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R&D and innovation in growth enterprises

3 Results, effects and cooperation on R&D and innovation

3.6 R&D and innovation in growth enterprises

Continuando nosso trabalho de busca das bases teóricas que presumivelmente inspiraram a atual legislação brasileira para formação de professores, analisaremos agora as noções de competências profissionais presentes nas atuais diretrizes.

De acordo com o artigo 3º da Resolução 1 do CP/CNE de 18 de fevereiro de 2002, a formação de professores que atuarão nas diferentes etapas e modalidades da educação básica observará princípios norteadores desse preparo para o exercício profissional específico, que considerem a competência como concepção nuclear na orientação do curso. Também deve considerar a coerência entre a formação oferecida e a prática esperada do futuro professor, tendo em vista os conteúdos, como meio e suporte para a constituição das competências.

Nos artigos 4º e 5º da resolução citada:

“Art. 4º Na concepção, no desenvolvimento e na abrangência dos cursos de formação é fundamental que se busque:

I - considerar o conjunto das competências [grifo meu] necessárias à atuação profissional;

II - adotar essas competências [grifo meu] como norteadoras, tanto da proposta pedagógica, em especial do currículo e da avaliação, quanto da organização institucional e da gestão da escola de formação.

Art. 5º O projeto pedagógico de cada curso, considerado o artigo anterior, levará em conta que:

I - a formação deverá garantir a constituição das competências [grifo meu] objetivadas na educação básica;

II - o desenvolvimento das competências [grifo meu] exige que a formação contemple diferentes âmbitos do conhecimento profissional do professor.”

Na mesma resolução, o Conselho Pleno do Conselho Nacional de Educação ainda enfatiza que, na construção do projeto pedagógico dos cursos de formação dos docentes, serão consideradas as competências referentes:

a) Ao comprometimento com os valores inspiradores da sociedade democrática;

b) À compreensão do papel social da escola;

c) Ao domínio dos conteúdos a serem socializados, aos seus significados em diferentes contextos e sua articulação interdisciplinar;

d) Ao domínio do conhecimento pedagógico;

e) Ao conhecimento de processos de investigação que possibilitem o aperfeiçoamento da prática pedagógica;

f) Ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional.

Ainda de acordo com a legislação, as competências enumeradas anteriormente não esgotam tudo que uma escola de formação deva oferecer aos seus alunos. Elas deverão ser contextualizadas e complementadas pelas competências específicas próprias de cada etapa e modalidade da educação básica e de cada área do conhecimento a ser contemplada na formação.

A definição dos conhecimentos exigidos para a constituição de competências deverá propiciar a inserção no debate contemporâneo mais amplo, envolvendo questões culturais, sociais, econômicas e o conhecimento sobre o desenvolvimento humano e a própria docência (art. 6º; § 3º).

As menções demonstram a relação direta da influência do conceito de competências, difundido por Philippe Perrenoud em nossa legislação de formação de professores.

Perrenoud é sociólogo suíço, professor na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação na Universidade de Genebra18, autor de várias obras

importantes na área de formação de professores. É um dos educadores mais conhecidos por suas obras e por suas idéias pioneiras sobre a avaliação em sala de aula e sobre a profissionalização do professor. Foi depois do doutorado em Sociologia, em que estudou as desigualdades sociais e a evasão escolar, que o professor passou a se dedicar ao trabalho com alunos, às práticas pedagógicas e ao currículo dos estabelecimentos de ensino de Genebra.

O conceito de competência é citado por Perrenoud como uma capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar um tipo de situações (2000, p. 15). Esse conceito pode ser aplicado aos alunos, professores, formadores de professores e outros profissionais, porém não deve ser confundido com o conceito que, normalmente, as empresas utilizam para designar um profissional competente. Para o sociólogo suíço, não é correto falarmos de um professor competente ou incompetente, mas de um perfil de competências que varia de profissional para profissional.

Dentre as obras que tratam das competências relativas aos professores destaca-se “Dez novas competências para ensinar”, onde Philippe Perrenoud organiza dez grandes famílias de competências julgadas como coerentes com o novo papel dos professores. Eis as famílias:

1 – Organizar e dirigir situações de aprendizagem. 2 – Administrar a progressão das aprendizagens.

3 – Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação. 4 – Envolver os alunos em suas aprendizagens em seu trabalho. 5 – Trabalhar em equipe.

6 – Participar da administração da escola. 7 – Informar e envolver os pais.

8 – Utilizar novas tecnologias.

9 – Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão. 10 – Administrar sua própria formação contínua.

Perrenoud subdivide estas dez famílias de competências em quarenta e quatro mais específicas a serem trabalhadas em formação contínua.

Na mesma obra, o autor ressalta que um professor, ao longo de sua carreira profissional, desenvolve uma série de competências que são tratadas como pouco nobres ou como “ossos do ofício”: acalmar a classe, estabelecer uma certa ordem, corrigir provas, dar uma orientação, ajudar um aluno em dificuldade, fazer com que os alunos trabalhem em grupos, explicar de novo uma noção mal compreendida, planejar um curso, dialogar com os pais dos alunos, mobilizá-los em torno de um projeto ou de um enigma, sancionar na medida adequada, conservar o sangue frio. De outro lado, competências ligadas ao conhecimento teórico são extremamente valorizadas. Já em outras profissões verificamos uma extrema valorização das habilidades construídas ao longo da experiência

profissional o que provoca até uma admiração dos colegas. Para Perrenoud, poderíamos dizer, exagerando um pouco, que os professores têm vergonha das habilidades.

