2. METHODOLOGY
2.3 O THER STAKEHOLDERS
A tabela 5.13 exibe os modelos de regressão para a variável representante do desenvolvimento de competências em relação às variáveis do modelo de gestão e variáveis de controle. Modelo (1) Y = B + X1 + X2 + X3 + X4 + X5 Modelo (2) Y = B + X1 + X2 + X3 + X4 + X5 + Z1 Modelo (3) Y = B + X1 + X2 + X3 + X4 + X5 + Z1 + Z2 Modelo (4) Y = B + X1 + X2 + X3 + X4 + X5 + Z1 + Z2 + Z3 Variável dependente
Y = Desenvolvimento de competências distintivas
Variáveis independentes X1 = Autonomia X2 = Integração X3 = Empreendedorismo X4 = Iniciativas X5 = Redes X6 = Contexto competitivo Variáveis de controle Z1 = Idade da subsidiária
Z2 = Estágio de desenvolvimento (OCDE vs. não OCDE) Z3 = Tipo de entrada (greenfield vs. aquisição)
Os dados denotam que o modelo Um, sem as variáveis de controle, tem o melhor poder de explicação (aproximadamente 15%). Novamente as variáveis de controle não alteram a explicação para o desenvolvimento de competências.
O desenvolvimento de competências em subsidiárias de multinacionais brasileiras depende da integração entre matriz e subsidiárias, da inserção da empresa na rede de
negócios no estrangeiro e do dinamismo do contexto competitivo. Logo, o resultado não permite a comprovação dos pressupostos P1a, P3a e P4a, mas suporta os pressupostos P2a e P5a e contradiz o pressuposto P6a.
Tabela 5.13 Modelos de Regressão para Desenvolvimento de Competências Distintivas
Modelos de Regressão
Desenvolvimento de Competências
Modelo 1 Modelo 2 Modelo 3 Modelo 4
Constante 2,459 2,489 2,371 2,545 independentes autonomia -0,112 -0,116 -0,102 -0,106 integração 0,234(*) 0,222(*) 0,228(*) 0,213(*) empreend. -0,043 -0,022 -0,027 -0,011 iniciativa 0,104 0,095 0,09 0,102 redes 0,234(*) 0,233(*) 0,231(*) 0,211(*) contexto .-0,257(*) .-0,246(") .-0,257(") .-0,205(") controle idade -0,143 -0,128 -0,083 local 0,092 0,045 entrada -0,198 R Quadrado Ajustado 0,154 0,149 0,137 0,134 * p < 0,05 " p < 0,10 ** p < 0,01 Fonte: Autor.
Conforme o resultado, a integração entre matriz e subsidiárias mostra-se importante para o desenvolvimento de competências nas subsidiárias estrangeiras.
• Quanto mais forte a integração entre matriz e subsidiárias, maior a possibilidade do desenvolvimento de competências distintivas nas subsidiárias.
A integração diz respeito ao trabalho em conjunto da matriz e subsidiárias, troca de informação, entendimento das atividades pelas contrapartes, bem como confiança e credibilidade no trabalho dos executivos da subsidiária. A integração entre as contrapartes traz como resultado uma maior possibilidade de desenvolvimento de competências distintivas, pois os executivos têm maior respaldo para realizar adaptações nas competências transferidas da matriz. Simultaneamente, a forte relação com a contraparte permite uma troca de experiências maior, melhorando o entendimento e posterior desenvolvimento da competência.
Por outro lado, a credibilidade e a confiança dos executivos, concedidas pela matriz aos executivos das subsidiárias, reduzem a percepção de incerteza e a perda de controle referente ao desenvolvimento de competências. Aliado a isto, a troca constante de informações e o trabalho em conjunto permitem um desenvolvimento de competências muito mais alinhado aos negócios centrais.
Os resultados também mostram que quanto maior a inserção no estrangeiro, maior a possibilidade de desenvolvimento de competências distintivas pelas subsidiárias.
