segundo grupo. Estas, por sua vez, não mostram terem características mais formais, própria dos textos veiculados pela Folha. Talvez – adiante procuraremos conferir isso – essa uniformidade formal, especialmente, relativa ao léxico, venha da própria natureza do tema futebol.
A seguir, analisaremos as notícias em comum dos jornais:
Agora:
Contra o Avaí, Palmeiras inaugura de vez a era Felipão
Luís André Rosa
Maior atração do alviverde, técnico faz a sua reestreia e tenta manter o embalo do time que despachou o Santos Na comunicação via rádio, direto da tribuna de honra do Pacaembu, passando ordens para o seu fiel escudeiro Flávio Murtosa – que ficou à beira do gramado –, funcionou muito bem. O Palmeiras encarnou o espírito guerreiro pedido pelo chefe e largou com vitória nesta retomada do Brasileiro.
Agora, as rédeas do conjunto alviverde estarão com Luiz Felipe Scolari, que reestreia oficialmente pouco mais de dez anos após a sua despedida. Em Florianópolis, às 16h, o desafio será o Avaí, time que surpreendeu na reabertura do torneio e derrotou o São Paulo por 2 a 1, no Morumbi.
“Do que vi contra o Santos, a equipe foi determinada, estava bem posicionada e foi muito bem organizada pelo Murtosa nas situações que foram imaginadas por ele na palestra e nos treinamentos. [Os jogadores] tiveram empenho e isso fez com que eles obtivessem a vitória”, analisou o comandante, em declaração ao site oficial do Verdão.
Por ser uma apresentação como visitante contra um adversário bastante motivado, Felipão espera muitas dificuldades. “É uma equipe muito forte, que veio a São Paulo e venceu o jogo [contra o Tricolor]”, elogiou o treinador, destacando o entrosamento com o auxiliar Murtosa.
“As análises são feitas em conjunto, não há novidades”, disse Scolari, que não divulgou os titulares.
Folha:
Vitória fora é 1º desafio de Scolari
Na estreia à frente do Palmeiras, treinador tenta reverter retrospecto da equipe fora de casa Rogério Rezeke
Após acompanhar do camarote do Pacaembu seu auxiliar Flávio Murtosa orientar o Palmeiras na vitória por 2 a 1 sobre o Santos, o treinador Luiz Felipe Scolari fará sua estreia oficial na partida de hoje, às 16 h, contra o Avaí.
E já tem um desafio: tentar fazer seu time conquistar a primeira vitória fora de casa no Campeonato Brasileiro.
Ao se sentar no banco para comandar o Palmeiras pela primeira vez, ele tentará combater o jejum de triunfos do time quando é visitante.
“É uma partida fora de casa, contra uma equipe forte, que venceu o São Paulo no Morumbi e que tem um novo técnico, o Antônio Lopes, que tem grande experiência”, declarou Scolari ontem, após o treino palmeirense.
Até agora, a equipe fez três jogos fora e soma dois empates (Internacional e Vasco) e uma derrota (São Paulo).
E, assim como no Brasileiro deste ano, o Palmeiras ostentou menos de 50% de aproveitamento dos pontos que disputou fora de casa no Paulista desta temporada e no Nacional do ano passado.
Para Scolari, o segredo para que a equipe alviverde possa melhorar o retrospecto fora de casa é repetir a atuação que fez ante o Santos. “O Palmeiras foi uma equipe determinada, bem organizada, que seguiu as situações imaginadas pelo Murtosa durante os treinamentos”, declarou o técnico alviverde.
Segundo o goleiro Deola, a dificuldade do Palmeiras em atuar fora de casa é fruto da alta qualidade técnica do Campeonato Brasileiro-2010.
“O Brasileiro é muito disputado e tem times competitivos. É por isso que não vencemos fora de casa ainda. Basta pensar nos últimos jogos. Inter fora de casa, tivemos o clássico contra o Santos e vamos pegar o Avaí, que venceu o São Paulo em pleno Morumbi”, comentou ele.
Os números respaldam a teoria de Deola. Após oito rodadas, os melhores forasteiros são Fluminense, Cruzeiro, Goiás e Internacional, com duas vitórias cada um fora dos seus domínios.
