• No results found

1. INTRODUCTION

1.5 T HE CDM- SYSTEM

O primeiro ponto a ser analisado é a transferência de competências da matriz para as subsidiárias, medida em termos do quanto a competência é totalmente transferida e utilizada sem adaptações na subsidiária, ou seja, o quanto as competências transferidas da matriz se encaixam perfeitamente nas operações das subsidiárias.

A tabela 5.7, que versa sobre a transferência de competências da matriz para as subsidiárias, mostra que, em média (1,89), as subsidiárias realizam muitas adaptações nas competências oriundas da matriz, isto é, grande parte das competências das subsidiárias são transferidas da matriz, mas com forte adaptação por parte das subsidiárias. Poucas são as subsidiárias que usam as competências da matriz sem adaptações, sendo também pequeno o número de subsidiárias que criam competências próprias sem nenhuma relação com a competência transferida da matriz.

Somente 14% das subsidiárias alegam usar a competência originária da matriz sem qualquer alteração para o país estrangeiro, ou seja, usam as competências não-locais da matriz de maneira idêntica em suas subsidiárias. Em 13% dos casos as subsidiárias usam as competências oriundas da matriz e as incrementam com algumas poucas adaptações, ao passo que 22% das filiais aproveitam as competências da matriz, mas introduzem um grau razoável de alterações na competência.

Todavia, ainda que aproveitem as competências não-locais da matriz, 30% das subsidiárias efetuam forte alteração nas mesmas, enquanto 21% desenvolvem competências próprias, ou seja, independentemente das competências transferidas da matriz.

Tabela 5.7: Transferência de Competências da Matriz para as Subsidiárias

Não foi transferida, mas foi criada

na subsidiária Transferida da matriz, mas com forte adaptação na subsidiária Transferida da matriz e com razoável adaptação na subsidiária Transferida da matriz, e com poucas adaptações na subsidiária Transferida da matriz e sem adaptações na

subsidiária Mediana Média Desv.

P&D 6% 25% 15% 25% 29% 4 3,42 1,32 Produção 23% 23% 30% 9% 15% 3 2,63 1,30 Vendas 41% 36% 12% 5% 6% 2 1.96 1,21 Marketing 25% 21% 30% 12% 12% 3 2,61 1,29 RH 12% 43% 23% 16% 6% 2 2,58 1,06 Transferência de Competências 21% 30% 22% 13% 14% 2,22 1,89 0,92 Fonte: Autor.

Esse primeiro resultado chama atenção para a importância da competência não-local da matriz, já que, de uma forma ou de outra, 80% das subsidiárias usaram a competência da matriz, com maior ou menor adaptação. Ao mesmo tempo, alerta para a dinâmica das competências nas multinacionais ao mostrar que embora aproximadamente 80% das competências das subsidiárias estrangeiras tenham origem na matriz, existe uma transformação dessa competência, uma vez que somente em 14% casos as competências desenvolvidas na matriz brasileira se encaixam perfeitamente no mercado internacional. Todas as demais subsidiárias da amostra fazem alguma alteração nas

competências, o que vem ressaltar a importância de uma gestão estratégica da multinacional que atribua importância e responsabilidade estratégica para suas subsidiárias.

Ao se analisar as competências de maneira isolada, chama atenção o fato de a competência de P&D apresentar o maior percentual em termos de competências usadas tal como na matriz brasileira (29%), aliado a um baixo grau de competências de P&D que foram criadas na própria subsidiária. Os números mostram, portanto, a forte dependência das subsidiárias em relação à competência não-local de P&D proveniente da matriz.

A dependência das competências não-locais de P&D da matriz é, contudo, mais acentuada para as subsidiárias localizadas em países não pertencentes à OCDE (t = 3,19; p < 0,01). Os países da OCDE realizam, em média, forte adaptação nas competências de P&D (média 4,11), enquanto os países não pertencentes à OCDE efetuam pouca adaptação (média 2,50). Outro fator que denota a diferença existente na transferência da competência é o modo de entrada das subsidiárias. Aquelas adquiridas usam menos as competências de P&D da matriz que as subsidiárias constituídas por greenfield investiments (p<0,01). Portanto, o local em que se encontra a subsidiária da multinacional brasileira é o responsável pela diferença existente em relação ao uso da competência (Anexo III).

Por outro lado, a competência em vendas é a que apresenta o maior índice de independência em relação à matriz, ou seja, é a competência na qual as subsidiárias mais independem da matriz. Da mesma forma, a competência de RH é a que exibe o índice mais forte de adaptação por parte das filiais. Ambas as competências são totalmente usadas tal como as originárias da matriz em apenas 6% dos casos. Isto mostra que as subsidiárias, para sobreviver no mercado estrangeiro, desenvolvem competências de vendas bem mais diversificadas que as existentes em solo nacional. Além disso, a forte adaptação das competências de RH mostram que a gestão de pessoas das empresas no estrangeiro diverge de maneira significativa da praticada no Brasil. Nestes dois casos o uso de competências não-locais originárias da matriz sofre grande

transformação, o que vem confirmar a importância da gestão dessas áreas em subsidiárias estrangeiras.

As competências de gestão da produção e marketing apresentam um padrão de comportamento muito semelhante. Aproximadamente um quarto das subsidiárias cria suas próprias competências. Outros 20% realizam forte alteração nas competências oriundas da matriz e outros 15% usam a competência tal como na matriz, ou seja, sem qualquer adaptação. De um modo geral, 75% das subsidiárias são obrigadas a alterar razoável ou fortemente as competências de marketing e produção. Este resultado chama a atenção para a diferença que existe entre produzir e comercializar no Brasil e no exterior. A simples transferência de competências não-locais da matriz para as subsidiárias não garante a competitividade local no exterior.

Em relação às competências de marketing, verifica-se que o marketing de subsidiárias localizadas em países da OCDE (t = 3,06; p < 0,01) é mais dinâmico que o de países não pertencentes à OCDE (anexo III).