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que faz a diferença material em termos de raça, classe e gênero. Epistemologia subjetiva e metodologia naturalística (usualmente etnográficos, também entendidos como construtivistas) são usualmente aplicados. Materiais empíricos e argumentos teóricos são avaliados em termos de aplicação emancipatória.

Vale destacar aqui dois pontos em comum encontrados nos paradigmas adotados para esta pesquisa: o primeiro com relação a um caráter mais alternativo, ou seja, menos criterioso – com relação ao método científico comumente conhecido; e a presença do subjetivismo, tanto no construtivismo quanto no materialismo. Assim, entende-se que o construtivismo e o materialismo se encaixam melhor com relação à pesquisa qualitativa aplicada nesta pesquisa, devido ao entendimento subjetivo e por adotar uma análise crítica e interpretativa.

Além disso, para Guba e Lincoln (1994), os paradigmas ligados ao positivismo (positivismo e pós-positivismo), por exemplo, apresentam uma “visão recebida” da Ciência – ou seja, àquela correspondente à concepção tradicional de Ciência – enquanto que a teoria crítica e o construtivismo são chamados de “paradigmas alternativos” pelos autores (Ibid., p. 106).

Portanto, a partir da análise dos paradigmas apresentados, entende-se que, especificamente para esta pesquisa, o foco pode ser direcionado em dois sentidos: o construtivismo e a teoria crítica. Isso não só por serem considerados alternativos (com relação ao positivismo), mas por terem em comum a busca pelo conhecimento subjetivo das pesquisas.

Assim, de acordo com Lincoln e Guba (2003), os pesquisadores que adotam a teoria crítica e o construtivismo utilizam como campos principais de interesse o conhecimento

ação do homem, produzidos pela consciência humana. Ou seja, entende-se aqui o conhecimento como uma construção humana, social, pela sua interação com os demais e com o meio, o que acaba por modificar também o próprio pensamento.

Entretanto, uma diferença inicial observada entre a teoria crítica e o construtivismo estaria no fato de que, de acordo com Lincoln e Guba (2003), na teoria crítica, a verdade e o conhecimento se encontrariam “fora” da realidade, especificamente em aspectos históricos, econômicos, raciais e sociais da opressão, marginalização e da ideologia, lhe conferindo uma característica dualista: a crítica social estaria atrelada ao surgimento de uma consciência que provocaria mudanças sociais, mas também poderia existir separada da própria mudança social; enquanto que o construtivismo, para os autores, tende para o “antifundamental” (Ibid., p. 273), termo usado para designar a “recusa de se adotar qualquer padrão permanente, invariável (ou fundamental) pelo qual a verdade pode ser universalmente conhecida” (Ibid., p. 273). Assim, a verdade somente poderia ser alcançada a partir da interação entre os indivíduos, por meio de relações comunicativas e argumentativas.

Dessa forma, segundo Guba e Lincoln (1994), o objetivo da pesquisa construtivista é, a partir da compreensão das construções iniciais dos participantes da pesquisa, levando em consideração os seus valores, criar condições que possibilitem a abertura para novas informações, produzindo assim novas interpretações e criando condições para que o conhecimento seja reconstruído. Nesse processo, o pesquisador acaba por atuar como um facilitador.

Conforme Guba e Lincoln (1994), esse tipo de pesquisa está inserida no grupo das pesquisas de abordagem de observação participantes, pesquisas com interesse nos significados que as pessoas dão aos objetos e fenômenos quando inseridas em contextos específicos da vida social. Seria então uma pesquisa interpretativa, pois lida com significados trazidos e construídos pelos participantes. Cabe mencionar que a pesquisa interpretativa é emergente e deve aflorar das situações particulares. Em uma abordagem interpretativa a coleta e análise dos dados fazem parte de um único processo interativo. Portanto, a análise e a coleta são conduzidas concomitantemente. A característica mais marcante desse tipo de pesquisa é o comprometimento em entender o fenômeno social humano pela perspectiva do indivíduo e, no caso específico desta pesquisa, se está completamente comprometido com este tipo de entendimento.

Sobre a teoria crítica, Kincheloe e McLaren (2006) observam que a sua grande caracterísitica é a de questionar o poder e a forma com que a economia, classes, ideologias, discursos, educação e outras intituiçoes sociais e a cultura participam da construção social. Pode-se dizer portanto que sua caracterítica principal é a de entender, romper e contestar o

status quo. Ou seja, analisa as instituições, questiona e entende as intenções existentes por

trás delas e combate aspectos como ideologia e poder.

Outro aspecto da teoria crítica (também encontrado no construtivismo) a ser comentado, se refere à hermenêutica crítica, que envolve o processo de interpretação das informações – considerado por Kincheloe e McLaren (2006) como essencial na pesquisa teórico-crítica. Para os autores, na pesquisa qualitativa, existe apenas a interpretação independentemente dos fatos, como o entendimento daquilo que foi observado de forma a se comunicar a sua interpretação, e não apenas uma descrição livre. Essa interpretação deve estar, entretanto, contextualizada nos meios de produção, para que se possa verificar quais as intenções dos produtores e os significados mobilizados no processo de construção.