• Quanto maior o envolvimento com a rede externa, maior a possibilidade de desenvolver competências nas subsidiárias.
Conforme analisado quando da elaboração dos pressupostos, e de acordo com a teoria evolucionária da rede de negócios, quanto maior a inserção da subsidiária na rede de negócios do país estrangeiro, maior a possibilidade de esta desenvolver um conhecimento inovador com grande potencial de ser raro, de ser de difícil imitação e de ser gerador de valor. Concomitantemente, a partir do momento em que a subsidiária passa a trabalhar integrada com as cadeias produtivas dos parceiros no estrangeiro, as competências não-locais transferidas da matriz precisam ser transformadas para as contingências do mercado estrangeiro, o que impulsiona o desenvolvimento de competências.
Essa inserção na rede estrangeira permite que a subsidiária tenha acesso a novos conhecimentos, que podem ser implementados para as competências existentes ou ser a força motriz para o desenvolvimento de novas competências. Trata-se de um conhecimento adquirido somente permitido pela inserção, e que se distingue das demais unidades da rede, pois é único daquele local e da configuração estrutural do arranjo da rede no estrangeiro.
Os dados mostram ainda que o contexto está associado ao desenvolvimento de competências distintivas, porém de maneira contrária ao que foi levantado no pressuposto 6a e de forma marginal (p<0,10) nos modelos apresentados. Isto significa
dizer que as observações acerca do contexto competitivo devem ser analisadas com ressalvas.
• Quanto menor o dinamismo do contexto competitivo, maior a possibilidade de desenvolvimento de competências nas subsidiárias estrangeiras das multinacionais emergentes brasileiras.
Tal resultado se coaduna com o encontrado para a transferência de competências. Conforme observado, as multinacionais brasileiras tendem a transferir suas competências não-locais para as subsidiárias em contextos competitivos dinâmicos, e estas tendem a realizar poucas adaptações nas competências. As subsidiárias em contextos competitivos menos dinâmicos, ainda que recebam a transferência de competência, a recebem em menor escala. Ademais, numa estratégia de sobrevivência em um contexto avesso à propagação da empresa, as subsidiárias precisam transformar muito mais as competências e desenvolver novas, o que garante um caráter distintivo para as competências.
Portanto, não se trata do fato de as subsidiárias em contextos dinâmicos não desenvolverem competências, elas até desenvolvem, porém como existe uma dependência e adequação da competência não-local da matriz, as subsidiárias em contextos competitivos adversos têm maior probabilidade de desenvolver competências distintivas, já que não existe uma dependência tão forte da competência não-local proveniente da matriz.
O quadro abaixo apresenta uma síntese dos resultados conforme os pressupostos levantados.
Quadro 5.3. Síntese dos Pressupostos sobre o Desenvolvimento de Competências Distintivas
Desenvolvimento de Competências Resultado
Autonomia
P 1a Quanto maior o grau de autonomia da subsidiária maior a
possibilidade de desenvolvimento de competências nas subsidiárias. .---.
Integração
P2a. Quanto mais forte a integração entre matriz e subsidiárias maior a
possibilidade do desenvolvimento de competências nas subsidiárias. OK
Orientação Empreendedora
P3a Quanto mais forte a orientação empreendedora corporativa maior a possibilidade de desenvolvimento de competências nas subsidiárias.
.---. Iniciativa
P 4a Quanto maior a intensidade de iniciativas corporativa maior a
possibilidade de desenvolvimento de competências nas subsidiárias .---.
Rede de Negócios
P5a Quanto maior o envolvimento com a rede externa maior a possibilidade
de desenvolver competências nas subsidiárias. OK
Contexto Competitivo
P6a Quanto maior o dinamismo do contexto competitivo maior a
possibilidade de desenvolvimento de competências nas subsidiárias
estrangeiras das multinacionais emergentes brasileiras
Invertido e marginal
Legenda: .--. : pressuposto não obteve suporte empírico Fonte: Autor.