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Na terceira e última fase deste projeto, correspondente à consolidação, avaliação e divulgação do projeto, as crianças realizaram atividades nesse sentido. Por forma a perceber o nível de compreensão e de conhecimentos, recorremos ao diálogo com as crianças, avaliando o seu feedback sobre todo o processo.
O grupo de crianças foi então convidado a refletir sobre o processo que vivenciaram e questionados sobre se já possuíamos todas as informações necessárias para responder à questão do projeto “As crianças mais altas são as crianças mais pesadas?”. Este momento deu lugar a um pequeno jogo, em que as crianças, duas a duas, procuraram os colegas de acordo com os critérios espelhados nas indicações que escutaram. Por exemplo, “Qual a criança mais alta? E a mais baixa?”; “Qual a criança mais leve? E a mais pesada?”; “Será que existem duas crianças com o mesmo peso? E com a mesma altura?” e “Será que existem crianças com o peso diferente e com a mesma altura?”. Consoante a faixa etária de cada criança adequámos as questões, utilizando apenas um critério ou dois em simultâneo. O grupo de crianças concluiu, durante o jogo, que “Somos todos diferentes, temos pesos e alturas diferentes” (FS, com seis anos); “Também há meninos que são da mesma altura e que não têm o mesmo peso” (JC, com seis anos); “Há meninos com o mesmo peso, mas que têm alturas diferentes” (AY, com seis anos); e “A AL é mais pesada e mais alta e a S (criança SC) é a mais baixa e a mais leve” (LA, com cinco anos). Posteriormente a este momento as crianças foram escutadas por forma a percebermos e avaliarmos todo o processo vivenciado, sendo que este se encontrava prestes a terminar, assim as crianças responderam a algumas questões. De seguida transcrevo o diálogo
“O que sabíamos?”
- “Às vezes algumas pessoas são mais pesadas e outras são mais leves” (AV, com cinco anos)
- “Somos todos diferentes” (MR, com cinco anos)
- “Umas pessoas são mais altas e outras mais baixas” (MD, com seis anos)
“O que fizemos?”
- “Pesámos, medimos, fizemos as torres com os legos, pintámos as barras e construímos aquilo com as balanças” (FS, com seis anos)
“O que descobrimos?”
- “Os pesos não são todos iguais” (IO, com seis anos)
- “Os mais baixos podem ser os mais pesados” (FS, com seis anos) - “A SC é mais baixa que a AL” (MiS, com quatro anos)
- “Sou muito grande, mais pesada e mais alta” (AL, com cinco anos)
- “Alguns são mais altos e pesam menos e uns meninos são mais baixos e pesam mais” (MR, com cinco anos)
“O que gostámos mais de fazer?”
- “Gostei de medir-me” (AY, com seis anos)
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- “Gostei de medir-me e pintar as barras” (JM, com quatro anos) - “Pintar as tiras e do Mucali” (MT, com cinco anos)
- “Gostei dos jogos” (MP e MC; ambos com quatro anos; GF, MR, AL, CP, MG e LA, com cinco anos; IO e FS, com seis anos)
- “Gostei de construir as torres com os legos” (AL, com cinco anos) - “Gostei de montar os legos” (AV, com cinco anos)
Ao conversar com as crianças sobre todo o projeto pude constatar com facilidade que estas se envolveram em todas as fases com naturalidade, sentindo-se entusiasmadas e motivadas em concretizar as diferentes representações bem como na descoberta dos dados para a elaboração destas. Ao formularmos questões como “O que gostámos menos de fazer? Porquê?”; “O que podíamos ter feito de diferente? Porquê?” e “Onde sentiram mais dificuldade?”, as respostas das crianças foram positivas, sendo que estas não nomearam nenhum momento que tenham gostado menos, e afirmaram não sentir dificuldade na concretização das atividades ocorridas em cada etapa do projeto. Considero que a diversidade de atividades, com recurso a diferentes materiais únicos e originais, contribuiu facilmente para as crianças se manterem motivadas e implicadas neste projeto. Ao relembrar o diálogo com as crianças percebo o quanto foi significativo para estas a participação no projeto, devido às suas reações positivas, nomeadamente através das emoções e expressões faciais, aproximações frequentes às representações gráficas do peso e da altura. Igualmente