Nesse sentido, entende-se que a pesquisa teórico-crítica, conforme definida por Lincoln e Guba (2003) e Kincheloe e McLaren (2006), se insere neste trabalho, uma vez que um dos objetivos principais é o de se verificar qual a intencionalidade da instituição durante a SNCT, analisando-se o discurso dos expositores e os textos disponibilizados.

Portanto, nesta tese adotou-se uma abordagem qualitativa de pesquisa denominada de intrepretativa-construtivista, conforme definida por Guba e Lincoln (1994). A pesquisa é interpretativa, por ter foco nos significados que as pessoas dão para se produzir uma exposição de PC; e construtivista, devido à preocupação de se entender e de se reconstruir as múltiplas realidades, conforme o entendimento do pesquisador.

Vale ressaltar que a pesquisa, apesar de não ter tido como foco principal um conhecimento produzido na parceria surgida entre o pesquisador e os visitantes, pode-se dizer construtivista em função do empenho em se ter, como resultado do trabalho de pesquisa, uma colaboração para o processo de reconstrução do pensamento de como se elaborar uma exposição museológica – preocupando-se com os vários fatores envolvidos, dentre os quais o próprio discurso apresentado durante as exposições e o seu processo de resignificação.

Assim, acredita-se ser possível conciliar os dois paradigmas (construtivista e teoria crítica), uma vez que ambos buscam, por meio da análise subjetiva, a reconstrução dos significados do objeto trabalhado (no caso a exposição para os expositores) e o entendimento dos significados daquilo que está sendo exposto, para que, de forma crítica, se entenda quais as reais intenções dos produtores do conhecimento. Essa visão também é defendida por Hooper-Greenhill (1994), como já mostrado (capítulo 1), que entende a análise construtivista como aquela na qual o conhecimento é construído a partir da interação com o ambiente e a perspectiva crítica aquela que analisa a educação pela vertente cultural.

3.2. Estratégia de Pesquisa

Adotou-se como estratégia de pesquisa o estudo de caso. Isso porque para Yin (1994), os estudos de caso são aplicados quando se pretende saber como e porque as questões são levantas, quando o investigador tem pouco controle sobre os eventos e quando o foco está relacionado a um fenômeno contemporâneo, como é o caso deste trabalho. Usualmente, conforme Yin (1994), o estudo de caso é utilizado para se estudar política científica, estudos de organizações e agências públicas. Foram essas características que levaram a se optar pelo estudo de caso para esta pesquisa, por entender a SNCT como uma organização, e tanto a Embrapa quanto o MCTI como agências públicas, estando as três (SNCT, Embrapa e MCTI) envolvidas com a política científica.

3.3. Objetivos

Este trabalho examinou então como a Embrapa planeja, prepara e executa a exposição apresentada durante a SNCT, realizada em Brasília, durante as edições de 2009 e 2010. Assim, o foco são os objetivos que a Embrapa propõe para a sua exposição e como leva isso a cabo, com vistas à SNCT, considerado um evento voltado para a PC.

3.3.1. Objetivo Geral

O intuito deste trabalho foi detectar os objetivos que uma instituição de pesquisa tem ao planejar e executar uma exposição de C&T apresentada ao público que visita o pavilhão da SNCT em Brasília, mais especificamente para os anos de 2009 e 2010.

Cabe relembrar para esta pesquisa que a PC, conforme discutido na introdução e no capítulo 1, em muitos casos, tem por um lado objetivos postos claramente – segundo aqueles que a defendem como prática para a formação da cidadania; encobertos – entre os que a entendem como uma maneira de legitimação de uma ideologia; e há ainda os que a empregam como vitrine para a propaganda dos produtos tecnológicos.

Sendo assim, de acordo com a figura 13, a PC, envolvida nos processos de Educação (Formal e Não Formal) que ocorre em museus, levando a informação para aqueles que se encontram dentro ou fora da escola, acaba por apresentar uma gama de possibilidades – intencionais ou não –, dentre as quais a formação de um público crítico e participativo ou apenas como um simples difusor de uma ideologia vigente.

Figura 13 – A Encruzilhada da PC

Diante dessa encruzilhada da PC, envolvendo o seu papel educativo relacionado à educação formal e ao seu poder de informação para a população em geral – utilizando-se como ponto de partida o debate levantado por Marandino (2001), que questiona a eficácia da PC em museus de Ciência, avaliando para isso aspectos como a linguagem utilizada pelos expositores, as características do público, a possibilidade de tornar todo o conhecimento passível de ser divulgado e as ideologias presentes no processo de divulgação em exposições museológicas – busca-se também responder as seguintes questões, que acabam se relacionando diretamente com o objetivo principal desta tese, ou seja, o papel da PC no processo educativo durante a SNCT:

• quais são os objetivos da instituição pesquisada participante da SNCT?

• qual é a linguagem utilizada?

• qual é a relação das exposições com o objetivo de popularizar a Ciência em um enfoque educativo?

• como é apresentado o conhecimento científico nas exposições?

A ideia central foi então identificar os objetivos expressos pela instituição e verificar como esses chegam ao público. Ou seja, o que realmente é efetivamente apresentado, analisando-se assim seus aspectos subjetivos (suas intencionalidades), principalmente os de caráter educativo, sendo para isso necessário também verificar o seu perfil comunicativo. Dessa forma se fez uma relação entre os objetivos declarados (apresentados) e os subjetivos (velados).