16.5 Departementets vurdering
16.5.2 Kjønnsidentitet og
A minha experiência com esta metodologia fez-me perceber que a Metodologia de Trabalho de Projeto (MTP) tem sentido quando pensamos no contexto de JI, porém, também no contexto de creche se pode falar de MTP, baseando-se este na experimentação, no estímulo à curiosidade da criança, levando-a assim a descobrir o mundo que a rodeia com maior satisfação.
O processo de desenvolvimento de uma criança pressupõe a aquisição de competências em todos os níveis de desenvolvimento. É nesse sentido que o ambiente educativo deve respeitar e contribuir para a aquisição de determinadas competências por parte da criança, e ainda valorizá-la como ser capaz e competente, construtor do seu próprio conhecimento. Segundo Gambôa (2011) referida por Oliveira-Formosinho e Araújo (2013, p.58), “(…) a emergência de um projeto depende da criação de um contexto educativo que favoreça a situação, considerada locus da aprendizagem e ponto de ancoragem do método de projeto”.
O educador surge assim determinante no processo da MTP, criando um clima de envolvimento, interesse e motivação. Na MTP a planificação com a criança assume um significado particular, pois é a partir daí que podem surgir determinadas questões que levam o educador a aplicar essa metodologia. Observar, escutar e negociar, são palavras- chave deste processo, em que a criança surge como participante ativa e integrada nas diferentes fases. Segundo Gambôa & Oliveira-Formosinho (2011, pp. 32 e 33), a observação “(…) requer o conhecimento de cada criança individual, no seu processo de aprendizagem e desenvolvimento”, a escuta “(…) deve ser um processo contínuo no quotidiano educativo, um processo de procura de conhecimento sobre as crianças, seus interesses, motivações, relações, saberes, intenções, desejos” a negociação passa por debater e chegar a um consenso com as crianças, levando a que cada criança “(…) se escute a si própria e comunique a escuta de si”.
Trabalhar por projeto envolve uma situação, a partir da qual as aprendizagens ocorrem, onde existem interações benéficas para todos os participantes e a criança é colocada no topo da aprendizagem. A situação marca o início do trabalho por projeto, sendo que esta “(…) deve despertar a curiosidade e o interesse dos alunos, incitando a uma atividade de procura (…) incerteza, dúvida” (Gambôa & Oliveira-Formosinho, 2011, p. 56).
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Kilpatrick (1971, p.81), citado por Gambôa e Oliveira-Formosinho (2011, p.57) afirma ainda que ao finalizar o projeto é necessário que “tudo o que tenha sido aprendido nas diferentes fases, possa ser afinal reunido ao seu ramo lógico, a fim de formar um todo”, apresentando ainda algumas ideias que estruturam a MTP, tais como
1) “devemos começar por onde estão os interesses dos alunos”; 2) “o problema deve ser depois analisado, clarificando-se objetivos e hipóteses”; 3) “um ou mais planos de ação- pesquisa emergirão, escolhendo-se o que parece ser capaz de melhor responder à situação- problema e às possibilidades de conduzir a pesquisa”
Outros autores apresentam também o seu entendimento sobre a MTP. Quando pensamos em trabalho de projeto, surgem diversos autores com definições próprias para explicar o que é a abordagem de projeto, nomeadamente Katz e Chard (1997, p.5) dizem que esta abordagem
(…) refere-se a uma forma de ensino e aprendizagem, assim como ao contéudo do que é ensinado e aprendido. (…) Como forma de aprendizagem, dá enfâse à participação activa das crianças nos seus próprios estudos. O contéudo ou tópico de um projecto é geralmente retirado do mundo que é familiar às crianças.
Castro e Ricardo (2002, p.8) afirmam que “É um método de trabalho que requer a participação de cada membro de um grupo, segundo as suas capacidades, com o objectivo de realizar um trabalho conjunto, decidido, planificado e organizado de comum acordo”. Segundo Katz e Chard (1997, p.20) “o trabalho de projecto pode complementar e intensificar aquilo que as crianças aprendem com as outras partes do currículo”. A MTP obedece a diversas fases sem as quais não seria possível avançar, Katz e Chard (1997) definem para esta metodologia três fases que se encontram interligadas. Assim durante um projeto existe uma fase inicial, denominada Planeamento e Arranque, cujo o objetivo é “(…) estabelecer uma base comum entre os participantes, partilhando informações, ideias e experiências que as crianças já têm acerca do tópico” (Ibidem, p.172). Na segunda fase da MTP, denominada Desenvolvimento do Projecto, o papel do
(…) professor é incentivar a utilização, independente, pelas crianças de capacidades que já possuem. Nesta altura o professor também está atento ao fortalecimento das predisposições das crianças para descobrirem e levarem a cabo um tópico que lhes interesse. O professor fornece materiais e dá sugestões e conselhos sobre formas adequadas de representarem as suas descobertas e ideias (Katz e Chard, 1997, p.175).
Por fim a terceira e última fase, denominada Reflexões e Conclusões, remete-nos para um “ensaio e reflexão sobre os novos níveis de compreensão e de conhecimentos adquiridos”
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(…) pode-se organizar uma actividade em que as crianças possam apresentar o que aprenderam aos seus colegas da classe (…) pais ou crianças de outras classes para ver o seu trabalho e explicar o que aprenderam, como aprenderam e os procedimentos que utilizaram para desenvolver o projeto (Ibidem, p.176).
Esta metodologia é também enriquecedora das competências comunicativas das crianças em termos individuais e também de grupo, proporcionadas pelo contexto que se cria ao aplicar o trabalho de projeto, neste caso o contexto afetivo, cognitivo, social e físico (Castro e Ricardo, 2002).
Para concluir, podemos assim perceber que a MTP, no seu verdadeiro significado, é ideal para a construção de saberes, pois promove “ (…) a importância da ligação da criança ao mundo através do pensamento e da ação, como palco efetivo do desenvolvimento de competências” (Gambôa & Oliveira-Formosinho, 2011, p.73). Assumindo-se assim como uma prática construtivista, libertadora dos sujeitos que nela participam. Nesse sentido o educador deve ser reflexivo e consciente da sua posição ao decidir aplicar esta metodologia na sua sala e com as suas crianças.