ao demonstrarem autonomia na busca de respostas para as suas curiosidades e dúvidas imediatas, ao comunicarem com os pais sobre projeto sendo que estes também se interessaram e questionaram as crianças sobre onde estas se encontravam na representação, quais os dados obtidos (quando estes vinham à sala de atividades). Constatei ainda o envolvimento positivo do grupo de crianças através da evolução do seu vocabulário, dizendo “baixo” e “alto”, substituindo assim os vocábulos “pequeno” e “grande”, entre outros. As crianças recordaram ainda o processo que vivenciaram, de forma frequente, mostrando conhecimentos sobre as diversas fases. Para finalizar este projeto, as crianças puderam divulgar o projeto aos seus colegas do 1º ciclo. O grupo foi então questionado acerca de como poderíamos dar a conhecer o projeto (ver diálogo abaixo transcrito) e todas as fases deste, explicando o processo desde o seu início até ao seu término. Nesse sentido combinámos que iríamos divulgar esta “aventura” aos colegas do 1.º Ciclo (sendo este Jardim de Infância inserido na EB1 a Guimarota), as crianças sentiram-se entusiasmadas por essa hipótese, pois o grupo sempre demonstrou facilidade em relacionar-se com os amigos do 1.º Ciclo, inclusive interagindo com estes
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na hora de recreio, por exemplo as crianças mais velhas, frequentemente queriam brincar com os amigos do 1.º Ciclo e ainda algumas crianças mais novas observavam as crianças de 1.º Ciclo a jogar futebol no campo da bola existente no espaço exterior da Instituição.
(…) - Agora que já temos resposta para o nosso projeto, como podemos dar a conhecê-lo? (Cristiana)
- Podemos convidar os pais para virem à sala. (IO, com seis anos)
- Mas eles já viram, quando nos vêm levar. Podemos mostrar às turmas das outras professoras. (FS, com seis anos)
- Assim, a minha mana podia saber o meu peso e a minha altura. (CP, com cinco anos) - Então todos concordam que podemos apresentar o projeto aos amigos do 1.º Ciclo? (Marisa) - Sim (em coro).
- Então e como é que querem apresentar o que fizemos? (Marisa)
- Podemos fazer os jogos que já fizemos aqui na sala. (AV, com cinco anos)
- E mostrar o que construímos com os legos, com o papel crepe e as balanças, e as barras das alturas. (AY, com seis anos) (…)
As crianças receberam assim uma turma de cada vez, colocando-se em frente à representação da altura, (frente à sua respetiva barra), explicaram o que significava a informação retratada na representação do peso quer a tridimensional, quer a bidimensional. As crianças falaram ainda do registo de seriação. No decorrer deste momento as crianças realizaram novamente o jogo em que o objetivo era procurar a criança mais alta e a mais baixa; a criança mais leve e a criança mais pesada. Tinham ainda que encontrar duas crianças com o mesmo peso; duas crianças com o mesmo peso e altura diferente; duas crianças com a mesma altura e duas crianças e com a mesma altura e pesos diferentes. O facto de termos convidado os amigos do 1.º Ciclo remete-nos para a questão da articulação educativa, sendo “ (…) função do educador proporcionar as condições que cada criança tenha uma aprendizagem com sucesso na fase seguinte competindo-lhe (…) facilitar a transição da criança para a escolaridade obrigatória” (Ministério da Educação, 1997).
A divulgação de um projeto é uma das etapas finais da MTP. Castro e Ricardo (2002, p.8), entendem que esta metodologia tem o propósito de
(…) praticar competências sociais, tais como a comunicação, o trabalho em equipa, a gestão de conflitos, a tomada de decisões e a avaliação de processos; para aprender fazendo, para ligar a teoria à prática, para fazer uma interdisciplinaridade (…); para realizar aprendizagens e desenvolver as múltiplas capacidades das pessoas que são os alunos; para aprender a resolver problemas, partindo das situações e dos recursos existentes.
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Esta metodologia leva as crianças a enriquecer as suas competências comunicativas, desenvolvendo estas a própria linguagem, mas também a linguagem coletiva (a do grupo de crianças).