Ainda estava em andamento o levantamento de dados por quatro redes de EA, previsto pelo projeto “Tecendo Cidadania”, para chegar a um amplo diagnóstico das redes de EA no país. Adiantando-se a ele, no início de 2004, a secretaria-executiva da Rebea promoveu uma análise do perfil dos seus membros. Remeteu, por meio eletrônico, mais de dois mil questionários a participantes da lista aberta de discussão, aos facilitadores e ao público inscrito para receber o boletim eletrônico semanal da “rede das redes”. As perguntas versavam sobre a área de atuação, práticas de EA, formas de participação em coletivos, além de dados pessoais, como complemento. Vieram 177 respostas. Algumas conclusões são reveladoras.
Talvez efeito do acesso ainda relativamente restrito à internet, viu-se que a grande maioria dos membros da Rebea (99%) eram pessoas com formação acadêmica, das quais dois terços (67%) com mestrado ou doutorado, concluído ou em curso. A formação era eclética mas, como era de se esperar, predominavam as áreas de pedagogia e educação (38), seguidas de especialização em gestão ambiental (34) e ciências biológicas (21). Mais da metade (54%) classificava-se com a dupla função de educador/a ambiental e pesquisador/a.
Eram majoritariamente pessoas do Sudeste brasileiro (115), seguidas do Centro-Oeste (25), região Sul (22), Norte (13) e Nordeste (12). Os seis estados sem redes de EA (Tocantins, Roraima, Sergipe, Alagoas, Piauí e Maranhão) não tiveram respondentes. Quanto ao vínculo institucional dessas pessoas, a maioria atuava em universidades (60). No segundo lugar, em posição de empate, estava a atuação em ongs, e na soma das três instâncias dos órgãos de governo (35). Também empatadas no terceiro posto, empresas de consultoria e instituições de Ensino Fundamental e Médio (9).
Mas a atividade cotidiana era bem mais larga. No quesito educação não formal (fora da sala de aula), ainda predominava a ação em órgãos da sociedade civil, seguido do trabalho do governo, sobretudo na esfera do Executivo. Talvez tendência, cerca de 40 já declararam atuar em empresas. E mais de 70 tinham consultoria entre suas atividades profissionais. A pesquisa mostrou que o alvo
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Novo desenho institucional
Após se definir o arcabouço legal para a EA e se formalizar o OG-PNEA, os programas do Governo Federal na área de EA foram sendo reagrupados de forma a atender às novas demandas. Uma das premissas foi o diálogo entre as esferas de governo, para planejar e implementar políticas públicas de EA nos níveis federal, estadual e municipal. A idéia era estimular mecanismos participativos, que desembocassem na construção do Sistema Nacional de EA. Mas também trabalhar com os demais “atores e autores” de EA.
No Ministério do Meio Ambiente, a DEA partiu da multiplicidade de práticas e reflexões que caracterizam a EA no Brasil, e o desafio de enraizar a EA, a totalidade de brasileiras/os em todos os setores e regiões do país, para desenhar três linhas de ação:
• Apoio à Gestão e Planejamento da EA. Com a missão de trabalhar pela internalização da EA nas três esferas do governo e demais setores sociais, seja pelo fortalecimento de coletivos e colegiados, como pelo suporte ao planejamento, gestão, e avaliação de projetos e programas nesta área.
• Formação em educação ambiental. Propõe ampliar e qualificar o contingente de educadoras/es ambientais populares pela articulação com instituições que atuam na área.
• Comunicação para a educação ambiental. Para buscar a visibilidade pública do tema. Aí entram desde o Programa de Educomunicação Socioambiental – que propõe a comunicação ambiental com caráter educador – até a disponibilização de informações através de duas bases de dados: o Sistema Brasileiro de Informação sobre Educação Ambiental (SIBEA) e o Centro de Informação e Documentação Ambiental (CID-Ambiental).
