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10.4 Departementets vurdering

10.4.4 Uttømmende liste

Na dimensão reflexiva do presente relatório, fiz referência à importância que a rotina assume na vida da criança e do grupo onde está inserida em contexto de creche. Neste contexto importa centrar-me num dos diferentes momentos que devem fazer parte da rotina que o educador estabelece para o grupo de crianças: o da brincadeira livre. Abordarei essencialmente a importância que a brincadeira livre assume na rotina diária da criança e como o educador pode planear e organizar esses momentos por forma a proporcionar às crianças experiências únicas e divertidas, que privilegiem a interação, quer com os materiais quer com os pares/adultos, e a aprendizagem nos diferentes domínios.

A rotina, como conjunto de experiências que garante a continuidade das vivências sentidas pela criança com a sua família, deve incluir momentos em que as crianças brincam e exploram o ambiente e os objetos livremente, tal como o fazem com as suas famílias. O educador ao assegurar uma boa sesta, uma boa alimentação, uma boa higiene à criança, experiências de exploração plástica, motora, musical ou ainda momentos em que se ouve uma história, deve garantir que a criança tem tempo à sua disposição que lhe permita simplesmente brincar. Assim, a brincadeira livre surge na rotina, como o momento em que a criança tem oportunidade de estar a sós consigo mesma ou com os outros (crianças, auxiliares ou educadores) na exploração de um ou mais objetos. Nos momentos de brincadeira livre, o educador é responsável por garantir a segurança da criança, porém sem colocar em causa a sua liberdade, Portugal (2012, p. 12) afirma-nos que “ (…) é importante que os espaços ofereçam às crianças uma variedade de objectos interessantes, com diferentes texturas, sem que se gere confusão ou que seja posta em causa a segurança da criança”. O educador por vezes surge numa posição de mero observador. Hohmann e Weikart (2011, p. 87) dizem que

Brincar num ambiente em que existe apoio envolve todos os ingredientes da aprendizagem activa – materiais para brincar e manipular; escolhas acerca do que, onde, como, e com quem brincar; linguagem da criança enquanto brinca; e apoio do adulto durante a brincadeira (…) que vai desde a preparação de um contexto em que seja possível brincar, até à participação real nessa brincadeira.

É nos momentos em que as crianças brincam que o educador pode descobrir uma infinidade de particularidades das mesmas, quer em termos do seu desenvolvimento nos diferentes domínios, quer nas suas capacidades de se relacionar com os objetos, os pares,

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o meio e os adultos, de lidar com as suas frustrações e também de resolver conflitos. Um educador atento, percebe que à medida que a criança cresce e se desenvolve necessita de materiais adequados ao seu ritmo, e de ambientes suscitadores de curiosidade, devendo então proporcionar os mesmos por forma a criar desafios cognitivos à criança.

Ao valorizar diferentes tipos de brincadeiras, o educador proporciona às crianças a oportunidade para organizar o seu pensamento e para desenvolver as suas competências, ultrapassando assim esses desafios, quer individualmente quer em grupo. Hohmann e Weikart (2011, pp.87 e 88) afirmam que “As crianças muito pequenas envolvem-se em brincadeira exploratória (…) Estas actividades de brincadeira precoce evoluem para brincadeira construtiva (…) e para brincadeira dramática”.

As crianças vão progredindo na forma como brincam de acordo com as suas capacidades emergentes e os seus interesses. Inicialmente, a brincadeira exploratória, enquanto simples manipulação de materiais, experimentação e repetição, ocorre quando a criança contacta com diferentes materiais nos ambientes que frequenta normalmente.

A Brincadeira Exploratória “ (…) envolve a manipulação de materiais, a experimentação de novas acções, e a sua repetição”, neste sentido a criança acaba por treinar as suas “capacidades físicas e a oportunidade de explorar e experimentar o ambiente material” (Smilansky e Sheftaya (1990), citados por Hohmann e Weikart (2011, p.303)). As crianças acabam por, através da exploração, conhecerem os objetos pela imagem, toque, cheiro, som e sabor, isto é, usando os órgãos de sentido para explorá-los, descrevendo semelhanças/ diferenças e/ou modificando a sua forma.

A evolução da brincadeira exploratória para a brincadeira construtiva surge quando “as crianças envolvidas em brincadeiras de construção (…) envolvem-se em inúmeras experiências-chave, em particular naquelas que implicam o uso da linguagem escrita e oral, o representar, e o aprender acerca das relações no mundo físico”. Outras caraterísticas desta brincadeira construtiva são o tipo de explorações aqui envolvidas, nomeadamente

(…)fazer reproduções; a desenhar e a pintar; a escrever de diversas formas; a explorar e a descrever semelhanças e diferenças; a classificar e a seriar; (…) a comparar; a organizar diferentes objectos uns a seguir aos outros numa série ou padrão; a experimentar e a descrever posições, distâncias, direcções, e velocidades de movimentos; a expressar criatividade no movimento; e a resolver problemas que encontram durante a brincadeira (Hohmann e Weikart, 2011, p.303).

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A brincadeira de faz-de-conta ou dramática denomina a ação da criança ao “ (…) fazer de conta e o concretizar situações do tipo “e se”, é através desta que “(…) As crianças imitam as acções e a linguagem dos outros, utilizando objectos com a função de auxiliarem no fazer-de-conta, e desempenhando diversos papéis” (Ibidem, p. 303) Assim as aprendizagens nestes momentos tornam-se bastante positivas na medida em que as crianças acabam por interagir, desenvolvendo-se nomeadamente aos níveis psicossocial, cognitivo ou físico. Estas através da brincadeira estão a “construir relações com crianças e adultos; criar e experimentar brincadeiras cooperativas; representar papéis e fazer-de-conta; falar com os outros sobre experiências significativas do ponto de vista pessoal; divertir-se com a linguagem; e antecipar, relembrar e descrever sequências de acontecimentos”(Hohmann & Weikart, 2011, p.304).

O educador deve tornar os momentos de brincadeira livre presentes na rotina da criança, tomando consciência da importância que estes assumem no seu desenvolvimento cognitivo, motor, psicossocial e afetivo. Sabendo que a criança, através dos objetos, conhece também as propriedades físicas que se encontram no ambiente que a rodeia, estes devem ser diversos, nomeadamente em relação à cor, textura, tamanho, dureza, função, entre outras.