“Acredito que o grande segredo para ganhar o campeonato, que acho um dos mais difíceis dos últimos tempos, será vencer os jogos em casa e beliscar pontos fora”, disse.
Segundo a teoria, é preciso compensar a derrota para o Flamengo e o empate com o Prudente, jogos em que o Palmeiras foi mandante.
Para tentar impedir a equipe de Luiz Felipe Scolari de buscar o seu primeiro triunfo como visitante, o técnico Antônio Lopes pretende repetir a escalação da equipe que venceu o São Paulo por 2 a 1, no estádio do Morumbi.
Mas, no ataque, Antônio Lopes pode colocar Vandinho na vaga de Robinho. O técnico gostou da atuação do reserva contra o São Paulo.
Os dois textos apresentados são enuncivos, uma vez que as marcas da enunciação não vêm projetadas no enunciado. O narrador em 3ª pessoa produz o efeito de sentido distanciamento entre jornal e leitor. Apesar disso, o jornal Agora lança mão de outros recursos para interagir e se aproximar de seu leitor. Na linha fina8, o uso dos termos “alviverde”, “manter o embalo” e “despachou”, utilizados no meio futebolístico, nas interações face a face, produzem o efeito de sentido informalidade,
Observam-se, ainda, no texto, recursos figurativos no 1º parágrafo, como as expressões: “fiel escudeiro”, “encarnou o espírito guerreiro” e “largou com vitória”, que, além de dar dramatização ao tema, envolve o leitor como se estivesse “ouvindo uma história”, com emoção e subjetividade.
O uso dos termos “Verdão” e “Felipão”, assim como as palavras “Alviverde” e “Tricolor” enfatizam a coloquialidade do jornal, que, dessa forma, se aproxima de seu destinatário com cumplicidade e informalidade, interagindo com ele e dando-lhe a impressão de estar ouvindo “um amigo” ou até os comentários de um narrador esportivo.
Já na Folha algumas escolhas lexicais produzem o efeito de formalidade. É o caso das expressões: “reverter retrospectro” (na linha fina), “deficiência que assola o elenco” (3º parágrafo), “ostentou” (5º parágrafo), “respaldam” (9º parágrafo)
O recurso das aspas, tanto no jornal Agora quanto na Folha, é utilizado para inserir no texto a fala de outro interlocutor (na Folha, o goleiro Deola; no Agora, o técnico Luiz Felipe
8 Frase ou período sem ponto final, que aparece abaixo do título e serve para completar seu sentido ou dar outras
Scolari), o que dá maior credibilidade às informações, uma vez que não é apenas o narrador que informa, mas o que por ele é noticiado é comprovado com base nas afirmações dos interlocutores.
As notícias, embora apresentem o mesmo assunto, são bem diferentes estruturalmente. Na Folha, o texto é organizado em 17 parágrafos (com 462 palavras/2.232 caracteres), prevalecendo, nas estruturas subordinadas, orações adjetivas (a deficiência que assola o elenco/jogos em que o Palmeiras foi mandante/time que venceu o São Paulo) e uma oração substantiva objetiva direta (informaram que o problema não deve impedir), além de uma oração coordenada (a equipe fez três jogos e soma dois empates).
No jornal Agora, o texto é estruturado em 5 parágrafos (com 243 palavras/1.220 caracteres), com períodos compostos, prevalecendo as orações subordinadas adjetivas (que ficou à beira do gramado/que reestreia oficialmente pouco mais de dez anos), além de orações coordenadas (e largou com vitória nesta retomada/e derrotou o São Paulo).
Em síntese, percebemos que, em relação à enunciatividade dos textos, não há diferenças entre Agora e Folha, pois os dois jornais apresentam enunciados em que as marcas da enunciação estão apagadas, não explicitando a categoria de pessoa, em um aqui e agora. Quanto à estrutura e à sintaxe dos textos, notamos que, embora o texto da Folha seja maior, as estruturas sintáticas não se diferem muito. Por fim, em relação ao léxico, as diferenças são acentuadas pelos termos coloquiais utilizados no Agora, contrapondo às escolhas da Folha.