Ao refletir sobre a experiência que tive em contexto de JI, nomeadamente com o grupo de crianças em particular e também com a Educadora cooperante e a Assistente operacional, elementos fundamentais e essenciais na aquisição de conhecimentos acerca deste contexto, sinto que as aprendizagens que efetuei nesse espaço foram fundamentais para o meu desenvolvimento pessoal e profissional. Sem dúvida que amadureci um pouco mais, que progredi em termos de autoconfiança, vitalidade e tranquilidade, relativamente ao meu papel em contexto de creche.
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Enquanto futura profissional de educação de infância tenho consciência das minhas limitações e também das aprendizagens que ainda tenho de realizar. Sinto que a formação que recebemos por muito exigente e complexa que tenha sido, nunca é suficiente. Neste caso as aprendizagens mais significativas que interiorizei surgiram através do contacto direto com as crianças. Foi com elas, que aprendi a agir em determinadas situações, mais ou menos complexas, que aprendi a mover-me num espaço com uma dinâmica bastante particular, como a sala de atividades de um JI.
Foi através da comunicação constante com o grupo, quer pela palavra, quer pela expressão, movimento corporal “ (…) canal das vivências interiores da criança, das suas tensões em relação com o seu próprio corpo, com os outros (…) e com os objectos” (Zabalza, 1992, p.34) e também afetos, que fiquei a conhecer um pouco melhor cada uma das vinte e cinco crianças. Segundo Zabalza (1992, pp.25 e 26)
A criança (…) tem sentimentos muito intensos que exprime através da sua conduta e da sua forma de estar (…) A escola, relativamente à dimensão orético-expressiva, deve trabalhar com diversas linguagens (…) que lhe permitam abordar tanto a expressão como o entendimento da dinâmica interior das experiências profundas do “eu”.
Inicialmente enfrentar o grupo de crianças foi um processo algo complexo mas sinto que com o passar do tempo vivenciámos, todos juntos, momentos bastante felizes e autênticos. Tentei em cada dia dar atenção a todas as crianças, isto é sentar-me com elas, ouvi-las, atender aos seus pedidos, colocar-me nos seus papéis, entrando assim nas suas brincadeiras e no seu mundo de fantasia. Sem dúvida que o poder de comunicar com as crianças e ouvir as suas palavras é fundamental para implicá-las nos diferentes momentos e estimular a sua curiosidade, tão caraterística desta faixa etária. Por exemplo em diferentes situações as crianças foram levadas a observar pormenores, quer no interior, quer no exterior da sala de atividades, para os quais pareciam ainda não ter despertado. As crianças facilmente se implicavam na descoberta de determinadas curiosidades e factos acerca dessas situações.
Adotei também algumas estratégias, no que respeita à comunicação com as crianças em diferentes situações. Percebi que seria mais fácil se assumisse determinadas atitudes mais descontraídas, por exemplo comunicar com o meu corpo, recorrendo às minhas mãos, ou usar objetos da área da casinha, simulando outras funções para estes. Por exemplo, e mais do que uma vez, face à situação em que as crianças não queriam deixar a área da casinha para se juntarem aos amigos que estavam já no tapete, acabei por usar um pequeno ferro de engomar e alguns alimentos de plástico, com o objetivo de simular um telefone, para
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sugerir às crianças que tinham de realizar determinada ação. Estas alinharam rapidamente, sendo que por vezes pegavam num determinado objeto, sorrindo, à espera que eu comunicasse com elas da mesma forma.
Deste modo, gerou-se uma cumplicidade saudável e bastantes momentos divertidos, por vezes quando o grupo estava agitado, algumas crianças alertavam, afirmando “a mão da Cristiana quer falar”, sendo que percebi que essa situação tinha marcado de certa forma a comunicação com o grupo.
