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O adulto aqui visto como o educador tem um papel fundamental na creche enquanto figura que transmite segurança e confiança à criança e ao grupo de crianças. Segundo Hohmann e Weikart (2011, p. 65) “O apoio constante e atento de adultos é decisivo no florescimento das várias potencialidades da criança: crescer, aprender e construir um conhecimento prático do mundo físico e social”. As crianças até aos três anos precisam essencialmente de sentir segurança, de cuidados que satisfaçam as suas necessidades físicas e afetivas, de conforto e da previsibilidade dos diferentes momentos do seu dia. O educador, como adulto de referência, deve estimular a criança no sentido de a ajudar a encontrar as ferramentas que a levarão a mover-se de uma forma saudável na sociedade em que está inserida, isto é o saber-ser, o saber-estar e o saber-fazer, e isso só é possível

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através de uma interação positiva e cúmplice entre ambos. Ao longo do dia quando está com a criança, o educador organiza a rotina desta, prevendo para os diferentes momentos, diferentes intencionalidades e diferentes aprendizagens, porém existem também momentos em que não se tem necessariamente uma intenção delineada. Por vezes o educador apenas está presente e observa a criança a mover-se, nos diferentes espaços, que ela pensou e organizou, e a interagir com as outras crianças e os objetos, intervindo apenas quando esta necessita ou demonstra precisar dele. Gerber (1979), citada por Portugal (2000, p. 92) definiu dois tempos de interação com as crianças, “tempo de qualidade, aquele em que se visa alguma coisa”, em que a criança e o educador estão envolvidos num momento previamente definido por este e “tempo de qualidade em que não se visa nada em especial”, sendo que o educador está disponível, estando livre e pronto a responder à criança. Parente (2012, p.5) afirma que “De facto, interações positivas que respondam às necessidades das crianças são um ingrediente importante para o estabelecimento e desenvolvimento de relações de confiança entre os adultos e as crianças e as suas familias”.

Importa assim sublinhar a importância de criar tempos de interação diferenciados os que têm subjacente o desenvolvimento de competências explícitas e aqueles em que o olhar não visa a concretização de intencionalidades especiais.

Ao longo dos diferentes momentos do dia, o educador estabelece interações que envolvem quer a criança, ser individual, quer a criança enquanto elemento de uma entidade coletiva, sendo que o espaço da creche dá resposta às suas necessidades. Post e Hohmann (2011, p.61) defendem algumas estratégias facilitadoras da interação entre o adulto e a criança, por exemplo “Criar um clima de confiança com as crianças”; “Estabelecer uma relação cooperante com as crianças” e “Apoiar as intenções das crianças”.

O educador na interação com a criança pode e deve desenvolver nesta a confiança em si mesma, e também nele enquanto a principal figura de referência que cuida e conforta. Os educadores

(…) interagem com bebés e crianças pequenas de uma maneira muito física, sabendo que segurar, tocar, abraçar, fazer festas, baloiçar, cantar, falar suavemente e estar ao alcance do olhar e da mão é fundamental para crianças muito pequenas que experimentam tudo e todos de um modo sensorial e activo (Ibidem, p.69).

De facto uma criança pode ainda não entender o que o adulto lhe diz (comunicação verbal), mas entende perfeitamente a sua linguagem corporal, facial e gestual (comunicação não-

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verbal). Os educadores, só o são, por apreciarem verdadeiramente estar com crianças e participar nas suas maneiras de vivenciar o mundo, (Ibidem, p.69) afirmam que “ (…) as interacções com (…) crianças podem ser tão variadas e diversas quanto as próprias crianças, pelo que os educadores procuram adaptar o seu estilo de interação a cada criança individualmente”.

Dar resposta às necessidades e pedidos das crianças, bem como dar-lhes diferentes tempos para interagirem e responderem aos desafios é garantir uma interação positiva com estas. O educador deve dar atenção constante às crianças, mostrando assim estar disponível para elas. Post e Hohmann (2011, p.71) afirmam “Mesmo quando a criança ainda não é capaz de responder, tranquiliza-se com a presença do educador, com a sua voz calma e atenção particular ”. Isto valoriza o ritmo individual das crianças e dá-lhes espaço para agir e reagir aos estímulos provenientes do meio que a envolve e das interações que aí estabelece. Nestas interações, o educador é fundamental para garantir que a criança interaja com outras crianças e outros adultos também, pois a creche não se resume apenas ao espaço da sala.

Por forma a criar uma relação de cooperação com a criança deve “Investir em tempo e energia para construir uma pessoa “total” ”, um dos princípios educativos de Gonzales- Mena e Eyer (1989), citados por Portugal (2000, p.96). Essa relação de cooperação consegue-se interagindo ao nível físico da criança, respeitando as suas preferências e os seus temperamentos. Um educador sensível entende que a individualidade de cada criança pode condicionar a interação com as pessoas que a rodeiam e também com os materiais. Thomas e Chess (1970) citados por Post e Hohmann (2011, p.75) definiram alguns aspetos do temperamento tais como “ (…) nível de actividade, ritmo biológico, aproximação ou retirada, adaptabilidade, qualidade do humor, intensidade da reacção, limiar de sensibilidade, resistência à distracção e persistência”. O educador enquanto interage com a criança assume ainda um papel importante no diálogo e na comunicação que mantém com esta, devendo este comunicar de forma equilibrada, permitindo à criança entrar na conversa e responder com as suas ideias.

Neste processo de interação com os objetos e com outros, a linguagem é, assim, um lugar bastante importante. Efetivamente, a relação com os outros, faz-se frequentemente de gestos e de verbalizações. Também Rigolet (2006, p. 53) afirma a importância do desenvolvimento linguístico dizendo que “A criança aprende a falar, ouvindo falar; do balbucio em que a criança tenta imitar os sons da linguagem do adulto, ela extrai pouco

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a pouco a compreensão dos significados (…)”. O educador constitui-se então como alguém que ao interagir com a criança acaba por estimulá-la a desenvolver-se no sentido cognitivo, físico, psicossocial, afetivo e também moral. Ao apoiar as intenções das crianças, ajuda-as a explorar o mundo que as rodeia, levando-as a utilizar os seus sentidos, a sua linguagem, a sua imaginação e criatividade.