Por sua vez, a CGEA/MEC evoluiria na direção de um sistema para atuar a partir das escolas. Seriam quatro as dimensões do trabalho:
• EA Difusa: onde entrariam grandes campanhas, como as Conferências de Meio Ambiente nas Escolas, que prevêem a participação da comunidade e populações tradicionais;
• EA Presencial: através de ciclos de seminários nacionais, estaduais e locais de formação de professoras/es e alunos para aprofundar conceitualmente temas relevantes sobre cidadania ambiental (Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas);
• Fomento a projetos: estimulando ações transformadoras nas escolas e comunidades (Programa Educação de Chico Mendes);
• Tecnológica: em que trabalha pela inclusão digital por meio do apoio à iniciação científica com escolas (Ciências de Pés no Chão).
Como veremos, esse desenho voltado ao meio escolar decorreu da sinergia criada pelas Conferências Nacionais Infanto-Juvenis do Meio Ambiente (CNIJMA), que reforçaria o diálogo com a comunidade e movimentos sociais por meio de Secretarias de Educação, ongs e a formação de Coletivos Jovens, responsáveis pela criação das Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas escolas (Com- Vidas).
majoritário da EA fora de salas de aula era o jovem, seguido pelos adultos e crianças. Terceira idade era o segmento menos visado.
Quanto ao ensino formal, também em questão com múltiplas respostas, o destaque ficou para o Ensino Superior (76), seguido do Ensino Fundamental (68), Médio (62) e especialização (44). Naturalmente, a área com menos profissionais eram os cursos de doutorado (9).
Dado curioso foi quanto ao período de atuação na área. Mais de dois terços (64%) disseram ter experiência de mais de sete anos com EA. Pouco mais de um quinto disse trabalhar de um a três anos, o correspondente, na maioria dos casos, ao tempo de serviço na instituição atual.
Todas as pessoas, de uma forma ou de outra, estavam ligadas à Rede Brasileira de EA. Mas dois terços declararam participar também de lista de discussão on-line (66,5%). Além da própria Rebea, foram citadas em torno de 40 redes e 70 listas de discussão ligadas aos assuntos pertinentes à área. E mais da metade (58%) afirmou divulgar informações pela internet, majoritariamente utilizando-se das listas de discussões. Outras opções citadas para a difusão foram uso de sítio institucional, seguido de blog e boletins eletrônicos89.
Notas
84 O dinheiro com a guerra também foi destaque em muitas reportagens. Um exemplo é a matéria do jornal Folha de São Paulo de 20 de março de 2007 (http://www1.folha.uol.com. br/folha/mundo/ult94u105652.shtml). Ela estimou as despesas diárias em mais de U$ 300 milhões e, citando o jornal New York Times, em um total de até US$ 2 bilhões até 2007 usados pelos EUA. Isso sem considerar gastos de outros países, ou as perdas econômicas sofridas pelo próprio Iraque.
85 “Vítimas de Guerra”, editorial do Jornal Urtiga 155, da Associação Ituana de Proteção Ambiental - AIPA (março-abril 2003). Disponível em: www.aipa.org.br (seção Jornal Urtiga).
86 “Relatório Parcial – Tecendo Cidadania”, de 27/02/2003, subscrito por Miriam Dualibi e João Carlos Seiki Nagamu. Disponível em: http://www.rebea.org.br/acoes/tecendo/ gestao_004.pdf.
87 Sítio Rebea, em pesquisa no início de 2007, e materiais de divulgação para a imprensa do V Fórum Brasileiro de Educação Ambi-ental, promovido em Goiânia, em 2004.
88 “Portfólio do Órgão Gestor da Política Nacional e Educação Ambiental” (Documento Técnico nº7 do Órgão Gestor) e Decreto Federal 4281/03, que regulamentou a Lei 9795/99. O próprio Comitê Assessor ganhou uma seção, no site do MMA, onde há informações atualizadas.
89 Informações no paper“Laboratório de Lideranças Coletivas - Análise do Perfil dos Membros da Rede Brasileira de Educação Ambiental”.