Na primeira família de competências, Perrenoud cita que o professor deve dominar os conteúdos a serem ensinados, porém não apenas isso. Não basta saber os conteúdos, é necessário que seja criada uma linguagem acessível aos alunos, uma interligação entre os diversos domínios ensinados, etc. Além disso, deve trabalhar a partir daquilo que os alunos já conhecem e não iniciar do zero. Os erros e obstáculos devem ser encarados como uma ferramenta para ensinar, sendo identificados não como uma punição para o aprendiz, mas como uma pista de qual é a origem dos mesmos para transpô-los. Essas competências assemelham-se à dimensão das emoções cognitivas da reflexão-na-ação de Schön, relatadas anteriormente nesta pesquisa.

Ainda na primeira família de competências, o autor menciona que o professor deve criar situações que conduzam à aprendizagem aderindo a um procedimento construtivista que se opõe às tradicionais formas de transmitir o saber, como propor soluções para problemas sem que os alunos tenham oportunidade de compartilhar suas soluções ou pensamentos.

Em “Administrar a Progressão das Aprendizagens”, Perrenoud cita a importância de criar situações-problema que estimulem os alunos a buscarem novos conhecimentos a partir daqueles já assimilados. Acreditamos que seria possível dizer que se trata de solicitar os alunos em sua zona de desenvolvimento proximal, propondo situações que ofereçam desafios que estejam ao seu alcance e que levem cada um a progredir.

Outra reflexão que podemos realizar a partir da leitura do trabalho de Perrenoud é que existe um grande problema a ser enfrentado, o de que em sua vida profissional o educador normalmente trabalha em um mesmo ciclo de ensino (Fundamental, Médio, Superior), sem ter noção do que é ensinado e trabalhado em outros ciclos. Por exemplo, um professor pode trabalhar durante vários anos com alunos do ensino médio, sem saber o que é trabalhado com os alunos no Ensino Fundamental de 1ª à 4ª séries.

O autor também cita como competência a questão da avaliação: o professor deve avaliar seus alunos não através de um instrumento (normalmente

escrito), mas através de observações constantes do avanço de seus aprendizes aliados a outros instrumentos.

Também ressalta que, no ensino atual, existe uma predominância em tratar os alunos de maneira homogênea, principalmente devido ao grande número de estudantes em cada sala de aula. Perrenoud observa que saber trabalhar com a heterogeneidade de uma turma é uma competência. Mas como trabalhar essas diferenças dispondo de pouco tempo? O autor cita que a resposta pode estar na criação dos chamados dispositivos múltiplos. Por exemplo, atribuindo tarefas autocorretivas, empregando softwares interativos, organizando o espaço em oficinas, criando grupos de estudos, desenvolvendo a cooperação entre os alunos, etc.

Um fato curioso citado pelo autor é que, diferente dos cursos universitários e profissionalizantes, o ensino básico é obrigatório e portanto as crianças e adolescentes assistem a quase quarenta aulas semanais sem poderem optar por não fazerem isso. Na verdade, a maioria talvez não gostaria de estar lá, mas estão por obrigação. Dessa forma, uma competência a ser desenvolvida é estimular o desejo de aprender, dar sentido ao que está sendo ensinado, oferecendo oportunidades para que os alunos expressem suas opiniões através de conselhos e negociem regras e contratos didáticos.

Perrenoud cita outras competências como: “Trabalhar em Equipe”, ligado a capacidade do docente em estabelecer relações interpessoais, “Participar da Administração da Escola”, onde ressalta a importância do professor preocupar-se com os projetos e metas da instituição onde trabalha e não apenas com suas aulas e “Informar e envolver os pais”, onde cita a importância de dirigir reuniões de informação e de debate, fazer entrevistas e envolver os pais na construção dos saberes. Retomando o cerne desta pesquisa, parece-me (hipótese), que estas competências são desenvolvidas ao longo da carreira do professor, de acordo, também, com as experiências pessoais de cada um. Para serem desenvolvidas em um curso de formação inicial, seria importante, por exemplo, a criação de projetos que envolvessem o trabalho colaborativo entre os licenciandos e o corpo docente de instituições de ensino onde os futuros professores realizam seus estágios.

O autor também cita que utilizar novas tecnologias é uma importante competência a ser desenvolvida pelo novo professor. Os alunos utilizam

computadores no seu cotidiano e essa ferramenta é imprescindível para a profissionalização. Porém, os softwares evoluem e exigem que, mais do que aprender a usar um aplicativo, o aluno seja “alfabetizado” em relação à informática. Dessa forma poderá prosseguir na utilização dessas ferramentas, mesmo longe da escola.

Perrenoud também destaca que o avanço tecnológico é uma ferramenta para a educação à distância. Cita, também, que a utilização de hipertextos pode ajudar a construir uma rede de conteúdos interligados para que os alunos busquem informações de acordo com sua capacidade para relacioná-las. Isso exige uma grande preparação do educador, pois deve dominar essas novas tecnologias e estar sempre atualizado.

Outras competências citadas como sendo intrínsecas à profissão docente: o professor não deve ser apenas um especialista, mas deve, além disso, preocupar-se com questões sociais para o bem estar da comunidade com a qual trabalha. Também deve preocupar-se com sua formação contínua, sempre procurando novos conhecimentos e estratégias.