Ao refletir sobre algumas das minhas intervenções perante o grupo, sei que eu própria condicionei a minha atuação, pelo facto de permitir que as crianças interagissem comigo, ultrapassando, por vezes alguns “limites”, nomeadamente enquanto dialogavam em grande grupo algumas crianças, seguravam na minha mão, ou queriam sentar-se ao meu colo, levantando-se mesmo do tapete sem terem sido convidadas a fazê-lo. Percebi obviamente que assim que o permitisse, as restantes crianças também sentiriam vontade em fazê-lo, correndo o risco de gerar assim alguma falta de atenção e/ou conflito, tentei reprimir essas situações apesar de me custar um pouco negar essa atenção às crianças, percebi ainda que a minha colega tinha em atenção essas situações, por isso, tentei igualmente fazê-lo.
Além disso, as crianças queriam que me sentasse na mesa delas enquanto lanchavam, pediam-me que fosse brincar com elas sendo que tive de aprender a gerir a minha disponibilidade perante vinte e cinco crianças com necessidades muito próprias. Por vezes, tive de me adaptar para proporcionar atenção às crianças, essencialmente em momentos mais a sós, quando estas queriam mostrar algo, contar uma história, jogar um jogo em específico, fazer desenhos, etc. Senti que as crianças apreciavam esses momentos mais individuais, porém por vezes se sentia que o momento poderia ser benéfico para outras crianças, tentava captar a atenção destas sugerindo se queriam aprender algo novo, ou se já sabiam sobre determinado assunto.
Relativamente às aprendizagens efetuadas, às posturas por vezes menos descontraídas e aos receios que me acompanharam nesta etapa fascinante, apesar de ter sentido evolução em termos de autoestima, autoconhecimento e de autoconceito, reconheço que estes ainda não são suficientes perante a exigência que esta profissão coloca em mim, a nível pessoal e enquanto futura profissional. Tenho consciência que terei que me reconquistar, perceber
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e aceitar os meus pontos fracos, melhorando-os, mas acima de tudo reconhecer os fortes pois sei que eles existem.
Tenho em mim, a consciência de que as crianças precisam de sentir segurança e confiança da minha parte para que possam elas também ser seguras e confiantes nas suas vivências e na forma como resolvem os seus problemas e ainda como se relacionam com o mundo físico e social, sendo mais autónomas, independentes e críticas. Segundo Combs (1965) referido por Spodeck & Saracho (1998, p. 149), o profissional de educação distingue-se pela atitude positiva que tem consigo mesmo e com os outros, desde as crianças, aos adultos com quem se relaciona, pais, colegas e restantes intervenientes educativos. O autor afirma ainda que profissionais com autoconceitos positivos “ (…) podem melhorar o autoconceito de seus alunos”, garantindo assim um ambiente positivo, agradável, seguro e descontraído. Ao vivenciar com o grupo de crianças as suas rotinas e as suas descobertas, estas revelaram-se seres em constante evolução e com uma grande “bagagem” de saberes e competências.
Inicialmente tive algum receio em relação à minha atuação e capacidade de estar com o grupo de crianças. Este receio tornou-se mais evidente devido ao número elevado de crianças em comparação com o grupo de creche. Senti que a diferença ao nível do desenvolvimento, das crianças de diferentes faixas etárias, em diferentes domínios, poderia contribuir para dificultar o conhecimento individual e particular de cada uma. Considero fundamental esse conhecimento como forma de aproximação às crianças, também em termos afetivos e de relação. Inicialmente pensava ter de planificar as atividades e adequar o discurso para as diferentes faixas etárias que existiam no grupo de crianças. Porém o próprio grupo de crianças mostrou-me através do seu envolvimento e dinâmica, que a mesma atividade podia ser explorada de formas diferentes, atendendo em simultâneo, quer à faixa etária da criança, quer aos seus níveis de desenvolvimento individuais. Percebi também a importância que o educador deve garantir ao grupo enquanto entidade coletiva, construída pela individualidade de cada criança, e pelas relações que se estabelecem aí. As próprias crianças através do seu olhar, sugestões, posturas, revelaram generosidade para comigo, fazendo com que percebesse, que elas são seres extraordinários, que necessitam constantemente de se sentirem úteis, valorizadas e implicadas nas suas tarefas, ajudando-me assim a adequar melhor as minhas posturas e intervenções.
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